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domingo, 8 de março de 2026

10 motivos do por que brincar é tão importante para as crianças

Bill Dubreuil CC

Ignasi De Bofarull - publicado em 08/01/20 - atualizado em 06/03/26

Os benefícios das brincadeiras são inúmeros, mas tenha em mente apenas estes 10.

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Os benefícios do brincar não podem ser subestimados. O ato de brincar é tão importante para as crianças quanto o de trabalhar para adultos. Brincar é a maneira de progredir, aprender e crescer. Ao brincar, elas se tornam pessoas melhores, tanto cognitiva quanto comportamentalmente.

Brincar é a melhor maneira para as crianças…

- realizarem seu potencial;
- desenvolverem seus talentos;
- reduzirem o estresse;
- exercitarem a criatividade;
- treinarem para a vida.

Então, quais são os benefícios do brincar? Existem muitos, mas vamos ter em mente apenas 10, que se aplicam a crianças menores de oito anos.

1 - MELHORA O COMPORTAMENTO

Os professores podem confirmar que, depois do recreio, as crianças voltam às aulas com rostos felizes e descansados ​​e mudam (para melhor) seu comportamento. No parquinho, elas esquecem seus problemas e descansam, depois de passarem um tempo concentradas. Ter um tempo de descanso e relaxamento ajuda os pequenos a voltarem a se concentrar nos assuntos após o término do intervalo.

2 - AJUDA A RESOLVER PROBLEMAS E TOMAR DECISÕES

Uma sala de aula não pode substituir uma floresta ou um riacho pelo qual as crianças podem atravessar, com um solo povoado de vermes e flores e com a brisa e a chuva. A exploração direta e o reconhecimento da biodiversidade ao ar livre estão além da comparação. As escolas sabem disso e, muitas vezes, excursões e acampamentos fazem parte de seus programas para ajudar as crianças a ter contato direto com a natureza.

3 - DESESTRESSA

As crianças também sofrem com o estresse devido à adversidade, fadiga e, às vezes, aos conflitos na escola e em casa. As crianças toleram mal as brigas dos pais e percebem quando não são levadas em consideração. Se você perceber que seus filhos estão sempre de mau humor ou constantemente deprimidos, é necessário identificar a causa e tomar as medidas necessárias para resolver o problema. O tempo de brincar pode ajudar as crianças a desviar a mente dos problemas; recreação insuficiente aumenta o estresse. Atividades extracurriculares forçadas também podem ser uma fonte de estresse. Quando o tempo de diversão não é respeitado, as crianças podem se tornar mais mal-humoradas e mais reservadas.

4 - PROMOVE FUNÇÕES EXECUTIVAS

Os jogos criam memória de trabalho, autocontrole, atenção e pensamento criativo e flexível. Isso é alcançado através de brincadeiras divertidas e desafiadoras.
Resultados semelhantes vêm do aprendizado de hobbies e habilidades, como tocar um instrumento musical, participar de atividades de teatro, leitura, escrita e quebra-cabeças, além de atividades recreativas de matemática. Tudo isso tem um denominador comum: exige perseverança, autocontrole, atenção e resolução de problemas com algum grau de precisão.

5 - ESTIMULA A CRIATIVIDADE

Brincadeiras imaginativas são uma parte importante do mundo de nossos filhos. Eles precisam deixar sua imaginação rolar e, depois, expressar o que descobriram, criaram e imaginaram, usando desenhos, palavras e representações. Participar de histórias, ler ou folhear livros ilustrados ou visitar um museu de ciências pode incentivar as crianças a brincar e enriquecer sua imaginação e criatividade. Elas começam a ver que o mundo está cheio de possibilidades, começam a pensar fora da caixa e apresentar soluções inovadoras na escola, em casa e, no futuro, no trabalho.

6 - MELHORA O RELACIONAMENTO PAIS-FILHOS

A brincadeira promove a empatia entre pais e filhos. Quando as crianças são muito jovens, as primeiras interações significativas, embora não verbais, entre mãe e recém-nascido são vitais e uma fonte de segurança. Não podemos ignorar nossos filhos nessa sociedade frenética e estressada que, às vezes, parece transformá-los em obstáculos em nosso caminho. Devemos reservar um tempo para interagir com eles, conversar com eles, conhecê-los, conquistar sua confiança e saber como eles realmente são. As brincadeiras são um encontro privilegiado entre pais e filhos. Os jogos são um momento ideal para educá-los. Não se trata de ficar sempre atrás de nossos filhos: é uma questão de incentivá-los a brincar sozinhos ou com amigos e primos, para que eles possam aprender sobre interação social, regras, autocontrole etc

7 - DEIXA AS CRIANÇAS MAIS ATIVAS

Crianças ativas tornam-se adultos ativos! As crianças que participam de atividades físicas em vez de ficarem sentadas em frente a uma tela (TV, telefones celulares, tablets) são mais ativas à medida que crescem. Incentive seus filhos a levantarem-se e seguirem em frente com alguma forma de atividade física. Os hábitos do brincar na primeira infância durarão e melhorarão o bem-estar geral do indivíduo quando adultos.

8 - DESENVOLVE A EMPATIA

Para que as crianças saibam respeitar seus colegas, elas precisam aprender a ler e aceitar seus sentimentos. Através das brincadeiras, elas aprendem a ser sensíveis aos sentimentos dos outros e a negociar, cooperar e se adaptar aos outros, compreendendo atitudes e se adaptando a diferentes situações, incluindo a necessidade de sacrificar sua própria preferência. É aí que nascem a amizade e a capacidade de viver juntos.

9 - PROMOVE A SOCIALIZAÇÃO

Através dos jogos, as crianças aprendem a noção de equipe. Aprendem ainda como compartilhar tarefas com os amigos e como liderar, além de como seguir alguém que pode ser um líder eficaz. Trata-se de ouvir, limitar-se, tomar iniciativa e respeitar as regras. Se as crianças souberem brincar cooperativamente, colaborar, esperar, respeitar seus colegas e controlar seu temperamento, saberão formar equipes de trabalho bem-sucedidas no futuro.

10 - É DIVERTIDO

A infância é a fase se divertir e aproveitar a vida. Simplificando: trata-se de treinar para a vida se divertindo muito! A brincadeira pode ajudar os pequenos a formar um forte relacionamento com os irmãos, amigos, primos e, acima de tudo, com os pais. Certifique-se de que seus filhos tenham outras crianças para brincar. Escolha brinquedos e jogos com sabedoria - e reduza o tempo de exposição às telas. Por fim, certifique-se de sair com seus filhos e praticar atividades físicas, interagindo de forma sustentável com a natureza.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Que as mulheres possam existir plenamente

selo mulher - (crédito: kleber sales)

Que as mulheres possam existir plenamente

O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos viverem.

Por Ana Dubeux

postado em 08/03/2026 06:00

No rol de coisas bonitas da vida, eu penduro no espaço mais nobre a convivência com outras mulheres. Nelas, me reconheço, me abraço, me renovo, cresço, existo em plenitude. Uma existência rica em sentidos, baseada na amizade, na entrega, no acolhimento, na parceria. Amo ser mulher por inúmeros motivos, mas o maior deles é essa sensação de pertencimento a um mundo que tem mais de mim mesma. Flerto com a coragem de uma, com a espiritualidade de outra, com o talento de várias, com a força de todas.

Somos um coletivo imenso e, se não somos maioria no mundo, aqui no Brasil somos numericamente maiores, 6 milhões a mais de seres pensantes e ativos, que sustentam e cuidam de suas famílias, em casa, em hospitais, nos presídios. Sem perder a ternura. Mas, é preciso dizer, exaustas, amedrontadas, tristes, ameaçadas. Há uma epidemia em curso: a violência contra mulheres. E talvez não haja doença mais contagiosa e com maior potencial destruidor. Afinal, o que será do planeta com menos mulheres? 85 mil mulheres assassinadas em um ano no mundo, 60% por homens de seu convívio mais íntimo. 

O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos viverem. Dia de pensar e repensar lutas, de comunicar coletivamente nossa dor e desamparo, de exigir, sim, compensações para nossas inúmeras perdas, de brigar por direitos, entre eles o de manter a esperança de existir em um mundo que nos maltrata, violenta, ameaça e mata. 

Hoje, penso na menina estuprada por cinco; na mulher órfã de seus filhos, assassinados pelo próprio pai; na jovem arrastada por um carro em velocidade, em tantas mais. Penso nisso e sofro por elas e suas famílias. Penso nisso e rezo para que a gente consiga não odiar os homens na mesma proporção que nos odeiam porque, de nada adiantaria viver com tanta raiva no peito. 

Penso também na minha mãe, nas minhas irmãs, filha, neta, nora, amigas, parceiras de trabalho, do comércio que frequento, da igreja onde rezo, da canoa por onde navego buscando paz de espírito e força para o dia a dia. Todas são tão importantes e necessárias. Só quero que possam viver e continuar fazendo parte da rede de amor que nos une em cada pequeno pedaço de dia e para as mais variadas causas e razões.

Este é meu manifesto, minha palavra mais valorosa: que as mulheres possam existir, viver seguras, usufruindo de liberdade, sujeitos de suas próprias escolhas, plenas de direitos, próximas umas das outras, como uma grande rede de amor e pertencimento. 

Que todas recebam meu abraço e meu compromisso de ser inteira para nós, por nós! Cada gesto conta. Cada voto em uma mulher conta. Cada curtida e engajamento numa rede feminina e coletiva contam. Ajude uma mulher hoje, amanhã, depois e depois, para sempre. 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Reflexão para o III Domingo da Quaresma (A)

Evangelho do domingo 

A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço.

Vatican News

Em nossa vida, quando tudo vai de acordo com os nossos desejos, ficamos alegres, contentes e cordatos. Mas basta acontecer algo que não estava planejado, ou melhor, faltar algo com que contávamos, para que nossa alegria desapareça e comecemos a duvidar de tudo, inclusive daquela pessoa que proporcionou e continua nos proporcionando esses bens. Assim aconteceu com o povo judeu após a libertação do Egito.

Enquanto caminhavam rumo à terra prometida, a água veio a faltar. A reação foi tamanha que esqueceram as maravilhas que o Senhor havia operado em favor deles e até chegaram a desconfiar da fidelidade de Deus. Apesar dessa atitude, o Senhor continuou fazendo o bem ao povo e providenciou a água.

Podemos neste momento, fazer um exame de consciência de nossa vida. O Senhor nos deu a vida, nos alimenta, nos deu família, saúde e uma infinidade de bens, sejam espirituais ou materiais. Qual o nosso comportamento quando algo nos falta? Continuamos a nos sentir o centro do amor de Deus, ou nos esquecemos tudo o que Ele nos presenteou e só estamos atentos àquilo que nos falta?

No Evangelho, a samaritana vai atrás da água para matar sua sede. Jesus, também. É meio-dia!

Lembremo-nos que alguns meses mais adiante, nessa mesma hora, Jesus dirá que tem sede. Será do alto da cruz.

A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço. Jesus continua a conversa e a samaritana, entendendo sua proposta, dá um salto qualitativo e deseja a água viva, aquela que irá aplacar não seus desejos limitados, mas a que irá saciar seus desejos de eternidade. Ele fala da nova vida que nos dará através de sua morte e ressurreição, assumida por nós nas águas batismais.

São Paulo, em sua carta aos Romanos, nos diz que a saciedade que ansiamos é um dom de Deus, já usufruído aqui nesta vida, é o dom do Espírito Santo, o Amor de Deus derramado em nossos corações. Essa é a água que nos sacia, sem a qual não poderemos viver.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sábado, 7 de março de 2026

Os Domingos de São José

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

29/01/2026

O Papa Gregório XVI inscreveu a festa de São José no calendário de toda a Igreja em 1621, e fomentou a devoção dos sete domingos de São José, concedendo-lhe muitas indulgências.

O Santo Padre Pio IX outorgou-lhes atualidade perene com o seu desejo de que se recorresse a S. José para acudir à então situação aflitiva da Igreja universal.

Um antigo costume da Igreja encoraja os fiéis a acudir ao pai adotivo de Jesus, de forma mais assídua ao longo dos sete Domingos que precedem a sua festa, com vista a considerar aspectos, muitas vezes menos conhecidos, daquele que é Padroeiro da Igreja Universal.


As sete dores e alegrias de São José

Primeira Dor: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18).

Primeira Alegria: O anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo (Mt 1, 20-21).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Segunda Dor: Veio para o que era seu, e os seus não o acolheram (Jo 1,1).

Segunda Alegria: Foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura (Lc 2,16).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Terceira Dor: Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido (Lc 2,21).

Terceira Alegria: A quem porás o nome de Jesus, será chamado Filho do Altíssimo..., e o seu reino não terá fim (Lc 1, 31 e 32).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Quarta Dor: Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações (Lc 2, 34).

Quarta Alegria: Porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações (Lc 2, 30.32).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Quinta Dor: O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! (Mt 2,13).

Quinta Alegria: Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 'Do Egito chamei o meu Filho' (Mt 2,15)

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Sexta Dor: José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá (Mt 2, 22).

Sexta Alegria: Depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno (Mt 2,23).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Sétima Dor: Começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura (Lc2, 44)

Sétima Alegria: Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas (Lc 2,45 )

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Como é que São Josemaria imaginava São José?

Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na plenitude da vida e do vigor humano. Sabemos, porém, que não era uma pessoa rica: era um trabalhador, como milhões de outros homens em todo o mundo; exercia o ofício fatigante e humilde que Deus havia escolhido para Si ao tomar a nossa carne e ao querer viver trinta anos entre nós como outra pessoa qualquer.
A Sagrada Escritura diz-nos que José era artesão. Vários Padres acrescentam que foi carpinteiro. Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de José: em nenhum momento surge aos nossos olhos como um homem apoucado ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar os problemas, ultrapassar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa as tarefas que lhe são confiadas. (É Cristo que passa, n. 40).

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Por que os padres abandonam a batina? Uma resposta surpreendente das pesquisas

Shutterstock

Aleteia Polônia - publicado em 06/03/26

Uma pesquisa recente realizada na Polônia traz luz sobre os motivos que levam os sacerdotes a deixarem o ministério. Os resultados contradizem muitos estereótipos comuns

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Quando um padre decide abandonar o sacerdócio, a opinião pública muitas vezes busca explicações simples: "ele se apaixonou", "perdeu a fé" ou "não aguentou a pressão da hierarquia". No entanto, um estudo detalhado coordenado por sociólogos e especialistas em psicologia da religião revela que o processo do abandono dos padres é muito mais complexo e, frequentemente, silencioso

O mito da "mulher" como causa principal

Embora o envolvimento afetivo apareça em muitos casos, a pesquisa indica que ele raramente é o estopim inicial. Na maioria das vezes, a relação amorosa surge como uma "tábua de salvação" ou um preenchimento para um vazio emocional e uma solidão que já estavam presentes há anos.

O estudo aponta que o isolamento dentro das casas paroquiais e a falta de uma rede de apoio real entre os próprios padres são os fatores que primeiro fragilizam a identidade sacerdotal.

A crise da "burocracia espiritual"

Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa é o cansaço dos padres com o que chamam de "administração do sagrado". Muitos sacerdotes jovens entram no seminário com o desejo de evangelizar e acompanhar as pessoas, mas acabam sobrecarregados por:

  • Gestão administrativa e financeira das paróquias;
  • Sentimento de serem apenas "prestadores de serviços religiosos" em vez de pastores;
  • Distanciamento dos bispos, que muitas vezes são vistos como "chefes" ou "gerentes" em vez de pais espirituais.

A solidão dos padres

A pesquisa destaca o fenômeno da "solidão funcional". O padre está cercado de pessoas o dia todo — nas confissões, nas missas, nas reuniões — mas raramente tem espaços onde possa ser ele mesmo, expressar suas dúvidas, medos e cansaços sem ser julgado. Quando essa vulnerabilidade não encontra espaço na estrutura da Igreja, o sacerdote começa a procurar esse acolhimento fora dela.

O papel da formação inicial

O relatório também sugere que alguns seminários ainda utilizam métodos de formação que não preparam adequadamente os candidatos para a realidade do mundo moderno. A falta de maturidade emocional e a incapacidade de lidar com a solidão celibatária de forma saudável aparecem como lacunas críticas que explodem anos após a ordenação.

Há esperança de mudança?

Os pesquisadores concluem que, para frear o número de abandonos, a Igreja precisa focar menos na vigilância e mais na fraternidade sacerdotal. Criar comunidades de padres onde haja apoio mútuo, acompanhamento psicológico acessível e uma relação mais humana com a hierarquia são passos urgentes.

O estudo termina com uma reflexão importante: a saída de um padre nunca é um evento isolado, mas o capítulo final de um longo processo de desilusão que, se detectado a tempo, poderia ter um desfecho diferente.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

sexta-feira, 6 de março de 2026

"Como uma criança nos braços da mãe": a fé segundo Joseph Ratzinger

Papa Bento XVI (Vatican Media)

Os textos publicados no livro "demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé", escreve o cardeal Parolin.

Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado

O cardeal Pietro Parolin escreveu o prefácio de "A Fé do Futuro, o Futuro da Igreja", livro que reúne textos selecionados e uma obra inédita de Joseph Ratzinger-Bento XVI, publicado pela Edizioni Cantagalli, com edição de Giuseppina Cardillo Azzaro (tradução de Pietro Luca Azzaro, revisão de Lorenzo Cappelletti). Seguem algumas passagens do prefácio:

O que é a fé para Joseph Ratzinger?

É, antes de tudo, a entrega confiante a alguém, "como uma criança nos braços da mãe, certa de que nela reside toda a resposta às minhas perguntas. Fé, confiança e amor tornam-se, assim, uma única coisa, e todos os conteúdos individuais em torno dos quais a fé gira são meras encarnações do ponto de virada que sustenta tudo: o 'Eu creio em ti', a descoberta de Deus no olhar do homem Jesus de Nazaré."

Se a fé é isso, então — como nos recorda Leão XIV desde sua primeira mensagem da Sacada central da Basílica de São Pedro, em 8 de maio de 2025 — a Igreja, em sua essência, é o nosso caminhar de mãos dadas pela senda da vida na companhia de Cristo, que nos faz arder o coração como aconteceu com os discípulos no caminho  com Ele para Emaús.

No livro “A fé do futuro”, uma homilia do então cardeal apresenta Santa Mônica e sua atitude para com o filho Santo Agostinho como personificação da comunidade eclesial: espaço de ...

E então, por que hoje muitos percebem a fé como um fardo, e a Igreja parece não lhes dizer mais respeito? E como pode florescer um novo começo?

Este é, em última análise, o cerne de cada texto reunido neste volume, que, em seu conjunto, nos apresenta a figura e a mensagem de um grande mestre da fé que, por meio de sua profundidade, acessibilidade imediata e poderoso testemunho, segue os passos dos grandes Padres e Doutores da Igreja que o inspiram continuamente; em primeiro lugar, Santo Agostinho, seu autêntico mestre.

De grande atualidade e humanidade, por exemplo, são os textos propostos sobre a conversão de Agostinho e sobre o papel de sua mãe, Mônica: "Santo Agostinho, em suas memórias, descreve o que sua mãe, Mônica, significava para ele: nela, ele experimentou a Igreja como pessoa, a Igreja pessoalmente, de modo que para ele não foi apenas um aparato, do qual se pressente algo à distância, estruturas de certa forma incompreensíveis. Nessa mulher, o que a Igreja é estava pessoalmente presente. Para ele, ela era a Igreja em pessoa, e por essa razão ele foi capaz de confiar na Igreja e tornar-se um homem da Igreja".

Também os textos publicados neste volume demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé. Redescobrir essa fonte da vida da Igreja é o que realmente importa.

Precisamente para esse propósito, Joseph Ratzinger também nos recorda continuamente que "o Senhor, que se fez hóspede e viajante, nos chama a estar abertos a todos os que não têm lar neste mundo, a estar abertos aos que sofrem, aos esquecidos, aos prisioneiros, aos perseguidos: Ele está em todos".

Surge o profundo vínculo com seus sucessores, Francisco e Leão XIV, que adquire ainda mais força nas palavras com as quais Ratzinger delineia uma característica essencial do poder conferido a Pedro: "O poder que lhe foi conferido de ligar e desligar - escreve ele - de abrir e fechar, do qual se fala, é, em sua essência, a tarefa de deixar entrar, de acolher em casa, de perdoar (Mt 16,19). O mesmo se encontra novamente na Última Ceia, que inaugura a nova comunidade a partir do corpo de Cristo e no corpo de Cristo. Isso se torna possível porque o Senhor derrama seu sangue "por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26,28).

Por fim, o Ressuscitado, em sua primeira aparição aos Onze, estabelece a comunhão da sua paz no fato de lhes dar o poder de perdoar (Jo 20,19-23). ​​A Igreja não é uma comunidade daqueles que "não precisam de médico" (Mc 2,17), mas uma comunidade de pecadores convertidos, que "Viver pela graça do perdão, transmitindo-a, por sua vez, aos outros." 

* Agência Fides

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Cardiologista cita sinais do corpo que podem indicar artéria entupida

CHRISTOPH BURGSTEDT/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images

Cardiologista cita sinais do corpo que podem indicar artéria entupida

O cardiologista e intervencionista Vagner Vinicius Ferreira explica que as artérias não “entopem” de um dia para o outro

Marina Ferreira, Claudia Meireles

05/03/2026 18:57, atualizado 05/03/2026 18:57

Com a função de levar sangue rico em oxigênio para as células e órgãos, as artérias são “canos ou tubos”, que podem ficar entupidos por placas de gordura e inflamação, conforme detalha o cardiologista Vagner Vinicius Ferreira. A condição, que prejudica a passagem sanguínea por essas estruturas, é chamada de aterosclerose, momento em que o corpo começa a dar sinais de que há algo funcionando errado.

Quando as artérias do cérebro ficam obstruídasocorre o acidente vascular cerebral (AVC). Segundo o especialista do Hospital Mantevida, de Brasília (DF), os sintomas surgem de repente. “Os indícios são fraqueza em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou perda súbita da visão. É uma emergência médica”, alerta o intervencionista.

Alguns sinais podem surgir no corpo, como a alteração na coloração da pele em decorrência do entupimento das artérias (RASI BHADRAMIJI / GETTY IMAGES
As artérias levam sangue para todo o corpo, porém a formação de placas de gorduras na parede  dos vasos atrapalha esse transporte ( PETERS CHEJBER (GETTY IMAGES)  
Artéria entupida por gordura (SCIPERO/SCIENCE PHOTO LIBRARY / GETTY IMAGES.
Este processo de acúmulo na parede das artérias é chamado de aterosclerose (Adventtr / Getty Images)

Se o entupimento for nas artérias das pernas, o resultado é a doença arterial periférica. “Pode provocar dor na panturrilha ao caminhar, que melhora ao parar. Também pé frio ou pálido, além de feridas que não cicatrizam”, menciona o cardiologista.

O especialista aponta que, se essa obstrução acontecer no coração, no caso, a doença arterial coronariana é a forma mais conhecida. “Os sinais mais comuns são dor ou pressão no peito, sensação de aperto ao fazer esforço, falta de ar e cansaço fácil”, endossa o intervencionista.

O médico adverte: “Se a dor for intensa, durar mais de 15 minutos, vier com suor frio ou náusea, pode ser um infarto do miocárdio, situação essa que exige atendimento imediato, pelo risco iminente de um desfecho desfavorável, como a morte súbita.”

O cardiologista aponta os sinais de quando as artérias das pernas estão entupidas (Getty Images)

Vagner ressalta sobre o “perigo do silêncio”: “Muitas pessoas não sentem os indícios até que ocorra um evento grave. Em vários casos, o primeiro sinal pode ser um infarto ou um AVC.”

Ele avisa a respeito dos fatores de risco merecerem “atenção”, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, ganho de peso e histórico familiar de infarto precoce.

Ao finalizar, o especialista salienta que as artérias não “entopem” de um dia para o outro. “A aterosclerose é um processo lento e progressivo, que pode ser prevenido com alimentação equilibrada, atividade física regular, qualidade do sono e controle da pressão, glicose e colesterol“, argumenta. Ele emenda: “Prevenção ainda é o melhor tratamento.”

O especialista reitera que as artérias não “entopem” de um dia para o outro (Rost-9D/Getty Images)

Fonte: https://www.metropoles.com/

quinta-feira, 5 de março de 2026

História do pecado

O pecado de Adão e Eva (YouTube)

HISTÓRIA DO PECADO

04/03/2026

Dom Julio Akamine

Arcebispo de Belém do Pará (PA) 

O relato bíblico do pecado original e suas consequências (Gn 3,9-24) tem a forma de um relato passado, mas o seu conteúdo descreve os acontecimentos de todos os tempos. A história horizontal é a forma, mas o conteúdo constitui a história vertical. Meditando o relato das origens constatamos uma descrição profunda da atualidade. 

Depois de terem comido do fruto proibido, Adão e Eva se esconderam de Deus (3,8). Questionados, o homem e a mulher apresentam desculpas esfarrapadas e jogam a culpa em outro. O homem acusa a mulher e Deus: “A mulher que puseste a meu lado, ela me deu do fruto da árvore, e eu comi” (3,12). A mulher, por sua vez, responde: “A serpente me enganou, e eu comi” (3,12). Ela fala a verdade: a serpente a enganou. Ao mesmo tempo, porém, reconhece que o ato foi consciente, livre e por isso responsável: “eu comi”. O homem culpa a mulher e Deus. A mulher põe a culpa na serpente. Sempre é o outro o culpado, mesmo que a responsabilidade pessoal seja evidente. Esse comportamento reflete bem o que nós também fazemos quando somos surpreendidos no pecado: arranjamos desculpas e jogamos a culpa nos outros e em Deus! 

Uma vez que se trata de ato responsável, a punição se realiza não como uma sanção extrínseca, mas como consequência do próprio ato. Sempre imaginamos o castigo de Deus como uma sanção externa e nos revoltamos com uma punição que nos parece injusta. Se, porém, formos menos cegos, teremos que reconhecer que o castigo, na realidade, é a consequência das nossas escolhas: se eu abuso da saúde na juventude, certamente me condenarei a uma velhice precoce e infeliz; se não administro com responsabilidade meu dinheiro, terei como resultado minha falência financeira; se não estudo para a prova, não poderei superá-la. 

Quais são as consequências do pecado, segundo o relato do Gênesis? A consequência mais grave é a ruptura: ruptura entre o homem e a terra, entre a mulher e o homem, entre o ser humano e Deus. 

A terra que foi criada para ser produtiva e fecunda, porém, produzirá para o homem espinhos e cardos. O trabalho do homem será marcado pelo esforço com pouco resultado: “No suor do teu rosto comerás o pão” (3,19). O homem, que foi tirado do pó da terra e se reconhece ligado à terra, experimentará essa ligação não como uma pertença harmoniosa e feliz, mas como antecipação da morte: “porque tu és pó, e ao pó hás de voltar” (3,19). Deus toma o cuidado de não amaldiçoar o homem: a terra é amaldiçoada por causa do homem (3,17). Na verdade, não é Deus que amaldiçoa diretamente, mas a terra se torna amaldiçoada por causa do homem. 

A ruptura se estende à mulher em duas formas. Primeiramente em relação ao que lhe é próprio: “Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Entre dores darás à luz os filhos” (3,16). Ela perdeu a harmonia com aquilo que é próprio de sua natureza feminina: a capacidade de gerar filhos. 

Além disso ocorre a ruptura entre mulher e homem: “a teu marido irá o teu desejo, e ele te dominará” (3,16). É próprio da dinâmica erótica que sejamos atraídos pelo sexo oposto. Essa atração deveria nos abrir ao encontro pessoal e à comunhão de vida; o pecado, porém, perverte a atração erótica em dominação, violência e medo do sexo oposto. 

Mesmo que o homem e a mulher tenham pecado e, por isso, punidos, Deus não os abandona. Sinal da providência e do amor de Deus consiste no fato de Deus ter feito para Adão e Eva túnicas de pele e os ter vestido (3,21). É um gesto pequeno de grande delicadeza. 

O maior gesto de amor por parte de Deus, porém, está na promessa: “Porei inimizade entre ti (a serpente) e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (3,15). Já desde o início, Deus decretou a reparação da ruína provocada pelo pecado. Assim no próprio relato do pecado está presente o sinal da misericórdia divina. É o que a tradição chamou de protoevangelho. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa: na Quaresma, abster-se de palavras que ferem o próximo

Papa Leão XIV (Vatican Media)

"Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão" é o título da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026. O Pontífice convida os fiéis a um "jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São João da Cruz: a trajetória e 21 frases iluminadoras de um grande místico

Lawrence OP | Flickr CC BY-NC-ND 2.0

Reportagem local - publicado em 14/12/17 - atualizado em 05/03/26

Santa Teresa de Ávila o definiu como "uma das almas mais puras da Igreja". Maravilhe-se com a sua vida e a sua sabedoria!

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A trajetória do grande místico

São João da Cruz nasceu provavelmente em 1540 e foi batizado como Juan de Yepes y Álvarez.

Natural de Fontiveros, na província espanhola de Ávila, ele ficou órfão de pai e precisou se transferir com a mãe de um lugar para o outro. Com grandes dificuldades, a mãe conseguiu fazer com que ele pudesse estudar.

Em 1563, João vestiu o hábito carmelita. Após a filosofia e a teologia, foi ordenado sacerdote em 1567, ano em que se encontrou com Santa Teresa de Ávila. A grande mística estava prestes a receber a permissão de fundar outros dois conventos de carmelitas contemplativos, que mais tarde seriam chamados de “carmelitas descalços”.

Embora pensasse em entrar na cartuxa, São João da Cruz tornou-se parte do primeiro núcleo de carmelitas reformados, em 1568, a pedido de Santa Teresa.

Qualquer processo de reforma acarreta tensões e, às vezes, desentendimentos. Com São João da Cruz não foi diferente. Na noite de 2 de dezembro de 1577, um mal-entendido fez com que João fosse levado a um mosteiro em Toledo, onde ficaria prisioneiro em condições duríssimas, isolado numa cela minúscula e obrigado a receber penitências públicas uma vez por semana. Sem sequer uma lamparina, rezava o breviário utilizando a pouquíssima luz que vinha da cela contígua por um pequeno buraco na parede e durante um tempo muito limitado. São João da Cruz ficou nesta situação deplorável até escapar da prisão.

O mais extraordinário é que foi nesse período de solidão e sofrimentos na cela escura que João completou uma das suas composições mais conhecidas: o "Cântico Espiritual", obra de grande lirismo e misticismo.

Sua vida foi devotada a Cristo e ao serviço dos irmãos: ele ama a Deus e isso lhe basta. Foi nesse amor imenso que a morte o acolheu nos braços, sereno, em 14 de dezembro de 1591, na Andaluzia.

21 frases iluminadoras de São João da Cruz, místico e doutor da Igreja

Santa Teresa de Ávila o definiu como "uma das almas mais puras da Igreja". Maravilhe-se com a sua sabedoria mediante estas 21 pequenas mostras:

  1. Ao entardecer desta vida, serás examinado no amor.
  2. Onde não existe amor, coloca amor e amor encontrarás.
  3. Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama.
  4. A alma que caminha no amor não se cansa.
  5. Com mais abundância e suavidade se comunica Deus nas adversidades.
  6. Sem caridade, nenhuma virtude é graciosa diante de Deus.
  7. Um só pensamento do homem vale mais que o mundo todo; portanto, só Deus é digno dele.
  8. Procurai lendo e encontrareis meditando; chamai orando e abrir-se-vos-á contemplando.
  9. Para se enamorar de uma alma, Deus não põe os olhos na sua grandeza, mas na grandeza da sua humildade.
  10. Deus não obra as virtudes na alma sem a sua cooperação.
  11. Um ato de virtude gera na alma suavidade, paz, consolação, luz, pureza e fortaleza.
  12. Deus humilha muito para elevar muito.
  13. Quem age com tibieza está próximo da queda.
  14. Grande mal é olhar mais aos bens de Deus que ao próprio Deus.
  15. Se queres chegar à posse de Cristo, jamais O procures sem a cruz.
  16. Mais do que quantas obras possas fazer, Deus prefere de ti a pureza de consciência, ainda que no menor grau.
  17. Quem cai estando só, caído a sós fica; e em pouca conta tem a alma, pois unicamente em si mesmo confiou.
  18. A sabedoria entra pelo amor, pelo silêncio e pela mortificação; grande sabedoria é saber calar e não olhar aos ditos, aos feitos e às vidas alheias.
  19. Quem não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo.
  20. Agrada mais a Deus uma obra, por pequena que seja, feita às escondidas e sem desejo de que saibam, do que mil feitas com desejo de que os homens as conheçam.
  21. A maior necessidade que temos para progredir é calar o apetite e a língua diante do grande Deus, pois a linguagem que Ele mais ouve é o amor calado.
Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF