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News - publicado em 26/03/17 - atualizado em 15/03/26
A cura do cego de nascença, narrada pelo Evangelho de
João, proposto pela Liturgia do dia, inspirou a alocução do Papa Francisco em
um domingo da Quaresma.
“Com este milagre Jesus se manifesta e se manifesta a
nós como luz do mundo” e que acolhendo novamente nesta Quaresma a luz da fé,
“também nós, a partir da nossa pobreza”, sejamos “portadores de um raio da luz
de Cristo”, disse Francisco, dirigindo-se aos milhares de fieis e peregrinos
reunidos na Praça São Pedro.
“O cego de nascença – explicou o Santo Padre -
representa cada um de nós que fomos criados para conhecer Deus, mas por
causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma nova luz, a da fé,
que Jesus nos deu”.
Aquele cego do Evangelho, ao readquirir a visão, “abre-se ao
mistério de Cristo”, disse o Pontífice, que explicou:
“Este episódio nos induz a refletir sobre nossa fé em
Cristo, o Filho de Deus, e ao mesmo tempo refere-se também ao Batismo, que é o
primeiro Sacramento da fé: o Sacramento que nos faz “vir à luz”, mediante o
renascimento da água e do Espírito Santo; assim como acontece ao cego de
nascença, ao qual se abrem os olhos após ter sido lavado na água da piscina de
Siloé”.
“O cego de nascença curado – completou Francisco - nos
representa quando não nos damos conta que Jesus é a luz, “a luz do mundo”,
quando olhamos para outros lugares, quando preferimos confiar nas pequenas
luzes, quando tateamos no escuro”:
“O fato de que aquele cego não tenha um nome, nos ajuda a
nos refletir com o nosso rosto e o nosso nome na sua história. Também nós fomos
“iluminados” por Cristo no Batismo, e portanto somos chamados a comporta-nos
como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical
de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e coisas segundo uma outra
escala de valores, que vem de Deus. O Sacramento do Batismo, de fato, exige a
escolha firme e decidida de viver como filhos da luz e caminhar na luz”.
Mas, o que significa “ter a verdadeira luz, caminhar na
luz?”
“Significa, antes de tudo, abandonar as falsas luzes: a luz
fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito distorce a
realidade e nos enche de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e
condenamos sem apelo. Isto é pão de todo dia! Quando se fala mal dos outros,
não se caminha na luz, se caminha na sombra”.
E Francisco completou:
“Outra luz falsa, porque sedutora e ambígua, é aquela do
interesse pessoal: se valorizamos homens e coisas baseados em critérios de
nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não realizamos a verdade
nos relacionamentos e nas situações. Se vamos por este caminho do buscar
somente o interesse pessoal, caminhamos nas sombras”.
O Papa concluiu, pedindo que a Virgem Santa obtenha para nós
“a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom
inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos
transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa
pobreza, portadores de um raio da luz de Cristo”.
Após rezar o Angelus, o Papa saudou os presentes e
agradeceu ao Cardeal Scola e aos milaneses pela calorosa acolhida que teve
durante sua visita a Milão no sábado: "Uma acolhida extraordinária, para
um dia inesquecível. Realmente me senti em casa. E isto com todos, crentes e
não-crentes. Vos agradeço muito queridos milaneses e digo uma coisa para vocês:
constatei que é verdade aquilo que se diz: 'Em Milão se recebe com o coração na
mão". Obrigado!".










