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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O deserto e a tentação do jogo

Os Perigos do Jogos de Azar (Clube Notícias)

O DESERTO E A TENTAÇÃO DO JOGO

24/02/2026

Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO) 

A vida cristã é dom e responsabilidade. Deus nos criou para a liberdade na luz da verdade. É por isso que que as jogatinas modernas, que tem entrado em nossos lares com aparência de brincadeira e linguagem sedutora, causam tanto estupor. 

Os jogos têm sido difundidos de modo intenso pelas redes digitais e promovidos por vozes influentes e falsamente amigas que não assumem o peso das dores humanas que provocam. 

O jogo não se apresenta como vício, mas o é, e; como todo vício, é uma mistura de ilusão delirante e autodestruição. 

Ele se disfarça de entretenimento e se mostra como oportunidade. Ele promete ganhos rápidos, emoções fortes, sensação de controle. O primeiro contato costuma ser curioso, inocente e vitorioso. Um clique, uma aposta pequena, uma expectativa breve. O coração acelera. A respiração muda. O tempo parece suspenso enquanto se aguarda o resultado. É a vertigem da possibilidade. 

Ali começa o perigo. O jogador não busca apenas dinheiro; busca intensidade. Busca aquele segundo antes do resultado e é nesse segundo que se instala a ilusão de poder, como se o destino estivesse nas próprias mãos. 

A vitória produz euforia, a perda, porém, não encerra o ciclo; ela o alimenta.  

Surge o impulso de recuperar, de tentar novamente, de provar que é possível vencer o acaso. 

Cada rodada carrega a promessa da redenção! 

Essa dinâmica não é neutra. Ela envolve mecanismos psicológicos. 

O ganho inesperado libera entusiasmo; a perda gera ansiedade que pede compensação. Forma-se um circuito emocional que prende a mente e o espírito. O mundo vai se estreitando até caber dentro de uma aposta. As preocupações familiares, o trabalho, a oração, os compromissos passam a girar em torno da aposta.  

A Igreja olha para essa realidade com compaixão e lucidez. Não se trata de condenar pessoas, mas de compreender processos. Muitos homens e mulheres bons, responsáveis, trabalhadores, acabam envolvidos nesse ciclo sem perceber a velocidade com que ele se instala. O entusiasmo inicial transformar-se em transtorno e a breve alegria dá lugar ao vazio e à vergonha. 

A esperança cristã, sólida e paciente, corre o risco de ser substituída por uma expectativa febril e instável. 

A intensidade que o jogo promete é passageira; a alegria que nasce de uma vida orientada por Deus é profunda e duradoura. 

Aos que já se sentem presos nesse ciclo, a Igreja caminha próxima. Há saída, pois a graça restaura. A comunidade acolhe. Procure ajuda, fale com alguém, busque acompanhamento espiritual e, se necessário, apoio profissional. A vergonha não deve ser obstáculo para a libertação. Não entregues o teu Coração ao acaso! 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Exercícios Espirituais da Quaresma, 3ª meditação: a ajuda de Deus

Papa Leão durante os Exercícios Espirituais no Vaticano   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua terceira reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "A ajuda de Deus". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO*

A ideia de que Deus pode e quer nos ajudar em nossas dificuldades é um axioma da fé bíblica. Ela distingue o Deus de Abraão, Isaac e Jacó — o Deus que, em Cristo Jesus, se fez compaixão encarnada — do Motor Imóvel da filosofia.

O Salmo 90 começa com o versículo: “Qui habitat in adiutorio Altissimi”, isto é, “Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo”.

O auxílio de Deus, diz Bernardo, pode ser definido como uma morada, pois constitui uma realidade que nos sustenta, dentro da qual podemos viver, mover-nos e existir. O auxílio de Deus não é ocasional; não é um serviço de emergência ao qual recorremos quando uma casa pega fogo ou alguém é atropelado, como se ligássemos para o 192.

Mas o que dizer dos casos em que pessoas tementes a Deus caem e parecem ser abandonadas? O que dizer quando clamam ao céu sem obter nenhuma resposta, ouvindo apenas o eco desolado da própria voz?

A figura bíblica dessa condição é Jó, cujo livro grandioso pode ser percebido como uma sinfonia em três movimentos: passando do Lamento visceral a uma exposição da Ameaça, até a experiência inesperada da Graça.

Jó não aceita as racionalizações de seus amigos. Recusa-se a pensar que Deus esteja fazendo contas com sua vida como se fosse um balanço contábil. Está determinado a encontrar Deus presente na aflição, clamando heroicamente: “quem, senão Ele, pode fazer isto?”

Como fiéis, podemos considerar a religião como uma apólice de seguro: certos de poder contar com a ajuda de Deus, julgamos estar a salvo do perigo. O mundo parece desmoronar se, e quando, o mal nos atinge. Como enfrento as provações que parecem sem sentido, que destroem minhas barreiras protetoras? Meu relacionamento com Deus é uma forma de negociação, de modo que, quando as coisas se tornam difíceis, sou levado a seguir o conselho da mulher de Jó de “amaldiçoar Deus e morrer”?

Deus pode tornar possível um mundo novo e abençoado depois de derrubar os muros que pensávamos ser o mundo — muros dentro dos quais, na verdade, estávamos sufocando.

Habitar no auxílio de Deus, como nos ensina São Bernardo, não significa negociar seguranças. Significa atravessar o Lamento e a Ameaça para aprender a viver com Graça nesse novo nível de profundidade. E, assim, permitir que outros o encontrem.

Com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos chefes dos Dicastérios, teve início, na tarde de domingo, 22 de fevereiro, na Capela Paulina, o tradicional ...

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/archive/gods-help/

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

Manifestemos uns para com os outros a bondade do Senhor (rainhadetodosossantos)

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

(Oratio 14, De pauperum amore, 23-24:PG35 889-890)             (Séc.IV)

Manifestemos uns para com os outros a bondade do Senhor

Considera de onde te vem a existência, a respiração, a inteligência, a sabedoria, e, acima de tudo, o conhecimento de Deus, a esperança do reino dos céus e a contemplação da glória que, no tempo presente, é ainda imperfeita como num espelho e em enigma, mas que um dia haverá de ser mais plena e mais pura. Considera de onde te vem a graça de seres filho de Deus, herdeiro com Cristo e, falando com mais ousadia, de teres também sido elevado à condição divina. De onde e de quem vem tudo isso?

Ou ainda, – se quisermos falar de coisas menos importantes e que podemos ver com os nossos olhos – quem te concedeu a felicidade de contemplar a beleza do céu, o curso do sol, a órbita da lua, a multidão dos astros e aquela harmonia e ordem que se manifestam em tudo isso como uma lira afinada?

Quem te deu as chuvas, as lavouras, os alimentos, as artes, a morada, as leis, a sociedade, a vida tranquila e civilizada, a amizade e a alegria da vida familiar?

De onde te vem poderes dispor dos animais, os domésticos para teu serviço e os outros para teu alimento?

Quem te constituiu senhor e rei de todas as coisas que há na face da terra?

E, porque não é possível enumerar uma a uma todas as coisas, pergunto finalmente: quem deu ao homem tudo aquilo que o torna superior a todos os outros seres vivos?

Porventura não foi Deus? Pois bem, agora, o que ele te pede em compensação por tudo, e acima de tudo, não é o teu amor para com ele e para com o próximo? Sendo tantos e tão grandes os dons que recebemos ou esperamos dele, não nos envergonharemos de não lhe oferecer nem mesmo esta única retribuição que pede, isto é, o amor? E se ele, embora sendo Deus e Senhor, não se envergonha de ser chamado nosso Pai, poderíamos nós fechar o coração aos nossos irmãos?

De modo algum, meus irmãos e amigos, de modo algum sejamos maus administradores dos bens que nos foram concedidos pela graça divina, a fim de não ouvirmos a repreensão de Pedro: “Envergonhai-vos, vós que vos apoderais do que não é vosso; imitai a justiça de Deus e assim ninguém será pobre”.

Não nos preocupemos em acumular e conservar riquezas, enquanto outros padecem necessidade, para não merecermos aquelas duras e ameaçadoras palavras do profeta Amós: Tomai cuidado, vós que andais dizendo: “Quando passará o mês para vendermos; e o sábado, para abrirmos nossos celeiros?” (cf. Am 8,5).

Imitemos aquela excelsa e primeira lei de Deus, que faz chover sobre os justos e os pecadores e faz o sol igualmente levantar-se para todos; que oferece aos animais que vivem na terra a extensão dos campos, as fontes, os rios e as florestas; que dá às aves a amplidão dos céus, e aos animais aquáticos, a vastidão das águas; que proporciona a todos, liberalmente, os meios necessários para a sua subsistência, sem restrições, sem condições, sem fronteiras; que põe tudo em comum, à disposição de todos eles, com abundância e generosidade, de modo que nada falte a ninguém. Assim procede Deus para com as suas criaturas, a fim de conceder a cada um os bens de que necessita segundo a sua natureza e dignidade, e manifestar a todos a riqueza da sua bondade.

Fonte: https://liturgiadashoras.online/

Exercícios Espirituais da Quaresma, 2ª meditação: Bernardo, o Idealista

Papa durante os exercícios espirituais   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua segunda reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: “Bernardo, o Idealista.” Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO*

Que tipo de homem era São Bernardo? De onde vinha? Ele se destaca no movimento cisterciense do século XII: grande foi o seu carisma, grande a sua capacidade de trabalho.

Muitos, inclusive alguns que deveriam saber mais a respeito, acreditam que ele tenha sido o iniciador da Ordem. Não é assim, certamente, ainda que de fato tenha causado um grande impacto quando chegou, em 1113, aos 23 anos de idade, com um grupo de trinta companheiros.

A iniciativa de Cîteaux, fundada em 1098, foi tanto uma inovação quanto uma reforma. Os fundadores chamaram sua casa de novum monasterium. O projeto não foi, em primeiro lugar, uma reação contra algo ou alguém — e ainda bem, visto que os projetos reacionários, cedo ou tarde, acabam em nada.

À primeira vista, o projeto cisterciense era conservador; no entanto, seus protagonistas introduziram novidades. A dialética foi frutífera.

A confiança em seu próprio juízo tornava Bernardo, às vezes, flexível na observância de certos procedimentos que, no restante, afirmava defender. Sua visão das exigências da Igreja o levava por vezes a adotar posições rígidas, manifestando um espírito combativo e partidário.

Não era, porém, um hipócrita.

Era genuinamente humilde, dedicado a Deus, capaz de uma ternura delicada, um amigo fiel — capaz de tornar-se amigo de antigos inimigos — e uma testemunha convincente do amor de Deus. Era, e continua sendo, uma figura fascinante.

Dom James Fox, o abade empreendedor da abadia de Gethsêmani de 1948 a 1967, certa vez escreveu, exasperado, sobre o confrade Thomas Merton: “Ele tem uma mente tão elétrica!” Merton irritava Fox com suas ideias, intuições e insistências. Mas Fox sabia que Merton era sincero. Respeitava-o, apreciava sua companhia (quando não estavam no meio de alguma discussão épica) e, durante a maior parte de seu governo na abadia, confessava-se com Merton.

Seria tolice comparar Thomas Merton a Bernardo de Claraval ; contudo, há uma certa semelhança de caráter. Bernardo não conheceu a eletricidade, mas a sua também era uma natureza mercurial, que tinha e precisava equilibrar tensões enormes.

O ensinamento de Bernardo sobre a conversão nasce de uma cultura bíblica sem igual e de noções teológicas bem ponderadas. Nasce também — e com o passar do tempo cada vez mais — da luta pessoal, ao aprender a não dar por certo que o seu caminho seja sempre o correto, instruído pela experiência, pelas feridas e pelas provocações a colocar em questão a própria presunção e a maravilhar-se diante da justiça misericordiosa de Deus.

Bernardo é um excelente companheiro para todo aquele que empreende um êxodo quaresmal do egocentrismo e do orgulho, no desejo de buscar a verdade de si mesmo mantendo os olhos fixos no amor de Deus que tudo ilumina.

Com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos chefes dos Dicastérios, teve início, na tarde de domingo, 22 de fevereiro, na Capela Paulina, o tradicional ...

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/bernard-the-idealist/ 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Reflexão para o I Domingo da Quaresma (A)

Evangelho do domingo (Vatican News)

Em Cristo temos exatamente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Vatican News

Começamos a Quaresma com um texto que nos possibilita refletir sobre o projeto de Deus  a respeito do ser humano. O livro do Gênesis nos apresenta o homem sendo criado como o ponto alto de toda a criação, como imagem e semelhança de Deus. Exatamente por isso ele deverá proceder como superior a tudo e não deixar-se influenciar por nenhuma qualidade de qualquer coisa criada, deverá permanecer sempre livre!

É nesse exato momento que entra o a perversão do Mal ao provocar no homem o forte e imperioso desejo de experimentar a fruta proibida, ao ponto de apequenar-se  cedendo às  qualidades olfativas e visuais da fruta em detrimento da orientação do Criador.

Foi o primeiro ato em que o ser humano demonstrou que abria mão de sua liberdade para satisfazer seus instintos, sua curiosidade e, tragicamente, querer ser igual a Deus. Deixou de se reconhecer criatura, homem, vindo da terra, do humus e querendo, com seu próprio poder chegar a ser onipotente. O ser humano trocou a humildade pela soberba, eis o primeiro pecado.

No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre. Não será a comida, a satisfação de suas necesidades biológicas que irá submetê-lo às propostas do Mal; nem a tentação do orgulho, da vaidade, do ser renomado, do ser famoso, do prestígio irá fazê-lo aceitar a imposição de Satanás e nem a sedução do poder o derrotará em sua fidelidade ao Pai.

Para nós, a ação de Jesus, sua postura, nos interpela quando em nossa vida somos tentados a satisfazer nossas necessidades naturais, nossos desejos de prestígio e nossa sede de poder. Olhemos para o Homem Perfeito, a Imagem Visível do Deus Invisível, e suas respostas serenas às perturbadoras tentações.

No trecho da Carta aos Romanos, São Paulo nos fala sobre os modos de vida de Adão e de Cristo. O primeiro, como vimos no início de nossa reflexão, mostrou-se fraco. Contudo, essa debilidade foi herdada por todos nós, seus descendentes. Somos conscientes de que titubeamos e fracassamos diante das tentações.

Em Cristo temos exatemente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Mais ainda, não podemos comparar a graça de Deus ao pecado de Adão, nos fala o Apóstolo. Se “pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida em uma situação de pecado, assim também, pela desobediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça”, que é ser plenamente livre e plenamente unida a  Deus.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Este mandamento tem uma promessa de vida para quem o cumpre

PeopleImages | Shutterstock

Mónica Muñoz - publicado em 16/01/26

Existem dez mandamentos da lei de Deus e cinco da Igreja, mas este aqui contém uma promessa de vida para quem o segue.

O católico comum sabe que, desde o Antigo Testamento, Deus deixou escritos os Dez Mandamentos nas Tábuas da Lei. Depois, a Igreja nos deu cinco mandamentos para fortalecer nossa fé e auxiliar em suas necessidades. No entanto, apenas um mandamento contém uma grande promessa para quem o observa de maneira pontual.

Mandamento sobre os pais

Certamente, é na Sagrada Escritura que encontramos este belo mandamento. Mais especificamente, é no livro do Eclesiástico (também chamado de Sirácida ou Sirácides) — onde se preservou a sabedoria do homem que teme a Deus — que podemos lê-lo.

Mas, do que trata este mandamento? Do respeito que os filhos devem aos seus pais:

Filho, ampara a velhice de teu pai e não o tragas em tristeza durante a sua vida; mesmo que sua inteligência desfaleça, sê compreensivo e não o desprezes, estando tu em pleno vigor. Pois a caridade feita ao pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados." (Eclo 3, 3-7. 14-17a)

A promessa de vida

É fácil entender por que Deus prometeu bênçãos e vida longa àqueles que honram seus pais. Digamos que, na ordem dos mandamentos da Lei de Deus, este é o mais importante após os que ordenam servi-Lo e honrá-Lo. O quarto mandamento nos exige respeitar nossos pais porque eles representam a autoridade de Deus.

O próprio Senhor Jesus, sendo Deus, "lhes era submisso" (Lc 2, 51).

Além disso, é com eles que aprendemos a viver a fé e a ser pessoas de bem. Ambos são encarregados de oferecer ao mundo cristãos responsáveis e úteis. Naturalmente, os pais não são perfeitos e, em certas ocasiões, não cumprem seu dever. É nesses momentos que nós, filhos, devemos orar por eles, pois nunca encontraremos na Bíblia uma linha sequer contra os pais que falham com seus filhos — nem mesmo se tiverem sido ruins.

Por esses motivos, olhemos com os olhos de Deus para aqueles que nos deram a vida e busquemos alcançar as promessas que o Senhor fez a que

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa pede a padres que usem o cérebro, não IA, para preparar homilias

Papa Leão XIV discursa ontem (19) para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano. | Vatican Media

Por Marco Mancini*

20 de fev de 2026

Numa conversa particular ontem (19) com padres da diocese de Roma, o papa Leão XIV respondeu a quatro perguntas, aconselhando-os sobre oração, estudo e fraternidade sacerdotal.

O momento, que não foi filmado, ocorreu depois que Leão XIV fez um discurso público aos padres, exortando-os a "reacender a chama" de seu ministério.

“O primeiro padre a falar foi um jovem que perguntou ao papa como o Evangelho pode ser vivido no mundo dos jovens”, segundo um padre presente na reunião de ontem na Aula Paulo VI, no Vaticano.

O padre disse à ACI Stampa, agência em italiano da EWTN, que a resposta do papa a essa pergunta foi: “Antes de tudo, o que é necessário é o testemunho do padre; e depois, encontrando jovens, eles devem ampliar seus horizontes para alcançar o maior número possível de jovens. Para isso, é necessário redescobrir o valor da comunhão”.

Respondendo a uma segunda pergunta, Leão XIV recomendou conhecer bem “a comunidade em que se vive e trabalha”.

“É necessário conhecer bem a realidade”, disse ele. “Para amar a sua comunidade, é preciso conhecê-la. Portanto, é necessário um verdadeiro esforço conjunto para compreendê-la melhor e, assim, enfrentar juntos todos os desafios que surgirem”.

“O papa também nos exortou a usar mais o nosso intelecto e não a inteligência artificial [IA] para preparar as homilias, como ele tem visto e ouvido acontecer”, disse o padre. “E aqui o papa fez uma forte recomendação em relação à oração: nós, sacerdotes, devemos rezar — permanecer com o Senhor, ou seja — não reduzir tudo ao breviário ou a alguns breves momentos de oração, mas aprender verdadeiramente a escutar o Senhor novamente”.

A terceira pergunta foi mais reflexiva: Hoje, como sacerdotes, somos incapazes de nos alegrar com o sucesso de outro sacerdote.

Leão XIV disse que “todos somos humanos, mas devemos dar um bom exemplo, especialmente o exemplo da fraternidade sacerdotal”.

Ele falou longamente sobre como cultivar a amizade sacerdotal. O papa também os exortou a continuar estudando. “Deve ser um estudo contínuo; devemos sempre nos manter atualizados”, disse o sacerdote de Roma. “Mas o fundamental é cultivar a amizade sacerdotal, a fraternidade sacerdotal”.

A última pergunta foi sobre aos padres idosos e à sua solidão. Segundo o padre, a resposta de Leão XIV “reafirmou a necessidade de fraternidade, da alegria de estarmos juntos”.

“Devemos dar graças, viver verdadeiramente a gratidão pelo fato de sermos padres, desde o dia da nossa ordenação, todos os dias, e agradecer a Deus por esse grande dom, e viver o sacerdócio com gratidão. E aqui, também se exige muita humildade”.

“Pessoalmente, fiquei feliz”, concluiu o padre. “Agradecemos muito ao papa por um discurso muito, muito concreto”.

*Jornalista baseado em Roma, trabalhou para a agência de imprensa 'Area', lidando com políticas internas, economia, mas acima de tudo com o Vaticano. Jornalista profissional desde 2008 e credenciado na sala de imprensa na Santa Sé, acompanhou os conclaves de 2005 e 2013. Trabalha atualmente para a ACI Stampa, agência de notícias do grupo EWTN em italiano. Ao lado de seu colega Andrea Gagliarducci, é autor de "La Quaresima dela Chiesa" e "Benedetto XVI, a total Pope".

Fonte: https://www.acidigital.com/

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que, exatamente, se fez carne no Evangelho de João?

Blessed Virgin Mary with baby Jesus Byzantine mosaic art on the Hagia Sophia apse in Istanbul, Turkey | Artur Bogacki | Shutterstock

Daniel R. Esparza - publicado em 29/01/26

O que se fez carne é chamado de λόγος — o Logos — e João trata esse Logos como alguém, não como algo. E quanto a <em>Verbum</em>? E "Palavra"?

Quando os cristãos falam da Encarnação, surge uma pergunta enganosamente simples: o que foi encarnado? Um conceito? Uma palavra dita em voz alta? Um princípio filosófico? O Prólogo do Evangelho de João responde com cuidado gramatical e ousadia teológica. O que quer que tenha se feito carne é chamado de λόγος — o Logos — e João trata esse Logos como alguém, e não como algo.

Logos: Um termo com profundidade e direção

João abre seu evangelho dizendo: ν ρχ ν λόγος” (“No princípio era o Logos”).

A palavra grega logos possui um campo semântico vastíssimo. Pode significar palavra, discurso, relato, explicação, argumento ou razão. Seu verbo de origem, legein, significava originalmente “reunir” ou “coletar”.

Um logos é aquilo que reúne a realidade em uma ordem inteligível: uma narrativa montada a partir de eventos, uma lógica extraída de causas, um padrão que dá sentido às coisas.

Na filosofia grega, o logos podia até designar a estrutura racional do cosmos. João se apropria dessa riqueza e a reformula. Ele atribui relacionamentos ao Logos.

O Logos está “com” Deus (pros ton theon), uma expressão que sugere orientação e presença, e “era Deus” (theos ēn ho logos). A sintaxe é fundamental aqui: o Logos compartilha a natureza de Deus sem ser idêntico ao Pai. Desde a primeira linha, o Logos de João se relaciona.

Por que “Palavra” ainda funciona — com cautela

As Bíblias em português (e inglês) traduzem logos como “Palavra” (ou "Verbo"), uma escolha herdada de séculos de leitura cristã. Nas Escrituras, “palavra” frequentemente significa uma expressão eficaz — um discurso que realiza aquilo que declara. A própria Criação se desenrola por meio de tal fala: Faça-se... A “Palavra” no Evangelho de João é a autoexpressão de Deus, a vida divina comunicada para fora.

Isso se torna explícito em João 1, 14: “κα λόγος σρξ γένετο” — “e o Logos se fez carne”. O verbo egeneto (“tornou-se” ou “fez-se”) sinaliza uma mudança real na história, e sarx (“carne”) aponta para a condição plena da vida humana: mortalidade, vulnerabilidade, existência corporal. Ao usar "carne", João escolhe deliberadamente um termo que resiste à espiritualização. O que entra na história compartilha nossos limites materiais.

Verbum: A herança latina no Evangelho

Quando o cristianismo latino traduziu logos como verbum, utilizou uma palavra que combina fala com ação. Este é o gênio da tradução de São Jerônimo. Verbum pode significar uma palavra falada, mas é também a raiz de “verbo”, a palavra do fazer, da ação. Existiam outras opções em latim — ratio (razão) ou sermo (discurso) — mas verbum preservou o sentido de uma expressão que age.

Essa escolha moldou a teologia.

Santo Agostinho falava do Verbum como o autoconhecimento do Pai, eternamente gerado, pessoal, vivo. O termo latino sustentou a reflexão sobre o Filho como a própria expressão de Deus, sem dissolvê-lo em um princípio abstrato. A Igreja mais tarde insistiria, com precisão, que o Filho eterno assumiu uma natureza humana completa. Como afirma o Catecismo, o Filho “tornou-se verdadeiramente homem, permanecendo verdadeiramente Deus” (CIC 464).

A gramática, não a metáfora, resolve a questão

A linguagem de João é concreta. Ele escreve sobre o Logos — definido, pessoal — que entra no tempo. O cristianismo começa com a afirmação de que a própria autoexpressão de Deus tem uma história humana, um corpo humano e um nome humano. A Encarnação, no relato de João, não é a chegada de uma ideia, mas o advento de uma pessoa que pode ser vista, ouvida e tocada.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

A Fraternidade São Pio X rejeita o diálogo com a Santa Sé. Ordenações confirmadas

Basílica de São Pedro (Vatican News)

Em uma carta dirigida ao cardeal Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o superior geral Pagliarani afirma não vislumbrar a possibilidade de iniciar um diálogo “teológico” como proposto pela Santa Sé, visto que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”. Não sendo possível chegar a um acordo sobre a doutrina, confirma-se, portanto, a decisão de consagrar novos bispos em 1º de julho.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Não à proposta de um diálogo “especificamente teológico” apresentada pela Santa Sé, porque, de qualquer forma, nunca se colocariam em dúvida os textos do Concílio nem a legitimidade da reforma litúrgica. Sim às consagrações de novos bispos previstas para o próximo dia 1º de julho. A Fraternidade São Pio X responde com uma carta do superior geral, padre Davide Pagliarani, ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, após o encontro entre os dois ocorrido no dia 12 de fevereiro último, no Vaticano. Encontro que Fernández definiu em um comunicado posterior como “cordial” e “sincero” e após o qual informou ter proposto aos membros da Fraternidade iniciar “um diálogo especificamente teológico” com “uma metodologia bem precisa, sobre temas que ainda não tiveram uma suficiente precisão”. A proposta foi acompanhada pelo pedido de suspensão das ordenações episcopais anunciadas no dia 2 de fevereiro, pois isso “implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo”.

Pagliarani, há uma semana, havia informado que apresentaria a proposta do Vaticano aos membros do Conselho Geral da Fraternidade e confirma que foi “dedicado o tempo necessário para avaliá-la”. Nesta terça-feira, 18 de fevereiro, chegou a resposta ao cardeal assinada pelos cinco membros do Conselho Geral.

A proposta de diálogo

Na carta dirigida ao cardeal Fernández, o superior dos chamados lefebvrianos (do nome do bispo Marcel Lefebvre, que fundou a associação na década de 1970 em oposição às reformas do Concílio Vaticano II) diz alegrar-se, por um lado, com a “nova abertura ao diálogo”, como “resposta positiva” à sugestão de “uma discussão” doutrinária já avançada por ele mesmo em janeiro de 2019, em “um momento sereno e pacífico, sem a pressão ou a ameaça de uma eventual excomunhão”. Por outro lado, Pagliarani rejeita a proposta da Santa Sé porque um caminho de diálogo comum não poderia, de qualquer forma, “chegar a determinar em conjunto o que constituiria ‘o mínimo necessário para a plena comunhão com a Igreja Católica’”, uma vez que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”.

“O Concílio – sublinha Pagliarani – não constitui um conjunto de textos livremente interpretáveis: ele foi recebido, desenvolvido e aplicado ao longo de sessenta anos pelos Papas que se sucederam, segundo orientações doutrinárias e pastorais precisas. Essa leitura oficial se expressa, por exemplo, em textos importantes como Redemptor hominisUt unum sintEvangelii gaudium ou Amoris lætitia. Ela também se manifesta na reforma litúrgica, compreendida à luz dos princípios reafirmados em Traditionis custodes. Todos esses documentos mostram que o quadro doutrinário e pastoral no qual a Santa Sé pretende situar qualquer discussão já está determinado”.

Ordenações confirmadas

“Por estas razões – acrescenta Pagliarani –, na consciência partilhada de que não podemos chegar a um acordo sobre a doutrina, parece-me que o único ponto em que podemos concordar é o da caridade para com as almas e para com a Igreja”.

O responsável da FSSPX - que de fato não admite a legitimidade do rito litúrgico resultante da reforma litúrgica - afirma, portanto, não poder aceitar “a perspectiva e os objetivos em nome dos quais o Dicastério propõe uma retomada do diálogo no momento atual; nem, concomitantemente, o adiamento da data de 1º de julho”. As ordenações de novos bispos são, portanto, confirmadas como “necessidade concreta a curto prazo para a sobrevivência da Tradição”.

O comunicado do cardeal Fernández

Como se recordará, no comunicado do último dia 12 de fevereiro, o cardeal Fernández declarou: “foi reiterado pela Santa Sé que a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém um poder ordinário supremo, que é pleno, universal, imediato e direto (cf. CDC, cân. 331; Cost. Dogm. Pastor aeternus, cap. I e III) implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo (João Paulo II, Lett. Ap. Ecclesia Dei, 2 de julho de 1988, nn. 3 e 5c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota explicativa, 24 de agosto de 1966, n. 1)”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

EDITORIAL: Nosso pecado e o peso de um mundo em chamas

Papa Leãp XIV (Vatican Media)

A homilia de Leão XIV na Missa da Quarta-feira de Cinzas e a nossa responsabilidade.

Andrea Tornielli

"Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!" As palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV na homilia da Missa da Quarta-feira de Cinzas fotografam uma realidade do nosso tempo: vivemos circundados por pessoas, empresas e instituições em todos os níveis que raramente admitem que erraram. Temos enormes dificuldades em admitir que cometemos erros e pedir perdão, reconhecendo o nosso erro.

O início da Quaresma é uma grande oportunidade para os cristãos se reconhecerem como pecadores, necessitados de ajuda e de perdão, e chama a atenção como o Sucessor de Pedro tenha desejado enfatizar a sua dimensão comunitária: "A Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados". Em vez de buscar sempre o inimigo externo, em vez de olhar para o mundo considerando-nos sempre justos e do lado certo, somos chamados a uma atitude contracorrente e a "um corajoso assumir de responsabilidades", pessoal mas também coletivo.

Porque é verdade que o pecado "é pessoal", como enfatizou o Papa. Mas é igualmente verdade — acrescentou ele, ecoando a Encíclica Sollicitudo rei socialis de São João Paulo II — que isso "ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem económica, cultural, política e até religiosas".

Entre estas poder-se-ia incluir, por exemplo, alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro, que produz enormes desequilíbrios e injustiças, definido pelo Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica como "uma economia que mata". Ou os enormes interesses econômicos que impulsionam o vasto mercado de armamentos, que precisa ser alimentado por conflitos permanentes.

As cinzas sobre a cabeça de cada indivíduo e da comunidade como um todo nos convidam a sentir, como disse Leão XIV, "o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura".

Ao iniciarmos o caminho quaresmal, torna-se assim importante essa coparticipação, na consciência que o pecado pessoal se amplifica e se cristaliza em "estruturas de pecado".

É por isso que, ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, somos chamados a um exame de consciência em relação aos nossos próprios erros, mas também àqueles que reverberam em grande escala. E assim, ao sentirmos o peso de um mundo em chamas, podemos nos perguntar, como comunidade, como país, como Europa, como organizações internacionais: fizemos tudo o que era possível para pôr fim à trágica guerra na Ucrânia, que começou com a agressão russa em 2022? Será que tudo foi feito para buscar soluções negociadas, ou o único objetivo real perseguido hoje é apenas uma corrida armamentista insana? Como foi possível testemunhar, após o ataque desumano perpetrado pelo Hamas contra os israelenses, a destruição total de Gaza com suas mais de setenta mil mortes? Por que nada de concreto foi feito para acabar com o massacre? Como é possível aceitar que existam países onde a livre expressão do protesto popular seja brutalmente reprimida, com milhares de vítimas? E ainda, como é possível aceitar, em nome de uma vida pacífica ou de uma pertença política, a perpetuação da ecatombe que ocorre no Mar Mediterrâneo, com migrantes que ali se afogam?

"Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos - concluiu o Papa - é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruir".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF