A
RESSURREIÇÃO DE LÁZARO POR PARTE DE JESUS EM SANTO AGOSTINHO
20 de março 2026
por Dom Vital Corbellini
Bispo da Diocese de Marabá
O quinto domingo da Quaresma coloca a liturgia, pelo
Evangelho de São João, o relato da ressurreição de Lázaro (cfr. Jo 11,1-45),
merecendo um destaque pelo Evangelista, porque foi um grande milagre do Senhor
Jesus Cristo manifestando todo o seu poder diante da morte de uma pessoa e de
um amigo de Jesus, Lázaro, cujo significado é: “Deus ajuda” sendo irmão
de Marta e de Maria, pessoas próximas e amigas de Jesus. No tempo da Quaresma a
Igreja vislumbra a ressurreição de Lázaro como uma prefiguração da ressurreição
de Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte. É importante perceber este
relato de São João em Santo Agostinho, Bispo nos séculos IV e V em Hipona, no
Norte Africano.
A realização celebrativa do milagre do Senhor
Santo Agostinho disse que entre todos os milagres que fez
Nosso Senhor Jesus Cristo, é celebrado de uma forma grandiosa, celebrativa, a
ressurreição de Lázaro. Na verdade Jesus ressuscitou uma pessoa humana, Aquele
que fez o ser humano, pois é Ele o Único do Pai, por meio do qual tudo foi
feito (cfr. Jo 1,3), pelo fato de que por meio d´Ele muitas pessoas nascem e
também partem deste mundo. Desta forma a criação é dada para todos os seres
vivos, ressuscitá-los é também obra divina. Tendo presente que Jesus fez muitas
coisas, mas que nem todas foram escritas pelo evangelista João, este escolheu
aquelas que são suficientes à salvação dos que creem (cfr. Jo 20,30)[1].
A ressurreição de um morto
O bispo de Hipona falou que Jesus ressuscitou um morto. Se
Ele quisesse, o Salvador ressuscitaria a todos os mortos, porque Ele tem este
poder, mas o Senhor reservou esta verdade de fé para o final dos tempos, do
mundo. Lázaro estava morto a quatro dias e o Senhor ressuscitou a uma pessoa
que já cheirava mal. A palavra de Jesus era realizada no qual virá a hora em
que todas as pessoas que se acharem nos sepulcros à voz do Senhor, sairão dos
sepulcros (cfr. Jo 5,28)[2].
A ressurreição de Lázaro é um sinal
São João colocou a ressurreição de Lázaro como um grande
sinal do Senhor manifestando toda a sua glória de Filho de Deus, enviado do Pai
em comunhão com o Espírito Santo. O sinal é o milagre da qual a vida é retomada
de novo, pelo poder de Jesus, porque Ele tem o poder sobre a morte na vida das
outras pessoas mas também em sua morte. O Pai o ressuscitará. Jesus é a vida
verdadeira.
As três ressurreições feitas pelo Senhor
Santo Agostinho afirmou que Jesus ressuscitou três pessoas
na sua missão evangelizadora e salvadora neste mundo. Ele ressuscitou a filha
do chefe da sinagoga (cfr. Mc 5,41-42); Ele ressuscitou o jovem filho da viúva
que era trazido para fora das portas da cidade (cfr. Lc 7,14-15) e Ele
ressuscitou Lázaro, sepultado a quatro dias (cfr. Jo 11, 1-54)[3].
Ele caiu doente
O Evangelho afirmou que Lázaro caiu doente tendo como irmãs
Marta e Maria (cfr. Jo 11,1) que mandaram dizer a Jesus que o seu irmão estava
doente. Jesus estava ausente, para além do Jordão. Elas desejavam que Jesus
fosse até lá para libertá-lo da doença. Elas não disseram que onde Ele
estivesse, pudesse curá-lo, uma vez que tinha este poder. Elas simplesmente
disseram; “Senhor, aquele que tu amas está enfermo” (Jo 11,1)[4]. A resposta de Jesus ressaltou que aquela
enfermidade não era para morte, mas para a glória de Deus, na qual Ele seria
glorificado como o Filho de Deus (cfr. Jo 11,4). As pessoas iriam acreditar que
Jesus era o Filho de Deus. O Filho seria glorificado, tendo como finalidade a
glória de Deus[5].
O amor de Jesus para aquela família
Jesus amava Marta, Maria, sua irmã e Lázaro (Jo 11,5). Era a
demonstração de sua humanidade e de seu amor para com aquelas pessoas jovens,
adultas. Se antes aquele local na Judéia poderia ser apedrejado pelos judeus
(cfr. Jo 11,8-9), agora voltaria para manifestar a sua potestade[6], o seu poder como Filho de Deus diante da
morte. Jesus disse para os seus discípulos que quem caminha de dia não tropeça,
porque vê a luz deste mundo, porque Ele era a luz do mundo (cfr. Jo 9,5). No
entanto quem caminha de noite tropeça, porque a luz não está nele (Jo 11,
9-10). É preciso invocar o Dia, o Senhor, para que expulse a noite e faça
iluminar com a sua luz os corações das pessoas. Jesus quis dizer que era para
os discípulos o seguirem porque assim como a luz ilumina o dia, fazendo a
pessoas não tropeçar, assim Ele é a luz das pessoas e naquele caso, a morte do
amigo, Ele seria a ressurreição de todas as pessoas[7].
A morte como um sono
Jesus disse que Ele iria despertar Lázaro, o seu amigo, pois
ele estava dormindo (cfr. Jo 11,11). No entanto para as irmãs, ele estava
morto, mas para o Senhor estava dormindo. O fato era que ele estava morto para
os seres humanos, os quais não o podiam ressuscitar Lázaro dos mortos, mas não
para o Senhor que o faria logo mais com o seu poder de Deus na terra[8]. Os seus discípulos disseram que se ele
estava dormindo, há de salvar-se (cfr. Jo 11,11-12), pois o sono costuma ser
indício de saúde dos doentes. Era claro que Jesus estava falando da sua morte,
como um sono[9].
Quatro dias da morte
Jesus chegou a casa das irmãs após quatro dias da morte de
Lázaro, que ele estava no sepulcro (cfr. Jo 11,15-17). Enquanto Maria estava em
casa, Marta ficou sabendo que Jesus chegara e foi-lhe ao seu encontro não
pedindo que o ressuscitasse, ainda que Ele o soubesse e faria este grande
acontecimento, mas ela tinha consciência de que tudo o que Jesus pediria a
Deus, Deus iria lhe conceder (cfr. Jo 11, 19-22). Jesus lhe garantiu que o seu
irmão ressuscitaria dos mortos (cfr. Jo 11,24), porque Ele é a ressurreição e a
vida (cfr. Jo 11, 25)[10]. É a ressurreição por ser a vida[11]. Aquele que crê no Senhor, ainda que
esteja morto, viverá e toda pessoa que vive e crê em Jesus, jamais morrerá
(cfr. Jo 11,25-26)[12]
O choro de Jesus
O evangelista São João colocou um dado importante que foi o
choro de Jesus. Este fato ocorreu quando Marta chamou a sua irmã Maria que foi
ao encontro de Jesus e ela prostrou-se diante dele e ao vê-la chorar, Jesus
também chorou a morte de seu amigo Lázaro. Por isso Ele perguntou onde o
puseram? (cfr. Jo 11,32-34)[13]. Nós vemos neste episódio segundo o
Bispo de Hipona que o Verbo assumiu a alma e a carne, sujeitando a si, em
unidade de Pessoa, a natureza do ser humano inteiro. Foram realizadas as
palavras do evangelista: “O Verbo se fez carne”(Jo 1,14). Assim a alma e a
carne de Jesus Cristo conformam uma única Pessoa com o Verbo de Deus, um único
Cristo[14]. Na voz de quem freme, se perturba, no
caso naquela de Jesus, aparece a esperança de quem ressuscita[15]. No caso Jesus chorou a morte de seu
amigo, Lázaro, tendo presente a sua humanidade para com todos os sofredores[16]. Jesus perguntou: Onde o pusestes? Tal é
a voz de Deus no paraíso, após o ser humano ter pecado: Onde está? (cfr. Gn
3,9). As pessoas responderam a Jesus: Senhor, vem e vê (Jo 11,34).
Jesus foi junto ao sepulcro
Jesus mandou tirar a pedra (cfr. Jo 11,39). Para o Bispo de
Hipona tratava-se de tirar o peso da Lei e agora se abre o tempo da graça no
caso, Jesus, para todas as pessoas que aderem a sua Vontade[17]. As pessoas tiraram a pedra e Jesus
levantando os olhos ao alto fez uma prece de louvor ao Pai que estava rendendo
graças porque o ouviu, de modo que Jesus falou aquelas coisas em vista do povo
para que creiam que Ele o enviou ao mundo (cfr. Jo 11,40-43) [18]. Em seguida Jesus disse em alta voz:
“Lázaro, vem para fora, O morto veio para fora tendo as mãos e os pés atados
com faixas e rosto coberto por um sudário” (cfr. Jo 43-44)[19]. Jesus manifestou todo o seu poder
diante da morte, porque Ele vence a morte e o pecado. Jesus mandou desligá-lo e
deixá-lo ir (cfr. Jo 11,44)[20].
O evangelista disse que muitos dos judeus que foram à casa de Maria, e visto que Jesus fizera, creram n`Ele e outros foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus fizera (cfr. Jo 11,45-46)[21]. O grande milagre da ressurreição de Lázaro pelo Senhor que o fez dando um dom para as pessoas, resultando que muitas cressem em Jesus como o Ressuscitador dos mortos, no entanto, outros quiseram decretar a sua morte, na pergunta: O que faremos (Jo 11,48). Eles ficaram agarrados às realidades terrestres e não tanto à realidade do Salvador, porque aquele local seria destruído pelos romanos, por não acolherem o Salvador da Humanidade (cfr. Jo 11,47-8)[22]. Mas Jesus ressuscitou o seu amigo, Lázaro dando-lhe novamente a vida, porque Ele é a ressurreição e a vida. A morte não é o fim de nossa existência, mas ela é uma passagem para a outra vida, a vida divina, para uma vida fundamentada no amor a Deus, ao próximo como a si mesmo.
Notas:
[1] Cfr. Homilia 49, n. 1. A
Ressurreição de Lázaro. In: Santo Agostinho. Comentários a São
João I. Evangelho – Homilias 1-49. São Paulo: Paulus, 2022, pg. 945.
[2] Cfr. Idem, n. 1, pg.
pg. 946.
[3] Cfr. Ibidem, n. 3. pg. 948.
[4] Cfr. Ibidem, n. 5, pg.9 50.
[5] Cfr. Ibidem, n. 6, pg. 951.
[6] Cfr. Ibidem, n. 7. pg. 952.
[7] Cfr. Ibidem, n. 8. pgs.
952-954.
[8] Cfr. Ibidem, n. 9, pgs.
954-955.
[9] Cfr. Ibidem, n.10, pgs
956-957
[10] Cfr. Ibidem, ns. 13-14,
pg. 959.
[11] Cfr. Ibidem, n. 14, pg.
960.
[12] Cfr. Ibidem, n. 15, pg.
960.
[13] Cfr. Ibidem, n. 18, pg.
962.
[14] Cfr. Ibidem, n. 18, pg.
963.
[15] Cfr. Ibidem, n. 19, pgs.
963-964.
[16] Cfr. Ibidem, pg. 965.
[17] Cfr. Ibidem, n. 22, pg.
966.
[18] Cfr. Ibidem, n. 24, pg.
967.
[19] Cfr. Ibidem.
[20] Cfr. Ibidem, pg. 968.
[21] Cfr. Ibidem.
[22] Cfr. Ibidem, ns 25-26, pgs.
968-969
Fonte: https://cnbbn2.com.br/










