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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Os discípulos de Emaús: pedagogia da esperança

Humilde (Cena de Emaús), Pintado por Léon-Augustin L'Hermitte | Public Domain.

Aleteia Vaticano - publicado em 11/12/13 - atualizado em 08/04/26

No caminho para Emaús, Jesus encontra os dois discípulos numa situação de medo e dispersão, de descrença e desespero.

No Evangelho de Lucas, encontramos uma das passagens mais significativas quando queremos fazer uma reflexão sobre a importância da Escritura em nossas vidas. Frei Carlos Mesters em diversas oportunidades recorda a sua pertinência e inspiração, na criação dos círculos bíblicos. Por outro lado, a cada passo dado por Jesus em direção dos discípulos de Emaús, vamos encontrando uma verdadeira metodologia de trabalho pastoral. Nesta reflexão portanto, vamos voltar nossa atenção para as ações de Jesus, verdadeiro intérprete das Escrituras e agente de pastoral.

PRIMEIRO MOMENTO - LC 24,13-24 – NO CAMINHO PARA EMAÚS...

... Jesus encontra os dois discípulos numa situação de medo e dispersão, de descrença e desespero. A primeira atitude de Jesus é de aproximação, caminha ao lado deles, escuta a conversa e num segundo momento pergunta: “De que vocês estão falando? Por que estão tristes?” Não se trata de pergunta retórica, mas de pergunta concreta, que toca a vida dos dois. Em seguida se estabelece um diálogo por meio de perguntas e respostas. A realidade está sendo clareada. Através de um olhar mais crítico, afinal, os discípulos olhavam, mas com o olhar das autoridades: “Nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que tudo isso aconteceu!”

SEGUNDO MOMENTO - LC 24,25-27 – DEPOIS DE DIALOGAR E OLHAR BEM A REALIDADE...

....Jesus percebe que a visão que os dois tinham, não era das melhores. Como diz Frei Carlos Mesters, no trabalho pastoral, é preciso conhecer o tamanho da cabeça das pessoas para colocar o chapéu ideal, caso contrário, ou tapa a visão ou no primeiro ventinho vai embora… “Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo o que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória?” Jesus dá uma chacoalhada nos dois, procurando acordá-los desta realidade em que se encontram, afinal não se trata de recusa em perceber a realidade. Eles não custaram para “saber”, mas para “entender e acreditar”. O seu problema era que embora conhecessem o livro da Bíblia, e também o livro da vida, eles não conseguiam ligar as duas coisas. Então Jesus “explica” as Escrituras, isto é, Ele não dá uma aula de exegese, mas faz a ligação entre a vida deles e a Bíblia, iluminando a sua realidade com a Palavra de Deus. Com a ajuda da Bíblia, ilumina os fatos e situa-os dentro do conjunto do projeto de Deus, transformando a cruz, sinal de morte, em sinal de vida e de esperança. Assim, aquilo que os impedia de caminhar, tornou-se a força principal na caminhada, a nova luz no caminho.

TERCEIRO MOMENTO - LC 24,28-32 - JESUS SE DESPEDE DOS DOIS...

Depois deste novo diálogo, onde a Palavra de Deus iluminou o realidade da vida, Momento tenso! Se nada adiantou este trabalho, o resultado seria um mero “até breve!” ou “foi bom conhecê-lo!”. Aqui Jesus faz uma avaliação de seu trabalho. A Bíblia, ela por si, sozinha, não abriu os olhos dos dois, mas a sua leitura e interpretação fizeram arder neles o coração (Lc 24,32), e isto é muito importante. O que faz enxergar mesmo, é a fração do pão, o gesto comunitário da hospitalidade, da oração em comum, da partilha do pão ao redor da mesa. No momento em que é reconhecido, Jesus desaparece. Pois eles mesmos experimentam a ressurreição. Ressuscitam e renascem.

QUARTO MOMENTO - LC 24,33-35 - IMEDIATAMENTE, ELES LEVANTAM E VOLTAM PARA JERUSALÉM.

Tudo mudou: coragem, em vez de medo; retorno, em vez de fuga; fé, em vez de descrença; esperança, em vez de desespero; consciência crítica, em vez de fatalismo frente ao poder; liberdade, em vez de opressão! Em vez da má noticia da morte, a Boa Notícia da Ressurreição!

Por Prof. Dr. Carlos Frederico Schlaepfer

(Instituto Teológico Franciscano)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Colesterol alto?

Especialistas apontam opções acessíveis que auxiliam no controle do colesterol e destacam sinais silenciosos que podem indicar o problema. Mudanças na alimentação e atenção aos sintomas podem prevenir complicações cardiovasculares© DR | msn

Colesterol alto? Estes alimentos baratos ajudam a reduzir os níveis

História de Notícias ao Minuto Brasil

O colesterol alto está associado a diversos problemas de saúde, e o ideal é manter os níveis sob controle. Para isso, alguns alimentos podem ajudar de forma significativa. Eles podem funcionar como aliados naturais, com efeito semelhante ao de certos medicamentos e ainda com baixo custo.

Muita gente acredita que só é possível reduzir o colesterol com remédios, mas a verdade é que uma alimentação adequada também pode contribuir para controlar os níveis e evitar complicações futuras.

O médico Eric Berg afirmou ao Mirror que existem alimentos acessíveis capazes de trazer benefícios importantes, incluindo a redução do colesterol. Segundo ele, não é necessário gastar muito para obter resultados positivos.

Colesterol: o que consumir

“As estatinas são medicamentos altamente eficazes para baixar o colesterol e devem ser tomadas conforme prescrição médica. Além da medicação, uma dieta equilibrada, exercícios físicos regulares e a manutenção de um peso saudável são essenciais para o controle dos níveis de colesterol”, explicou o médico.

Veja o que consumir para ajudar a reduzir o colesterol:

Aveia

“Um estudo recente da Universidade de Bonn descobriu que consumir aveia durante dois dias ajuda significativamente a reduzir o colesterol. A aveia é rica em uma fibra solúvel que é fundamental para suas propriedades de redução do colesterol. Quando consumida, a aveia retém os ácidos ricos em colesterol e impede sua absorção pela corrente sanguínea. A aveia é rica em fibras, que reduzem os níveis de colesterol, contribuem para a saúde do coração e melhoram o bem-estar geral.”

Leites e iogurtes

“Alguns desses produtos são enriquecidos com esteróis e estanóis vegetais, também conhecidos como fitosteróis, que ajudam a reduzir o colesterol. Uma revisão de 124 estudos publicada no British Journal of Nutrition em 2014 revelou que o consumo de até 3,3 gramas de fitosteróis por dia pode diminuir gradualmente o colesterol ruim em apenas algumas semanas. Os esteróis e estanóis vegetais têm semelhanças com o colesterol, o que permite que compitam pela absorção intestinal e reduzam a quantidade de colesterol que entra na corrente sanguínea.”

Colesterol alto: sinais silenciosos que você pode ignorar

O site HealthShots ouviu o cardiologista Swarup Swaraj para identificar sintomas que podem passar despercebidos.

"São silenciosos e fáceis de ignorar, mas podem ser sinais que o corpo está dando. Por isso, ficar atento aos sintomas e agir precocemente pode fazer toda a diferença, não apenas para a saúde do coração, mas para o bem-estar geral", afirmou o especialista.

Sinais nos olhos

O surgimento de pequenos pontos amarelados nas pálpebras ou nas articulações pode indicar colesterol elevado. "Pequenos depósitos de colesterol sob a pele, embora não sejam perigosos por si só, podem ser um sinal de que o corpo está lidando com níveis altos de colesterol."

Cansaço frequente

"Se você está constantemente cansado, mesmo após uma boa noite de sono, pode não ser apenas estresse. A fadiga persistente pode ser um sintoma sutil de colesterol alto. Quando o colesterol se acumula nas artérias, o fluxo sanguíneo é prejudicado."

Um estudo publicado no Journal of Psychosomatic Research apontou relação entre redução do fluxo sanguíneo, artérias obstruídas e sensação de cansaço. "Se o cansaço é constante, vale investigar e verificar os níveis de colesterol."

Dor no peito

"Se você sente aperto, pressão ou desconforto no peito durante esforço, como subir escadas ou caminhar rápido, não ignore. Essa sensação, conhecida como angina, pode indicar que o coração não está recebendo oxigênio suficiente, geralmente por causa de artérias estreitas ou obstruídas."

O especialista reforça a importância de atenção a esse sinal. "Se esses sintomas parecerem familiares, especialmente se houver histórico de doença cardíaca na família, não espere. Procure um médico e avalie os níveis de colesterol."

O que acontece com seu corpo ao comer laranja todos os dias

Rica em vitamina C, fibras e antioxidantes, a fruta pode fortalecer a imunidade, ajudar no colesterol e melhorar a absorção de ferro. Especialistas alertam, porém, para possíveis efeitos no estômago e no esmalte dos dentes em excesso

Notícias ao Minuto | 05:15 - 03/04/2026

Fonte: https://www.msn.com/pt-br/

Foco na História: as grandes civilizações africanas. História da África Portuguesa

Foco na História: as grandes civilizações africanas (Vatican News)

A chamada África colonial portuguesa é composta pelos atuais países de Angola, Moçambique, Guiné, e pelos arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. A partir desse texto e pelos próximos, depois dessa introdução geral, acompanharemos um pouco da história de cada um desses países que tem importância no continente e forte ligação com o Brasil.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Chegada dos colonizadores portugueses

Os portugueses chegaram a Angola pela primeira vez através do navegador Diogo Cão (isso mesmo), entre 1483 e 1485, mas a colonização efetiva do território só foi iniciada bem mais tarde, já no século XVI, a partir de 1575, quando cerca de 400 colonos, sob a liderança de Paulo Dias de Novais, se fixaram na região, fundando a cidade de São Paulo de Luanda. Em Angola foi implantado o sistema de divisão do território em capitanias também utilizado no Brasil, bem como uma política de exploração de recursos naturais.

Angola possuía um território muito rico, destacando-se as minas de prata da região do Cambambe. Contudo a grande fonte de lucro passou a ser o tráfico de mão de obra escrava, destinada aos engenhos de açúcar do Brasil ou da Ilha Madeira, e também para São Tomé. Nesta fase o território de Angola se resumia a uma faixa litoral, que se foi se estendendo para o interior à medida que a exploração foi acontecendo e à medida que foram crescendo as exigências do tráfico de escravos.

Moçambique se torna colônia de Portugal

Moçambique foi visitado pela primeira vez pelos portugueses quando aí aportou a armada de Vasco da Gama que se destinava a Índia. Mas é possível que Pero da Covilhã possa ter estado em Moçambique, quando da sua estadia em Sofala em 1490. No ano de 1537 foi criada a feitoria de Tete, e em 1544, foi estabelecida a feitoria de Quelimane, que se tornou o local de concentração dos escravos que eram embarcados para Portugal, Brasil e outros destinos.

Moçambique também se revelou uma região rica em minerais preciosos como a prata, ouro, peles, marfim, especiarias e pérolas, recursos que tinha a exploração controlada pelos portugueses. Durante o século XVII foi conquistado e ocupado o reino de Zambéze. No século XVIII, Moçambique deixou de ser controlado pelo vice-reino da Índia passando a ser administrado diretamente por Portugal.

No século XIX, Moçambique, assim como Angola, e o corredor que existia entre as duas que regiões que hoje forma as atuais Zâmbia e Zimbabwe figuravam no chamado "Mapa Cor de Rosa" que, de acordo com o projeto português ligava os dois territórios, controlando assim uma enorme faixa geográfica que se estendia do Oceano Atlântico ao Índico, de costa a costa.

Outras colônias portuguesas na África

A Guiné tornou-se uma importante colónia portuguesa, sobretudo pela produção de ouro, fator que atraiu os portugueses, que aí chegaram após a transposição do Cabo Bojador por Gil Eanes, em 1434. Desde o século XVII desenvolveram-se vários centros de colonização, sendo o território administrado por um capitão-mor.

As ilhas de Cabo Verde foram alcançadas por navegadores portugueses que voltavam da costa da Guiné, entre 1460 e 1462. As ilhas foram rapidamente povoadas por colonos provenientes da metrópole, não só cristãos, como também mouros e judeus, inclusive por pessoas deportadas. Escravos vindos da Guiné também foram levados para as ilhas e com isso a miscigenação racial e cultural ainda hoje é uma das características deste local.

O arquipélago de São Tomé e Príncipe foi descoberto por dois navegadores portugueses, Pero Escobar e João de Santarém, em 1470. Era um território desabitado e coberto por florestas virgens. Seu povoamento teve início em 1485, através de Álvaro de Caminha, capitão-donatário desta colónia. Mantendo nesta região uma vasta quantidade de mão de obra, sobretudo escravos oriundos de Angola e Moçambique, mas também judeus e mouros vindos da metrópole, aconteceu uma exploração em larga escala, primeiro do açúcar, depois do cacau e por fim do café. Também aqui a heterogeneidade da população é uma marca característica.

Durante os séculos de colonização os portugueses criaram numerosas instituições e infraestrutura, à semelhança da metrópole, mas permitir que se perdesse a condição de colónia, com a dependência política e econômica.

As colónias portuguesas da África foram as últimas das colónias africanas, dependentes de países europeus, a alcançat sua independência. Na sequência da Revolução de 25 de abril de 1974 em Portugal, chamada de “Revolução dos Cravos”, começou a luta pela independência que em algumas realidades aconteceu de forma violenta, gerando a guerra civil. A Guiné tornou-se independente em 23 de agosto de 1974, Moçambique em 25 de junho de 1975, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe em julho de 1975 e, por fim, Angola em 11 de novembro do mesmo ano.

Existe um traço do passado que liga estes países a Portugal, seja com as marcas da colonização que ainda continua forte, como também o passado comum, a língua portuguesa e os traços culturais.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

terça-feira, 7 de abril de 2026

Casamento em tempos líquidos: controvérsia ou coragem?

Zamrznuti tonovi | Shutterstock

Karen Hutch - publicado em 06/04/26

"Quero me casar e formar uma família". Uma frase controversa para o mundo atual. Cada vez mais jovens adiam ou descartam o matrimônio.

Em uma época na qual o romance costuma ser objeto de ironia e o compromisso permanente desperta estranheza, dizer "quero me casar" pode parecer quase uma declaração contracultural. As redes sociais estão repletas de discursos que questionam o valor do casamento relações estáveis e celebram a autossuficiência absoluta.

No entanto, apesar desse clima cultural, o desejo de amar e construir uma vida com alguém continua vivo em muitas pessoas. Talvez por isso valha a pena perguntar: por que algo tão humano como querer se casar parece hoje, para alguns, uma ideia polêmica?

No México, o INEGI e o Xataka apontam que as novas gerações já não veem o matrimônio como parte essencial para uma vida plena; em vez disso, as gerações Z e Millennial agora priorizam o desenvolvimento profissional, os estudos, as viagens e o crescimento pessoal antes do compromisso do casamento.

O auge do cinismo romântico

As marcas de roupas, assim como as redes sociais, encarregaram-se de nos vender um cinismo romântico que nos impulsiona a ver os homens como inimigos e até a compartilhar a ideia de que ter um namorado pode ser vergonhoso — desde a ideia de postar fotos com ele até o fato de não querer ter um compromisso real com a pessoa e se casar.

E embora nessa busca controversa por um amor verdadeiro a jornalista Megan Dillon tenha analisado a dura realidade de ser um otimista romântico, o cenário dos encontros pode chegar a ser sombrio devido à falta de um vínculo real e à fragilidade nas relações.

Ela argumenta que "a fadiga dos aplicativos de namoro nos faz desejar conexões na vida real, mas é difícil ter um encontro casual na fila de um café quando todos estão grudados em seus telefones".

Casamento e a própria independência

A narrativa atual nos apresenta a ideia de que o matrimônio acaba com a independência individual, apresentando ambos como incompatíveis, debatendo que o casamento encerra os projetos pessoais e a liberdade da pessoa. No entanto, não se trata de acabar com os projetos pessoais, mas de uni-los a um projeto de casal, onde ambos possam continuar crescendo juntos.

Megan Dillon expressa em um de seus artigos que "querer um parceiro não cancela a independência, mas pode enriquecer a vida pessoal". Enquanto isso, a visão cristã nos comprova que "o matrimônio não anula a pessoa, mas a chama a um amor mais pleno e maduro".

Amar em tempos líquidos

Mesmo quando enfrentamos a dificuldade de encontrar um amor para toda a vida e diante da ideia contracultural de querer casar, o anseio de amar e ser amado permanece no coração do ser humano. Vemos isso nos encontros através dos aplicativos e no entusiasmo por encontros espontâneos, na busca por encontrar alguém interessante que compartilhe as mesmas metas; o desejo de amar e ser amado não desaparece, mesmo quando a cultura o ridiculariza.

Amar é a melhor decisão

Em uma cultura que muitas vezes desconfia do compromisso e zomba do romantismo, querer amar uma pessoa para sempre pode parecer ingênuo. No entanto, talvez seja o contrário. Apostar no matrimônio implica entregar-se e saber que a cada dia o amor pode crescer, amadurecer e sustentar-se no tempo.

Talvez por isso, em meio a uma época marcada pelo descartável, escolher o matrimônio não seja uma ideia fora de moda, mas sim uma das decisões mais corajosas e esperançosas que uma pessoa pode tomar.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Você toma café da manhã tarde?

Café da manhã no horário errado pode prejudicar o metabolismo (Foto: Freepik)

Você toma café da manhã tarde? Isso pode afetar sua saúde

Por: Simples Conteúdo

7 abr 2026  04h57

O horário em que você faz a primeira refeição do dia pode ser mais importante do que parece. Um estudo publicado no International Journal of Epidemiology revelou que tomar café da manhã após as 9 horas da manhã está associado a um aumento de 59% no risco de desenvolver diabetes tipo 2, em comparação com quem se alimenta antes das 8h.

A pesquisa, realizada até o ano passado, acompanhou 103.312 adultos na França, que registraram detalhadamente seus hábitos alimentares, incluindo horários e composição das refeições. Os participantes foram monitorados por cerca de sete anos, período em que foram identificados 963 novos casos da doença. Segundo os dados, o risco foi significativamente maior entre aqueles que costumavam adiar o desjejum.

Para os pesquisadores, a relação tem base fisiológica. Pular ou atrasar o café da manhã pode prejudicar a regulação da glicose, da insulina e dos lipídios no organismo, processos essenciais para manter o metabolismo equilibrado e prevenir doenças metabólicas.

Jantar tarde também pesa contra

Além do café da manhã, o estudo também analisou o impacto do horário da última refeição do dia. Os resultados indicam que jantar após as 22h também pode elevar o risco de diabetes tipo 2.

Por outro lado, pessoas que distribuíam melhor a alimentação ao longo do dia, com refeições mais frequentes, apresentaram menor incidência da doença. Isso reforça a importância não apenas do que se come, mas também de quando se come.

Qual seria o horário ideal?

De acordo com os cientistas, os benefícios do jejum prolongado parecem depender de uma rotina alimentar equilibrada. Nesse contexto, a recomendação mais favorável seria:

Tomar café da manhã antes das 8h

Jantar antes das 19h

Essa combinação pode ajudar a alinhar o relógio biológico do corpo, favorecendo o metabolismo e reduzindo o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Fonte: https://www.terra.com.br/

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/degusta/alimentacao-com-saude/voce-toma-cafe-da-manha-tarde-isso-pode-afetar-sua-saude,05db209aae8b6b405dc3ac537f9c186cg09f74ij.html?utm_source=clipboard

Tiago Alberione: o profeta da evangelização digital

Bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Pia Sociedade de São Paulo (Vatican News)

Neste sábado, 4 de abril, recorda-se o nascimento do Beato Tiago Alberione, sacerdote italiano que intuiu, ainda no início do século XX, que o Evangelho precisava habitar os meios de comunicação — uma visão que permanece atual e profundamente profética.

Matheus Macedo - Vatican News

No dia 4 de abril celebra-se o nascimento do Beato Tiago Alberione, sacerdote italiano que, ainda no início do século XX, teve uma intuição decisiva: o Evangelho precisava habitar os meios de comunicação.

Assista a reportagem: Tiago Alberione - o pioneiro da evangelização através da comunicação

Hoje, em um cenário marcado pelas redes sociais, pela inteligência artificial e por novas linguagens digitais, sua visão não apenas permanece atual, como se revela profundamente profética. Esse dinamismo se reflete também em experiências recentes da Igreja, como o trabalho de missionários digitais e de paróquias que transformam as mídias sociais em verdadeiros espaços de evangelização e encontro.

Tiago Alberione abençoando equipamentos cinematográficos.   (Alberione.org)

Fundador da Pia Sociedade de São Paulo, conhecida como Família Paulina, Alberione compreendeu que a comunicação não era apenas um instrumento, mas um ambiente a ser evangelizado, uma percepção reconhecida pelo Papa Paulo VI, que via nele “uma testemunha capaz de discernir os sinais dos tempos”.

Padre Alberione: um “empreendedor de Deus”

Segundo o postulador dos Paulinos, Padre Vito Spagnolo, “padre Alberione não era um intelectual de escritório, mas um verdadeiro ‘empreendedor de Deus’”. Sua intuição nasceu na noite de passagem do século XIX para o XX, enquanto rezava diante da Eucaristia: sentiu o convite de Jesus a “fazer algo pelos homens do novo século”.

Ele compreendeu que a imprensa, o rádio e, depois, a televisão não eram instrumentos do “mundo” ou do “demônio”, mas púlpitos modernos a partir dos quais anunciar a Palavra. Sob sua orientação nasceram iniciativas que ainda hoje marcam a cultura italiana e mundial: Família Cristã (uma das revistas mais difundidas na Itália), Il Giornalino (voltado à educação das crianças), as Edições Paulinas e a Paulus Editora (para a difusão da Bíblia e de livros acessíveis), além de iniciativas no rádio e no cinema. Foi um dos primeiros a investir na produção audiovisual com finalidade pastoral.

Beato Tiago Alberione junto a irmãos e padres paulinos   (Alberione.org)

“Se estivesse vivo hoje”, observa o padre Spagnolo, “Alberione provavelmente seria um dos primeiros a usar inteligência artificial, redes sociais e até o metaverso. Ele dizia: ‘não falem apenas de religião, mas falem de tudo de modo cristão’. Hoje, isso significa habitar o ambiente digital levando valores humanos e espirituais ao meio do caos informativo”.

A atualidade de uma intuição profética

Para o superior geral dos Paulinos, Padre Domenico Soliman, a intuição de Alberione continua sendo um dos grandes legados do fundador. “Embora padre Alberione tenha vivido em uma época já distante, ele ofereceu à Igreja uma nova sensibilidade quanto à evangelização por meio dos meios e das linguagens da comunicação”, afirma. Segundo ele, um dos aspectos mais atuais é o desejo de alcançar a todos: “é muito forte esse anseio de chegar a todos, para que todos possam encontrar Cristo e o seu Evangelho.” Uma missão que hoje se insere em um contexto em que a comunicação se tornou parte da vida cotidiana: “Ela se torna cada vez mais próxima das pessoas, aliás, parte do contexto vital de cada indivíduo.”

Família Paulina junto ao fundador Tiago Alberione   (Alberione.org)

Diante das transformações tecnológicas, padre Domenico vê continuidade, não ruptura: “pensemos nas redes digitais, na inteligência artificial, com seus desafios e oportunidades. Padre Alberione queria chegar a todos os povos, entrar em cada casa, envolver todas as categorias de pessoas… todos, pelo Evangelho.” E acrescenta: “hoje, ele se alegraria ainda mais ao ver como a comunicação é um contexto vital, onde as pessoas vivem com seus problemas, mas também com suas esperanças, aspirações e alegrias.”

Espiritualidade integral: todo o Cristo para toda a pessoa

Outro ponto central destacado pelo superior geral dos Paulinos é a herança espiritual deixada por Alberione. “Ele nos deixou uma espiritualidade cujo centro é Cristo, todo o Cristo — isto é, Verdade, Caminho e Vida”, explica. “Isso significa: mente, vontade e coração. Mais uma vez aparece a totalidade: todo o Cristo para toda a pessoa.”

Inspirado em São Paulo, prossegue, o fundador propõe um caminho de comunhão profunda: “a humanidade é chamada não apenas a estar próxima de Jesus, mas a estar nele. Trata-se de um verdadeiro processo de comunhão”. Para o sacerdote, essa síntese continua sendo fecunda: “esses aspectos permanecem extremamente atuais, como um caminho vivo para a Igreja que anuncia o Evangelho em cada tempo e contexto.”

O museu: uma memória viva

Museu Pe. Tiago Alberione (Vatican News)

Essa herança ganha forma concreta em Roma, no museu dedicado ao fundador, localizado na Via Alessandro Severo. Para o padre Spagnolo, “não é um museu no sentido de um arquivo morto, mas uma memória viva, onde o carisma é custodiado para ser transmitido”.

Ao percorrer os ambientes, o escritório, o quarto, as salas de oração e trabalho, o visitante entra em contato com sinais concretos da vida de Alberione: a escrivaninha, a máquina de escrever, os primeiros equipamentos tipográficos. Elementos simples que revelam uma missão construída com poucos recursos, mas grande ousadia. A sala da oração lembra que toda ação nasce da Eucaristia: “sem esse contato com Deus, a comunicação corre o risco de se tornar apenas ruído”, afirma o sacerdote. Já a sala do trabalho expressa a dimensão missionária: “o papel, a tinta, os caracteres móveis tornavam-se meio para levar Cristo a quem não chegava à Igreja.”

Um legado que desafia o presente

O museu provoca o visitante a pensar no hoje: “o que o padre Alberione faria com a internet, as redes sociais, a inteligência artificial?”, questiona Pe. Spagnolo. Inserido no complexo onde ainda vivem e trabalham os membros da Família Paulina, o museu testemunha que o carisma não está fechado em vitrines. Ele continua vivo, caminhando nos livros, sites, redes e nas novas plataformas digitais.

Quarto do beato Tiago Alberione (Vatican News)

Paulo VI, que admirava profundamente Alberione, dizia: “eis aqui: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre recolhido em seus pensamentos, que vão da oração à ação, sempre empenhado em perscrutar os ‘sinais dos tempos’...”

Como conclui padre Spagnolo, Tiago Alberione nos ensina que “a fé não deve ter medo do progresso, mas deve conduzi-lo, dando-lhe uma alma. Seu legado inspira porque nos recorda de usar todos os meios de comunicação com inteligência, colocando-os a serviço da comunhão, da verdade, do amor a serviço de Deus”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Vida de Maria (17): Ressurreição e Ascensão do Senhor

Ressurreição e Ascensão do Senhor (Opis Dei)

Vida de Maria (17): Ressurreição e Ascensão do Senhor

Os evangelhos não incluem Nossa Senhora no grupo de mulheres que no domingo foram lavar o corpo do Senhor. Sua ausência mostra a esperança na vitória de Cristo.

18/04/2017

Ao amanhecer do terceiro dia, uma vez passado o sábado, Maria Madalena, Maria a mãe de Tiago e Salomé puseram-se a caminho para o sepulcro de Jesus. O amor as impulsionava a prestar os últimos serviços ao corpo morto do Senhor, que não puderam fazer na tarde de sexta-feira. Enquanto caminhavam, se perguntavam umas às outras: Quem vai remover para nós a pedra da entrada do túmulo? (Mc 16, 3). Era, de fato, uma espécie de roda de moinho que vários homens haviam colocado para fechar a sepultura.

Chama a atenção que os evangelhos não mencionem a Santíssima Virgem. Depois de ter anotado a sua presença ao pé da Cruz, a figura de Nossa Senhora não volta a aparecer até depois da Ascenção, quando São Lucas, no começo do livro dos Atos dos Apóstolos, assinala que Maria se encontrava no Cenáculo de Jerusalém, com os Apóstolos, as outras mulheres que haviam seguido Jesus desde a Galileia e vários de seus parentes (cfr. Atos 1, 12-14).

Este silêncio é muito eloquente. Maria, ao contrário de todos os outros, acreditava firmemente na palavra de seu Filho, que havia predito a sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia. Por isso, desde a mais remota antiguidade, os cristãos pensaram que deve ter passado em vigília a noite do sábado para o domingo, esperando o momento em que Jesus iria cumprir sua promessa. Podemos pensar que, com a ajuda de João – que não se separava dela desde que a havia recebido por mãe ao pé da cruz -, dedicou as horas anteriores a reunir os discípulos do Mestre, tratando de fortalecê-los na fé e na esperança, especialmente os que tinham sido covardes naqueles momentos dolorosos.

Enquanto despontava o novo dia – que logo começaria a chamar-se dies dominica, dia do Senhor –, a Virgem se entregava mais e mais à oração. A fé e a esperança da Igreja nascente estavam concentradas nEla. E esse sentir comum que a primeira aparição do Senhor ressuscitado foi para sua Mãe: não para que tivesse fé, mas como prêmio da sua fidelidade e consolo em sua dor. Depois, com o passar das horas, a notícia correu de boca em boca: primeiro entre os discípulos, a quem as mulheres que foram ao sepulcro comunicaram; e depois a círculos cada vez mais amplos.

No entanto, em Jerusalém os ânimos estavam exaltados; a crucificação de Cristo não havia acalmado o ódio dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. Sobre os Apóstolos pendia um sério perigo: o de serem acusados de roubo e ocultação do cadáver. Talvez por esta razão, os anjos recordaram às mulheres – para que comunicassem aos discípulos – o que o próprio Jesus lhes havia dito antes da paixão: que fossem para a Galileia (cfr. Lc 24, 8).

Aquele primeiro domingo esteve cheio de idas e vindas ao sepulcro vazio. Finalizou com a aparição de Jesus aos Apóstolos no Cenáculo, à que se seguiria outra no mesmo lugar, uma semana depois (cfr. Jo 20, 19 ss). Logo deveriam empreender a viagem à Galileia, com Maria entre eles, pelos caminhos percorridos outras vezes com Jesus em alegre companhia.

À espera das manifestações do Mestre, os Apóstolos voltaram a seu trabalho de pesca (cfr. Jo 21, 1 ss) enquanto a Virgem, provavelmente alojada na casa de Cafarnaum onde antes havia vivido, seguia fortalecendo a todos na fé e no amor.

Pouco a pouco os ânimos hostis se aplacaram, os Apóstolos e os discípulos viram fortalecida sua fé na ressurreição: de cada encontro com o Senhor – os evangelhos nos relatam só alguns – saiam eufóricos, alegres, otimistas, voltados para o futuro. Até que, num momento determinado, Jesus reuniu os mais íntimos em Jerusalém para dar-lhes os últimos ensinamentos e recomendações, porque a partida definitiva se aproximava.

Foi numa tarde, depois de tomar juntos a última refeição. No cimo ou nas ladeiras do Monte das Oliveiras, com Jerusalém a seus pés, tiveram a última reunião em família com o Mestre. Talvez os seus corações se encolhessem um pouco, pensando que já não o veriam mais. Porém o próprio Senhor adiantando-se, lhes assegurou que continuaria com eles de um novo modo (cfr. Mt 28, 20).

Disse-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas esperai a promessa do Pai (At 1, 4), e logo subiu aos Céus para participar do senhorio de Deus em sua Humanidade Santíssima. São Lucas conta a cena com detalhes: Então Jesus levou-os para fora da cidade, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. E enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria (Lc 24, 50-52). Tinham consigo a Mãe de Jesus, que era também Mãe de cada um deles. E, rodeados em volta dEla, aguardaram a chegada do Espírito Santo prometido.

J. A. Loarte

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/

O Papa: façamos ouvir o grito de paz que brota do coração.

Mensagem e Bênção "URBI ET ORBO" (Vatican News)

O Papa: façamos ouvir o grito de paz que brota do coração. Em 11 de abril, uma vigília de oração

Após celebrar a Missa da Ressurreição na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu à Cidade de Roma e ao Mundo a sua Mensagem de Páscoa. Disse a "quem tem armas nas mãos, que as deponha"! " A quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz"! Convidou todos a unirem-se a ele na vigília de oração pela paz que será realizada, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, neste domingo pascal (05/04), o Papa Leão XIV recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".

"Uma vitória a um preço muito alto", disse ele, pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação".

Jesus percorreu até o fim o caminho do diálogo

"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.

"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".

Força que traz a paz à humanidade

"A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", disse ainda Leão XIV, acrescentando:

“Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à      humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros.”

"Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz", sublinhou.

Quem tem armas nas mãos, que as deponha

Segundo o Papa, com a sua ressurreição, "o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado"!

“À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”

 Tornamo-nos indiferentes

Leão XIV disse que nos habituamos "à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos".

"Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada", frisou o Papa Leão, retomando uma expressão querida ao Papa Francisco, que um ano atrás, da Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas últimas palavras, recordando-nos: «Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo!»

Vigília de oração pela paz, em 11 de abril

"A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: «Se tens medo da morte, ama a ressurreição!». Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado", disse ainda Leão XIV, lembrando que Jesus "atravessou a morte para nos dar vida e paz": «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é como a dá o mundo».

“A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a calar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.”

Saudações em dez idiomas

"Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal", disse o Pontífice, confiando ao Senhor "todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar".

O cardeal protodiácono Dominique Mamberti anunciou a concessão de indulgência plenária a todos os fiéis presentes e aos que receberem a sua bênção. Por fim, Leão XIV, como fez no Natal, pronunciou as saudações pascais em dez idiomas: italiano, francês, inglês, alemão, espanhol, português, polonês, árabe, chinês e latim.

Em português, disse:

“Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem para a Páscoa:

Mensagem de Páscoa (cnbb)

MENSAGEM PARA A PÁSCOA: A VITÓRIA DE CRISTO SOBRE A MORTE É LUZ PARA AS TREVAS DO MUNDO

05/04/2026

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, neste domingo, 5 de abril, um vídeo com a mensagem da Conferência para a Páscoa. Os membros da presidência reforçam a centralidade da Páscoa para os que professam a fé católica: “A celebração da Páscoa do Senhor é o centro da nossa fé! Proclamamos com alegria: Cristo ressuscitou! Ele é a nossa Páscoa e a nossa paz. Sua vitória sobre a morte ilumina as trevas do mundo e renova em nós a esperança de uma vida nova”.

Recordando os apelos do Papa Leão XIV, a mensagem aponta, em tom de Esperança, a celebração da Páscoa como um momento oportuno de conversão dos corações rumo à busca pela paz e à superação dos conflitos, violência e guerras. “A experiência do Ressuscitado não nos fecha em nós mesmos, mas nos envia ao encontro dos irmãos, especialmente dos que sofrem, para testemunhar que o amor é mais forte que o ódio e que a vida vence a morte”.

Veja, no vídeo abaixo, a íntegra da mensagem:

https://www.youtube.com/watch?v=0FizCIhjS88

A ressurreição de Cristo: uma nova existência

A Páscoa de Cristo transfigura a nossa realidade. Como nos ensina Bento XVI, Jesus entra em um 'novo gênero de existência'. |Vatican News

A partir das reflexões de Bento XVI, exploramos como o evento pascal inaugura uma nova dimensão do ser e exige de nós um olhar profundo para reconhecer o divino

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

A Páscoa é o evento central da fé cristã, mas frequentemente corre o risco de ser mal compreendida em uma visão simplória, como por exemplo, uma simples reanimação de um cadáver. Bento XVI, na obra “Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, convida-nos a olhar para este mistério não como um evento do passado, mas como uma “mutação decisiva” na história da humanidade. Baseados nesse livro, aprofundemo-nos nesse mistério.

O escândalo do testemunho feminino

Um dos pontos mais intrigantes das “novidades” da ressurreição é a escolha de Maria Madalena como a primeira testemunha. Na tradição jurídica judaica da época, o testemunho das mulheres não era aceito em tribunais; era considerado irrelevante e pouco confiável.

Se a ressurreição fosse uma invenção dos discípulos para convencer o mundo, eles jamais teriam escolhido uma mulher como porta-voz inicial. No entanto, há uma coerência profunda aqui: as mulheres, que permaneceram ao pé da cruz com João enquanto os outros apóstolos fugiam, foram as mesmas que receberam o privilégio do encontro. A fidelidade no sofrimento abriu as portas para a primazia no reconhecimento da Glória. Como os evangelhos narram fatos reais, eles não deixaram de colocar o que era estranho à sociedade da época.

A natureza do corpo ressuscitado

As narrativas evangélicas apresentam uma tensão fascinante entre a corporeidade e a transcendência.

  • A corporeidade real: Jesus não é um fantasma. Ele caminha com os discípulos de Emaús, convida Tomé a tocar Suas chagas e come peixe diante dos Apóstolos. Isso afirma que a matéria é boa e que a nossa identidade corporal é redimida, não descartada. Um exemplo dessa continuidade é que o Ressuscitado carrega as marcas da crucificação.
  • A nova existência: Ao mesmo tempo, Jesus atravessa portas fechadas e não é imediatamente reconhecido. Ele não está mais sujeito às leis da física biológica (espaço e tempo) da mesma forma que nós.

Bento XVI enfatiza que Jesus entrou em um “novo gênero de existência”. Ele é o mesmo, mas de uma forma totalmente diversa. Ele agora tem um corpo glorioso, primícias do que teremos também. Esse é um “novo”, difícil de explicar, mas certo em sua composição nas Escrituras.

As teofanias: reconhecer “a partir de dentro”

Para compreender como os discípulos viam o Ressuscitado, podemos olhar para algumas Teofanias (manifestações de Deus) no Antigo Testamento.

  1. Abraão em Mambré: Vê três homens, mas dirige-se a eles como “Meu Senhor”. Há um saber interior que vai além do olhar físico (Gn 18, 1-33).
  2. Josué e o Chefe do Exército: A figura parece um homem comum até que sua identidade divina é revelada pela sua autoridade. Josué vê um homem com uma espada desembainhada na mão. “És tu um dos nossos, ou dos nossos inimigos?”. “Não, mas sou chefe do exército do Senhor” (Js 5, 13-15).
  3. Gedeão e Sansão: Para Gedeão (Jz 6, 11-24) e Sansão (Jz 13), o anjo do Senhor lhes aparece com aspecto de homem, mas é reconhecido como tal quando se esquiva.

Estas foram manifestações que reconheceram o caráter divino de quem ali se apresentava. Mas também havia medo, pois na teologia do Antigo Testamento, acreditava-se que ninguém poderia ver a face de Deus e sobreviver. Com Cristo, foi possível ir mais adiante. Ao olhar para Ele, fazia-se mister ver o Deus e homem, em uma única pessoa. Com Ele era possível ver o próprio Deus frente à frente! Contudo, para isso, a visão externa não bastava. O Ressuscitado exige um reconhecimento a partir de dentro. Só quem tem familiaridade com Ele, quem “sabe quem Ele realmente é”, conseguia vê-Lo. Vejamos o Novo Testamento: assim como os discípulos de Emaús só O reconheceram no “partir do pão”, nós também somos chamados a um encontro que transcende os sentidos físicos.

Proximidade e mistério

A Ressurreição nos deixa duas grandes certezas. Primeiro, a proximidade: Deus não é um motor imóvel distante, mas Alguém que quer ser nosso hóspede, que caminha conosco e partilha da nossa mesa. Deus quer se fazer próximo de mim e de você. Segundo, a necessidade de conversão do olhar: para ver o Ressuscitado, é preciso que o nosso coração esteja iluminado por Ele, para conseguir reconhecer quem Ele é em sua totalidade.

A Ressurreição não é o final de uma história, mas a abertura de um novo horizonte para o que significa ser humano: uma vida que, embora toque a terra, já não pertence mais à morte. Cristo ressuscitou, e com Ele, somos chamados a esse novo também.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF