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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lava-pés: o mandamento chocante em que Deus se abaixa para nos servir

Jesus lava ospés dos Apóstolos (Aleteia)

Aleteia Brasil - publicado em 13/04/17

O que significa este gesto de Jesus, tão inesperado e espantoso que Pedro nem queria aceitá-lo.
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O rito do Lava-Pés, na Quinta-Feira Santa, contém um duplo significado, à luz do Evangelho de João:

– uma imitação do gesto realizado por Cristo ao lavar os pés dos Apóstolos no Cenáculo;

– a expressão do doar-se a si mesmo, exemplificada com aquele ato.

Não por acaso, o gesto é chamado de “mandatum” (“mandamento”) na antífona recitada na cerimônia: “Mandatum novum do vobis, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos, dicit Dominus” (“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei, diz o Senhor“; João 13,34).

De fato, o mandamento do amor fraternal compromete todos os discípulos de Jesus, sem qualquer distinção ou exceção. Em instruções litúrgicas do século VII já lemos a indicação de que o Pontífice e todos os membros do clero devem realizar o rito do lava-pés, o que também pode ser conferido, com variações em diferentes dioceses e abadias, no Pontifical Romano do século XII, no Pontifical da Cúria Romana do século XIII e no Missal Romano do Papa São Pio V, de 1570, que diz:

“Post denudationem altarium (…) conveniunt clerici ad faciendum mandatum. Maior abluit pedes minoribus: tergit et osculatur”

(“Após o desnudamento do altar, os clérigos procedem ao cumprimento do ‘mandatum’. O maior lava os pés dos menores, os enxuga e os beija”).

O “mandatum“, em sua essência, não é reservado ao clero: o seu sentido é o de colocarmos em prática o serviço humilde a todos os nossos irmãos, conforme o exemplo de Jesus a todos os seus discípulos.

Precisamente por isso, o rito do lava-pés, ao longo da história da Igreja, não foi necessariamente reservado a doze clérigos ou a doze homens. No “De Mandato seu lotione pedum” (“Sobre o ‘mandatum’ ou lava-pés“), que consta no Caeremoniale Episcoporum de 1600, é mencionada a tradição de que o bispo deve lavar, enxugar e beijar os pés de “treze” pessoas pobres, após tê-las vestido e alimentado e ter-lhes ofertado esmola em caridade. O ato poderia igualmente ser conduzido com religiosos, de acordo com os costumes locais ou a determinação do bispo, mas não de modo obrigatório.

As mudanças mais recentes no rito estabelecem que quaisquer indivíduos podem ser escolhidos dentre o povo de Deus, já que a significação do rito não se limita a uma imitação exterior do gesto de Jesus; trata-se de expressar o sentido profundo do ato realizado por Ele: doar-se “até o fim” pela salvação da humanidade, ato que assume importância universal.

amor de Cristo, abrangendo toda a humanidade, faz de todas as pessoas irmãos e irmãs pela força do Seu exemplo. O “mandatum” deixado por Ele nos convida a transcender o ato físico de lavar os pés do outro para vivenciar o pleno sentido desse gesto: servir, com amor palpável, ao próximo.

Os 3 verbos do lava-pés, segundo o Papa Francisco

Papa Francisco no Lava-pés (Alentia)

Na audiência geral que antecedeu a Semana Santa de 2016, o Papa Francisco abordou o significado do lava-pés, esse ato de Jesus na Última Ceia que foi “tão inesperado e chocante” a ponto de que “Pedro nem queria aceitá-lo”.

Quando se abaixou até os pés dos discípulos e os lavou, Jesus quis deixar claro que se fez servo e que nós também devemos ser servos uns dos outros: “Também vós deveis lavar os pés uns dos outros”, afirma Ele, explicitamente, em Jo 13,12-14.

SERVIR

Ser “servos” uns dos outros nada tem a ver com “servilismo” ou “escravidão”: trata-se do “mandamento novo” do amor real ao próximo através do “serviço concreto”, e não apenas “de palavra”. O amor é um “serviço humilde”, concretizado “no silêncio”: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”, pede Ele, em Mt 6,3.

PERDOAR

O lava-pés representa o chamado de Jesus a “confessarmos os nossos pecados e a rezarmos uns pelos outros, para saber-nos perdoar de coração”. O papa Francisco evocou neste sentido um texto de Santo Agostinho: “Não desdenhe o cristão fazer aquilo que Cristo fez. Porque quando o corpo se inclina até o pé do irmão, acende-se no coração o sentimento de humildade, ou, já se existisse, é alimentado (…) Perdoemo-nos os nossos erros e rezemos uns pelo perdão dos pecados dos outros. Assim, de algum modo, lavaremos nossos pés mutuamente”.

AJUDAR

O papa recordou as pessoas que vivem a vida inteira “no serviço dos outros” e, como exemplo, contou que recebeu uma carta de uma pessoa agradecida por este ano da misericórdia: a pessoa em questão “me pediu rezar por ela, para que ela esteja mais perto de nosso Senhor. A vida dessa pessoa era cuidar da mãe e do irmão; a mãe está de cama, idosa, lúcida, mas sem poder se mexer; e o irmão é deficiente, numa cadeira de rodas”. Francisco resumiu duas vezes este caso declarando: “Isto é amor!”.

Conclusão

O Papa Francisco encerrou a audiência com uma frase que sintetiza toda a mensagem:

Queridos irmãos e irmãs: ser misericordiosos como o Pai significa seguir Jesus no caminho do serviço”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: a Lumen Gentium explica positivamente a natureza e a missão dos leigos

O Papa Leão XIV durante a Audiência Geral na Praça São Pedro (Vatican Media)

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Leão XIV falou sobre o quarto capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativo aos leigos. "Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", frisou o Papa.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Lumen Gentium na Audiência Geral, desta quarta-feira (1º/04), realizada na Praça São Pedro que contou com a participação de quinze mil pessoas.

Hoje, o Pontífice abordou o quarto capítulo, "que trata dos leigos". A seguir, recordou as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados».

De acordo com o Papa, essa seção da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativa aos leigos "procura explicar positivamente a natureza e a missão dos leigos, depois de séculos em que foram definidos simplesmente como aqueles que não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas".

Igualdade de todos os batizados

"Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", disse Leão XIV, acrescentando:

“A própria descrição dos leigos que o Concílio nos oferece diz: «Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo».”

O povo santo de Deus não é uma massa informe

"O povo santo de Deus, portanto, nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totusé a comunidade organicamente estruturada, em virtude da relação fecunda entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial", disse ainda o Papa.

“Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. De fato, «O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita».”

A seguir, Leão XIV citou a Exortação Apostólica Christifideles laici de São João Paulo II. Nela o Pontífice polonês sublinhou "que «o Concílio, com o seu riquíssimo patrimônio doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, feitos eco do chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na Sua vinha»".

O vasto campo do apostolado laico estende-se ao mundo

"Desta forma, o meu venerável Predecessor relançou o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio tinha dedicado um documento específico, que abordaremos mais adiante", disse o Papa Leão.

“O vasto campo do apostolado laico não se limita à Igreja, mas estende-se ao mundo. A Igreja, de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.”

Uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão

"É preciso que o mundo «seja penetrado pelo espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim». E isso só é possível com o contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos", sublinhou o Papa.

“É o convite para sermos aquela Igreja “em saída” de que nos falou o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!”

"Irmãos e irmãs, que a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de sermos, como Maria Madalena, como Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado", concluiu Leão XIV.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Paixão de Jesus

Paixão de Cristo (Universo Paulino)

PAIXÃO DE JESUS 

30/03/2026

Dom Geraldo dos Reis Maia
Bispo de Araçuaí (MG)

O grande compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), dentre inumeráveis e belíssimas composições, deixou-nos uma solene interpretação da Paixão de Jesus Cristo segundo João, intitulada simplesmente Johannespassion. O grande músico compôs sua obra à base dos capítulos 18 e 19 do IV Evangelho, extraídos da tradução luterana, introduzindo textos poéticos, em forma de comentários, de Barthold Heinrich Brockes, contidos no hinário luterano. A estreia da obra se deu em grande estilo na igreja de São Nicolau, em Leipzig, na Sexta-feira Santa, 07 de Abril de 1724. 

Além da orquestra, coro e vozes principais, tenor, baixo, soprano e contralto, Bach acrescentou um grande coral para interpretar a participação do povo na trágica narrativa da Paixão de Jesus Cristo. Este exuberante conjunto musical manifesta a grandiosidade do ato cantado em estilo barroco. A musicalidade daí emanada transporta o ouvinte a uma profunda reflexão e espiritualidade. Os textos poéticos, intercalados nas perícopes do IV Evangelho, ajudam nesta reflexão e fazem resplandecer a beleza da narrativa joanina. Apresentaremos, a seguir, três destes textos de Brockes. 

O primeiro deles precede a perícope de Jo 18,1-14. Trata-se de um intróito a toda a narrativa que se segue. Em grande estilo, o coro brada: “Senhor, nosso Redentor, a cuja glória em toda a terra é senhora, mostra-nos, através da tua paixão, que tu, verdadeiro Filho de Deus, por todos os tempos, até na maior humilhação, foste glorificado”. Trata-se de um “aperitivo” ao que se vai ouvir e assistir a seguir: o drama da Paixão, desde o Jardim do Getsêmani, até o Jardim do Gólgota. 

Bem mais à frente, após a apresentação da ária número 30 “Tudo está consumado!”, entra a narrativa do tenor a anunciar “e inclinando a cabeça, entregou o Espírito”. Daí tem início a segunda referência que desejamos apresentar, comentando a morte de Jesus. Dirigindo-se ao crucificado, o baixo lhe interroga, em magnífico monólogo: “Meu amado Salvador, deixa que te pergunte: agora que foste crucificado e disseste ‘Tudo está consumado!’, sou eu livre da morte? Posso, pelo teu sofrimento e morte, herdar o reino dos céus? Todo o mundo foi salvo? Certo, tu não podes responder-me por causa de tuas dores, mas inclina a cabeça e diga em silêncio: ‘Sim’”. E o coro entoa, em grande estilo, com arranjos variados: Consumatum est

Por fim, a última referência que aqui trago é do gran finale da apresentação. Após a recitação do último texto joanino, 19,38-42, o coro entoa uma espécie de réquiem, embalando o descanso do Senhor. Daí entra o coral, que assume a voz de todo o povo, aclamando em oração: “Ah, Senhor, deixa que os teus doces anjos, no último instante da vida, portem ao seio de Abraão o meu espírito; que o corpo, na sua câmara, bem docemente, sem pena e tormento, repouse até o dia novíssimo. Então, acorda-me da morte, que os meus olhos possam contemplar-te na plena glória, ó Filho de Deus, meu Salvador e trono de graça! Senhor Jesus Cristo, ouve-me: eu desejo louvar-te eternamente!” 

A obra retrata a teologia própria que emana de um tempo e uma espiritualidade específicos: o barroco. Mesmo não sendo uma teologia atual, à luz do Concílio Vaticano II, a beleza poética dos comentários de Brockes, alinhavados ao texto joanino, e à riqueza da música de Bach nos fazem vislumbrar a beleza da arte inspirada no cristianismo, que, por sua parte, manifesta a beleza da salvação da humanidade. Dostoievski tinha razão: é a beleza que salva o mundo. Não se trata de uma beleza que segue padrões de visibilidade. Trata-se de uma beleza que une estética com a ética, corpo desfigurado que remete à oblação incondicional à humanidade. 

A Palavra de Deus, unida à arte, nos apresenta esta beleza singular: Deus que passa pela experiência da paixão e morte para gerar vida e vida em abundância (Jo 10,10). Vida que se extingue para gerar vida nova. É o grão de trigo semeado na terra. Se morre, produzirá muito fruto (cf. Jo 12,24). É essa experiência de morte e vida de um Deus apaixonado pela humanidade que celebramos nos dias da Semana Maior de nossa fé cristã, a Semana Santa. Preparemo-nos para nos deparar com a beleza, não somente de nossas liturgias e religiosidade popular, mas da vida doada para a salvação do mundo! 

Não basta ficar somente na admiração da celebração. É preciso unir a fé com a vida. É preciso trazer a celebração para o nosso cotidiano e observar que a Paixão de Jesus continua na Paixão do mundo. É preciso constatar que Jesus continua a ser incompreendido, injuriado e humilhado hoje. Quem procura seguir Jesus nos seus ensinamentos, como seus verdadeiros discípulos-missionários, segue na direção da cruz, acaba bebendo o mesmo cálice de sua paixão e morte (cf. 20,20-28). Os fiéis seguidores do Senhor não conseguem encontrá-lo hoje, nos irmãos e irmãs que sofrem, e ficar indiferentes. Mesmo perseguidos e exterminados, eles poderão ouvir do Rei-Pastor que separa as ovelhas dos cabritos: 

“Vinde, benditos de meu Pai. Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo, pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu, e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e viestes até mim. (…) Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,34b-36.40b). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

terça-feira, 31 de março de 2026

Leão XIV convida a rezar pelos sacerdotes em crise

Papa Leão XIV em oração (Arquidiocese de Braga - PT)

A intenção de oração do Papa para o mês de abril enfatiza o acompanhamento humano e espiritual dos presbíteros que atravessam momentos de dificuldades..

Vatican News

Foi divulgada, nesta terça-feira (31/03), a mensagem de vídeo com a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de abril, em que o Pontífice convida a rezar pelos sacerdotes em crise.

Através da Rede Mundial de Oração do Papa - com a campanha “Reza com o Papa” – o Santo Padre convida os cristãos e as pessoas de boa vontade a um breve tempo de oração, para reconhecer e aprofundar que por trás de cada ministério há uma vida que também necessita de cuidado, proximidade e escuta.

“Senhor Jesus, Bom Pastor e companheiro de caminhada, hoje colocamos nas tuas mãos todos os sacerdotes, especialmente os que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte do que a esperança.”

O Papa pede ao Senhor "que conhece as suas lutas e feridas", para que renove nos sacerdotes em crise "a certeza do seu amor incondicional".

Leão XIV afirma que os presbíteros "não são funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e estimados, e pastores amparados pela oração de seu povo".

Além disso, o Pontífice destaca a importância de redescobrir a dimensão comunitária do ministério sacerdotal.

“Pai bom, ensina-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos presbíteros: a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição, a partilhar com eles a missão batismal de anunciar o Reino com gestos e palavras, e a acompanhá-los com proximidade e oração sincera. Que saibamos amparar aqueles que tantas vezes nos amparam.”

O Papa reconhece que o cuidado dos sacerdotes é uma responsabilidade partilhada entre todo o Povo de Deus.

Em sua oração, o Papa pede ao Espírito Santo para reacender "nos nossos sacerdotes a alegria do Evangelho" e que eles possam contar com amizades saudáveis, "redes de apoio fraterno, sentido de humor quando as coisas não acontecem como esperavam, e com a graça de redescobrir sempre a beleza de sua vocação". Que eles não percam a confiança em Deusnem a alegria de servir à "Igreja com um coração humilde e generoso".

Sustentar fraternalmente aos que sustentam

O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, pe. Cristóbal Fones, destaca que esta intenção de oração é algo particularmente importante: “O Papa nos recorda que temos que sustentar fraternalmente aos que nos sustentam. Eu mesmo sinto isto em minha experiência, convivendo com tantos companheiros e amigos sacerdotes que atravessam momentos difíceis. É fundamental recordar a importância do acompanhamento humano, da amizade sincera e, sobretudo, da força da oração que sustenta. Os sacerdotes precisam saber que não estão sozinhos”.

À luz do recente magistério da Igreja — desde o Concílio Vaticano II até os ensinamentos dos últimos pontífices — se evidencia que o sacerdote é um homem frágil que necessita de misericórdia, proximidade e compreensão. Por isso, a insistência para que não enfrentem sozinhos os momentos de desânimo, mas se deixem acompanhar e sustentar pela comunidade. A fraternidade sacerdotal, a vida partilhada e a oração do Povo de Deus são como fontes essenciais de graça, capaz de renovar sua vocação e sustentá-los em sua missão de cada dia.

“O Senhor não busca sacerdotes perfeitos”

Uma Igreja sinodal é também uma Igreja que cuida e sustenta a vocação dos sacerdotes, ajudando os presbíteros a serem pastores, irmãos e pessoas melhores. O Papa Francisco, em “O Vídeo do Papa” de julho de 2018, mostrou preocupação por seus irmãos sacerdotes, e disse: “O cansaço dos sacerdotes… Sabem quantas vezes penso nisso?”

Em 27 de junho de 2025, por ocasião do Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos presbíteros com estas palavras: “Não tenham medo de sua fragilidade: o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar como Ele mesmo nos amou”. Um dia antes, em 26 de junho de 2025, Leão XIV interpelou os participantes do encontro internacional “Sacerdotes felizes - «Eu vos chamo amigos», promovido pelo Dicastério para o Clero durante o Jubileu dos Sacerdotes, dizendo: “No coração do Ano Santo, queremos testemunhar juntos que é possível ser sacerdotes felizes, porque Cristo nos chamou, Cristo fez de nós seus amigos: é uma graça que queremos acolher com gratidão e responsabilidade”.

Como Rede Mundial de Oração do Papa queremos destacar que esta intenção não é somente um convite a rezar, mais também a agir: promover espaços de escuta, fomentar comunidades acolhedoras, evitar críticas destrutivas, e fortalecer vínculos como comunidade.

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia com disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Padre Luís Modino, um missionário espanhol na Amazônia

Padre Miguel Modino (Aleteia)

Paulo Teixeira - publicado em 24/02/26

O pensamento e a trajetória do Padre Luís Miguel Modino, missionário espanhol que, após 19 anos no Brasil (especialmente na Amazônia), retorna à sua diocese de origem na Espanha.

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Após quase duas décadas de uma entrega profunda ao solo brasileiro, o Padre Luís Miguel Modino prepara-se para um novo capítulo. Missionário fidei donum, Modino tornou-se uma voz respeitada na Igreja e entre os povos da Amazônia. Para ele, o ato de comunicar não é um apêndice da evangelização, mas a própria essência da missão. Em um mundo saturado de ruídos, ele defende uma comunicação que nasce da escuta e do "cheiro das ovelhas", transformando o jornalista em um porta-voz de realidades muitas vezes silenciadas pela grande mídia.

A missão de escutar

Para Modino, a comunicação eclesial eficaz começa muito antes da primeira linha escrita ou do primeiro clique na câmera. “Ela nasce no silêncio e na convivência”, disse em entrevista ao Vatican News. Durante seus anos na Amazônia, acompanhando comunidades indígenas e ribeirinhas, ele aprendeu que o verdadeiro comunicador deve primeiro ser um aprendiz da realidade local. Esta é a primeira etapa de qualquer missão que se pretenda autêntica: a capacidade de se deixar afetar pela vida do outro.

Em suas reflexões sobre o período em que serviu na Diocese de São Gabriel da Cachoeira e na Arquidiocese de Manaus, o sacerdote é enfático: "Somente ouvindo, somos capazes de valorizar e descobrir as riquezas que ali existem, o esplendor da Amazônia que nos chama a comunicá-la". Para ele, o comunicador missionário tem o dever de superar preconceitos e oferecer ao mundo uma "nova história" da região, que vá além das tragédias e foque na resistência e na beleza dos povos originários.

Missão digital

Com o avanço das tecnologias e a consolidação das redes sociais, Modino não se esquivou do desafio de habitar o ambiente virtual. Para ele, a internet não é apenas uma ferramenta, mas um "continente" que precisa ser evangelizado com a mesma dedicação que uma paróquia física. "A missão digital precisa ser purificada, mas nunca abandonada. Não percamos a oportunidade de oferecer a Boa Nova às centenas de milhões de pessoas que hoje habitam o continente digital", afirma o sacerdote. Para ele, o missionário digital é um novo carisma necessário para acompanhar aqueles que estão distantes das estruturas paroquiais tradicionais.

Missão e pontes

Ao se despedir do Brasil em dezembro de 2025, Padre Luís Miguel Modino deixa um legado de pontes construídas. Sua atuação na REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) e no CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) exemplifica como a comunicação pode unir as dores das periferias ao coração do Vaticano. A missão de comunicar, portanto, é um serviço à unidade e à denúncia profética.

O retorno à Espanha não significa o fim de sua tarefa, mas uma mudança de geografia. A bagagem que leva do Brasil, carregada de nomes, rostos e lutas, continuará a alimentar sua vocação. "Onde quer que haja ódio, os missionários levam o amor; onde há desespero, eles levam a esperança", recorda Modino, citando a premissa que guiou seus 19 anos em terras brasileiras.

Padre Miguel Modino

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Magistério da Igreja e interpretação das Escrituras - Parte II

Papa Leão XIV celebra Missa por ocasião do XXX Dia Mundial da Vida Consagrada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, 2 de fevereiro de 2026. ANSA / Vatican Media)  (ANSA)

Na publicação do Novo Catecismo da Igreja Católica, São João Paulo II escreveu que “guardar o Depósito da Fé é missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos. O Concílio Ecumênico Vaticano II (...) tinha como intenção e como finalidade pôr em evidência a missão apostólica e pastoral da Igreja, e, fazendo resplandecer a verdade do Evangelho, levar todos os homens a procurarem e acolherem o o amor de Cristo que excede toda a ciência".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

"Em sua catequese intitulada “Um único depósito sagrado”, Leão XIV recordava que na Constituição Dogmática Dei Verbum ressoa o texto paulino que diz: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja», interpretado pelo «magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo». “Depósito” – explicou - é um termo que, na sua matriz original, é de natureza jurídica e impõe ao depositário o dever de conservar o conteúdo, que neste caso é a fé, e de o transmitir intacto”. E “ainda hoje o “depósito” da Palavra de Deus está nas mãos da Igreja e todos nós, nos vários ministérios eclesiais, devemos continuar a conservá-lo na sua integridade, como estrela polar para o nosso caminho na complexidade da história e da existência”.

Dando sequência a sua reflexão precedente. Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje a segunda parte de “Magistério da Igreja como intérprete fiel da Palavra”:

"O Magistério desempenha ao dar, “todos os dias até ao fim do mundo”, a correta interpretação ativa ou subjetiva/formal do conteúdo dogmático-moral da Tradição, tendo garantido ontem a veracidade do conteúdo passivo ou objetivo/material. Na publicação do Novo Catecismo da Igreja Católica, São João Paulo II escrevia assim: “Guardar o Depósito da Fé é missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos. O Concílio Ecumênico Vaticano II, inaugurado há trinta anos pelo meu predecessor João XXIII, de feliz memória, tinha como intenção e como finalidade pôr em evidência a missão apostólica e pastoral da Igreja, e, fazendo resplandecer a verdade do Evangelho, levar todos os homens a procurarem e acolherem o amor de Cristo que excede toda a ciência (cf. Ef 3,19)”.

Datada em 11 de outubro de 1992, trigésimo aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, décimo quarto ano do meu pontificado. HÁ uma “CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II FIDEI DEPOSITUM PARA A PUBLICAÇÃO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, REDIGIDO DEPOIS DO CONCÍLIO VATICANO II”

Este mesmo Catecismo: “Os fiéis, lembrando-se da palavra de Cristo aos Apóstolos: ‘Quem vos escuta escuta-me a Mim’ (Lc 10,16), recebem com docilidade os ensinamentos e as diretrizes que os seus pastores lhes dão, sob diferentes formas”. Sim, é preciso – sob pena de se criarem cismas ou “magistérios” paralelos – dar, sob o grau de assentimento que os pronunciamentos do Papa e dos Bispos o exijam, adesão aos seus ensinamentos e orientações; do contrário, podem recusar a voz do Pastor para seguir a um ladrão ou mercenário que, evidentemente, não é Pastor (cf. Jo 10,11-16). Afinal, quem diz: “Não siga o Magistério da Igreja”, de modo indireto ou até inconsciente, afirma: “Sigam a mim e às minhas doutrinas”. Eis o grave perigo!"

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

segunda-feira, 30 de março de 2026

SÃO BENTO: Indícios de amizade espiritual (Parte 2/2)

Vestindo Bento com o monge Romano e seu retiro para oração na gruta, Magister Conxolus, Histórias de São Bento, Igreja Inferior, Subiaco | 30Giorni.

SÃO BENTO

retirado do nº 05 – 2005, Revista 30Dias.

Indícios de amizade espiritual

Comunidade de espírito entre São Bento, o Padre Luigi Giussani e o Papa Bento XVI.

por Dom Giacomo Tantardini

O começo permanente e o confront com o espírito da utopia
Estas palavras evangélicas ("Quem me segue tem a vida eterna e cem vezes mais aqui na terra" cf. Mc 10,29-30) recordam o que o próprio Cardeal Ratzinger, em 1993, ao apresentar Um Evento da Vida Que É uma História , livro publicado pelo Il Sabato que reúne entrevistas e conversas com o Padre Giussani, definiu como "o confronto com o espírito da utopia". E não se tratava tanto de um confronto "decisivo", como o é, com as utopias mundanas, mas sim da "nossa tentação" (palavras de Giussani de outubro de 1976), isto é, a tentação que nós, cristãos, temos, "imediatamente após a intuição correta" do fato cristão, de "nos entregarmos, mais ou menos, ao privilégio concedido a um projeto".

O cem vezes mais não é o resultado de um projeto, de um programa. “Meu verdadeiro programa de governo não é fazer a minha vontade, não é seguir as minhas próprias ideias, mas escutar, com toda a Igreja, a palavra e a vontade do Senhor e deixar-me guiar por Ele, para que Ele mesmo guie a Igreja nesta hora da nossa história”, disse novamente Bento XVI em sua homilia na Missa de inauguração do seu ministério. A plenitude da vida terrena, como a vida eterna, tem um começo, uma fonte “permanente” (cada palavra da primeira aparição de Bento XVI na Praça de São Pedro, que se enchia de romanos que se apressavam para ver o novo Papa, permanece na memória: “Confiando em Sua ajuda permanente”). O começo “permanente” é Jesus Cristo, o Senhor ressuscitado.

“A Igreja está viva porque Cristo está vivo, porque Ele verdadeiramente ressuscitou” (domingo, 24 de abril). E no domingo, 1º de maio, quando, dirigindo-se às Igrejas Orientais que celebravam a Páscoa, ele repetiu com veemência: “ Christós anesti!” Sim, Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!'', o aplauso imediato que se elevou da praça repleta de fiéis em direção àquela janela foi belíssimo.

Aqui, a comunhão de mente e coração entre São Bento, Bento XVI, Padre Giussani e os menos fiéis é luminosa e total.

'O Padre Giussani sempre manteve o olhar de sua vida e seu coração fixos em Cristo' (Cardeal Ratzinger, na Catedral de Milão, no funeral de Giussani). 'Precisamos de homens que mantenham o olhar fixo em Deus, aprendendo com ele a verdadeira humanidade' (em Subiaco). E, novamente em Subiaco, o Cardeal Ratzinger concluiu a conferência citando a belíssima frase que São Bento repete duas vezes na Regra: 'Nada se preceda a Cristo, que pode nos conduzir a todos à vida eterna'. Aqui, capítulo 72: ' Christ omnino nihil praeponant '. No capítulo 4: « Nihil amori Christi praeponere / nada se preceda ao amor de Cristo».

Quando, a partir deste permanente prae-ponereAo priorizar as coisas, corre-se o risco de dar prioridade a um projeto, a um programa, e isso "produz um trabalho árduo e exaustivo, pesado e amargo" (Giussani, novamente em outubro de 1976). São Bento fala de "um zelo amargo que afasta a pessoa de Deus e leva ao inferno", novamente no capítulo 72, citado pelo Cardeal Ratzinger em Subiaco. E no capítulo 4, ele escreve: " Zelum non habere ", que no Evangelho poderíamos traduzir como "não te preocupes" (cf. Mt 6,25-34).
Esse amor de Cristo que sempre vem em primeiro lugar (é o Seu amor: "... eles consideram que o bem que há neles não pode vir deles, mas de Deus e, portanto, engrandecem o Senhor que opera neles", Prólogo da Regra), esse olhar fixo n'Ele gera "um bom zelo que afasta a pessoa dos vícios e leva a Deus e à vida eterna" (novamente do capítulo 72, citado pelo Cardeal Ratzinger em Subiaco). "E estar presente não significa não se expressar: a presença também é expressividade. A utopia tem como modo de expressão a fala, o planejamento e a busca ansiosa por ferramentas e formas organizacionais. A presença tem como modo de expressão gestos de verdadeira humanidade, isto é, de caridade" (Giussani, outubro de 1976).

Quão surpreendente, mesmo do ponto de vista humano, e quão católico, mesmo do ponto de vista teológico, que todo bom gesto, toda boa obra sempre surja e floresça de algo que parece nada, como uma atração ( A Atração de Jesus , título de um livro de Giussani, Rizzoli), de algo que parece nada, como um olhar ( Olhando para Cristo , título de um livro de Ratzinger, Jaca Book). Assim, somos tomados pela mão e "conduzidos pelo Evangelho / per ducatum Evangelii " (Prólogo da Regra). Assim, ao "ver Cristo verdadeiramente", compreende-se que "encontrar Cristo significa seguir Cristo" (Cardeal Ratzinger no funeral de Giussani). Assim, compreende-se por que São Bento inclui "não preferir nada ao amor de Cristo" entre "os instrumentos das boas obras" (título do capítulo 4: Quae sunt instrumenta bonorum operum ).

Mesmo a mais excelente obra, a liturgia, sem prejuízo da validade dos sacramentos, seria reduzida, nas palavras do Cardeal Ratzinger, a uma "celebração de si mesmo", a um "teatro", se não fosse um "pensar n'Ele", um ser "voltado para o Senhor". Tornar-se-ia um formalismo pesado, pesado porque foi construído por nós. Perderia aquela transparência de beleza que (Ratzinger recordou num dos seus mais belos discursos, no Congresso Eucarístico de Bolonha em 1997, aludindo a uma antiga lenda sobre as origens do cristianismo na Rússia) encheu de admiração os embaixadores do Príncipe Vladimir de Kiev quando assistiram à sagrada liturgia na Basílica de Santa Sofia em Constantinopla. "O que os impressionou foi o próprio mistério que, precisamente por transcender a discussão, fez resplandecer o poder da verdade diante da razão." A misericórdia de Cristo e a não trivialização do mal

Entre os instrumentos para as boas obras, São Bento coloca "nunca desesperar da misericórdia de Deus / e nunca desesperar da misericórdia de Deus " (capítulo 4). Isso é consolo para aqueles que, como o próprio Bento se considerava (" nobis male viventibus ", capítulo 73), são pobres pecadores. Toda a Regra, precisamente por ser um simples e humilde deixar-se guiar pelo Evangelho (" per ducatum Evangelii "), é um exemplo maravilhoso de como "a misericórdia de Cristo não pressupõe a banalização do mal" (Ratzinger), de como "o fio da moralidade não só surge da misericórdia, mas também é atestado e preservado nela" (Giussani).

Abadia da Gruta Sagrada, Subiaco | 30Giorni.

Tendo como imagem ideal do cristão aquele que "repete sempre o que disse aquele publicano do Evangelho" (capítulo 7), a Regra é a proposta clara, breve e concreta, primeiramente dos mandamentos de Deus, que Bento XVI enumera com insuperável realismo no início do capítulo 4, e depois dos preceitos que indicam o que se deve fazer e o que se deve evitar nas diversas circunstâncias da vida. Precisamente porque "a primeira coisa a fazer é orar com súplica constante ( istantissima oratione ) Àquele que completa toda boa obra que se inicia" (Prólogo); precisamente porque "o instrumento mais eficaz a usar", por exemplo, em relação a um irmão pecador, é "a oração para que o Senhor, que tudo pode ( qui omnia potest ), opere a salvação" (capítulo 28), os mandamentos e preceitos são propostos sem eliminar ou esvaziar nada. “Não há nada mais realista do que afirmar fielmente os princípios retos. E o tempo trará a mudança. E a mudança que ocorrer será suficiente para testemunhar o milagre de Deus em nós. E essa fidelidade em repetir os princípios retos, qualquer um que a tenha experimentado um pouco, sabe o quanto é mortificação” (Giussani). A alternativa ao moralismo que condena (os outros) reside em repetir o que é bom e o que é mau, juntamente com a pergunta d'Aquele que tudo pode. 

Essa repetição, esse perguntar “sempre, sem cansar” ( Lc 18,1) é a coisa mais simples e humilde que podemos fazer, e “é própria daqueles que não têm nada mais precioso do que Cristo” (capítulo 5 da Regra). Por isso, gostaria de concluir estas notas agradecendo à pessoa que, dois meses antes de ser eleito Papa, concordou em escrever a introdução de um pequeno livro de orações que também contém o que e quantas coisas são necessárias para fazer uma boa confissão. "Por isso, fico muito feliz que a 30Giorni esteja publicando uma nova edição deste pequeno livro que contém as orações fundamentais dos cristãos, desenvolvidas ao longo dos séculos. Elas nos acompanham em todos os momentos de nossas vidas e nos ajudam a celebrar a liturgia da Igreja por meio da oração. Espero que este pequeno livro se torne um companheiro de viagem para muitos cristãos. Roma, 18 de fevereiro de 2005. Cardeal Joseph Ratzinger. Obrigado."

Fonte: https://www.30giorni.it/

O Tríduo Pascal envolve três momentos do Mistério em uma única celebração

Tríduo Pascal (cnbb)

O TRÍDUO PASCAL ENVOLVE TRÊS MOMENTOS DO MISTÉRIO EM UMA ÚNICA CELEBRAÇÃO

28/03/2018

Nesta quinta-feira, os católicos no mundo inteiro iniciam a celebração do Tríduo Pascal, ou seja, o período de tempo que vai da tarde de quinta-feira Santa até a manhã do Domingo de Páscoa.

São João Paulo II, ainda papa escreveu na carta aos sacerdotes, por ocasião da Quinta-feira Santa, de 1999, “o Triduum Sacrum, os dias santos por excelência, durante os quais misteriosamente participamos no regresso de Cristo ao Pai, por meio da Sua Paixão, Morte e Ressurreição. De fato, a fé garante-nos que essa passagem de Cristo ao Pai, ou seja, a Sua Páscoa, não é um acontecimento que diga respeito só a Ele; também nós somos chamados a tomar parte nela: a Sua Páscoa é a nossa Páscoa”.

O bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol, explica que o Tríduo Pascal envolve três momentos em uma única celebração.

Quinta-feira Santa

“Começamos com a celebração da Ceia Pascal, na quinta-feira à noite, em que nós fazemos memória da grande ceia da despedida, que começa, segundo o evangelista João, com o gesto do lava-pés. Cristo manifesta sua disponibilidade a amar até o fim, ele se considera o servo da humanidade”.

Sexta-feira da Paixão

“Depois da Ceia Pascal, com a celebração da Eucaristia, memória viva do maior mistério do amor de Deus, do sacrifício de Cristo até as últimas consequências, eis que, na sexta-feira, nós celebramos este rito sóbrio de uma intensíssima espiritualidade da morte do Senhor. Naquele dia, a Igreja não tem a celebração da eucaristia, mas convida seus fiéis a olhar, a contemplar o crucificado, Cristo que morre na Cruz. Ele nos amou até doar a última gota do seu sangue”.

Sábado Santo

“Depois do silêncio do Sábado Santo, em que a Igreja medita e reflete Cristo morto, eis que chegamos à noite da Vigília Pascal, em que celebramos a vitória de Cristo sobre a morte, a morte foi vencida e a Igreja vibra e renova a sua fé, a sua esperança numa plenitude vivida de realização que Cristo já semeou, plantou na terra e que nos fins dos tempos se realizará plenamente. A Vigília Pascal conclui o tríduo”.

“É interessante observar que o sinal da Cruz se faz começando a Eucaristia na quinta-feira e repetimos com bênção final na celebração da Vigília Pascal e, através desse simbolismo litúrgico expressamos essa unidade dos três momentos celebrativos que caracterizam esse tríduo sacro”, ressalta dom Armando.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

As reações do mundo após acesso negado à Basílica do Santo Sepulcro

Basílica do Santo Sepulcro (Vatican News)

Muitas condenações do mundo político e institucional pelo que ocorreu na manhã de domingo, 29 de março, com o cardeal Pizzaballa e o Pe. Ielpo, impedidos pela polícia israelense em Jerusalém de entrar na igreja. Um gesto – denunciam – que coloca em risco a liberdade religiosa e de culto. Indignação pela medida irracional: é a posição da Igreja italiana, que pede uma trégua para a Páscoa. Israel fala de medidas de segurança necessárias devido aos ataques do Irã.

Benedetta Capelli – Vatican News

A notícia da manhã deste domingo, 29 de março, sobre a impossibilidade do cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e do Custódio da Terra Santa, Pe. Francesco Ielpo, de entrarem na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para celebrar a Missa do Domingo de Ramos causou alvoroço. Uma decisão implementada pela polícia israelense.

A condenação das instituições

Muitos líderes políticos se manifestaram para condenar o ocorrido. O Ministério das Relações Exteriores palestino, na rede social X, definiu o caso como “um crime que atinge tanto o mundo cristão quanto o islâmico” e que “exige uma intervenção internacional urgente”; “uma clara violação dos direitos fundamentais do povo palestino, em primeiro lugar, a liberdade de culto”, uma ofensa à sensibilidade de quem compartilha a sacralidade de Jerusalém e seu status religioso. Palavras de condenação à decisão da polícia israelense também vieram do presidente francês, Emmanuel Macron, no X. Na postagem, ele garantiu total apoio aos representantes cristãos e lembrou “o preocupante aumento das violações do status dos locais sagrados em Jerusalém”.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, falou nas redes sociais de “ingerência excessiva”, lembrou do limite de 50 pessoas dentro dos locais sagrados – medida do governo israelense para garantir a segurança – e que a delegação do cardeal Pizzaballa e do custódio Ielpo era composta por 4 pessoas, “bem abaixo desse limite”. “É difícil compreender ou justificar”, explicou o diplomata.   

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Bundestag, Armin Laschet, destacou nas redes sociais que “negar ao cardeal o acesso ao local mais sagrado do cristianismo é inaceitável”. “Trata-se”, acrescentou, “de pura intimidação, desprovida de qualquer sensibilidade ou compreensão”. “A recusa – pode-se ler no perfil X do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal – merece a mais firme condenação” e convida as autoridades israelenses “a garantir e a proteger a liberdade de religião e de culto”.

Grande repercussão na Itália

Na Itália, o que aconteceu teve grande repercussão. A primeira-ministra, Giorgia Meloni, expressou a solidariedade do governo italiano ao cardeal Pizzaballa e ao Pe. Ielpo. “O Santo Sepulcro de Jerusalém é um local sagrado para o cristianismo e, como tal, deve ser preservado e protegido para a celebração dos ritos sagrados. Impedir a entrada constitui uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa”. Fazendo eco a ela, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, decidiu convocar o embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled. Nas redes sociais, ele expressou sua solidariedade aos religiosos e definiu como “inaceitável” a proibição de entrar na Basílica do Santo Sepulcro. Palavras de condenação também vieram dos líderes da oposição, que expressaram solidariedade ao Patriarca Pizzaballa e ao Custódio Ielpo.

A voz da Igreja italiana

Lamento pelo ocorrido e total solidariedade às comunidades cristãs da Terra Santa. Foi o que expressou também por telefone o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), ao cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, em relação ao que aconteceu. “Em nome dos bispos italianos – afirma o cardeal –, manifesto minha indignação por ‘uma medida grave e irracional’, compartilhando o que foi declarado no comunicado conjunto do Patriarcado e da Custódia. Trata-se de um fato doloroso para os muitos cristãos que, vivendo nessas terras, representam um testemunho essencial de esperança para todos os povos em contextos de divisão e conflitos”.

O presidente da CEI garante suas orações pelos cristãos da Terra Santa e ressalta que “as autoridades locais e as organizações internacionais têm o dever inalienável de garantir a liberdade religiosa na Terra Santa, condição imprescindível para qualquer processo de paz autêntico”. O apelo é para que se abram espaços de diálogo e se chegue logo a soluções razoáveis.  “Ao Senhor da paz — conclui o cardeal Zuppi — confiamos os sofrimentos de todos aqueles que vivem o drama dos conflitos e das guerras. A todos os governantes pedimos um gesto de reconciliação e uma trégua para a próxima Páscoa”.

A reação de Israel

Após o comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, no qual se destacava a gravidade do ocorrido, considerando a decisão “uma medida claramente irracional e gravemente desproporcional”, o presidente israelense, Isaac Herzog, publicou um post no X expressando “profundo pesar pelo desagradável incidente”. Ele esclareceu ter ligado para o cardeal Pierbattista Pizzaballa, ressaltando que a decisão foi motivada por razões de segurança e pela ameaça de ataques com mísseis por parte do Irã. As palavras do presidente seguem as do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com a promessa de elaborar um plano para permitir as celebrações na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, mas sempre no pleno respeito às medidas de segurança. Eles garantem que “não houve qualquer intenção maliciosa”, mas a proibição de acesso por parte da polícia israelense, reiterou o gabinete do primeiro-ministro no X, foi motivada “apenas pela preocupação com a segurança dele e de sua comitiva”.

FONTE: https://www.vaticannews.va/pt/

domingo, 29 de março de 2026

O que fazer com meu ramo após o Domingo de Ramos?

Antoine Mekary | ALETEIA

Reportagem local - publicado em 10/04/22 - atualizado em 27/03/26

Com os ramos em mãos, assumimos a missão de seguidores e participantes do projeto de Deus.

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Assim rezamos na oração de bênção dos Ramos: “Deus eterno e Todo Poderoso, “abençoai” estes ramos, para que, “seguindo” com alegria o Cristo, nosso Rei, cheguemos por ele à eterna Jerusalém”.

Nesse sentido, guiados por essa oração temos duas palavras que nos ajudam refletir a importância e o significado dos ramos.

A invocação feita é um pedido de bênção para os ramos que temos em mãos ou que estão adornando o local da celebração. No “abençoai” se manifesta o pedido da igreja terrestre e peregrina, que quer e deseja entrar na Jerusalém Celeste.

Dessa forma, com os ramos em mãos, assumimos a missão de “seguidores” e participantes do projeto de Deus. A oração segue nos dizendo que o seguir é alegre e festivo. É celebrar junto o Mistério de morte e ressurreição.

Ramos: o significado e a tradição

Os ramos de oliveira eram comuns daquela região de Jesus, mas nos relata o evangelista Lucas que: “(...) enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho”. Hoje, os ramos de palmeiras são abençoados e, dessa forma, podem nos servir de remédio, proteção, mas, sobretudo, como memória do compromisso de seguidor de Cristo que assumo.

Está no costume da Igreja usar dos ramos abençoados neste dia para que, depois de secos, sejam queimados e usados na Quarta-Feira de Cinzas.

Muitos de nossos avós tinham também a tradição de queimá-los quando chegava o tempo de colheita, quando se aproximava uma tempestade ou ainda queimavam em torno de casa ou do local de trabalho para livrar de pestes e bichos peçonhentos.

Nesses gestos todos está a fé de que a bênção de Deus está presente nos ramos e é Ele o Senhor do tempo e da história.

Assim, como os filhos dos Hebreus com ramos de palmeira correram ao encontro de Jesus, somos também nós seus discípulos convidados a direcionar nossos passos e ações para Ele. E desse modo, sermos participantes do Mistério Pascal.

A Jerusalém Celeste é o céu prometido a todos aqueles que, com seus ramos, glorificam a Deus.

E, nos passos e ensinamentos de Jesus, aprenderemos que no mandamento maior está o Caminho e o maior desejo de Deus: "Amai-vos", pois é desse sentimento que emana tudo aquilo que nos faz participantes da Filiação Divina – Filhos de Deus.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF