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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Os desafios de viver os mistérios de Jesus Cristo no mundo digital

Cultura digital | Vatican Media.

Vivemos uma realidade complexa, envolvida numa teia de tecnologias que nos absorve em ritmo acelerado e, muitas vezes, sufoca, modificando nossa cultura, as relações humanas e mesmo os hábitos banais do dia a dia. Evidentemente, a tecnologia oferece oportunidades, avanços e perspectivas.

Dom Oriolo - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina, MG

Tive a oportunidade de exercer o ministério sacerdotal em três paróquias cujas igrejas matrizes, ainda que não barrocas, eram antigas e se destacavam por seus traços arquitetônicos e belezas artísticas. Primeiramente, o Santuário de São Francisco de Paula, em Ouro Fino (MG), como vigário paroquial; depois, a Basílica do Carmo, em Borda da Mata (MG), como pároco e reitor e, finalmente, a Catedral Metropolitana de Pouso Alegre (MG), como pároco e cura. Nessas igrejas, com suas belezas artísticas peculiares, reunidas nos altares, sacrários, pinturas, revestimentos, adornos e mobiliário, tornou-se comum, sobretudo a partir da década de 1990, encontrar fiéis com suas máquinas fotográficas, preocupados em registrar os momentos e os ambientes, produzindo fotos e mais fotos.

A popularização dos equipamentos para o registro de imagens contribuiu para o crescimento dessa prática nos templos, frutos da dedicação e da piedade das comunidades, que unem as gerações na busca do transcendente e da própria santidade. Assim, muitos fiéis se tornaram verdadeiros paparazzi, armados de máquinas digitais, flashes e outros acessórios, à espreita de momentos únicos de beleza divina, presentes nas formas e liturgias ambientadas nas igrejas.

O papa Bento XVI, em diversos contextos, analisou a relação intrínseca entre teologia e beleza e ensina: “Uma beleza não aberta a Deus reclui o homem nele próprio e é capaz de levá-lo ao desespero ou a um espiritualismo sem estreita relação com Deus […] Os que creem devem mostrar a beleza de sua fé em autênticas cerimônias, sobretudo, em sua liturgia”. Ora, a experiência de Deus passará sempre pelo exercício da contemplação. Por isso mesmo, são edificados belos templos para o culto a Deus e a Igreja busca nortear a sua liturgia pelo critério de “nobre simplicidade”.

Vivemos uma realidade complexa, envolvida numa teia de tecnologias que nos absorve em ritmo acelerado e, muitas vezes, sufoca, modificando nossa cultura, as relações humanas e mesmo os hábitos banais do dia a dia. Evidentemente, a tecnologia oferece oportunidades, avanços e perspectivas. No entanto, somos todos desafiados cotidianamente, em maior ou menor grau, por um mundo congestionado por imagens; flagrados e monitorados a todo o momento, com o auxílio da tecnologia digital. Os cidadãos do Reino Unido são os que mais passam por essa experiência, pois se tornaram os mais vigiados do mundo pelas câmeras de circuito fechado de televisão, segundo reportagem publicada pela revista britânica The New Statesman.

Se por um lado, ao menos em tese, verifica-se a descoberta do valor de armazenar imagens, vídeos e colecionar registros em grande escala, graças à proliferação dos instrumentais tecnológicos, nem sempre essa realidade coincide com um o maior interesse humanístico, cultural e histórico. A sociedade digital é, sobretudo, uma sociedade do descartável, do instantâneo. Fotografar é moda, mas apreciar o “belo”, como que numa vivência transcendental, não se interliga, necessariamente, a essa prática.

Percebo, sem preconceitos, que a dinâmica da câmera instantânea e do telegrama, raízes que batizam o Instagram invadiu os eventos de evangelização e as celebrações do Mistério Pascal, os sacramentos. Em nossas celebrações, de festas de padroeiros a ordenações, o fiel deixou de ser assembleia para se tornar plateia de um espetáculo digital. Na corrida pelo Reels perfeito ou pelo Story mais engajador, os mistérios são fragmentados em 15 segundos.

modus vivendi da sociedade digital, pressionado pela concorrência estética com o Instagram, impõe uma ditadura da imagem onde o sacramento vira cenário e o rito vira conteúdo. Esse processo de instagranização da fé faz com que, ao buscar o ângulo ideal para o Feed ou a transmissão ao vivo nas Lives, o fiel se ocupa com o periférico e ignora o essencial. O limite de 7.500 perfis que a rede permite seguir parece pequeno perto da multidão de distrações que afastam o olhar do altar. Perde-se a vivência do invisível na tentativa vã de capturar o digital: o espírito da liturgia não aceita filtros e a graça de um sacramento não cabe no Direct.

A fixação pelas imagens preocupa, ainda, por alimentar o sentimento de autoglorificação, de uma permanente necessidade que se pode resumir expressão popular: “Olha eu!”. Desse modo, as mãos, destinadas a louvar a Deus, estão sempre sobrecarregadas com a parafernália de última geração. Os olhos já não contemplam, ocupados em encontrar enfoques e ângulos. A atenção, essencial para uma participação efetiva, vai para o espaço! Não interagimos com o belo nem nos envolvemos com a ação ritual. Em última instância, não nos comprometemos com a vivência do sagrado nem dedicamos atenção às relações com o outro, que é irmão.

Gradativamente, torna-se banal a incidência desse modismo em nossas comunidades. A instagranização das celebrações eucarísticas corre o risco de nos tornar paparazzi das celebrações eucarísticas, suplantando a nossa identidade eclesial que é a de sermos membros de uma comunidade de fé. Quando participamos nos momentos celebrativos em nossas igrejas, é uma tentação sacarmos logo o celular, máquina fotográfica ou smartphone para capturar momentos que julgamos importantes, esquecendo que o esplendor e a beleza que refulgem no rito litúrgico são sinais da beleza da entrega de Cristo por nós, realizada sacramentalmente, e do imenso e incessante amor de Deus por nós manifestado em  Nosso Senhor Jesus Cristo, que se atualiza em dimensão kairótica, e não cronológica.

Sob esse aspecto, a realidade digital nos afasta mais do que nos une. Ao fotografarmos em nossas celebrações eucarísticas, nos distraímos, além de prejudicar a concentração de outras pessoas. Na maioria das vezes, querendo valorizar e registrar imagens, acabamos deixando em segundo plano o mistério de Jesus Cristo. O tempo despendido em registrar um momento faz com que deixemos de lado a expressão genuína da beleza divina, a presentificação sacramental de Cristo e a atualização do Mistério Pascal.

Vale esclarecer que nesse caso, quando nos referimos a mistério, não estamos falando de algo secreto, escondido, de significado ou causa oculta, algo que não se pode explicar. Mistério, aqui, significa o desígnio (projeto, plano) eterno e misericordioso de Deus, agora revelado, realizado em Jesus Cristo, comunicado a todos os povos (cf. Rm 16, 25; Ef 3, 9; Col 1, 26-27; 1Tm 3, 16) e simbolizado por meio dos ritos litúrgicos. É algo que vai se revelando aos poucos. Transcende a materialidade e a nossa capacidade racional, pois é entendido e acolhido na fé.

Os sacramentos são momentos privilegiados do encontro entre Deus e o ser humano. Pelos sacramentos, participamos do mistério de Cristo, como corpo do Senhor ressuscitado. São sinais eficazes da graça, pois o próprio Cristo os instituiu, os confiou à Igreja e age em cada um deles (cf. CIC, 1131).

A celebração dos sacramentos abrange todas as etapas da existência humana, do nascimento à morte, sendo indispensável para alimentar a vida cristã. Nos sacramentos, o próprio Cristo Jesus nos comunica a sua plena comunhão com o Pai. Toda vida cristã desenvolve em torno dos sacramentos, especialmente o da Eucaristia.

Penso que uma alternativa pastoral para o desafio de se lidar com as tecnologias, considerando que é imprescindível para a Igreja manter-se também conectada com a realidade digital, seria o investimento específico na constituição das nossas Pastorais da Comunicação (Pascom). A partir de um processo educativo, os fiéis poderão compreender que os agentes da Pascom cumprirão, de forma consciente e oportuna, a missão de registrar e compartilhar nossas celebrações, os momentos fortes de vivência da fé, pautados nas orientações litúrgicas e na hierarquia de prioridades, no contexto de cada celebração.

Finalmente, para que nossas celebrações eucarísticas possam ser exclusivamente o lugar do “mistério de Deus”, manifestado pelos sacramentos, temos que investir para configurar, cada vez mais, as nossas igrejas em autênticos espaços de acolhimento, onde cada fiel tenha condições, em todos os momentos importantes da vida, de se encontrar com Jesus e ser discípulo missionário. Assim, vamos vivenciar, registrar e eternizar o Mistério Pascal do Senhor, e deixar as imagens, áudios e vídeos para os outros momentos das nossas vidas.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O amor e a loucura andam juntas

Fábula do Amor e da Loucura (YouTube)

O AMOR E A LOUCURA ANDAM JUNTAS

15/10/2021

Dom Jacinto Bergmann
Arcebispo de Pelotas (RS)

 Início a minha reflexão com uma estória: “A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs: – Vamos brincar de esconde-esconde? -Esconde-esconde? O que é isso? – perguntou a Curiosidade. – Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar. Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça. – 1,2,3…- a Loucura começou a contar. A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove. – CEM! – gritou a Loucura. – Vou começar a procurar… A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez… Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: – Onde está o Amor? Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima damontanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amoraparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amore até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitouas desculpas. Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre”. 

A última frase dessa estória é uma conclusão e contém uma afirmação:  Conclui que o amor é “cego” e afirma que a “loucura” acompanha o amor. Mas deixa tudo em aberto, para que nós nos perguntemos: Por que o amor é “cego”? por que a “loucura” acompanha o amor? Ensaio aqui uma resposta às duas questões sob o prisma da boa nova cristã. 

Por que o amor é “cego”? Jesus de Nazaré ensinou que o amor cristão “não enxerga” (quem não enxerga é “cego) as limitações do amado. Enxerga tão somente o amado a ser amado. Ama gratuitamente. Chega a amar o amado por causa de suas limitações e não por seus acertos. Pois, Jesus de Nazaré viveu o amor “cego” como ele ensinou. Amou não levando em conta as “limitações” do ser humano. Como Deus “nascido numa gruta de animais” assumiu a natureza humana limitada, viveu 30 anos escondido numa família, pregou a boa nova aos “pequenos e simples”, pediu que fosse “dado a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, sujeitou-se a não ter “onde reclinar a cabeça”, abraçou a cruz e a morte de cruz… tudo isso, amando gratuitamente – como “cego”, por causa dos pecados da humanidade e em vista da sua redenção. Que cenário de gratuidade – “cegueira” – do amor! Eis um amor “cego” e por isso salvador. 

Por que a “loucura” acompanha o amor? Jesus de Nazaré ensinou que o amor cristão não caminha apenas segundo as razões, segundo os desejos, segundo as regras, segundo os interesses, segundo os direitos, segundo as compensações (não caminhar segundo as razões… é “loucura”). O amor cristão caminha colocando tudo em função do amado; coloca o “sábado para o homem e não o homem para o sábado”. Ama desinteressadamente. Chega amar o amado por causa de suas feridas e não por causa de suas belas e razoáveis aparências. Pois, Jesus de Nazaré viveu o amor “desinteressado” como ele ensinou. Amou não levando em conta apenas as “razões” do ser humano. Como Mestre da “vida plena para a qual veio” escolheu “pescadores e publicanos” para discípulos e apóstolos, conviveu com pecadores discriminados, curou leprosos marginalizados, acolheu prostitutas desprezadas, identificou o Reino de Deus com as crianças “pequenas e simples” (e não com não-crianças “grandes e complicadas”), corrigiu a religião “hipócrita e vazia”, deixou-se condenar pelo poder mundano e falso, caminhou para o calvário sob o peso da cruz dos malvados, morreu como “grão de trigo” inocente, deixou o sepulcro como ressuscitado… tudo isso, amando desinteressadamente – como “louco”, por causa dos pecados da humanidade e em vista da sua redenção. Que espetáculo de desinteresse – “loucura” – do amor! Eis um amor “louco” e por isso salvador. 

Em Jesus de Nazaré “o Amor cegado pelo espinho e a Loucura seguidora do Amor” tornou-se real! Que em nós cristãos também o Amor e a Loucura andem juntas! 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Pe. Ramón Sevillano: Início do discernimento sobre sua vida e testemunho cristão

Pe. Ramón Sevellano | cn.org.br/portal

CELEBRAÇÕES EM SUFRÁGIO PELO PE. RAMÓN SEVILLANO MARCAM O INÍCIO DO DISCERNIMENTO SOBRE SUA VIDA E TESTEMUNHO CRISTÃO

Post 6 de janeiro de 2026 C. N. Brasil

Devoção popular e testemunos de graças atribuídas à sua intercessão impulsionaram o início do discernimento eclesial sobre a causa de beatificação.

Na tarde de 5 de janeiro, fiéis  se reuniram no Cemitério da Saudade, em Franca (SP), para um momento de oração em sufrágio da alma do Pe. Ramón Sevillano Valencia, presbítero catequista itinerante do Caminho Neocatecumenal, falecido em 1996. A celebração insere-se no contexto das iniciativas que acompanham o início de um caminho de discernimento, por parte da Igreja, acerca de sua vida e testemunho cristão, em vista de um possível processo de beatificação.
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Cerca de 160 pessoas participaram do encontro junto ao túmulo do presbítero, onde se destacam numerosas placas de agradecimento por graças alcançadas, sinal de uma devoção espontânea que se mantém viva ao longo dos anos. O momento de oração seguiu com os salmos do Ofício dos Defuntos e a proclamação do Evangelho.
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Eucaristia em sufrágio
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Ainda no dia 5 de janeiro, às 19:30h, foi celebrada a Eucaristia em sufrágio da alma do Pe. Ramón Senillano na Sé Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Franca (SP). A celebração foi presidida por Dom Ângelo Pignoli, bispo emérito de Quixadá (CE), e contou com a participação de presbíteros e fiéis das comunidades neocatecumenais da Diocese de Franca.
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Antes do início da celebração, houve um momento protocolar de acolhida e agradecimentos, com menção especial ao bispo diocesano, Dom Paulo Roberto Beloto, pelo apoio ao início do processo, e ao pároco da Catedral, Pe. Rogério Rúfio. Foi apresentado um breve histórico da vida e missão do Pe. Ramón, situando a assembleia no contexto da celebração. A liturgia seguiu expressando o caráter de ação de graças e de comunhão eclesial.

Na celebração foi lida uma carta enviada pela equipe de catequistas responsáveis pelo Caminho Neocatecumenal no Brasil: Pe. José Folqué, Raul Viana e Toña Santiago, que, impossibilitados de estarem presentes, manifestaram comunhão com a assembleia. Na mensagem, os catequistas expressaram gratidão pela vida e pelo ministério do Pe. Ramón Sevillano, recordando sua pregação constante da esperança na Ressurreição e sua fidelifdade até o fim:

"Que este acontecimento seja para todos nós uma renovação da missão evangelizadora que o Senhor nos encomenda, e garantia para todos estarmos, um dia, com Cristo na plenitude da Vida Eterna. Finalmente confiamos à Virgem Maria o processo de beatificação que a Igreja de Franca inicia, e à qual Pe. Ramón amou muito, desde a sua juventude na Congregação Salesiana e, como guia dele na missão de catequista itinerante."
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Como parte deste momento, as comunidades neocatecumenais no Brasil e em algumas cidades da Espanha, que se reuniram no fim de semana (dias 10 e 11 de janeiro) para as celebrações da Eucaristia, aplicaram também a intenção pela alma do Pe. Ramón, por ocasião dos 30 anos de seu falecimento, unindo-se, assim, espiritualmente às celebrações realizadas ma Diocese de Franca, no último dia 5.

Uma vida entregue à missão

O Pe. Ramón Sevillano Valencia nasceu em 31 de agosto de 1943, em Cirauqui, na região de Navarra. Filho de Alfonso e Rosario, desde jovem manifestou o desejo de ser sacerdote e missionário, ingressando ainda adolescente no aspirantado salesiano. Sua formação religiosa e presbiteral foi marcada por avaliações que ressaltavam seu equilíbrio, espírito de entrega, piedade e docilidade.
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Ordenado presbítero em 19 de agosto de 1972, exerceu inicialmente o ministério como educador e catequista e no acompanhamento pastoral dos jobens. Em 1979, pediu autorização aos superiores salesianos para dedicar-se integralmente à missão itinerante no Caminho Neocatecumenal. Pe. Ramón pertencia à primeira comunidade neocatecumenal da Paróquia Santa Joaquina Vedruna, em Barcelona, Espanha.

Após evangelizar em diversas regiões da Espanha e em Portugal, os iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello e Carmen Hernández, enviaram-no como responsável pelo Caminho Neocatecumenal no Brasil. Aqui chegou em 1990, onde exerceu o ministério como catequista itinerante nas dioceses de Brasília, São Paulo, Franca e Jundiaí. Entre outros serviços, colaborou na fundação do Seminário Missionário Arquidiocese Redemptoris Mater de Brasília. Viveu os últimos anos sem residência fixa, acolhido pelas famílias das comunidades, sempre disponíveis para partir e anunciar o Evangelho onde fossem necessário.
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Quantos o conheceram recordam sua afabilidade, proximidade e atenção especial aos mais frágeis. Consciente de suas limitações físicas, superava-as com serenidade, humor e profunda confiança em Deus.

Morte, sepultamento e memória viva

No dia 1º de janeiro de 1996, Pe. Ramón, junto com sua equipe de catequistas itinerantes, sofreu um grave acidente automobilístico na estrada entre Igarapava (SP) e Uberaba (MG). Após quatro dias internado em cuidados intensivos, o presbítero faleceu na Vigília da Epifania (5 de janeiro), em Uberaba (MG). Em 7 de janeiro, ocorreu seu sepultamento em Franca (SP), local onde havia exercido sua missão no Brasil, presidido pelo então bispo diocesano Dom Diógenes Silva Mathes, com a participação de mais de quatro mil pessoas vindas de diversas regiões do país.

Constumava dizer que sua pátria era o Céu e que poderia ser enterrado onde viesse a falecer. A proximidade do local do acidente com Franca fez que ali repousassem  seus restos mortais, numa diocese que tem papel histórico no início do Caminho Neocatecumenal no Brasil, presente na região desde 1974.
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Intercessões e graças

Desde os primeiros dias após sua morte, a memória do Pe. Ramón Sevillano tem sido acompanhada por manifestações  constantes de estima e devoção por parte dos fiéis. O velório, realizado em 6 de janeiro de 1996, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Franca (SP), e o cortejo fúnebre até o cemitério reuniu um grande número de pessoas, evidenciando o impacto de sua vida e ministério.

Nos dias que se seguiram ao sepultamento, o túmulo passou a ser visitado regularmente, surgindo as primeiras placas com inscrições de agradecimento por graças alcançadas. Ao longo dos anos, o local comtinuou a recebar visitas frequentes de fiéis, familiares e grupos de peregrinos, inclusive provenientes de outras cidades e dioceses.
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A presença constante de bilhetes, placas e testemunhos, assim como os relatos de graças atribuídas à sua intercessão, motivaram, nos últimos anos, a organização e o recolhimento sistemático desses depoimentos, atualmente em fase inicial de catalogação.

Um processo em discernimento

A permanência dessa devoção ao longo do do tempo levou a Diocese de Franca a dar início, neste mês de janeiro, aos primeiros passos do processo de beatificação do Pe. Ramón Sevillano. Trata-se de um caminho confiado inteiramente ao discernimento da Igreja, que busca verificar, com prudência e verdade a autenticidade do testemunho cristão deixado por sua vida.

As celebrações realizadas nesse dia, entre elas a oração no cemitério e a Eucaristia em sufrágio, expressam a comunhão da Igreja com a memória de um presbítero que viveu sem reservas para o anúncio do Evangelho, permanecendo, ainda hoje, como sinal de estímulo à perseverança na fé e à disponibilidade missionária.

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Para mais informações acesse o site oficial: www.padreramon.org.br
Contato da Secretaria da Equipe de Postulação.
WhatsApp: +56 16 99196.1997

Fonte: https://cn.org.br/portal/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A atualidade da Evangelii Gaudium e o horizonte missionário do pontificado de Leão XIV

Evangelii Guadium: Luzes para a Catequese (Catequese Online)
22/01/2026
Dom João Gomes Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)

A Evangelii Guadium permanece , mais de uma década após sua publicação, um texto decisivamente atual e profético. Longe de ser um documento circunstancial de um pontificado anterior, ela se afirma como chave hermenêutica para compreender o caminho missionário e sinodal que o Papa Leão XIV pretende assumir e aprofundar em seu ministério petrino. O primeiro consistório extraordinário do seu pontificado, realizado em 7 de janeiro de 2026, confirmou essa continuidade: o Santo Padre pediu aos cardeais que revisitassem a Evangelii Guadium como referência fundamental para discernir prioridades e orientações para a Igreja no tempo presente.

No discurso de abertura do consistório, o Papa Leão XIV retornou e enfatizou a grande intuição conciliar que compreende a Igreja inteiramente contida no mistério de Cristo, entendendo a missão evangelizadora como irradiação da inesgotável energia emanada do evento central da história da salvação. Evangelizar, recordou o Santo Padre, não é fazer proselitismo, mas permitir que seja o próprio Cristo quem atraia todos a si, por meio da caridade vivida e testemunhada. Nesse sentido, afirmou: "A mim mesmo e a vós, lanço o convite a prestar muita atenção ao que o Papa Bento XVI indicou como a 'força' que preside a este movimento de atração:essa força é a Charis, o Ágape, o Amor de Deus que se fez carne em Jesus Cristo e que, no Espírito Santo, é dado à Igreja, santificando todas as suas ações.Na verdade, não é a Igreja que atrai, mas Cristo; e, se um cristão ou uma comunidade eclesial atrai, é porque, através desse 'canal',chega a seiva vital da caridade que brota do Coração do Salvador. É significativo que o Papa Francisco, tendo iniciado com a Evangelii  Guadium, 'sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual', tenha concluído com a Dilexit nos'sobre o amor humano e divino do Coração de Cristo'." Essa perspectiva, amadurecida no ministério recente e assumida por Bento XVI e Francisco, increve-se numa compreensão profundamente cristológica da missão da Igreja: é o amor de Cristo que a impele, e sustente e lhe confere credibilidade diante do mundo.

É nesse horizonte que se insere a intervenção do Cardeal Victor Manuel Fernández, Prefeito do Sicastério para a Doutrina da Fé, cuja reflexão ajuda a compreender por que a Evangelii Guadium continua sendo umtexto irrenunciável. Para ele, não se trata de uma opção pastoral superada ou substituível, mas de um modo de conceber toda a vida da Igreja a partir do anúncio. O subtítulo do documento _ "sobre o anúncio do Evengelho no mundo atual" - revela o seu núcleo: o querigma, isto é, a proclamação da beleza do amor salvador de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado.

Esse retorno ao essencial possui grande relevância no contexto cultural contemporânneo, marcado por fragmentação , cansaço espiritual e perda de sentido. O Cardeal Fernández insiste que não basta repetir normas, doutrinas ou posições morais, ainda que necessárias; é preciso, antes de tudo, favorecer o encontro com Cristo ivo. Em sintonia com Bento XVI, ele recorda que não se começa a ser cristão por uma ideia ou um código ético, mas por uma experiência de encontro com uma pessoa que transforma a vida. Por isso, a Evangelii Guadium fala de "beleza": o Evangelho deve ser anunciado de modo capaz de Atrair, encantar e tocar o coração.

Da centralidade do querigma decorre uma exigência de reforma missionária e sinodal da Igreja. Ecclesia semper reformanda: a Igreja é chamada a rever práticas, estilos e estruturas, não por gosto de mudança, mas para que nada obscureça ou dificulte o anúncio fundamental. Tudo o que não serve diretamente a essa proclamação inicial deve ser posto em segundo plano; tudo o que favorece deve ser colocado em primeiro plano. Trata-se de uma reforma espiritual, pastoral e institucional, vivida em chave sidodal, isto é, no discernimento comunitário e na escuta do Espírito.

Por fim, a atualidade da Evangelii Guadium manifesta-se também na inseparável união entre anúncio, compromisso social e vida espiritual. O querigma não aliena da realidade, mas gera  paixão pelo povo, cuidado com os pobres e esperança ativa na transformação do mundo. Assim, ao assumir e aprofundar a proposta evangelizadora de Francisco, o Papa Bento XVI aponta para uma Igreja mais simples no essencial, mais bela no anúncio e mais audaz na missão. Uma Igreja que, atraída por Cristo, se torna sinal vivo do Evangelho para o homem e a mulher do nosso tempo.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Os mártires de Palomeras

Desenho de Kiko Argüello, retirado de seu livro Anotações (p. 245), que mostra a proximidade do local do martírio - via do trem - com a barraca onde viveu e viu nascer, junto com a Serva de Deus Carmém Hernández, o Caminho Neocatecumenal em 1964. (neocatechumenaleiter)

14/12/2025
CndMadrid

No dia 13 de dezembro do Ano Jubilar de 2025, dia de Santa Luzia, virgem e mártir, teve lugar na Catedral de Jaén a Cerimônia de Beatificação de 124  mártires, durante o transcurso da Eucaristia Solene que, para tal ocasião, foi presidida, em nome de Leão XIV, pelo Cardeal Dom Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, acompanhado pelo atual Bispo de Jaén, Dom Sebastián Chico Martinez, por outros bispos e pelo Cardeal Rouco. A Catedral estava repleta de fiéis, a maioria de familiares dos beatificados. Informaçóes pormenorizadas sobre o ato podem ser encontradas neste link:

Mons. Cassimiro Morcillo, Kiko Argüello e Carmen Hernández (neocatechumenaleiter)
Barracas em Palomeres Altas, Madri 1964 (neocatechumenaleiter)

O postulador recebeu do Cardeal Semeraro uma cópia da Carta Apostólica de Leão XIV, na qual o Papa sublinhou que os beatos foram:

"...testemunhas heroicas e constantes do Senhor Jesus, por cujo amor não temeram derramar o próprio sangue, sejam, de agora em diante, chamados Beatos e possam ser celebrados no dia seis de novembro de cada ano, nos lugares e nas formas estabelecidos pela lei. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

Entre o grupo reconhecido há 109 sacerdotes, uma clarissa e 14 leigos. Todos eles foram assassinados entre 1936 e 1938 por se recusarem a renegar a sua fé. "Os sacerdotes foram assassinados única e exclusivamente por serem sacerdotes, e os leigos foram assassinados porque viam neles o refelxo da comunidade eclesial", explicou na Eucaristia de beatificação Andrés Nájera, vice-postulador da causa de beatificação.
Plano de Palomeras Altas, Desenho de Kiko Argüelli, matço de 2020 (neocatechumenaleiter)

Entre os leigos beatificados encontram-se Teresa Basulto Jiménez e Mariano Martin Portella, um casal - caso pouco frequente na Perseguição Religiosa Espanhola - que foi assassinado juntamente com o irmão de Teresa, Manuel Basulto, Bispo de Jeán, com o Vigário-Geral e Deão da Catedral, Dom Félix Pérez Portela, em Palomeras (Madri), ambos  beatificados pelo Papa Francisco em 2013. Todos eles foram assassinados em 12 de agosto de 1936, perto da barraca onde, em 1964, passou a viver Kiko Argüello, que, abandonando uma promissora carreira de pintor, deixou tudo e foi viver com os pobres nas barracas de Palomeras Altas. Ali surgiu, graças também a Carmen Hernández, o embrião de uma Iniciação Cristã que viria a ser o Caminho Neocatecumenal: reconhecido oficialmente pela Santa Sé em 2008 e atualmente presente em 138 nações.

Precisamente em Palomeras Altas teve lugar o maior fuzilamento público realizado durante a Guerra Civil Espanhola, no qual morreram pela fé um númeto ainda indeterminado de irmãos e o único bispo bispo assassinado em Madri, Dom Basulto, 254 detidos por motivos religiosos e amontoados na Catedral de Leán que viajavam no chamado Tren da Morte rumo à prisão de Alcalá de Henares, para, teoricamente, aliviar a superlotação daquela, quando foram obrigados a descer do trem à altura do então Apeadeiro Santa Catarina em frente às barracas de Palomeras, para serem assassinados diante de mais de duas mil pessoas que haviam reunido no local para presenciar os fatos, incitando os assassinos. Dom Basulto, que havia sido insultado e humilhado durante todo o transporte, pouco antes de morrer caiu de joelhos no chão, exclamando: - Perdoa, Senhor, os meus pecados  e perdoa também os meus assassinos. Pouco depois, sua irmã Teresa comentou: - Isto é uma infâmia, eu sou sou uma pobre mãe. Um dos assassinos lhe indicou: - Não te preocupes, a ti te matará uma mulher. Em seguida, aproximou-se uma mulher chamada Josefa Coso, "La Pecosa", que disparou à queima roupa contra Teresa, que morreu no ato. Continuam abertas causas de beatificação dos mártires naquela dia, no mesmo local.
Barraca de Kiko Argüello em Palomeras Altas, Madri 1964 (neocatechumenaleiter)

Foi o próprio Kiko quem relacionou os mártires com o nascimento do Caminho Meocatecumenal, expressando-o do seguinte modo:

"A Espanha deu os Cursilhos de Cristandade, o Opus Dei, o Caminho Neocatecumenal e tudo o que quiserdes. Sabeis por quê? Porque houve uma Guerra Civil Espanhola na qual mataram mais de 6.000 sacerdotes, testemunhas, mártires: não houve uma única apostasia. As raízes do Caminho Neocatecumenal estão banhadas no sangue de muitos mártires da Espanha".

Existe informação pormemorizada sobre estes novos 124 mártires declarados beatos no site dedicado da Diocese de Jaén:


Assim como sobre a sua relação com as origens do Caminho Neocatecumenal, em um artigo publicado em Religión Libertad:


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Caminho Neocatecumenal: Uma preciosa contribuição para a vida da Igreja

Foto: Tomasz Marynosk
O Papa Leão XIV se reúne com mil catequistas intinerantes do Caminho Neocatecumenal

Vocês reacenderam o fogo do Evangelho ali onde parecia estar se apagando (Papa Leão XIV)

19/01/2026
CncMadrid

Na manhã do dia 19 de janeiro de 2026, o Santo Padre Leão XIV, na Sala das Bênçãos, recebeu em audiência mais de mil catequistas itinerantes, responsáveis pelo Caminho Neocatecumenal em 138 nações dos cinco continentes.

Ao final de uma convivência celebrada no Centro "Servo de Yahvé", em Porto San Giorgio, sob a guia da equipe responsável mundial do Caminho, Kiko Argüello, Pe. Mario Perzi e Maria Ascensión Romero, os participantes reuniram-se em Roma para o primeiro encontro com o Santo Padre Leão XIV.

Durante a convivência, como acontece todos os anos desde o início do Caminho, foi partilhada  a experiência de evangelização que o Caminho Neotecumenal vem desenvolvendo em mais de 6.200 paróquias de 1.408 dioceses em todo o mundo, para promover a iniciação cristã, um instrumento de ajuda aos bispos e presbíteros dos diversos países na obra do anúncio do Evangelho no mundo atual.

Também estiveram presentes na convivência e na audiência com o Santo Padre os 115 reitores dos Seminários Missionários Diocesanos que o Caminho ajudou a abrir em outras dioceses, juntamente com centenas de formadores.

Na convivência, foi possível constatar, a partir das diversas experiências nos diferentes continentes, a difícil situação na qual a Igreja é hoje chamada a desenvolver a sua missão. Nesse contexto global, ficou claramente evidente que o Caminho Neocatecumenal é chamado a contribuir para a paz e a concórdia entre os homens, levando a esperança do anúncio cristão, do querigma, e formando comunidades cristãs capazes de oferecer a esta geração os sinais da fé: o amor e a unidade.

A chegada e a saída Papa foram acompanhadas por um grande e alegre aplauso, bem como por cantos de Kiko Argüello, entoados com estusiasmo por toda a assembleia.

Kiko ofereceu ao Santo Padre uma cópia do ícone do Bom Pastor, pintado por ele próprio em 1982, e, ao mesmo tempo, tendo em vista que o Papa tem programada uma visita à Espanha nos próximos meses, uma publicação sobre a Catedral de Madri, Nossa Senhora de Almudena, onde Kiko, em 2004, realizou a pintura da coroa mistérica e dos vitrais do ábside.

O Papa Leão XIV dirigiu-se aos presentes com as seguintes palavras:

Desejo expressar minha gratidão às famílias que, acolhendo o impulso interior do Espírito, deixam as seguranças da vida cotidiana e partem em mossão, inclusive para territórios distantes e difíceis, com o único desejo de anunciar o Evangelho e ser testemunhas do amor de Deus.

Dessa forma, as equipes itinerantes. compostas  por famílias, catequistas e sacerdotes, participam da missão evangelizadora de toda a Igreja e contribuem para "despertar" a fé dos não ciistãos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo.

Viver a experiência do Caminho Neocatecumenal e levar adiante a missão exige também, de parte de vocês, uma vigilância interior e uma sábia capacidade crítica, para discernir alguns riscos que estão sempre à espreita na vida espiritual e eclesial.

Os carismas devem estar sempre a serviço do Reino de Deus e da única Igreja de Cristo, na qual nenhum dom de Deus é mais importante que os outros.

O bem que realizam é grande, mas o seu fim é permitir que as pessoas conheçam Cristo.

Sigam em frente com alegria e humildade, sem fechamentos, como construtores e testemunhas de comunhão.

Caríssimos, agradeço a vocês pelo empenho, pelo testeminho alegre e pelo serviço que realizam na Igreja e no mundo. Encorajo-os a prosseguir com entusisasmo e os abençoo, enquanto invoco sobre vocês a intercessão da Virgem Maria, para que os acompanhe e os guarde. Obrigado!
Audiência do Papa Leão XIV com intinerantes do Caminho Neocatecumenal, 19/01/2026 (Vatican News)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Papa ao Caminho Neocatecumenal: evangeçizar em comunhão com a Igreja

Encontro de Kiko Arqüello com o Papa Leão XIV (Vatican Media)
Durante encontro com cerca de mil membros do Caminho Neocatecumenal, o Papa Leão XIV agradeceu o serviço missionário da realidade eclesial presente nos cinco continentes, destacou o papel evangelizador das famílias e exortou à comunhão com toda a Igreja, alertando contra isolamentos, rigidez e moralismos na ação pastoral.

Thulio Fonseca

O Papa Leão XIV recebeu na manhã desta segunda-feira (19/01), os responsáveis do Caminho Neicatecumenal, realidade eclesial presente em todos os continentes. Estavam presentes i iniciador Kiko Argüello, membros da equipe internacional e diversas famílias em missão nos cinco continentes. Aos aproximadamente mil participantes, o Pontífice expressou gratidão pelo trabalho de evangelização e acompanhamento de pessoas e comunidades, ao mesmo tempo em que exortou a não se separar do "ewsto do corpo eclesial" e a evitar rigidez e moralismos na ação pastoral.
Papa Leãp XIV (Vatican Media)
Ao saudar os participantes, o Papa destacou o papel missionãrio das famílias e do Caminho Neocatecumenal na vida da Igreja, sublinhando o impulso evangelizador que anima essa experiência eclesial desde as suas origens: "anunciar o Evangelho ao mundo inteiro, para que todos possam conhecer Cristo."

Um carisma a serviço sa redescoberta do Batismo
Encontro do Papa Leão XIV com membros do Caminho (Vatican Media)
Leão XIV recordou que o Caminho Neocatecumenal nasceu e desenvoveu a partir do desejo de anunciar o Evangelho, especialmente àqueles que se agastaram da fé ou a vivem de forma enfraquecida. Segundi o pontífice, trata-se de uma contribuição preciosa para a vida sa Igreja, pois oferece um itinerário espiritual centrado na redescoberta do Batismo e da vocação cristã. O Papa sublinhou ainda que esse caminho ajuda os fiéis a reconhecerem o dom da graça recebida e o chamado a serem discípulos e testemunhas de Cristo no mundo.

"A todos, especialmente àqueles que se afastaram ou àqueles cuja fé se enfraqueceu, vocês oferecem a possibilidade de um itinerário espiritual por meio do qial redescobrir o significado do Batismo."

Unidade, comunhão e discernimento
Encontro do Papa Leão XIV com membros do Caminho (Vatican Media)
Ao mesmo, o Papa dez um forte apelo à vigilância espiritual e ao discernimeto, recordando que todo carismo é dado para o bem comum e deve estar a serviço da missão da Igreja, e advertiu contra o risco de isolamento, fechamento ou atitudes de superioridade dentro da Igreja:

"Exorto-os a viver a vossa espiritualidade sem jamais se separar do restante do corpo eclesial, como parte viva da pastoral ordinária  das paróquias e de suas diversas realidades, em plena comunhão com os irmãos e, em particular, com os presbíteros e os Bispos. Sigam em frente com alegria e humildade, sem fechamentos, como construtores e testemunas de comunhão."

Evabgelizar com liberdade e sem rigidez
Encontro do Papa Leão XIV com membros do Caminho (Vatican Media)
Por fim, o Pontífice recordou que a ação evangelizadora deve sempre refletir a liberdade do Espírito:

"O anúncio do Evangelho, a catequese e as diversas formas de ação pastoral devem ser sempre livres de formas de coaçãom rigidez e moralismos, para que não aconteça de provocarem sentimentos de culpa e temor em vez de libertação interior."

O Papa concluiu agradecendo pelo serviço prestado pelo Caminho Neocatecumenal na Igreja e no mundo, encorajando todos a prosseguirem com entusiasmo, sob a proteção da Virgem Maria,

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero

Homem De Braços Para o Céu (Draemstime)

Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero
(13, 4)                              (Séc. III)

Purificados pela sua palavra, Deus fez
brilhar em nós a imagem do homem celestial

Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança (Gn 1, 26). o Filho de Deus é o autor desta imagem. E visto que tão grande é o pintor, a sua imagem pode ser obscurecida pela negligência, mas não apagada pela malícia. Permanece, sempre, a imagem de Deus em ti, mesmo se tentas sobrepor a ela a imagem terrena. Para cada tipo de culpa, como que juntando duferentes cores, pintas em ti essa imagem do homem terreno que Deus em ti não criou. Por isso, devemos implorar Àquele que diz, nas palavras do Profeta: Dissipei tuas transgressões como névoa, e os teus pecados como nuvem (Is 44, 22).
E, quando Deus tiver destruído em ti tosas essas cores mescladas pelos enganos do mal, então brilharás a imagem criada por Ele.
Vê, portanto, como as Escrituras Sagradas apresentam formas e figuras através das quais a alma aprende a conhecer ou a purificar a si mesma.
Queres ver outra forma desta imagem? Existem cartas que Deus escreve e cartas que nós escrevemos. Os pecados são as nossas cartas. Escuta, portanto, o que diz o Apóstolo: Apagou, em detrimento das ordens legais, o título da dívida que existia contra nós; e o suprimiu, prefando-o na cruz (Cl 2, 14).
Esta carta é o aval para os nossos pecados. Na realidade, cada um de nós é devedor quando erra e escreve cartas de seu pecado.
De fato, o juízo de Deus, do qual Daniel descreve a visão, fala de livros abertos, que, sem dúvida, contêm os pecados dos homens. Nós mesmos escrevemos esses pecados com as culpas que cometemos. Por isso, é claro que nossas cartas são escritas com o pecado, e aquelas de Deus, no entanto, com a justiça.
Portanto, o Apóstolo afirma: Vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne em vossos corações (2Cor 3, 3).
Tens, então, em ti as cartas de Deus, as cartas do Espírito Santo. Mas, se pecas, tu mesmo assinas o maniscrito do pecado. Nota, porém, que, assim que te aproximaste da cruz de Cristo e da graça do Batismo, o teu manuscrito foi afixado à cruz e cancelado na pia batismal.
Não escrevas novamente sobre o que foi apagado, ou repitas o que foi destruído, guarda apenas as cartas de Deus; que permaneça em ti somente a escritura do Espírito Santo

sábado, 10 de janeiro de 2026

Tente outra vez

Tente outra vez (Facebook)

Tente outra vez 

Dom João Santos Cardoso 
Arcebispo de Natal (RN)  

Recebi, há poucos dias, uma mensagem de um amigo. Era uma partilha simples, nascida do impacto provocado por um vídeo igualmente singelo: uma idosa pede que toque a música “Tente outra vez”, de Raul Seixas, convida o neto a escutá-la e, com ternura firme, o exorta a jamais desistir dos seus ideais. Nada de discursos elaborados. Apenas a sabedoria silenciosa de quem viveu, caiu, levantou-se e aprendeu a confiar.  

O vídeo, de fato, comove e desperta muitas lembranças. Mas percebi algo ainda mais profundo na reflexão que recebi: ela ia além do impacto imediato. Convertia sentimento em sentido, memória em esperança, saudade em fé. Confesso que fiquei profundamente tocado por essa partilha. Ela me acompanhou em silêncio e me provocou interiormente, como fazem as experiências verdadeiramente espirituais: não se impõem, mas permanecem; não gritam, mas insistem.  

Fui, então, ouvir “Tente outra vez”. Sempre apreciei a arte de Raul Seixas pela densidade existencial e pela coragem de pensar a vida sem superficialidade. Nessa canção, há algo que ultrapassa o tempo e o gênero musical: uma sabedoria que toca o coração humano em sua fragilidade e, ao mesmo tempo, em sua força. Ao afirmar que “a canção não está perdida”, que “a água viva ainda está na fonte” e que “há dois pés para cruzar a ponte”, o autor fala diretamente à condição humana, tantas vezes ferida e cansada, mas nunca definitivamente derrotada.  

Essa canção soa, no limiar deste novo ano, como um sussurro de Deus que infunde esperança no meio do cansaço da alma. “Ela nos lembra que, quando tudo parece perdido, a última palavra nunca é o fracasso; que a fé é justamente isso: acreditar que ainda existe um caminho, mesmo quando os olhos já não conseguem enxergar. De fato, a fé não é a negação da dor, mas a confiança perseverante de que a vida continua aberta à graça”.  

Tente outra vez, de Raul Seixas, é um convite a recomeçar sempre com confiança. Assim é a vida nas mãos de Deus: às vezes o silêncio dói, às vezes a queda é real, mas o Senhor nos chama a levantar, afinar o coração e lutar novamente. Quem confia em Deus aprende que o impossível não é um muro, mas um apelo à perseverança.  

A reflexão toca precisamente esse ponto: tentar outra vez é um ato de fé; é dizer “eu confio”, mesmo sem compreender plenamente; é acreditar que Deus age naquele intervalo invisível entre a dor e a esperança. Por isso, vale a pena não desistir, porque Deus nunca desiste de nós.  

Aquela avó, que diz ao neto “tente outra vez!”, evoca experiências e recordações desses mestres da vida cujos conselhos, simples e cheios de sabedoria, despertam saudades, não uma saudade vaga ou indiferenciada, mas uma saudade que tem nome, rosto e lugar. Uma saudade que não paralisa, mas sustenta; que dói, mas também ensina. Nas palavras e nos gestos desses mestres, que marcaram profundamente a nossa história, ressoa algo de muito profundo, quase como um eco do próprio amor de Deus. Ali se revela algo essencial: a fé não nasce apenas de conceitos, mas de vínculos; não se aprende apenas nos livros, mas na escuta atenta daqueles que nos precederam no caminho da vida.  

Talvez seja assim que Deus nos educa: por meio da memória que aquece, da palavra que insiste, da canção que se recusa a terminar. Cada vez que a vida nos pedir coragem, que a fé em Deus e as vozes que nos ensinaram a amar se unam para repetir ao nosso coração: a canção não acabou… tente outra vez 

Santo Agostinho, mestre da interioridade, ajuda-nos a compreender esse dinamismo ao ensinar que a esperança gera duas atitudes fundamentais: a indignação diante do que fere a vida e a coragem para não se render ao desânimo. Perseverar, portanto, não é ingenuidade, mas maturidade espiritual; é um gesto profundamente humano e, ao mesmo tempo, autenticamente cristão. Porque, no fim, a fé não elimina as quedas, mas nos ensina a levantar, e cada recomeço, ainda que frágil, já é sinal de que Deus continua a escrever a nossa história. 

 


Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF