Translate

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Exercícios Espirituais da Quaresma, 7ª meditação: glória

Exercícios Espirituais no Vaticano   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua sétima reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "Glória". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO* 

Quando Jesus explicou o que significava permanecer com ele e entrar no Reino que anunciava, “muitos de seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele”. Não estavam dispostos a aceitar seus ensinamentos sobre o realismo sacramental, sobre a indissolubilidade do matrimônio, sobre a necessidade da Cruz. Quando Cristo foi crucificado no Calvário, o 'synodos' que havia caminhado com ele apenas seis dias antes já não existia mais. Restaram somente dois seguidores: sua Mãe e João, o Discípulo Amado.

João fornece um relato preciso da kénosis de Jesus, que se desenvolve em dois níveis: o do amor divino, espremido no lagar da Cruz; e o da traição da lealdade humana, quando até mesmo aqueles que haviam prometido fidelidade usque ad mortem haviam fugido, recolhendo-se em casa para lamber suas feridas em segredo.

E, no entanto, João insiste que é precisamente essa cena de abandono que manifesta a glória de Cristo.

A glorificação, diz Bernardo, acontece quando, terminado o nosso caminho terreno, finalmente contemplarmos aquilo que nesta vida esperamos firmemente, depositando nossa confiança no nome de Jesus. “Spes in nomine, res in facie est”. Não há modo de traduzir o sentido dessa fórmula concisa e belíssima senão por meio de uma paráfrase um pouco solene: “Nossa esperança está no nome do Senhor; a realidade esperada está em vê-lo face a face”.

Uma certa “glória oculta” é, de todo modo, perceptível já agora. Agostinho gostava de dizer que aqui e agora trazemos a imagem da glória em uma “forma obscura”, uma forma que é encarnada e sujeita às vicissitudes da existência concreta. Uma vez atravessada esta vida, a forma se revelará explícita e “luminosa”.

Eventuais deformidades causadas por um mau uso da liberdade serão então reformadas, para que a forma emerja em sua beleza originalmente concebida: como “forma formosa”. Agostinho, tão profundamente humano e ao mesmo tempo penetrante, sublinha que a glória da imagem não pode ser perdida; ela está impressa em nosso ser. Pode, porém, ser soterrada sob camadas de obscuridade que se acumulam e precisam ser removidas.

A Igreja recorda às mulheres e aos homens a glória secreta que vive neles. A Igreja nos revela que a mediocridade e o desespero do presente — não por último, o meu próprio desespero por meus fracassos persistentes — não precisam ser definitivos; que o plano de Deus para nós é infinitamente maravilhoso; e que Deus, por meio do Corpo Místico de Cristo, nos dará a graça e a força de que necessitamos para alcançá-lo, se apenas lhe pedirmos.

A Igreja manifesta esplendores de “glória oculta” em seus santos. Os santos são a prova de que a doença e a degradação podem ser meios que a Providência utiliza para realizar um desígnio glorioso, conferindo força aos fracos e, ainda não satisfeita com isso, tornando-os santos resplandecentes.

A Igreja comunica a “glória oculta” em seus sacramentos. Todo sacerdote, todo católico conhece a luz que pode irromper no confessionário, durante uma unção, uma ordenação ou um matrimônio. A mais esplêndida — e, em certos aspectos, a mais velada — é a glória da santa Eucaristia.

Que sacerdote não poderia dizer, depois de celebrar os santos mistérios, aquilo que uma grande musicista declarou certa vez sobre a experiência de ser instrumento de uma luminosa comunicação de beleza, cura e verdade: “a morte não seria realmente uma tragédia, porque o melhor daquilo que está no centro da vida humana foi visto e vivido”, com o coração consumido por uma gloriosa maravilha?

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/glory-2/

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A Quaresma e os benefícios espirituais do contato com a natureza

Shutterstock I Freeman Studio

Philip Kosloski - publicado em 02/03/20 - atualizado em 27/02/26

Jesus nos convida a passar mais tempo no “deserto” durante a Quaresma, pois isso ajuda a curar nossa alma.

Apoie a Aleteia

Todos os anos, durante a Quaresma, tentamos imitar o tempo de jejum e oração de Jesus, fazendo vários sacrifícios, negando a nós mesmos os nossos alimentos e entretenimento favoritos. No entanto, alguma vez imitamos o tempo que Jesus passou no "deserto"?

O Evangelho de Mateus diz: "Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio" (Mateus 4, 1).

Isso pode parecer um detalhe menor, mas essa ação de Jesus ao sair da cidade e entrar no “deserto” está se tornando cada vez mais relevante (e necessário). Os americanos em particular estão gastando mais tempo dentro de casa, mal vendo a luz do dia. Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), os americanos passam em média 93% de sua vida dentro de casa.

Nosso estilo de vida moderno criou uma ruptura com a natureza e agora estamos mais familiarizados com edifícios do que com árvores.

Uma das razões pelas quais devemos considerar passar mais tempo fora e em contato com a natureza são os muitos benefícios que isso pode trazer à nossa saúde física e espiritual. De acordo com uma pesquisa, passar mais tempo junto à natureza não apenas diminui a depressão e o estresse, como também melhora nosso comportamento em relação aos outros.

Outro estudo constatou que "os pacientes com vista para as árvores toleravam melhor a dor, pareciam ter menos efeitos negativos e passavam menos tempo em um hospital". Já foi demonstrado que "o contato com a natureza afeta positivamente a pressão arterial, o colesterol e a perspectiva da vida".

Além dos efeitos positivos que pode ter em nossos corpos, a caminhada ao ar livre também beneficia nossas almas. Em um estudo focado em crianças que passam de 5 a 10 horas por semana ao ar livre, as crianças “acreditavam que um poder superior havia criado o mundo natural ao seu redor. Eles também relataram sentir-se impressionadas e humilhadas pelo poder da natureza, ao mesmo tempo em que se sentem felizes e com um sentimento de pertencer ao mundo. ”

O Papa Francisco aponta em sua encíclica Laudato si ', que Jesus olhou ternamente para a natureza e sua beleza levou a muitas conexões espirituais:

"O Senhor pôde convidar outras pessoas a estarem atentas à beleza que existe no mundo, porque ele próprio estava em constante contato com a natureza, prestando-lhe uma atenção cheia de carinho e admiração. Ao percorrer a terra, muitas vezes parava para contemplar a beleza semeada por seu Pai e convidava seus discípulos a perceber uma mensagem divina nas coisas: 'Levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa' (Jo 4,35)".

São Francisco de Assis é um grande exemplo de santo que permitiu que a beleza da natureza penetrasse em sua alma, elevando-a a Deus. Além disso, São Francisco, fiel às Escrituras, convida-nos a ver a natureza como um livro magnífico no qual Deus nos fala e nos dá um vislumbre de sua infinita beleza e bondade. Por esse motivo, pediu que parte do jardim do seu convento sempre permanecesse intocada, para que flores e ervas silvestres pudessem crescer ali, e quem as visse pudesse elevar a mente a Deus, o Criador de tanta beleza.

Portanto, nesta Quaresma, ao considerar um “sacrifício”, tente passar mais tempo junto à natureza, permitindo que a beleza da criação cure sua alma e louvando a Deus pelas maravilhas de sua obra.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Sentir não é consentir: como identificar e vencer a tentação

Fomes Peccati: desde a criação de tudo, a humanidade possui uma inclinação ao mal e deve buscar combatê-la (Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_ ).  

Da ¨madeira seca¨ da concupiscência à vitória de Cristo no deserto: entenda como a vigilância e a fuga podem transformar seu combate espiritual.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Ao refletir sobre a vida espiritual, constato que muitas pessoas confundem provação com tentação, imaginando, por vezes, que a primeira é não somente permitida por Deus, mas até querida por Ele. Para trazer clareza e oferecer vias para o combate espiritual, convém esclarecer alguns pontos fundamentais.

Na Bíblia, a palavra grega peirasmos possui um sentido ambivalente: pode significar tanto provação quanto tentação. A provação serve para edificar a fé; é o crisol onde o cristão, diante das dificuldades, se santifica e amadurece. Já a tentação tem um objetivo oposto: a queda. Neste artigo, vamos nos ater mais a esta.

A tentação pode brotar de duas fontes: da nossa própria concupiscência ou da ação do inimigo.

- A concupiscência (Fomes Peccati): Refere-se às nossas debilidades inerentes. Os antigos chamavam isso de fomes peccati, o combustível do pecado. Mesmo sendo batizados e, por isso, santificados pelo Espírito Santo, continua em nosso coração uma disposição ao mal. É como uma lareira: o batismo apaga o incêndio do pecado original, mas as brasas e a madeira seca continuam lá. Qualquer faísca externa pode reacender o fogo, pois o combustível permanece. Como bem descreveu São Paulo: "(...) não faço o bem que quero, mas o mal que não quero" (Rm 7, 19).

- A ação do Inimigo: Desde o Gênesis, percebemos o Maligno tentando induzir o ser humano ao erro. Ele não apresenta a tentação de forma terrível; prefere o que é suave e belo, a ponto de a pessoa simplesmente querer algo vivamente, pois foi persuadida de que aquilo realmente era bom. Contudo, cuidado: não devemos "demonizar" tudo. Muitas tentações são consequências de uma vida na carne desordenada, e não uma ação direta do demônio.

A tentação funciona como uma sedução. Costumo usar uma metáfora com meus dirigidos: imagine que você entrou em uma antessala que dá para um salão principal proibido. Na antessala, você já sente o perfume e seus olhos são atraídos pelo que está lá dentro. Você ainda não entrou no pecado, mas sua vontade começa a ser inclinada a atravessar a porta. Como vencer? Vejamos: há algo mais eficaz que a oração; ao seguir por este caminho, ter-se-á uma resposta mais breve de superação. E o que seria? A fuga.

Muitos tentam se pôr em oração no exato momento em que o desejo ferve, querendo "discutir" com a tentação para vencê-la. Frequentemente, fracassam! Se você percebe que está na antessala, corra de lá! A fuga é a primeira iniciativa de quem é prudente.

Segundo Evágrio Pôntico, conhecido Padre do Deserto do séc. IV: "Não está em nosso poder que os pensamentos nos perturbem ou não; mas está em nosso poder que eles se demorem ou não". Ou, como dizia um antigo confessor meu, Mons. João Leite: "O pecado não está em sentir, mas em consentir". A tentação é uma ebulição de sentimentos que tenta desestruturar a alma, mas o avanço para a ação concreta pode ser interrompido se não dermos hospedagem ao pensamento.

Nosso maior modelo é Jesus. No deserto, com visto em Mt 4, 1-11, Ele foi por três vezes tentado. Diante do que lhe foi oferecido, a quaresma de Jesus teve um fim grandioso: Ele venceu. Outras vezes o Diabo o tentou, mas Ele sempre o manteve em seu lugar.

Que possamos, ao identificar a origem de nossas lutas, nos munir das armas da vigilância e da ascese. Identificar o inimigo e conhecer nossa própria 'madeira seca' já são passos fundamentais para a vitória. Unindo a fuga à oração, teremos a firme esperança de vencer as ciladas do mal e perseverar no caminho da santidade. 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Bispos do continente americano: “Nenhum migrante é estrangeiro”

Os representantes dos bispos do continente americano 

Concluiu-se em Tampa, Flórida, o encontro bienal dos Bispos do continente americano com um apelo para encontrar respostas conjuntas para os desafios que enfrentam: um apelo para reconhecer os que deixam suas casas para encontrar maior segurança, como "o próprio rosto de Cristo a caminho".

Vatican News

"Nenhum migrante é estrangeiro para a Igreja": eis a firme convicção dos presidentes e representantes das Conferências Episcopais Americanas, que se reuniram em Tampa, Flórida (EUA) até a última quinta-feira, 19, com o objetivo de fortalecer a comunhão eclesial e encontrar respostas conjuntas para os desafios que o continente enfrenta. Em uma declaração conjunta, os Bispos afirmam: "Em cada pessoa, que deixa sua pátria em busca de segurança, oportunidade ou dignidade, reconhecemos um irmão, uma irmã no próprio rosto de Cristo a caminho".

O encontro bienal contou com a presença dos presidentes da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), da Conferência dos Bispos Católicos do Canadá (CCCB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), em continuidade a uma tradição de diálogo episcopal, iniciada em 1959, e agora em vista da sinodalidade.

O Cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, presidente da CNBB e do CELAM, recordou o valor eclesial deste evento compartilhado: "Nós, do CELAM, junto com os presidentes das Conferências dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e do Canadá, reunimo-nos aqui para nos conhecermos melhor, rezarmos juntos e refletirmos sobre as questões que dizem respeito à realidade de nossas Igrejas".

Imigração e sinodalidade

Entre os temas da pauta, abordados durante o encontro, estava o da imigração, que os Bispos consideram "crucial para todos nós", além da sinodalidade: "um caminho iniciado pelo Papa Francisco, no qual devemos progredir, ao longo do tempo e nas realidades eclesiais locais". Depois, outro tema, a “polarização”, algo que nos divide, mas somos chamados a construir comunhão e unidade".

Dom Pierre Goudreault, bispo de Sainte-Anne-de-la-Pocatière, presidente do episcopado do Canadá, abordou, em seu discurso, a natureza sinodal do encontro continental, explicando: “Este evento oferece um tempo precioso para nós, bispos". Ele abordou ainda outros temas: como a “imigração e seus desafios” e a “polarização e o processo de implementação da sinodalidade em nossas Igrejas locais".

Por sua vez, Dom Paul Stagg Coakley, arcebispo de Oklahoma City e presidente do episcopado norte-americano, avaliou o encontro como uma experiência inédita do seu ministério: "Trata-se de um bom momento para conhecer os irmãos Bispos, provenientes de todos os cantos das Américas. Por isso, sou grato pela oportunidade de nos unirmos, aprendermos uns com os outros, ouvirmos uns aos outros e nos ajudarmos mutuamente".

Em suas declarações conjuntas, os Bispos expressaram o desejo de responder, de forma mais abrangente, ao sofrimento do Povo de Deus, sobretudo, diante da estigmatização dos migrantes, do agravamento da pobreza, das tensões políticas e da insegurança social. Como resultado final do encontro, os Bispos das Américas manifestaram sua determinação de fortalecer a cooperação pastoral sinodal em todo o continente; reafirmaram que "a mobilidade humana não pode ser reduzida a uma questão meramente política ou econômica, pois se trata de uma realidade profundamente humana, que desafia a nossa consciência cristã e a responsabilidade ética das nações".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

“Moro onde não mora ninguém…”

Casinha simples do interior (Facewbook)

“MORO ONDE NÃO MORA NINGUÉM…”

27/02/2026

Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Em 1975, Agepê lançou um álbum com este título. Na faixa em destaque, o compositor e intérprete canta, com lirismo e nostalgia, o lugar onde mora e se sente bem. O bem-estar que uma moradia simples e humilde proporciona também é cantado por Chico Buarque, num poema de Vinicius de Morais que ele musicou em 1970: Gente Humilde. 

Assim canta Agepê: “Moro onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, onde não vive ninguém. É lá onde moro que eu me sinto bem! Não tem bloco na rua, não tem carnaval, mas não saio de lá. Uma casinha branca no alto da serra; um coqueiro ao lado, um cachorro magro amarrado. É lá que eu vivo sem guerra, é lá que eu me sinto bem”. 

Não é preciso transcrever outras canções como Tristeza do Jeca, Cidadão, Casinha Branca e Saudosa Maloca para demonstrar como a questão da moradia digna está vivamente presente no cancioneiro brasileiro, como drama ou como utopia. Por isso, não deve estranhar que a Igreja católica hoje traga a questão da moradia para dentro dos templos. 

Não podemos fechar os olhos para a grave questão da moradia no Brasil: 26 milhões de famílias vivem em moradias inadequadas; 6 milhões de famílias necessitam de uma moradia hoje; 330 mil pessoas vivem em situação de rua; 9 milhões de pessoas moram em áreas de risco; 16 milhões de pessoas vivem em favelas (que são “não-cidades”). Eles sim são obrigados a morar onde ninguém deveria morar… 

Voltando a atenção a Santa Cruz do Sul, segundo o último censo, apenas 61% das famílias vivem em moradias próprias e quitadas; recentemente, mais de 800 famílias disputaram 250 casas de um programa habitacional; mais de 30 mil pessoas têm uma renda de até meio salário mínimo. Com essa renda, como poderão adquirir uma casa ou pagar aluguel? 

Estamos habituados a tratar a moradia como uma mercadoria entre outras. Quem pode, compra. Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos insere a moradia entre os direitos humanos (cf. art. 25). E a Constituição Federal a insere entre os direitos sociais dos cidadãos brasileiros (cf. art. 6º). E cabe ao Estado assegurar o acesso a esse direito! 

Os discípulos e discípulas de Jesus não podemos passar ao largo do drama da moradia, que fere grande parte dos nossos irmãos e irmãs. Jesus nos adverte sobre isso numa parábola (cf. Lucas 10,25-37): o serviço ao culto, a busca do bem-estar individual e a obsessão pela segurança não são álibis para ignorar a dor que fere os irmãos e irmãs. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Exercícios Espirituais da Quaresma, 6ª meditação: mil cairão

Exercícios Espirituais no Vaticano   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua sexta reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "Mil cairão". Publicamos um resumo de sua reflexão.

As quedas podem nos tornar humildes quando estamos inchados de orgulho. Podem revelar o poder salvífico de Deus. Podem tornar-se marcos de um caminho pessoal de salvação, a serem lembrados com gratidão.

Entretanto, não podemos ser ingênuos. Nem todas as quedas terminam em júbilo. Há quedas que cheiram a inferno e arrastam o culpado por um rastro de destruição e ruína. Esse rastro é frequentemente amplo e longo, e acaba por atingir muitos inocentes. Precisaremos de coragem para nos aproximar, com Bernardo, do versículo do Salmo 90 que começa: “Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita”.

Nada prejudicou de modo mais trágico a Igreja, nada comprometeu mais o nosso testemunho do que a corrupção que cresceu dentro da própria casa. A crise mais terrível da Igreja não foi provocada pela oposição do mundo, mas pela corrupção eclesiástica. As feridas infligidas exigirão tempo para cicatrizar. Pedem justiça e lágrimas.

Diante da corrupção, sobretudo quando se trata de abusos, somos tentados a buscar uma raiz doente. Esperamos encontrar sinais de alerta precoces que foram ignorados: algum erro de discernimento, um padrão inicial de desvio. Às vezes esses indícios existem, e temos razão em nos censurar por não tê-los reconhecido a tempo. Mas nem sempre os encontramos.

Podemos reconhecer o bem grande e jubiloso que frequentemente se manifestava nos primórdios de comunidades hoje associadas ao escândalo. Não podemos presumir que tenha havido desde o início uma hipocrisia estrutural, e que os fundadores tenham se apresentado cinicamente como sepulcros caiados. Às vezes encontramos sinais de verdadeira inspiração, até mesmo vestígios de santidade. Como explicar a coexistência de desenvolvimentos bons e de desenvolvimentos deformados?

Uma mentalidade secular, em geral, se rende: diante de uma calamidade, designa monstros e vítimas.

Felizmente, a Igreja possui — quando se lembra de usá-los — instrumentos mais refinados e mais eficazes.

Onde os homens se empenham em esforços nobres, recorda-nos Bernardo, os ataques do inimigo serão ferozes. Ele observa: “os membros espirituais da própria Igreja são atacados com muito mais aspereza do que os carnais”. Pensa que é precisamente isso que o Salmo Qui habitat quer dizer com sua linguagem de “esquerda” e “direita”: a esquerda representa nossa natureza carnal, a direita nossa natureza espiritual. As vítimas são mais numerosas à direita porque é ali que, no campo de batalha espiritual, são empregadas as armas mais letais.

Mesmo levando a sério o reino demoníaco, Bernardo não atribui todas as doenças espirituais a seres malignos com chifres e forquilhas. Ele considera homens e mulheres responsáveis pelo uso que fazem de sua liberdade soberana. Seu ponto é que a natureza humana é una. Se começamos a descer às profundezas de nossa natureza espiritual, outras profundezas também se desvelam. Teremos de enfrentar a fome existencial, a vulnerabilidade, o desejo de conforto: experiências que podem assumir a forma de um assalto.

O progresso na vida espiritual exige uma configuração do nosso eu físico e afetivo em sintonia com a maturação contemplativa; caso contrário, há o risco de que a exposição espiritual busque válvulas de escape físicas ou afetivas, e que tais escapes sejam racionalizados como se fossem, de algum modo, eles próprios “espirituais”, de uma ordem superior aos delitos dos mortais comuns.

A integridade de um mestre espiritual se manifestará em sua conversa e em seu ensinamento, mas não apenas nisso; será evidenciada também em seus hábitos online, em seu comportamento à mesa e no bar, em sua liberdade em relação à adulação dos outros.

A vida espiritual não é um acréscimo ao resto da existência. Ela é sua alma. Devemos guardar-nos de todo dualismo, lembrando sempre que o Verbo se fez carne para que nossa carne fosse impregnada do Logos. É necessário vigiar tanto a esquerda quanto a direita e prestar atenção — insiste Bernardo nesse ponto — para não confundir uma com a outra. Devemos aprender a estar igualmente à vontade em nossa natureza carnal e espiritual, para que Cristo, nosso Mestre, possa reinar pacificamente em ambas.

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/the-fall-of-thousands/

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

[FOTOS] São Francisco: o corpo exposto pela primeira vez em Assis, 800 anos após a morte

Photo courtesy of the Sala Stampa San Francesco Assisi

Cibele Battistini - publicado em 25/02/26

Oito séculos depois de sua morte, os restos mortais de São Francisco de Assis são expostos ao público pela primeira vez na cidade de Assis.

Até 22 de março, as relíquias do santo permanecem visíveis na igreja da Basílica de São Francisco de Assis, na região da Úmbria. A iniciativa integra as celebrações do Jubileu franciscano, que marca os 800 anos de sua morte, ocorrida em 1226.

No Testamento ditado ao final da vida, Francisco assinou como “piccolino” — pequenino. A pequena estatura, expressão concreta de sua humildade, pode agora ser vista com os próprios olhos. O esqueleto, de 1,39 metro, foi retirado da urna de bronze que o guarda desde o século XIX e colocado em uma caixa de plexiglass, recomposto conforme a última inspeção realizada em 1978.

Já no primeiro dia de exposição pública, em 21 de fevereiro, cerca de 18 mil pessoas passaram pela basílica. Desde as primeiras horas da manhã, quando os acessos foram abertos aos visitantes que haviam reservado horário previamente, percebia-se um clima de recolhimento. Um grande pavilhão branco montado na praça inferior organizava o fluxo: na inauguração, aproximadamente 1.500 pessoas por hora atravessaram o percurso preparado para a visita.

Antes de entrar na Basílica Inferior, os peregrinos percorrem um trajeto que alterna informação histórica e espiritualidade. Painéis no claustro interno narram a recuperação do corpo de São Francisco, desaparecido misteriosamente por 590 anos até ser reencontrado, em 1818, dentro de um sarcófago de travertino, após 52 noites de escavações. Há também espaço para oração e confissão, assistida pelos frades. Apesar da multidão, o silêncio e a concentração predominam, como se a figura do santo — talvez o mais humano do catolicismo — conduzisse a todos a um mesmo ritmo.

Participação mundial

Dentro da basílica, os visitantes avançam lentamente, cercados pelos afrescos históricos. Telões e painéis explicativos apresentam a inspiração do evento: a parábola do grão que morre para dar fruto. Ainda assim, muitos se detêm pouco diante dos relatos históricos e científicos. Não foram produzidos novos estudos sobre os restos mortais; a atual exposição foi precedida apenas por uma inspeção técnica, e a última análise detalhada data da década de 1970. Perde-se, assim, a oportunidade de aprofundar também a dimensão humana daquele que consumiu o próprio corpo ao longo de 44 anos de vida — marcado não apenas pelos estigmas, mas por uma conversão nascida do encontro com um leproso.

A expressiva participação popular — com cerca de 400 mil visitantes já inscritos — demonstra que a influência de São Francisco ultrapassa os limites do catolicismo. O historiador François Sabatier escreveu que o Cântico das Criaturasconstitui uma das expressões mais completas do sentimento religioso moderno. Já o historiador Lynn White, em artigo publicado na revista Science em 1967, definiu Francisco como pioneiro do pensamento ecológico.

Sua visão cósmica da natureza — composta por elementos interligados — faz dele uma referência também para ambientalistas contemporâneos.

A cultura popular chegou a retratá-lo como “irmão do universo”, em uma homenagem da Marvel Comics. O compromisso com a defesa dos animais, simbolizado no lendário encontro com o lobo de Gubbio, foi recordado recentemente pelo Papa Francisco na encíclica Laudato si', publicada em 2015, que apresenta o conceito de ecologia integral — a defesa do planeta como dimensão essencial da justiça.

Diante da crise dos ecossistemas, sua mensagem, nascida há oitocentos anos, soa mais atual do que nunca.

Abrir a galeria de fotos, abaixo:

https://pt.aleteia.org/slideshow/exposicao-assis-800-anos-da-morte/

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Exercícios Espirituais da Quaresma, 5ª meditação: o esplendor da verdade

Papa Leão durante os Exercícios Espirituais no Vaticano   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua quinta reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "O esplendor da verdade". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO* 

Bernardo quer nos manter em alerta. Afirma: “Eu vos advirto: ninguém vive sobre a terra sem tentações; se por acaso alguém estiver livre delas, certamente deve esperar outra.” Devemos cultivar o justo equilíbrio entre a confiança na ajuda de Deus e a desconfiança em relação à nossa fragilidade, temendo as tentações e aceitando sua inevitabilidade, lembrando que Deus nos submete a elas porque são úteis.

Úteis em que sentido?

Resistindo às flechas lançadas pelo Pai da Mentira, nosso compromisso com a verdade se fortalecerá, assim como nossa confiança nela. Afastados da falsidade que nos enfraquece, seremos capazes de nos converter para confirmar nossos irmãos.

Bernardo vê a ambição como negação da verdade. A ambição é uma forma não muito sutil de avidez. Ao descrever esse vício, Bernardo, sempre eloquente, supera a si mesmo. A ambição, diz ele, é “um mal sutil, um veneno secreto, uma peste oculta, artífice de fraudes; mãe da hipocrisia, genitora da inveja, origem dos vícios; é a centelha que acende os crimes, faz enferrujar as virtudes, apodrecer a santidade, cegar os corações. Transforma os remédios em doenças. Da medicina gera fraquezas.” A ambição, diz ele, nasce de uma “alienação da mente”. É uma loucura que se manifesta quando se esquece a verdade. O fato de a ambição ser uma forma de desequilíbrio mental a torna ridícula em qualquer de suas manifestações, mas sobretudo quando se evidencia em pessoas dedicadas, por vocação, ao serviço dos outros. Não é por acaso que a figura do sacerdote ambicioso infesta a literatura e o cinema como um motivo cômico, embora não muito divertido — desde os párocos servis de Jane Austen até o ácido sacerdote cortesão no notável filme Ridículo, de Patrice Leconte.

“O que é a verdade?”

As pessoas fazem essa pergunta com sinceridade e, muitas vezes, com boa vontade, apesar da confusão, do medo e da pressa em que vivem. Não podemos deixá-las sem resposta. Não podemos desperdiçar energias em tentações banais, feitas de medo, vanglória e ambição. Nossos melhores recursos devem servir para sustentar a Verdade substancial e essencial, que liberta de qualquer acúmulo, mais ou menos cintilante, mais ou menos maligno.

Na complexidade do mundo de hoje, é imperativo articular o mundo à luz de Cristo. Cristo, que é a Verdade, não apenas nos protege. Ele nos renova, impaciente por revelar-se por meio de nós a uma criação cada vez mais consciente de ser escrava da futilidade.

Às vezes somos tentados a pensar que devemos acompanhar as modas do mundo. É, eu diria, um procedimento duvidoso. A Igreja é um corpo que se move lentamente: correria o risco de se adornar fora de época e de se expressar com o jargão de ontem. Se, ao contrário, falar bem a sua própria linguagem — a da Bíblia e da liturgia, a de seus pais e de suas mães, a de seus poetas e santos, que continuam a nascer — permanecerá capaz de enunciar verdades perenes de modo novo. Será original e fresca, e poderá hoje, como no passado, orientar a cultura.

É um trabalho que possui uma dimensão intelectual crucial. Possui também uma dimensão existencial. Como disse o cardeal Schuster pouco antes de morrer: “Parece que as pessoas já não se deixam convencer por nossa pregação, mas, diante da santidade, ainda acreditam, ainda se ajoelham e ainda rezam.”

O chamado universal à santidade, isto é, o chamado a encarnar a verdade, foi talvez a nota mais forte do Concílio Vaticano II. Ressoou esplendidamente como um gongo em todas as suas deliberações. A pretensão cristã à verdade torna-se convincente quando seu esplendor se manifesta de forma pessoal, por meio de um amor disposto ao sacrifício de si na santidade, purificado das tentações do compromisso.

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/splendour-of-truth/

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Existem vários tipos de silêncio, mas tem destaque dois tipos. Descubra

Asier Romero | Shutterstock

Paulo Teixeira - publicado em 05/02/26

Silêncio positivo e silêncio negativo.

Há um silêncio negativo que é aquele da pessoa raivosa, descontente com tudo, que quando abre a boca e parece uma bomba atômica.

Ninguém dá ouvido e esta pessoa se fecha em si mesma, não fala com ninguém. Os seus gestos, seu olhar, o seu caminhar ou fechar a porta dizem sobre toda a raiva que traz dentro dela.

Este silêncio é terrível, e quando estas pessoas se isolam, não sabemos o que virá quando voltarem do silêncio... prepara o guarda-chuva que vem trovoadas. Devemos fugir deste isolamento de medo, de agressividade. É como o cachorro, quando tem medo se esconde no canil, na espera do contra ataque.

Contudo existe também um silêncio positivo que é o silêncio do amor, da compreensão e da atenção ao outro. Perto dos hospitais tem um sinal que proíbe de buzinar, por que? Para não perturbar os que estão doentes. Ou depois de uma certa hora se proíbe barulho para permitir aos moradores de repousar; ou na igreja, que é o lugar preferencial para o silêncio, para que as pessoas possam rezar.

Uma lição do Papa

Não respeitar o silêncio é uma falta de educação. Mas na Gaudete et exultate o Papa Francisco quer nos chamar a atenção sobre o “isolamento”, que hoje em dia é sinal de uma desadaptação do convívio humano. Os meios de comunicação estão se tornando os meios da “descomunicação”. Jovens ou menos jovens, que passam o dia todo fechados no próprio quarto diante do computador, viajando mentalmente ou em rede pelo mundo afora, criando dependência, e construindo para si um mundo das ilusões, que não favorece a verdadeira comunicação. Devemos ter muito cuidado e saber discernir quando o silêncio é negativo e quando ele é positivo.

Silêncio e oração

Na verdade, o silêncio é o coração da oração. Precisamos dele para tomar decisões, para encontrar-nos conosco, para reequilibrar os momentos de nossa fragilidade. Neste caso não é um silêncio que nos afasta nem dos problemas dos outros e nem da nossa cooperação na construção do reino de Deus. Os monges, os eremitas, as monjas de clausura não procuram o silêncio para se isolar, mas para criar uma rede espiritual de comunicação com toda a humanidade. Para viver bem a vida de comunhão necessitamos de momentos de grande silêncio.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Exercícios Espirituais da Quaresma, 4ª meditação: amar o mundo como Cristo

Dom Erik Varden prega os Exercícios Espirituais da Quaresma para o Papa e colaboradores da Cúria Romana  (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua quarta reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "Tornar-se livre". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Vatican News

O conceito de "liberdade" tornou-se controverso no debate público. A liberdade é um bem precioso; rebelamo-nos contra tudo o que ameace limitá-la ou restringi-la. Consequentemente, o vocabulário da liberdade é um instrumento retórico altamente eficaz.

Qualquer sugestão de que a liberdade de um determinado grupo esteja em risco provoca imediatamente indignação na internet. Pode até mobilizar as ruas.

É impressionante como hoje, na Europa, diversas causas políticas exploram o jargão da liberdade, provocando tensões. O que um segmento da sociedade percebe como "libertador" é considerado opressivo por outros. Surgem frentes opostas, com a bandeira da "liberdade" hasteada em todos os lados. Conflitos acirrados emergem de agendas incompatíveis de suposta libertação.

Essa situação representa um desafio para os cristãos.

É importante esclarecer o que queremos dizer quando, no contexto da fé, falamos em nos tornar livres. É o que São Bernardo faz ao comentar o versículo: "Ele me libertou do laço dos caçadores e da palavra amarga".

Para Bernardo, é evidente que a verdadeira liberdade não é natural para o homem caído.

O que nos parece natural é fazer o que bem entendemos, satisfazer nossos desejos e realizar nossos planos sem interferência, ostentar e vangloriar-nos de nossas ideias. Bernardo, dirigindo-se ao homem nesse estado de ilusão, é extremamente sarcástico. Ele pergunta: "Sabidão, quem você pensa que é? Reconheça que você se tornou uma besta para quem os caçadores armaram suas armadilhas."

O fato de sermos tão facilmente enganados e cairmos nas mesmas armadilhas de sempre, mesmo sabendo bem delas, é para ele prova suficiente de que não somos livres — isto é, de que somos incapazes de progredir firmemente rumo ao verdadeiro objetivo de nossa vida. Permanecemos sujeitos a todo tipo de obstáculos e distrações.

Ao fundamentar sua explicação da liberdade no "Sim!" incondicional do Filho à vontade do Pai, Bernardo revoluciona nossa compreensão do que significa ser livre. A liberdade cristã não consiste em conquistar o mundo pela força, mas em amá-lo com um amor crucificado, tão magnânimo que desejamos dar a vida por ele para que, em Cristo, ele seja libertado.

Devemos ter cuidado quando a liberdade, mantida como refém pela força, é manipulada como meio de legitimar as ações de sujeitos impessoais como "o Partido", "a Economia" ou mesmo "a História". Em uma visão cristã, nenhuma política opressiva pode ser redimida invocando a "liberdade" ideológica. A única liberdade significativa é a pessoal; e a liberdade de uma pessoa não pode anular a de outra.

Aderir a uma ideia cristã de liberdade implica sofrimento. Quando Cristo nos diz para não nos opormos ao mal, ele não está nos pedindo para tolerarmos a injustiça, mas nos faz entender que, às vezes, a causa da justiça é melhor servida pelo sofrimento, quando nos recusamos a responder à força com a força.

O emblema da liberdade permanece o Filho de Deus que "se esvaziou".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF