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segunda-feira, 13 de abril de 2026

DOCUMENTO: Uma alma para a Europa (Parte 1/4)

Robert Schuman | 30Giorni.

DOCUMENTO

retirado do nº 05 – 2003, Revista 30Dias.

Robert Schuman, 1886-1963

Uma alma para a Europa

Palestra proferida pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura na Catedral de Notre-Dame de Paris, em 9 de março de 2003, primeiro domingo da Quaresma. Esta palestra sobre o estadista francês faz parte de uma série de palestras do Cardeal Poupard intitulada: "Santidade que Desafia a História. Retratos de Seis Testemunhas do Terceiro Milênio".

Por Cardeal Paul Poupard

Robert Schuman: Dando uma Alma à Europa

Nesta galeria de seis retratos de católicos, fonte de inspiração para nossa vida cristã, escolhi deliberadamente um político, um pai da Europa, para liderar o caminho.

Estamos falando da Europa. Agora, vamos avaliar suas supostas vantagens, suas esperanças incertas, suas mudanças chocantes. Um homem, cristão, natural da Lorena, eleito deputado pela região do Mosela, que havia se tornado francesa novamente em 1919, e continuamente reeleito entre as duas guerras, Subsecretário de Estado com o General de Gaulle como Presidente do Conselho de Ministros em maio de 1940, renunciou em julho em Vichy, o primeiro parlamentar francês preso pela Gestapo nazista em Metz em setembro de 1940, depois forçado a permanecer no Palatinado, de onde corajosamente escapou dois anos depois para passar três anos escondido até a libertação da França, Ministro das Finanças, Presidente do Conselho de Ministros em 1947 e 1948 e, ininterruptamente, Ministro das Relações Exteriores nos governos que se sucederam em ritmo frenético sob a Quarta República, de 1948 a 1953: um homem como este teve a audácia de abrir um futuro de paz para a Europa, na sequência de uma guerra assassina. Era 9 de maio de 1950. Em uma declaração histórica inspirada por Jean Monnet e imediatamente acordada com seus pares Konrad Adenauer e Alcide De Gasperi, o ministro lançou o Plano Schuman, que reunia carvão e aço, a base da Comunidade Europeia, para reunir os irmãos inimigos que haviam sido separados pela guerra ao longo do século, a fim de construir uma Europa unida em paz, liberdade e prosperidade.

Ele, natural da Lorena, nasceu em Luxemburgo, e me lembro de uma visita que fiz um dia à sua pacata casa de infância, numa cidade então provinciana no coração da Europa. Seu pai, também natural da Lorena, sempre ligado à França, emigrou após a guerra de 1870 para a terra natal de sua esposa, uma luxemburguesa. Francês de coração desde a infância, a escola bilíngue de Luxemburgo o apresentou e o educou na incomparável riqueza de uma cultura dupla, francesa e alemã. De uma guerra para outra, ele vivenciou a loucura dos conflitos criminosos, a espiral interminável de violência cega e vingança implacável. Agora que a Europa se tornou tragicamente um triste campo de escombros coberto de mortos, ele, um cristão exausto pelas dificuldades, acusado de indignidade por ter servido no governo de Pétain, do qual nunca participou de fato, foi desqualificado pela intervenção pessoal do General de Gaulle, reeleito membro do parlamento, ministro e depois primeiro-ministro, assina o Plano Marshall em 1948 e, como Ministro das Relações Exteriores, transforma o carvão e o aço, até então meios de morte, peças-chave na dissensão franco-alemã, em instrumentos pacíficos de reconciliação. É a famosa declaração do Quai d'Orsay: "A paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos tão grandes quanto os perigos que a ameaçam [...], todas as nações europeias exigem que a oposição franco-alemã secular seja eliminada." Uma utopia insensata para alguns, loucura para outros: hoje é um fato consumado, um benefício incomparável para as gerações futuras. Devemos isso a este político excepcional, um grande estadista e um grande cristão.

Testemunho de André Philip

Ouçamos André Philip, protestante, que foi deputado socialista e Ministro das Finanças e da Economia: "Conheci Robert Schuman durante quinze anos, no Parlamento, depois no governo e, por fim, no Movimento Europeu. O que me impressionou nele desde o início foi o brilho de sua vida interior. Deparei-me com um homem consagrado, sem desejos pessoais, sem ambição, de total sinceridade e humildade intelectual, que buscava apenas servir onde e quando se sentia chamado. Era conservador por tradição, hostil às novidades; pacífico, tímido e hesitante por temperamento. Muitas vezes procrastinava, adiava decisões, esperava enganar o chamado que se fazia sentir no fundo de sua consciência; então, quando não havia mais nada a fazer, quando tinha certeza do que sua voz interior lhe exigia, tomava abruptamente as decisões mais ousadas e as levava até o fim, insensível a críticas, ataques e ameaças."

Na atmosfera febril dos debates parlamentares, era reconfortante encontrar um homem sempre pronto ao diálogo, que buscava convencer, levando em conta as objeções, sempre com a mesma calma e inabalável cortesia. Para atingir seu objetivo, mesmo o mais importante, jamais recorria a meios vulgares, exagerava o peso de um argumento ou elevava a voz… Mas, acima de tudo, permanecerá na memória daqueles que o conheceram como o protótipo do verdadeiro democrata, imaginativo e criativo, combativo em sua gentileza, sempre respeitoso da humanidade, fiel a uma vocação íntima que dava sentido à vida.

René Lejeune, seu colaborador próximo, ao publicar este testemunho, acompanhou-o com o comentário: "O testemunho de André Philip é credível. O olhar que ele lança sobre ele vai além das aparências, captando a essência. Revela um 'homem consagrado', guiado por uma 'voz interior'. E que busca apenas 'servir'. Três palavras-chave na vida e nas ações desse político exemplar. Nos passos de Robert Schuman, de fato, a santidade da política se manifesta, não apenas pela habilidade e competência, mas também na consagração de um ser completamente entregue a Deus, de quem ele sabe ser instrumento. 2

A política, um caminho para a santidade

O caminho percorrido após esta iniciativa histórica, neste meio século, pela primeira vez, através da iniciativa decisiva de Robert Schuman, vê os irmãos inimigos reconciliados, França e Alemanha, tornarem-se o núcleo de um grupo de povos em paz, determinados a construir juntos o seu futuro comum. Robert Schuman, em meio à instabilidade política, consegue tomar uma decisão histórica que muda decisiva e irresistivelmente o rumo da política." A história, supera antagonismos seculares e constrói um futuro comum de prosperidade e paz. Ele, um cristão que entrou para a política, trilhou o caminho do compromisso político, que para os cristãos constitui um terreno privilegiado para exercer com seriedade e paixão a caridade dos discípulos de Cristo, a serviço do bem comum, no coração da cidade dos homens. Para Robert Schuman, esse caminho era o caminho para a santidade.

Notas:

1 Esta palestra toma seu título e conteúdo do belo livro que René Lejeune me deu, com dedicatória, na casa de Robert Schuman em Scy-Chazelles, em 1º de maio de 1993: Robert Schuman, uma Alma para a Europa , ed. Saint-Paul, 1986. Desejo expressar minha mais profunda gratidão a ele, e também por sua nova obra: Robert Schuman, Pai da Europa, 1886-1963 . Política, um Caminho para a Santidade , Fayard, 2000. Os textos de Robert Schuman são extraídos de sua coleção de Escritos Políticos. Para a Europa , 3ª edição, prefácio de Jacques Delors, ed. Nagel, Genebra, 2000.
Robert Schuman, Pai da Europa , op. cit., pp. 9-10.

Fonte: https://www.30giorni.it/

As renovações na Igreja humana-divina

Praça São Pedro (Vatican News)

"O Concílio começa logo falando da revelação pessoal e histórica de Deus que culmina em Jesus Cristo (DV, 2-4), como também da fé como resposta adequada à revelação sobrenatural (DV, 5), assegurando assim, desde o início, o caráter específico da revelação e da fé bíblico-cristãs; de outro lado, a ausência de um contexto apologético de defesa contra erros doutrinais permite ao Vaticano II oferecer-nos uma teologia mais expositiva do mistério e dos conteúdos da revelação sobrenatural.".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

"A Igreja é uma comunidade de homens e mulheres que partilham a alegria e o esforço de ser cristãos, com as suas qualidades e os seus defeitos, anunciando o Evangelho e tornando-se sinal da presença de Cristo que nos acompanha ao longo do caminho da vida. No entanto, este aspeto – que se manifesta inclusive na organização institucional – não é suficiente para descrever a verdadeira natureza da Igreja, dado que ela possui também uma dimensão divina. Esta última não consiste numa perfeição ideal, nem numa superioridade espiritual dos seus membros, mas na constatação de que a Igreja é gerada pelo desígnio de amor de Deus para a humanidade, realizado em Cristo. Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu".

Inspirado nas palavras de Leão XIV na catequese da Audiência Geral de 4 de março de 2026, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "As renovações na Igreja humana-divina": 

"Há uma comparativa do Concílio Vaticano I com o Concílio Vaticano II. As controvérsias e rupturas dos lefebvrianos justamente é porque não aceitam as renovações do Concílio Vaticano II. Da comparação dos dois textos - Vaticano I e Vaticano II - surgem algumas diferenças dignas de relevo.

Primeiramente, sobre a relação entre revelação sobrenatural e natural — O Vaticano I parte da revelação natural e da possibilidade do conhecimento de Deus (esse Concílio fala de conhecimento, não de demonstração) à luz da razão humana, para chegar depois à revelação sobrenatural. Ele defendia a primeira contra os que humilhavam a razão humana negando-lhe toda possibilidade de chegar, por via ascendente, ao conhecimento de Deus; defendia a segunda, contra os que concedendo à razão humana plena autonomia e plena suficiência, reduziam a revelação cristã à realidade puramente imanente ao homem.

A perspectiva do Vaticano II é de certa forma inversa. O Concílio começa logo falando da revelação pessoal e histórica de Deus que culmina em Jesus Cristo (DV, 2-4), como também da fé como resposta adequada à revelação sobrenatural (DV, 5), assegurando assim, desde o início, o caráter específico da revelação e da fé bíblico-cristãs; de outro lado, a ausência de um contexto apologético de defesa contra erros doutrinais permite ao Vaticano II oferecer-nos uma teologia mais expositiva do mistério e dos conteúdos da revelação sobrenatural. Somente no fim do capítulo I, na Constituição dogmática Dei Verbum, número 6, recupera-se o dado do Vaticano I sobre a revelação natural e sobre a possibilidade que o homem tem de conhecer a Deus, uma recuperação indubitavelmente importante.

O Papa Leão XIV, dedicando suas catequeses nas Audiências Gerais de quartas feiras, está adentrando nos documentos fundamentais do Concilio Vaticano II. Falou-nos por um período da Dei Verbum. Na Praça de São Pedro, na quarta-feira, 4 de março de 2026, aprofunda a Lumen Gentium, a Constituição que fala da identidade da Igreja. Pela primeira vez a Igreja se debruçou num Concílio sobre sua própria realidade. Papa Leão falou sobre “A Igreja, realidade visível e espiritual”.

O Papa discursa assim: “No primeiro capítulo, onde se tenciona responder sobretudo à pergunta sobre o que é a Igreja, ela é descrita como «uma realidade complexa» (LG, n. 8). Agora perguntemo-nos: em que consiste tal complexidade? Alguém poderia responder que a Igreja é complexa porque “complicada” e, portanto, difícil de explicar; outros poderiam pensar que a sua complexidade deriva da constatação de ser uma instituição com dois mil anos de história, com caraterísticas diferentes em relação a qualquer outra agregação social ou religiosa. Mas na língua latina a palavra “complexa” indica sobretudo a união ordenada de diferentes aspetos ou dimensões, no seio de uma única realidade. Por isso, a Lumen Gentium pode afirmar que a Igreja é um organismo bem articulado, no qual coexistem a dimensão humana e a dimensão divina, sem separação nem confusão”. De fato, a Igreja não é simplesmente um clube, uma ONG, uma associação humana, uma obra de cunho social desvinculada do divino. A Igreja é uma realidade humana-divina.

Segundo o Sumo Pontífice, a dimensão humana e a dimensão divina integram-se harmoniosamente, sem que uma se sobreponha à outra; assim, a Igreja vive neste paradoxo: é uma realidade humana e ao mesmo tempo divina que acolhe o homem pecador, conduzindo-o a Deus.  Conclui o Papa Leão assim: “Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771)”".

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html

"Terra, vocês são uma tripulação", diz astronauta da Artemis II

Da esquerda para a direita: os astronautas Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, durante a cerimônia de boas-vindas, em Houston (Texas) - (crédito: Ronaldo Schemidt/AFP)

"Terra, vocês são uma tripulação", diz astronauta da Artemis II

Os quatro tripulantes da missão Artemis II falam pela primeira vez sobre a jornada, depois de nove dias no espaço. Primeira mulher a participar de uma viagem ao satélite natural, Cristina Koch interrompeu o discurso para segurar o choro.

Por Rodrigo Craveiro

postado em 12/04/2026 05:50

Às 15h48 deste sábado (11/4) pelo horário local (17h48 em Brasília) e menos de 24 horas após o retorno à Terra, os quatro tripulantes da missão Artemis II foram recebidos com aplausos, e de pé, pela plateia — formada por familiares, políticos e executivos da indústria aeroespacial — reunida no Centro Espacial Jonhnson da Nasa (agência espacial dos EUA), em Houston (Texas). Vestidos com macacão azul e usando boné, o comandante Reid Wiseman; a especialista de missão Christina Koch; o astronauta canadense e especialista de missão Jeremy Hansen; e o piloto Victor Glover estavam emocionados. Ainda tentavam processar a façanha nos últimos 9 dias, 1 hora e 32 minutos, quando fizeram um sobrevoo na Lua. Foi a primeira viagem ao satélite natural da Terra desde 1972. Os quatro astronautas quebraram o recorde de maior distância percorrida no espaço: 406.773km.

"Victor, Christina e Jeremy, nós estamos ligados para todo o sempre. Ninguém aqui embaixo vai saber o que passamos. Foi a coisa mais especial de toda a minha vida", declarou Wiseman. "Antes do lançamento, parece que é o maior sonho do mundo. E quando você está lá fora, tudo o que você quer é voltar para sua família e seus amigos. Ser humano é algo especial, e estar no planeta Terra é algo especial", acrescentou o astronauta. Na sexta-feira, a cápsula Órion pousou no Oceano Pacífico, perto da costa de San Diego (Califórnia), depois de enfrentar temperaturas de quase 3.800 graus Celsius, a uma velocidade de 39.693km/h, durante a entrada na atmosfera.

Victor Glover disse não ter processado o que ele e os três colegas tinham acabado de fazer. "Quando isso começou, em 3 de abril, eu quis agradecer a Deus em público, e quero agradecer a Deus novamente. A gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava, é grande demais para caber em um só corpo", reconheceu. Christina Koch precisou interromper sua fala por cerca de 10 segundos para segurar o choro. Foi abraçada pelos outros três tripulantes da sonda Orion. "Quando vimos a Terra, minúscula, (...) o que me arrebatou foi toda a escuridão em torno dela. A Terra é um bote salva-vidas pendurado inabalavelmente no Universo", descreveu, ao parar o discurso momentaneamente. "Tudo nessa jornada tem a me ensinar. Mas, há uma coisa que eu sei. Planeta Terra, vocês são uma tripulação", concluiu Cristina, de forma pausada, como se quisesse destacar cada palavra. 

Jeremy Hansen parecia emocionado com o discurso da colega. "Quando você vê um grupo que se ama e dá uma contribuição significativa, e extrai alegria disso, isso é algo especial a testemunhar", declarou. "Nós ouvimos muito falarem sobre a ciência e sobre as coisas que aprendemos. Mas, a experiência humana é extraordinária para nós", lembrou, ao ressaltar a "coragem" e a "bravura" da tripulação.

Ex-astronauta da Nasa, Clayton C. Anderson esteve em duas expedições à Estação Espacial Internacional — em 2007, permaneceu 152 dias a bordo. "A missão Artemis II foi um imenso sucesso para toda a humanidade! Os testes bem-sucedidos de todos os sistemas da espaçonave nos prepararam para a Artemis 3 e a Artemis 4 nos próximos anos. Provamos que temos conhecimento e tecnologia para retornar em segurança à Lua. Agora, estamos nos preparando para construir uma base lunar", afirmou ao Correio, por e-mail.

Segundo Anderson, a Lua é um "trampolim". "É um lugar próximo da Terra (três dias de viagem), onde podemos testar as tecnologias e construir a infraestrutura necessária para extrair água e gelo das crateras lunares. Todo esse conhecimento adquirido nos ajudará a planejar o envio seguro de humanos a Marte para atingir objetivos semelhantes", explicou. 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

domingo, 12 de abril de 2026

Foco na História: as grandes civilizações africanas. História da África Portuguesa - Angola

Foco na História: as grandes civilizações africanas (Vatican News)

Localizada na costa ocidental da África, Angola conta com uma rica e diversificada história que remonta aos tempos antigos. Sua história é marcada por períodos de colonização, em que fez parte do Império Colonial Português, conflitos internos e lutas pela independência, seguidos por anos de instabilidade política e guerra civil.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Desde o texto da semana passada, onde fizemos uma introdução geral, começamos a estudar a África Portuguesa, formada pelos países marcados pela língua, por elementos culturais e religiosos advindos dessa metrópole europeia que, apesar de sua pequena dimensão conseguiu consolidar um vasto império colonial a partir dos séculos XV e XVI.

Como bem sabemos, o atual território africano foi retalhado numa série de colônias propriedade de várias nações europeias, e o país lusitano foi aquele que consolidou um dos maiores impérios.

O nome Angola deriva da palavra banto n’gola, título utilizado pelos reis do antigo Reino de Ndongo, no século XVI, localizado na atual região do país. Os portugueses adaptaram o título do monarca, como o "Angola Kiluange", para "Angola" ao se referirem às terras de Ndongo. Ngola era um termo banto que significa "força" ou "rei/poderoso" na língua quimbundo.

Da ocupação à colonização portuguesa

Localizada na costa ocidental da África, Angola conta com uma rica e diversificada história que remonta aos tempos antigos. Sua história é marcada por períodos de colonização, em que fez parte do Império Colonial Português, conflitos internos e lutas pela independência, seguidos por anos de instabilidade política e guerra civil.

Os primeiros habitantes conhecidos da região eram os San, grupo de caçadores-coletores que deixaram evidências de sua presença na forma de pinturas rupestres em várias partes do país. Esses grupos foram posteriormente deslocados pelos povos bantos, que chegaram à região por volta do século III a.C. formando diversos reinos ao longo da costa e no interior.

Durante a Idade Média europeia, o Reino do Congo se tornou uma importante potência na região, formando um dos grandes reinos africanos, estendendo-se seu domínio numa grande parte do que é hoje Angola, bem como em partes da atual  República Democrática do Congo e Gabão. O comércio de marfim e escravos era importante para a economia do reino e a religião cristã foi introduzida pelos missionários portugueses no final do século XV.

Em 1482, o navegador português Diogo Cão chegou à foz do rio Congo, marcando o início do contato português com os povos da região. Em 1575, os portugueses fundaram a cidade de Luanda, que se tornou a capital da colônia de Angola. Durante o período colonial, os portugueses estabeleceram plantações de café, algodão e sisal, bem como exploraram  minas de diamantes e cobre.

Durante o século XIX, Angola tristemente se tornou um importante centro de comércio de escravos, com milhares de pessoas sendo capturadas e levadas para trabalhar nas plantações das Américas. A abolição da escravatura em 1865, teve um impacto significativo na economia de Angola, levando à mudança para o comércio de matérias-primas.

Na década de 1950, surgiram os primeiros movimentos nacionalistas em Angola, com o objetivo de conquistar a independência em relação a Portugal. O Movimento Popular de Libertação de Angola (conhecido pela sigla MPLA) foi fundado em 1956, seguido pelo Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) em 1961 e pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em 1966.

A luta pela independência se intensificou durante a década de 1960, com os movimentos nacionalistas lutando contra as forças portuguesas. A guerra se estendeu até a década de 1970, quando a Revolução dos Cravos em Portugal levou à retirada das forças portuguesas de Angola. Em novembro de 1975, o MPLA, que contava com o apoio da União Soviética e Cuba declarou a independência de Angola.

A independência não trouxe a desejada paz para Angola. A luta pelo poder entre o MPLA e a UNITA provocou uma guerra civil que durou quase 30 anos. Ainda hoje existem milhões de minas terrestres plantadas em diversas regiões do pais e essa continuam fazendo suas vítimas.

Angola hoje

O português é a língua oficial de Angola e 60% dos moradores declararam ser sua língua materna, embora estimativas indiquem que 70% da população fale uma das línguas nativas como primeira ou segunda língua. Além do português, Angola abriga cerca de onze grupos linguísticos principais, que podem ser subdivididos em cerca de noventa dialetos.

Alguns dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade são angolanos. Sua literatura costuma representar com realismo a dor e o preconceito sofridos pelo povo do país. Entre os principais nomes da literatura angolana estão José Luandino Vieira, José Eduardo Agualusa e Pepetela.

O cenário de Angola hoje é marcada por um contexto socioeconómico desafiador, caracterizado por elevada pobreza, desigualdade e insegurança alimentar, afetando grande parte da população. Apesar de ser um país rico em recursos como petróleo e diamantes, os desafios incluem a necessidade de muitas melhorias na saúde, educação e infraestrutura, além do combate à corrupção. Apesar dos esforços de reconstrução, a infraestrutura ainda enfrenta dificuldades em todo o país.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Como tomar decisões na vida profissional?

Shutterstock I William Potter

Pierre D’Elbée - publicado em 10/04/26

Num mundo que busca controlar tudo, mas onde o futuro é cada vez mais incerto, o conhecimento bruto não oferece as chaves para uma boa decisão. Na incerteza, explica o consultor de empresas Pierre d’Elbée, um bom tomador de decisões compromete-se com todos os recursos de sua pessoa.

Para qual futuro da vida profissional estamos caminhando? Não é fácil responder a essa pergunta, tamanha foi a transformação da paisagem nos últimos anos. A irrupção da Inteligência Artificial (IA) desperta o medo da substituição de muitas competências a curto ou médio prazo. Se os efeitos econômicos dos conflitos globais já são visíveis, qual será sua duração e impacto real? O clima social, cada vez mais tenso, como irá evoluir? Como desenvolver um pensamento sólido diante do fluxo de informações que nos inunda diariamente?

A consequência desta incerteza crescente não é apenas prática, mas existencial. A IA parece questionar nossa contribuição ao mundo, agindo de forma mais rápida e melhor do que nós em atividades intelectuais e criativas antes reservadas aos seres humanos. Daí surge uma sensação de desestabilização profunda: que contribuição ainda podemos trazer ao nosso planeta? Estaremos condenados a nos tornar espectadores de um mundo que já não precisa de nossas habilidades? Eis-nos diante de uma incerteza global, persistente e difícil de analisar.

Renunciar ao conhecimento total

Diz-se que Leibniz foi o último "espírito universal" capaz de dominar todo o conhecimento de seu tempo. Depois dele, o sonho de um saber enciclopédico nunca mais esteve acessível... até a chegada da IA, que hoje coloca ao alcance das mãos um reservatório imenso de conhecimento em todos os registros.

Montaigne já defendia uma "cabeça bem feita" em vez de uma "cabeça bem cheia": integrar a sabedoria ao conhecimento, o sentido à erudição. Para ele, um julgamento iluminado prevalece sobre o conhecimento acumulado; isso pressupõe pensamento crítico e discernimento para separar o essencial do acessório. A última palavra do saber não seria, portanto, o conhecimento bruto, mas a precisão com a qual entendemos o mundo e agimos sobre ele.

Simplificar a vida profissional

Segundo Paul Valéry: "Tudo o que é simples é falso; mas tudo o que não o é, é inutilizável". É necessário, então, encontrar o equilíbrio certo entre a simplicidade que trai a realidade e a complexidade que paralisa a ação. Em um mundo incerto, o perigo não está em simplificar, mas em esquecer que simplificamos: devemos ter em mente que a realidade é muito mais complexa do que percebemos.

Associar a nuance à simplificação é dar prova de sabedoria. O "bom senso" não é uma simplificação ingênua de uma situação complexa, mas uma forma de discernimento encarnado.

Sentir

Em uma situação de incerteza, deve-se apelar a todos os recursos do seu íntimo para avançar apesar da imprecisão. Para aqueles que eram chamados a tomar decisões difíceis em tempo real, o General Colin Powell dava este conselho:

"Use a fórmula P = 40 a 70. P é a probabilidade de sucesso. Quando a porcentagem de informações obtidas atingir entre 40% e 70%, vá em frente com coragem!"

Se essa fórmula visa mobilizar energia e paixão, podemos aplicá-la também à intuição — ao nosso conhecimento difuso e às "pequenas percepções" que captam sinais fracos em situações complexas. Na incerteza, a decisão torna-se melhor quando associa o julgamento objetivo a um sentimento subjetivo. O compromisso que alguém assume ao sustentar uma decisão aumenta as chances de sucesso, mesmo que ela não seja "objetivamente" a melhor opção inicial.

Aristóteles nos dizia...

...que a prudência diz respeito ao que "pode ser de outra forma", ou seja, às situações mutáveis, pouco previsíveis e novas. Neste contexto, o phronimos — o homem prudente — é capaz de deliberar e decidir sem a garantia de um modelo pronto. Na ausência de certeza, ele busca a precisão.

O homem prudente hoje é aquele que visa um equilíbrio praticável, discernindo o que importa aqui e agora, ajustando sua ação à realidade em tempo real. Ele não substitui seu julgamento por um algoritmo. Sua habilidade decisiva não é buscar um saber exaustivo, mas sim a qualidade do julgar. Num mundo incerto, esta é uma virtude a ser redescoberta.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa: a fé deve ser alimentada com a Eucaristia todos os domingos, em comunidade

Regina Caeli, 12/04/2026 - Papa Leão XIV (Vatican News)

A exemplo de Tomé, que encontrou Jesus Ressuscitado oito dias após a Páscoa com a comunidade reunida, Leão XIV disse que "nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós". Por isso a Igreja convida a fazer como os primeiros discípulos, reunindo-se para a Eucaristia dominical, "indispensável para a vida cristã": "é através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado'", tanto nos sinais dos sacrifícios, como naqueles de gesto de caridade.

Andressa Collet - Vatican News

Em véspera de viagem apostólica à África e após a Vigília de Oração pela Paz na Basílica Vaticana, o Papa Leão XIV recordou aos 18 mil fiéis presentes na Praça São Pedro para a oração mariana do Regina Caeli deste domingo (12/04), o segundo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia, que "a fé precisa ser alimentada e sustentada". A reflexão veio através do Evangelho, quando João narra a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé, oito dias após a Páscoa, enquanto a comunidade está reunida. O encontro de Tomé com Cristo, que "o convida a olhar para os sinais dos pregos, a colocar a mão na ferida", também é nosso quando temos dificuldades em acreditar: "onde encontrá-lo? Como reconhecê-lo? Como acreditar?". A resposta é: diante de todos, "com a comunidade reunida, e reconhece-o pelos sinais do seu sacrifício":

"É claro que nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós. A fé precisa ser alimentada e sustentada. Por isso, no 'oitavo dia', isto é, todos os domingos, a Igreja convida-nos a fazer como os primeiros discípulos: a nos reunirmos e a celebrarmos juntos a Eucaristia. Nela, ouvimos as palavras de Jesus, rezamos, professamos a nossa fé, partilhamos os dons de Deus na caridade, oferecemos a nossa vida em união com o Sacrifício de Cristo, alimentamo-nos do seu Corpo e do seu Sangue, para depois sermos, por nossa vez, testemunhas da sua Ressurreição, como indica o termo 'Missa', isto é, 'envio', 'missão'."

Leia a íntegra da reflexão do Papa Leão XIV

"A Eucaristia dominical é indispensável para a vida cristã", reforça o Papa que, nesta segunda-feira (13/04), parte para a viagem apostólica à África, onde alguns mártires da Igreja local dos primeiros séculos "nos deixaram um belíssimo testemunho": diante da oferta de terem a vida poupada, contou o Pontífice, "desde que renunciassem à celebração da Eucaristia, responderam que não podiam viver sem celebrar o Dia do Senhor. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce":

“É através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado' – testemunhas da sua presença, da sua misericórdia, da sua paz – nos sinais do trabalho, dos sacrifícios, da doença, do passar dos anos, que frequentemente nelas ficam gravados, tal como na ternura de uma carícia, de um aperto de mão, de um gesto de caridade. Queridos irmãos e irmãs, num mundo que tanto necessita de paz, isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado, para daí partirmos como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação. Que nos ajude a fazê-lo a Virgem Maria, bem-aventurada porque foi a primeira que acreditou sem ver.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sábado, 11 de abril de 2026

LEITURAS: "Mulher, não chore"

As mulheres veem, escutam e anunciam (Igreja Nossa Senhora da Glória)

LEITURAS

retirado do nº 05 – 2002, Revista 30Duas.

"Mulher, não chore"

Anotações do discurso de encerramento de Luigi Giussani nos Exercícios Espirituais da Fraternidade de Comunhão e Libertação. Rimini, 5 de maio de 2002.

Por Luigi Giussani

Naquela noite, Jesus foi interrompido, parado em sua jornada para a aldeia para onde estava destinado, para onde fora destinado, por causa do choro lancinante de uma mulher, um grito de dor que atingiu o coração de todos os presentes, mas que atingiu, que atingiu, antes de tudo, o coração de Cristo.

"Mulher, não chore!" Nunca visto, nunca ouvido antes.

"Mulher, não chore!" Que apoio poderia ter aquela mulher que ouvia as palavras de Jesus?

"Mulher, não chore!" quando você volta para casa, quando anda de bonde, quando embarca no trem, quando vê a fila de carros nas ruas, quando pensa em toda a confusão de coisas que afetam a vida de milhões e milhões de pessoas, centenas de milhões de pessoas... Quão decisivo é o olhar que uma criança ou um grande "grande" teria lançado àquele homem, que liderava um pequeno grupo de amigos e nunca tinha visto aquela mulher, mas parou quando o som, a reverberação de seu choro o alcançou! "Mulher, não chore!" Como se ninguém a conhecesse, como se ninguém a reconhecesse com mais intensidade, mais plenamente, mais decisivamente do que Ele!

"Mulher, não chore!" Quando vemos — como eu disse antes — todo o movimento do mundo, em cujo rio, em cujas correntes todos os homens se fazem presentes à vida, fazem a vida presente a si mesmos, o desconhecido do fim nada mais é do que o desconhecido de como chegamos a essa novidade, essa novidade que nos faz encontrar um homem, nos faz deparar com um homem que nunca vimos antes, que, diante da dor da mulher que vê pela primeira vez, diz a ela: "Mulher, não chore!" "Mulher, não chore!"

"Mulher, não chore!" Este é o coração com o qual nos colocamos diante do olhar e diante da tristeza, diante da dor de todas as pessoas com quem entramos em contato, na estrada ou na jornada, em nossas jornadas.

"Mulher, não chore!" Como é inimaginável que Deus — "Deus", Aquele que cria o mundo inteiro neste instante — vendo e ouvindo o homem, possa dizer: "Homem, não chore!", "Você, não chore!", "Não chore, pois não é pela morte, mas pela vida que eu criei para você! Eu o trouxe ao mundo e o coloquei em uma grande companhia de pessoas!"

Homem, mulher, menino, menina, você, todos vocês, não chorem! Não chorem! Há um olhar e um coração que penetram até a medula dos seus ossos e amam vocês até o seu destino, um olhar e um coração que ninguém pode enganar, ninguém pode tornar incapaz de dizer o que pensa e o que sente, ninguém pode tornar impotente!

"Gloria Dei vivens homo." A glória de Deus, a grandeza Daquele que faz as estrelas do céu, que derrama no mar gota a gota todo o azul que o define, é o homem que vive.

Nada pode suspender essa onda imediata de amor, apego, estima e esperança. Porque se tornou esperança para todos que O viram, que ouviram: "Mulher, não chore!", que ouviram Jesus dizer: "Mulher, não chore!".

Nada pode deter a certeza de um destino misterioso e bom!

Permanecemos unidos, dizendo: "Você, eu nunca te vi, não sei quem você é: não chore!" Porque chorar é o seu destino, parece ser o seu destino inevitável: "Homem, não chore!"

"Gloria Dei vivens homo": a glória de Deus — aquilo pelo qual Ele sustenta o mundo, o universo — é o homem vivo, todo homem vivo: o homem vivo, a mulher que chora, a mulher que sorri, a criança, a mulher que morre como mãe.

"Gloria Dei vivens homo." Queremos isso e nada mais: que a glória de Deus seja revelada ao mundo inteiro e toque todas as esferas da terra: as folhas, todas as folhas das flores e todos os corações dos homens.

Nunca nos encontramos, mas é isto que vemos um no outro, o que sentimos um pelo outro.
Tchau!

Fonte: https://www.30giorni.it/articoli_id_269_l1.htm

Papa na África: "que os católicos sejam protagonistas da mudança", afirma Parolin

Cardeal Pietro Parolin (Vatican Media)

Leão XIV viaja para a África para estar próximo daqueles que vivem nas periferias existenciais, levando a esperança de Cristo. É o que reitera o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, em vista da terceira viagem apostólica do Papa, que terá início nesta segunda-feira, 13 de abril.

Massimiliano Menichetti

Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial aguardam a chegada de Leão XIV, que estará na África de 13 a 23 de abril. Durante a primeira etapa da viagem, o Pontífice também se dirigirá a Annaba, a antiga Hipona, “não um gesto puramente comemorativo — sublinha o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin — mas um ato de profunda coerência identitária e, sobretudo, espiritual". Nos quatro países, os últimos preparativos estão a todo vapor, enquanto grande é a expectativa pelas palavras que o Papa desejará compartilhar e que, como destacou o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, no encontro com os jornalistas para apresentar a terceira viagem apostólica, versarão, entre outros, sobre os temas da paz, do diálogo, da cura da criação, das migrações e da família. Em relação às lógicas predatórias que muitas vezes marcam o continente africano, favorecendo a pobreza, a corrupção e a violência, o cardeal Parolin espera que os católicos sejam construtores de justiça, paz e solidariedade. 

Cardeal Parolin, o Papa estará na África de 13 a 23 de abril, confirmando na fé as comunidades católicas. Ele visitará quatro países com uma agenda muito intensa, entre encontros institucionais, com as realidades locais e celebrações. Qual é o traço comum que une um itinerário tão diversificado? 

O fio condutor desta Viagem Apostólica reside na decisão do Santo Padre de levar a presença da Igreja até onde o sofrimento humano é mais intenso. Quatro países distintos em termos de história, contexto social e desafios políticos, mas unidos por uma realidade de fundo marcada por luzes e sombras: comunidades católicas vivas e arraigadas, mas também pobreza, fragilidade, desigualdades e tensões não resolvidas. O Papa Leão XIV vai à África para estar próximo daqueles que vivem nas periferias existenciais.

O primeiro país é a Argélia. Leão XIV visitará também a Grande Mesquita em Argel e, em Annaba, a antiga Hipona, celebrará a Santa Missa. Que significado tem para um Papa, filho de Santo Agostinho, este retorno aos lugares do Santo de Hipona, e quanto isso pode influenciar o diálogo islâmico-cristão em um país de maioria muçulmana?

Como filho espiritual de Santo Agostinho e primeiro Papa pertencente à Ordem Agostiniana, ir a Annaba não é um gesto puramente comemorativo, mas um ato de profunda coerência identitária e, sobretudo, espiritual. O Papa Leão conhece esta terra e a visitou várias vezes como Prior Geral da Ordem. Santo Agostinho representa, neste contexto, um elemento de diálogo: ele constitui um ponto de encontro natural entre a tradição cristã e o mundo islâmico. A visita à Grande Mesquita de Argel insere-se plenamente nessa perspectiva, como uma continuação natural do caminho de diálogo inter-religioso já iniciado na Turquia e no Líbano; um diálogo que o Santo Padre pretende prosseguir com paciência e determinação.

Em Camarões, o Papa visitará três cidades: Yaoundé, Bamenda e Douala, com momentos marcantes como o encontro pela paz em Bamenda e a visita a um orfanato. À luz das tensões presentes em algumas regiões do país, que papel esta visita pode desempenhar na promoção da reconciliação e da paz entre as comunidades? 

Há alguns anos, está em curso nas regiões anglófonas dos Camarões uma crise que causou muitas vítimas. Os habitantes de Bamenda estão vivendo essa experiência. Portanto, no contexto da deterioração da situação de segurança e humanitária, a visita do Sucessor de Pedro demonstra a atenção e o cuidado que o Pastor universal da Igreja nutre por seu rebanho, esforçando-se por conhecer de perto suas dificuldades e caminhando ao seu lado. A parada em Bamenda é a de um pastor que se identifica com seu rebanho. De maneira mais geral, o Santo Padre visita o país como portador de esperança, sobretudo para os jovens, de reconciliação e de paz. Sua mensagem é um convite ao diálogo e ao respeito mútuo. 

A terceira etapa será Angola, onde o Papa visitará, além da capital Luanda, também locais simbólicos como Muxima e Saurimo, encontrando-se com comunidades eclesiais e realidades locais. Qual é a mensagem que o Papa pretende levar a um país marcado por grandes recursos, mas também por fortes desigualdades sociais?  

Os três locais que o Santo Padre visitará em Angola, de certa forma, simbolizam os desafios e as esperanças que o país vive atualmente. Luanda e Saurimo representam as riquezas do país. Atualmente, a capital é um oásis de bem-estar que atrai investimentos estrangeiros e imigração das zonas rurais. Saurimo é um centro conhecido pelas atividades mineradoras, sobretudo de diamantes. Embora a exploração dos recursos naturais tenha trazido prosperidade, não se podem ignorar algumas de suas consequências negativas, como a exploração dos trabalhadores, o agravamento da desigualdade socioeconômica e o impacto ambiental. Além disso, a visita ao santuário mariano de Muxima representa a vitalidade da fé que ajudou o povo angolano a superar os diversos acontecimentos tristes de sua história. Gostaria de acrescentar que eu mesmo pude experimentar a vivacidade da Igreja local quando fui à consagração episcopal de dom Germano Penemote, primeiro núncio apostólico de origem angolana. 

O último país será a Guiné Equatorial, onde a viagem será concluída entre Malabo, Mongomo e Bata, com encontros com jovens, famílias, o mundo da cultura e também com detentos. Que significado tem essa atenção especial aos jovens e às famílias em um país onde a Igreja tem uma presença muito arraigada na sociedade?  

A Guiné Equatorial está entre os países mais católicos da África, com 80% da população professando a fé católica. Seguindo os passos de São João Paulo II, que visitou o país em 1982, esta visita insere-se no contexto do aniversário de 170 anos do início da evangelização (1855-2025) do país, com o lema “Cristo, luz da Guiné Equatorial, rumo a um futuro de esperança”.  Com esta Viagem Apostólica, o povo da Guiné Equatorial faz memória do passado com confiança em um caminho de fé e esperança rumo ao futuro. A visita do Papa e seus encontros, sobretudo com os jovens e as famílias, reavivam a chama de sua fé, encorajando-os a cultivar e perseverar nos valores cristãos. É um convite amoroso e paterno à reconciliação, à justiça e à perseverança na fé, bem como um desejo de impacto positivo na sociedade

Eminência, qual é a importância desta viagem à África também no plano diplomático?

Cada viagem apostólica tem, de fato, um caráter diplomático, pois representa uma oportunidade para consolidar as relações bilaterais entre a Santa Sé e os países visitados pelo Papa, que assim tem a oportunidade de se reunir com as autoridades e discutir questões de interesse comum, de caráter nacional, regional e internacional. Na África, isso assume um significado particular, pois o continente é marcado por enormes potencialidades, mas também por grandes desafios. Como é sabido, a diplomacia pontifícia tem objetivos claros: proteger as liberdades fundamentais, em particular a liberdade religiosa, promover a paz, favorecer o diálogo, inclusive inter-religioso, defender a dignidade de cada pessoa humana e incentivar o desenvolvimento integral das populações. Nessa perspectiva, cada etapa da próxima Viagem Apostólica, que abrange o Magrebe e a África Subsaariana, torna-se uma ocasião para reafirmar o compromisso da Igreja, ao lado das instituições civis e religiosas, em favor da convivência pacífica entre diferentes credos e etnias, da justiça social, da luta contra a pobreza e da tutela da dignidade humana.  Em última análise, em apoio a uma África mais justa, pacífica e solidária.

Frequentemente, a África é vítima de dinâmicas predatórias e, muitas vezes, é marcada pela pobreza, pela corrupção e pela violência. Como romper esses ciclos viciosos e qual é a importância do papel dos católicos nesses processos?

A África é um continente rico em recursos humanos, culturais e naturais, mas, com demasiada frequência, sujeito a dinâmicas que travam o seu desenvolvimento: pobreza, corrupção, violência e lógicas de exploração que provêm também do exterior e que empobrecem populações já frágeis. Romper esses mecanismos exige empenho e perseverança. A Igreja Católica está presente na África por meio de escolas, hospitais, centros de acolhimento e obras de caridade, que muitas vezes constituem uma resposta concreta às necessidades fundamentais das pessoas. Mas a resposta da Igreja não se esgota na ação caritativa: ela passa pela formação das consciências, pela educação dos jovens nos valores da dignidade, da justiça e da solidariedade. É aqui que os fiéis católicos são chamados a desempenhar um papel decisivo, não como meros beneficiários de uma mensagem, mas como protagonistas ativos da mudança em suas vidas, nas diversas comunidades e nas instituições.

Qual é o seu desejo para esta visita apostólica, numa terra que o senhor também tanto ama?

O desejo é que esta Viagem Apostólica deixe uma marca profunda em três dimensões intimamente ligadas: a paz, o diálogo e o crescimento da Igreja local. Paz, antes de tudo, em países que ainda carregam as cicatrizes de conflitos e divisões, e onde a presença do Santo Padre pode fazer brotar um sentimento de reconciliação. Diálogo, onde o encontro com as autoridades civis e com os representantes de outras tradições religiosas pode abrir novos espaços de compreensão mútua. Por fim, o crescimento das Igrejas locais, muitas vezes pequenas, às vezes isoladas, mas sempre generosas. A África é um continente jovem, rico em fé e vitalidade, e a visita do Santo Padre é um ato de confiança em seu futuro. Um futuro que a Igreja pretende continuar a acompanhar com dedicação e esperança.  

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Era Sábado Santo

Sábado Santo (Paróquia São Luís - Faro

ERA SÁBADO SANTO

09/04/2026

Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)

Aquele dia estranho da liturgia em que a Igreja não celebra nem canta, em que tudo parece em suspenso entre a dor já vivida e a esperança ainda não manifestada. É o dia do silêncio de Deus… e, talvez por isso mesmo, o dia em que Ele mais fala. 

Foi nesse clima que, em um momento simples de partilha, um místico me confiou algo muito íntimo por meio de um texto. Não era um discurso elaborado nem uma reflexão teológica. Era, antes, uma confissão, daquelas que nascem quando o coração já não consegue guardar o que sente. 

Falava do Amor, naturalmente de Deus, pois, como nos recorda a Primeira Carta de São João, “Deus é amor”. Mas não um amor abstrato ou distante. Era um amor vivido como relação pessoal, próxima, quase tangível, dito na linguagem de quem ama, com entrega, ternura e delicadeza. 

Ao ler, algo em mim se calou, não por falta do que dizer, mas por excesso de sentido. 

Meu primeiro impulso foi responder, comentar, elogiar, talvez até interpretar. Mas me contive. Percebi que estava diante de algo que não se comenta, contempla-se. Era preciso cobrir o rosto, tirar as sandálias da pressa e da tagarelice e deixar que o mistério falasse por si. Fiz daquele texto a minha oração. 

Ele não veio como resposta, mas como revelação. Como se, no íntimo do coração, algo tivesse sido semeado no escuro e, sem alarde, começasse a florescer em direção à luz. Aproxima-se do mistério da Quinta-feira, quando se reconhece o Amor que se inclina. 

E, enquanto lia, fui sendo conduzido, quase sem perceber, à escola dos grandes místicos. Pensei em Santa Teresa de Ávila, com sua linguagem tão humana e profundamente divina. Ela falava com Deus como quem fala a um amigo e até lhe dirigia certas queixas. Recordei o episódio em que, diante das dificuldades, Teresa diz: “Se é assim que tratais os Vossos amigos…”. E, ao ouvir que Deus assim trata os que ama, responde: “Ah, Senhor, então é por isso que tendes tão poucos amigos!” 

Há nisso uma verdade profunda: o Amor não nos poupa da travessia; ao contrário, introduz-nos nela. Não nos isenta da cruz; antes, configura-nos a Cristo. Amar é entrar num caminho que passa pela Quinta-feira do serviço, pela Sexta-feira da dor e da doação e pelo Sábado do silêncio. Era exatamente isso que se revelava na leitura: um amor que se inclina e se doa, mesmo quando não compreende tudo; que carrega marcas, atravessando desertos interiores, silêncios densos e feridas que doem; e, sobretudo, um amor que sabe esperar, como no Sábado Santo, tempo em que nada parece acontecer, mas tudo está sendo gestado em profundidade. 

O mais impressionante é que não havia desespero. Havia silêncio, serenidade e permanência. E isso é profundamente místico! O verdadeiro amor não depende das consolações para existir. Permanece mesmo quando não sente, não vê, não compreende. Permanece porque encontrou, no fundo de si, uma presença que não passa. 

E, então, quase sem ruído, como na madrugada da Páscoa, surge a luz. Não como espetáculo, mas como claridade mansa; não como ruptura violenta, mas como aurora que se impõe suavemente sobre a noite. Assim terminava aquele texto, não com uma explicação, mas com uma presença. Uma alegria serena, discreta e real, como quem atravessou a noite e descobriu que a vida venceu. 

Depois de ler e reler, permaneci em silêncio. Decidi acolhê-lo não apenas como texto, mas como oração. Há palavras que não são meras palavras, mas lugares onde Deus passa, onde o coração se reconhece, onde o mistério se deixa tocar sem se explicar. 

Saí com uma convicção: textos assim não deveriam permanecer escondidos, não por vaidade de quem os escreve, mas por necessidade de quem os encontra. Eles são memória viva de que Deus continua falando e continua amando de forma surpreendentemente humana. 

Talvez esse seja o maior sinal da experiência mística: quando o amor a Deus se torna tão concreto, tão próximo e tão verdadeiro que começa a falar a linguagem do coração. Sem ruído, como no Sábado Santo, mas pleno de eternidade. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Leão XIV na África, peregrino no grande continente entre "diferentes povos e mundos"

Papa Leão XIV durante viagem apostólica ao Líbano  (@Vatican Media)

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, apresentou aos jornalistas a longa viagem apostólica que o Papa fará de 13 a 23 de abril, no Continente Africano, passando pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial: um itinerário caracterizado pela riqueza e diversidade de histórias, culturas e tradições. O Pontífice falará em quatro línguas e abordará temas como paz, meio ambiente, migração, família, juventude e colonialismo. Não estão previstas medidas especiais de segurança.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Primeiro, a Argélia, depois três países que não veem um Papa há trinta anos: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Leão XIV prepara-se para a sua viagem mais longa, à África, de 13 a 23 de abril: quatro países, onze dias e uma dezena de cidades, onde falará em inglês, francês, português e espanhol. Na sua terceira viagem apostólica, depois da Turquia, do Líbano e do Principado do Mônaco, o Pontífice estadunidense irá mergulhar num mundo multifacetado de línguas, culturas, histórias e tradições diversas, explorando as realidades complexas, feridas pela violência, pelo fundamentalismo e pela tragédia da migração, mas marcadas pelo entusiasmo das novas gerações, pelo papel de liderança das religiões na busca da paz e pelo desafio da coexistência entre diferentes confissões.

Os precedentes dos Pontífices

Na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, descreveu a viagem papal e destacou todas as suas nuances e pontos principais durante a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas da imprensa internacional que acompanharão Leão XIV em suas diversas etapas. Segundo o porta-voz do Vaticano, esses são lugares "que um Pontífice não visita há muitos anos" e, no caso da Argélia, "onde um Papa nunca esteve antes". João Paulo II visitou Camarões em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Depois, Bento XVI em 2009, antes de viajar para Angola, onde Wojtyla já tinha ido em 1992. Wojtyla, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). O Papa Francisco, no entanto, nunca esteve em nenhum desses países, apesar de ter visitado dez países da África.

"É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diversos povos e mundos", enfatizou Bruni, descrevendo gradualmente as várias etapas da viagem.

Na Argélia, seguindo os passos de Santo Agostinho

Primeira etapa: Argélia, uma terra impregnada pelo testemunho e legado de Santo Agostinho, o pai da ordem religiosa à qual Robert Francis Prevost pertence. O próprio Leão XIV já havia antecipado essa visita no voo de volta de Beirute, quando — em resposta a perguntas de jornalistas sobre futuras viagens — revelou seu destino: África, acrescentando seu desejo de "visitar os lugares de Santo Agostinho", mas também de continuar "o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano", para o qual o Bispo de Hipona é uma figura respeitada. Prevost já tinha viajado diversas vezes a Argel e Annaba no passado como Superior Geral dos Agostinianos. Agora, ele retorna como Papa e peregrino a uma "terra de testemunho cristão antigo e moderno": não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e a experiência de Charles de Foucauld no deserto do sul do país entre os tuaregues. Os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018. "Uma terra de grande sofrimento", disse Bruni, e também um lugar "profundamente amado", cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo — aquele que tantos africanos tentam atravessar — ​​dará uma oportunidade para abordar a questão da migração. Bruni também observou que as diversas observações do Pontífice haverá referência ao "risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações".

Em Camarões, "uma África em miniatura"

Da Argélia, o Papa continuará sua viagem — pontuada por deslocamentos de avião ou de helicóptero quase diários — até Camarões: "Uma África em miniatura devido à variedade e riqueza de seu território, seus recursos e suas tradições, inclusive linguísticas". João Paulo II falou de esperança ali, Bento XVI de reconciliação, justiça e paz. Leão XIV encontrará "um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades", como as crises no Norte e Sudoeste, no Extremo Norte, ou o "veneno" do fundamentalismo, particularmente entre os jovens. Mas em Camarões, o Papa Leão XIV também poderá observar os esforços das religiões na construção da paz, incentivar o papel dos governos, da sociedade civil e das mulheres, e também chamar a atenção do público para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral, também tendo em vista o décimo aniversário da Laudato si'.

Angola, uma "força para a mudança"

Paz, recursos naturais, humanos, juventude e as feridas da corrupção, da exploração e do colonialismo serão os pilares da viagem a Angola, uma terra tão jovem quanto seu povo. Sua "esperança" e "alegria", disse Matteo Bruni, garantem que esta nação da África Austral possa hoje ser considerada "uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança". Sim, existe "a tentação da tristeza e do desânimo", mas em Angola, a fé prevalece: "É o coração do cristianismo africano".

Os recursos humanos e naturais da Guiné Equatorial

A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial. Uma realidade diferente, situações e desafios diferentes. Uma área do continente rica em recursos minerais, jazidas e, ainda mais, em humanidade, culturas e línguas. Numerosas ilhas, pesca difundida e numerosos cristãos reforçam o compromisso da Igreja "em apoiar e construir uma cultura de paz". A cultura também é um tema proeminente na Guiné, com a presença de universidades, algumas das quais apoiadas pela Igreja local.

Comitiva e medidas de segurança

A comitiva papal incluirá o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização; George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso; e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos. O novo substituto, Paolo Rudelli, e algunas agostinianos também estarão presentes, mas apenas durante a etapa na Argélia. O Papa frequentemente se deslocará de carro conversível durante as diversas celebrações. Respondendo a perguntas de jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que não há preocupações com a segurança: "Não estão previstas medidas especiais. As medidas ordinárias são consideradas suficientes."

Uma homenagem ao Papa Francisco

O Pontífice realizará a tradicional coletiva de imprensa com jornalistas a bordo do voo papal, e não está descartada a possibilidade de que ele "apareça" durante os voos internos: "Talvez ele tenha algo a dizer em algumas ocasiões", como aconteceu, por exemplo, durante a viagem de Istambul a Beirute. Quanto à escolha dos diferentes países que compõem o itinerário, Bruni não apresentou razões específicas: a África, disse ele, é "um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido", cujos "problemas" e "desafios" precisam ser abordados. Dentre eles, a poligamia — um tema também central nas discussões do sínodo — ou a falta de democracia em algumas regiões. "O Papa também abordará essas questões?", perguntaram os repórteres. "Listei alguns tópicos; não está descartada a possibilidade de a poligamia ser discutida, mas o Papa certamente falará sobre família", explicou Matteo Bruni. Sobre o outro ponto, ele respondeu que "com a liberdade com que o Papa visita cada país, encontrando pessoas e mundos políticos diferentes, ele se dirigirá a todos".

Por fim, haverá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte ocorre em 21 de abril, durante sua viagem apostólica.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF