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terça-feira, 10 de março de 2026

Propósitos de vida: será que eu posso mudar? Mas como?

shine.graphics | Shutterstock

Carlos Padilla Esteban - publicado em 06/12/20 - atualizado em 10/03/26

Os propósitos devem ser poucos, estar ancorados no coração e surgir da vida.

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Mais um ano está para terminar a continuamos ancorados nos mesmos defeitos. Como trocar de pele, revestir-se de Cristo?

Vemos no espelho aquela pessoa que podemos chegar a ser. Deus nos criou muito bem: colocou na alma uma grande capacidade de amar. Isso é um dom, mas que podemos guardar, esconder de maneira egoísta, protegendo-nos para não ter de dar a vida.

Mas também podemos romper as nossas barreiras egoístas e sair de nós mesmos. Podemos ser muito mais do que somos hoje. O que nos alegra o coração? Que ideais nos levam a doar-nos mais, a dar-nos por inteiro?

Zona de conforto

Passamos a vida inteira fazendo as coisas de uma determinada maneira, mas podemos mudar, melhorar, inventar coisas novas. Por que não? Podemos sair da nossa zona de conforto.

Mas surgem perguntas em nosso interior: é possível? Posso mudar? É necessário inovar? Vale a pena? Fazer propósitos serve para alguma coisa?

Sim, vale a pena, mas é melhor fazer poucos propósitos e dedicar-se a eles com vida e coragem. Propósitos que estejam ancorados no coração e surjam da vida. Só assim seremos capazes de levá-los a cabo com força, vontade e alma.

Sem esta atitude interior, sem esse amor do coração, é impossível que os propósitos superem os obstáculos do começo de ano. Por isso, queremos ser realistas e sonhadores. Fazer propósitos firmes, do mais profundo da nossa alma.

Este ao que começou nos dá a oportunidade de agradecer olhando o passado, e confiar olhando o futuro.

Vida plena

Olhamos para a frente para projetar-nos e ansiar por uma vida mais plena. Sim, um ano em branco para preencher. Com todas as páginas prontas para começar a escrever.

É tempo de sonhar e orar: “Quero dedicar-te este novo ano. Quero colocar todos os dias nas tuas mãos e submetê-los à tua vontade. Que cada esforço, cada passo, cada meta e cada aspiração sejam para a tua glória. Continua guiando-me. Ajuda-me a crescer espiritualmente e, assim, poder conhecer-te melhor”.

“Eu te dedico o meu trabalho, os meus talentos, minhas habilidades. Minha saúde e a dos meus entes queridos. Senhor, dá-me da tua força e sabedoria, para viver cada dia melhor. Meu desejo é adorar-te e exaltar o teu nome. Meus dias são teus e me alegro em confiar em que Tu estarás comigo neste novo ano.”

Vontade divina

Sim, desejamos muitas coisas. Queremos crescer e ser pessoas melhores, mais santas, mais de Deus. Desejamos que nossa vida seja guiada pela vontade divina e, assim, poder ser felizes e viver em sua paz cada dia. Neste novo ano, não são as coisas ao nosso redor que precisam mudar: somos nós que precisamos de uma transformação interior.

Podemos mudar nosso olhar e pedir a Deus um olhar puro, para ver a bondade que existe em cada pessoa. Podemos mudar a atitude que nos levava a reclamar do que nos falta, ao invés de agradecer pelo que temos. Podemos mudar nosso rosto, para que, ao invés de impaciência e indignação, reflita paz e alegria.

É preciso transformar o coração.

Fonte> https://pt.aleteia.org/

A compreensão da Revelação no Concílio Vaticano II

Cena do "Giudizio Universale" pintado por Michelangelo Buonarroti na Cappella Sistina | Vatican News.

"O caráter autenticamente humano das Sagradas Escrituras, já por si só, revela o profundo segredo de Deus que é a sua "filantropia" (Tt 3,4). Deus ama os homens. Falando na sua linguagem, Deus se comunica com eles, se faz compreender e, ao mesmo tempo, restitui à linguagem humana a sua veridicidade. Mas ainda, se deixa tocar, se deixar interagir com os que o procuram".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No Concílio Vaticano II (1962–1965), especialmente na Constituição Dogmática Dei Verbum, a Revelação é compreendida não apenas como um conjunto de verdades transmitidas por Deus, mas sobretudo como a autocomunicação do próprio Deus na história para a salvação da humanidade. Deus revela-se progressivamente por meio de acontecimentos e palavras intimamente ligados, atingindo sua plenitude em Jesus Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a Revelação. Essa Revelação é transmitida pela Tradição e pela Sagrada Escritura, inseparavelmente unidas e interpretadas autenticamente pelo Magistério da Igreja, tendo como finalidade conduzir os seres humanos à comunhão com Deus.

Dando sequência a sua série de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "A compreensão da Revelação no Concílio Vaticano II":

"A Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II fala nestes termos da Revelação:

Em virtude desta Revelação, Deus invisível (cf. Cl 1,15; 1Tm 1,17), na riqueza do seu amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33,11; Jo 15,14-15) e conversa com eles (cf. Br 3,38), para os convidar e admitir a participarem de sua própria vida” (DV, 2).

Portanto, o ditado conciliar, e aquele bíblico sobre o qual o Magistério se funda, descrevem a Revelação de Deus com a categoria da palavra, mais ainda, do diálogo amigável. Querendo revelar-se, Deus falou aos homens e usou a linguagem humana da amizade com vistas a uma finalidade precisa que é uma comunhão de vida. Há uma linguagem da amizade e do amor da parte de Deus ao revelar-se. Fala a linguagem humana e não extra-humana, de forma que seja entendível e perceptível ao ser humano, recebedor da mensagem, receptor desse anúncio maravilhoso divino e extraordinário. Como diz\ a Dei Verbum, Cristo fala de homem para os homens.

Não sabemos se a definição do homem como animal que fala é a mais exata com relação às outras. Mas também é um ser que escuta com linguagem específica, bem diferente dos outros animais. A fala talvez seja a mais decisiva, a que compreende a todas. A palavra é o limiar de ingresso no mundo humano. Heidegger diz: “Segundo a tradição antiga, nós, precisamente nós, somos seres que estão em condições de falar e que, por isso, possuímos a linguagem. Nem a faculdade de falar é no homem apenas uma capacidade que se coloque ao lado de outras, no mesmo plano das outras. Pelo contrário, é a faculdade que faz do homem um homem. Este traço é o próprio perfil de seu ser. O homem não seria homem se não lhe fosse concedido falar, dizer...”[1]

Valério Mannucci, especialista em Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico, aprofunda essa temática e diz que o relato do diálogo amigável e compreensível de Deus com o ser humano, na Escritura, é descrito com seus interlocutores escolhidos. Os hagiógrafos das sagradas letras fazem um relato da fala de Deus, da revelação e intervenção de Deus na história dos homens. Esse relato é redigido, escrito no papel, nos pergaminhos inteiramente por homens, não por anjos, ou, como alguém poderia imaginar, pelo próprio punho de Deus. O dedo e a mão de Deus está por detrás, mas não é Deus quem escreve, mas são seres humanos em seus contextos históricos e concretos, com seus fraquezas e condicionamentos pontuais. A única coisa que Jesus escreveu foi no chão, quando queriam apedrejar a mulher pega em adultério. Mesmo assim, o que Jesus escreveu não se sabe e o vento apagou.

“O antigo Israel confessava o seu estupor, porque tinha "ouvido a voz de Deus no meio do fogo e do alto do céu" (Dt 4,32-36). O estupor se torna vertigem para o novo Israel, chamado a experimentar a inaudita aproximação entre "a Palavra de Deus que era no princípio, estava junto de Deus, era Deus" (Jo 1,1) e "a Palavra de Deus que se fez carne" (Jo 1,14); entre "o que era no princípio", "a vida eterna que estava junto ao Pai", e "a Palavra da vida que ouvimos, que vimos com os nossos olhos, que contemplamos, que as nossas mãos tocaram" (1Jo 1,1-4)”[2].

Precisamente nisto manifestou-se "a admirável 'condescendência' de Deus e a sua inefável benignidade", conforme descreve o documento conciliar: "Com efeito, as palavras de Deus, expressas em línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do Eterno Pai, tomando a carne da fraqueza humana, se tornou semelhante aos homens" (DV, 13). O caráter autenticamente humano das Sagradas Escrituras, já por si só, revela o profundo segredo de Deus que é a sua "filantropia" (Tt 3,4). Deus ama os homens. Falando na sua linguagem, Deus se comunica com eles, se faz compreender e, ao mesmo tempo, restitui à linguagem humana a sua veridicidade. Mas ainda, se deixa tocar, se deixar interagir com os que o procuram. Deus fala de maneira amigável, compreensível. Torna o homem capaz de entender sua revelação porque sua comunicação é humana, é pedagógica, é cativante, é envolvente, na linguagem própria do ser humano, apesar de manifestações divinas e extraordinárias".

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.
___________

[1] HEIDEGGER, M. In Cammino verso il linguaggio, Mursia, Milão,1973, p.189.
[2] MANNUCCI, Valério. Bíblia, Palavra de Deus. Curso de introdução à Sagrada Escritura, Paulinas, SP. 1986, p. 16.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

ISLÃO: O diálogo como vocação

Aziza, à direita na foto, cumprimenta Mohammed VI, o atual rei de Marrocos | 30Giorn

ISLÃO

retirado do nº 03 – 2005, Revista 30Dias

O diálogo como vocação

O diretor do Observatório do Mediterrâneo é um intelectual tunisiano de fé islâmica. Nestas páginas, ele relata sua relação com o cristianismo, que "fecha o ciclo dos sacrifícios rituais".

Por Mohammed Aziza

Nasci na calada da noite, entre 24 e 25 de dezembro, na pacata medina de Túnis, enquanto, em meio às luzes brilhantes, a parte europeia da cidade celebrava a memória de um nascimento milagroso ocorrido há muito tempo em uma humilde manjedoura visitada pelos Três Reis Magos.
Sempre imaginei que uma estrela, então, havia piscado no céu do solstício de inverno para selar meu destino e me tornar, para sempre, uma ativista firme e tenaz pelo diálogo intercultural e, mesmo sendo laica, pelo diálogo inter-religioso.
As reviravoltas da vida sempre fortaleceram essa vocação.
Por ter nascido em 24 de dezembro em uma família muçulmana na qual uma integrante — a esposa do meu tio — era francesa e cristã, eu tinha direito a dois aniversários.
O primeiro era comemorado com um bolo, e eu apagava as velas ao final da ceia festiva com toda a família reunida, todo dia 24 de dezembro.
A segunda vez foi quando acompanhei minha tia à missa da meia-noite, mais ou menos adormecida, mas fascinada pelo ouro e pelas luzes da Catedral de Túnis.
Por respeitar meu senso de pertencimento, minha tia nunca me permitiu participar do rito da comunhão, ao qual eu geralmente dava pouca atenção, sabendo que estava excluída.
Mas uma noite, ao ouvir as palavras rituais pronunciadas pelo celebrante ("Bebam, este é o meu sangue. Comam, este é o meu corpo"), tive uma reação violenta. Eu havia interpretado aquelas fórmulas consagradas com a ingenuidade literal de uma criança, assustada com aquele convite que parecia um tanto "canibalístico".
Naturalmente, esqueci imediatamente o incidente. E a vida retomou seu curso normal.
Alguns anos depois, trabalhando na Biblioteca dos Padres Brancos da Tunísia, no último andar de um prédio cujas janelas davam para a fachada posterior da Catedral, a lembrança traumática do rito da comunhão vivenciado naquela distante noite de Natal, quando acompanhei minha tia, voltou com força.
E imediatamente tive uma intuição que contradizia resolutamente a impressão que eu tinha da infância.
Num instante, compreendi que a hóstia e o vinho sacramentais significavam o oposto daquilo que me assustara na infância.
O rito da comunhão então se apresentou para mim em toda a sua grandeza redentora, como se encerrasse o ciclo do sacrifício que, durante séculos, fora a pedra angular da história humana, o método fatalmente necessário para regenerar o tempo e as forças da natureza. Os astecas acreditavam que podiam fazer nascer o Décimo Segundo Sol através dos sacrifícios rituais de inúmeras vítimas. Agamenon pensava que precisava sacrificar sua filha Ifigênia para trazer ventos favoráveis ​​que permitissem à frota grega alcançar as costas de Troia.
Pela primeira vez, a preeminência indiscutível do sacrifício como combustível para a engrenagem da história humana estava prestes a ser desafiada pelo teste de Abraão, pois implicava a substituição do ser humano sacrificado (Isaac ou Ismael, segundo a tradição) por um animal sacrificial.
Mas, neste caso, a função expiatória e regeneradora do sacrifício permanece válida, apenas a natureza do sacrificado se altera: de humano para animal.
A abolição da própria função do sacrifício como expiação dos pecados e regeneração da história humana estava prestes a ocorrer inesperadamente com o sacrifício final e voluntário do Filho de Deus, que redime, de uma vez por todas, os pecados passados ​​e futuros da humanidade e torna obsoleta a antiga função do sacrifício. A história não precisa mais beber o sangue humano ou animal do sacrificado para redescobrir seus ciclos. Assim, a hóstia e o vinho sacramentais recordam esse encerramento do sacrifício por meio do dom da Paixão e convidam os fiéis a celebrar o fim definitivo do medo, da perda e da Queda.
Essa é a evidência que se tornou clara para mim enquanto contemplava as colunatas e os vitrais da Catedral de Túnis.
Quando adolescente, ao me perguntar o que eu queria ser quando crescesse, dei uma resposta que, a princípio, o fez sorrir e, em seguida, o mergulhou em silenciosa meditação: "Vovô, eu gostaria de me tornar um 'ocidentalista', porque não vejo por que somente os outros deveriam ter o direito de se tornarem orientalistas para nos estudar!"
Esse destino de abertura, esse "gosto pelo Outro", também caracterizaria minha vida privada: sou casado com um católico francês; e minha vida profissional: com Yehudi Menuhiu, inaugurei o programa de Estudos Interculturais da UNESCO, onde passei a maior parte da minha carreira. E com Mario Luzi, fundei a Academia Mundial de Poesia em Verona.
Apoiei os esforços da Comunidade de Santo Egídio e nunca perdi um único de seus estimulantes eventos anuais. E, em uma das oficinas organizadas no âmbito desses encontros, pude colocar em prática minha inclinação comparativa, afirmando que, embora o Islã seja certamente a religião do Livro, o Cristianismo me parece sustentado por dois pilares: a Encarnação e a Ressurreição, enquanto o Judaísmo se caracteriza, a meu ver, pela tarefa de interpretação que exige continuamente de seus seguidores; daí a importância da exegese e de comentadores como o grande Rachi de Troyes.
Recentemente, tive o privilégio de participar de um encontro histórico realizado em Bruxelas, de 3 a 6 de janeiro de 2005.
Este encontro, organizado pela fundação “Hommes de parole”, permitiu que cinquenta imãs e cinquenta rabinos trabalhassem juntos pela paz através do diálogo.

A Catedral de São Vicente de Paulo em Túnis | 30Giorni

A abertura intelectual e espiritual do diálogo com diversas culturas e religiões continua graças à criação – por intermédio de Franco Frattini, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e atual Vice-Presidente da Comissão Europeia – de um Observatório do Mediterrâneo no âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Frattini, presidente desta nova instituição, confiou-me a sua direção geral.
A justaposição de um presidente da costa norte com um diretor-geral da costa sul é um facto notável, altamente simbólico e bastante raro.
Contudo, é uma justaposição que já vimos no passado, nos tempos da Ifríquia [África Romana ] , quando figuras como Santo Agostinho, São Cipriano, Tertuliano, Terêncio e Apuleio, para não mencionar Septímio Severo, integravam-se harmoniosamente na governação da res publica . Ou como na época da Sicília árabe-normanda, quando um brilhante geógrafo, Al-Idrissi, oriundo de Marrocos, fazia parte da Corte dos Reis normanda da Sicília.
É recorrendo a lições históricas semelhantes que podemos retomar um diálogo que outrora foi fértil e frutífero.
Para além de todos os problemas complexos que devemos resolver em conjunto, a questão da escolha permanece relativamente simples: "Como imaginamos o Mediterrâneo de amanhã, aquele que deixaremos para as gerações futuras? Um muro que separa ou uma ponte que liga? "

Nota:

1 Daí a importância da imagem como representação do Verbo encarnado. Este não é o caso no Islã, como tentei demonstrar em meu texto A Imagem e o Islã .

Fonte: https://www.30giorni.it/

segunda-feira, 9 de março de 2026

Papa Leão XIV: Jesus é a resposta de Deus à nossa sede

Papa Leão XIV - Angelus  (@Vatican Media)

Jesus “é a resposta de Deus à nossa sede”. Foi o que disse o Papa Leão XIV durante o Angelus na Praça São Pedro neste 3º Domingo da Quaresma. “Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”.

Silvonei José – Vatican News

Jesus “é a resposta de Deus à nossa sede”. “Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual”, disse o Santo Padre, que durante o Angelus falou sobre o episódio do Evangelho do diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, acrescentando: “Às vezes – escrevia a jovem Etty Hillesum no seu diário – consigo alcançá-la, mas frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então, sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo".

“Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na terceira semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!”

No Evangelho também está escrito – recordou o Papa - que “chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele [Jesus] estar a falar com uma mulher". Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: “Não dizeis vós: ‘Mais quatro meses e vem a ceifa’? Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão dourados para a ceifa”. O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”.

Vídeo Angelus:

https://youtu.be/VYcEGsTRorw

Jesus está atento, disse o Papa. Segundo os costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em vez disso, Jesus fala com ela, escuta-a, dá-lhe atenção, sem segundas intenções e sem desprezo.

“Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a esquecer-se de comer, de tal modo o alimentava a vontade de Deus chegar a todos em profundidade”.

Assim, a samaritana torna-se a primeira de muitas evangelizadoras, continuou o Papa. Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e também neles brota a fé como água pura.

Daí a advertência: “Irmãs e irmãos, peçamos hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que O adoram em Espírito e verdade”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 8 de março de 2026

10 motivos do por que brincar é tão importante para as crianças

Bill Dubreuil CC

Ignasi De Bofarull - publicado em 08/01/20 - atualizado em 06/03/26

Os benefícios das brincadeiras são inúmeros, mas tenha em mente apenas estes 10.

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Os benefícios do brincar não podem ser subestimados. O ato de brincar é tão importante para as crianças quanto o de trabalhar para adultos. Brincar é a maneira de progredir, aprender e crescer. Ao brincar, elas se tornam pessoas melhores, tanto cognitiva quanto comportamentalmente.

Brincar é a melhor maneira para as crianças…

- realizarem seu potencial;
- desenvolverem seus talentos;
- reduzirem o estresse;
- exercitarem a criatividade;
- treinarem para a vida.

Então, quais são os benefícios do brincar? Existem muitos, mas vamos ter em mente apenas 10, que se aplicam a crianças menores de oito anos.

1 - MELHORA O COMPORTAMENTO

Os professores podem confirmar que, depois do recreio, as crianças voltam às aulas com rostos felizes e descansados ​​e mudam (para melhor) seu comportamento. No parquinho, elas esquecem seus problemas e descansam, depois de passarem um tempo concentradas. Ter um tempo de descanso e relaxamento ajuda os pequenos a voltarem a se concentrar nos assuntos após o término do intervalo.

2 - AJUDA A RESOLVER PROBLEMAS E TOMAR DECISÕES

Uma sala de aula não pode substituir uma floresta ou um riacho pelo qual as crianças podem atravessar, com um solo povoado de vermes e flores e com a brisa e a chuva. A exploração direta e o reconhecimento da biodiversidade ao ar livre estão além da comparação. As escolas sabem disso e, muitas vezes, excursões e acampamentos fazem parte de seus programas para ajudar as crianças a ter contato direto com a natureza.

3 - DESESTRESSA

As crianças também sofrem com o estresse devido à adversidade, fadiga e, às vezes, aos conflitos na escola e em casa. As crianças toleram mal as brigas dos pais e percebem quando não são levadas em consideração. Se você perceber que seus filhos estão sempre de mau humor ou constantemente deprimidos, é necessário identificar a causa e tomar as medidas necessárias para resolver o problema. O tempo de brincar pode ajudar as crianças a desviar a mente dos problemas; recreação insuficiente aumenta o estresse. Atividades extracurriculares forçadas também podem ser uma fonte de estresse. Quando o tempo de diversão não é respeitado, as crianças podem se tornar mais mal-humoradas e mais reservadas.

4 - PROMOVE FUNÇÕES EXECUTIVAS

Os jogos criam memória de trabalho, autocontrole, atenção e pensamento criativo e flexível. Isso é alcançado através de brincadeiras divertidas e desafiadoras.
Resultados semelhantes vêm do aprendizado de hobbies e habilidades, como tocar um instrumento musical, participar de atividades de teatro, leitura, escrita e quebra-cabeças, além de atividades recreativas de matemática. Tudo isso tem um denominador comum: exige perseverança, autocontrole, atenção e resolução de problemas com algum grau de precisão.

5 - ESTIMULA A CRIATIVIDADE

Brincadeiras imaginativas são uma parte importante do mundo de nossos filhos. Eles precisam deixar sua imaginação rolar e, depois, expressar o que descobriram, criaram e imaginaram, usando desenhos, palavras e representações. Participar de histórias, ler ou folhear livros ilustrados ou visitar um museu de ciências pode incentivar as crianças a brincar e enriquecer sua imaginação e criatividade. Elas começam a ver que o mundo está cheio de possibilidades, começam a pensar fora da caixa e apresentar soluções inovadoras na escola, em casa e, no futuro, no trabalho.

6 - MELHORA O RELACIONAMENTO PAIS-FILHOS

A brincadeira promove a empatia entre pais e filhos. Quando as crianças são muito jovens, as primeiras interações significativas, embora não verbais, entre mãe e recém-nascido são vitais e uma fonte de segurança. Não podemos ignorar nossos filhos nessa sociedade frenética e estressada que, às vezes, parece transformá-los em obstáculos em nosso caminho. Devemos reservar um tempo para interagir com eles, conversar com eles, conhecê-los, conquistar sua confiança e saber como eles realmente são. As brincadeiras são um encontro privilegiado entre pais e filhos. Os jogos são um momento ideal para educá-los. Não se trata de ficar sempre atrás de nossos filhos: é uma questão de incentivá-los a brincar sozinhos ou com amigos e primos, para que eles possam aprender sobre interação social, regras, autocontrole etc

7 - DEIXA AS CRIANÇAS MAIS ATIVAS

Crianças ativas tornam-se adultos ativos! As crianças que participam de atividades físicas em vez de ficarem sentadas em frente a uma tela (TV, telefones celulares, tablets) são mais ativas à medida que crescem. Incentive seus filhos a levantarem-se e seguirem em frente com alguma forma de atividade física. Os hábitos do brincar na primeira infância durarão e melhorarão o bem-estar geral do indivíduo quando adultos.

8 - DESENVOLVE A EMPATIA

Para que as crianças saibam respeitar seus colegas, elas precisam aprender a ler e aceitar seus sentimentos. Através das brincadeiras, elas aprendem a ser sensíveis aos sentimentos dos outros e a negociar, cooperar e se adaptar aos outros, compreendendo atitudes e se adaptando a diferentes situações, incluindo a necessidade de sacrificar sua própria preferência. É aí que nascem a amizade e a capacidade de viver juntos.

9 - PROMOVE A SOCIALIZAÇÃO

Através dos jogos, as crianças aprendem a noção de equipe. Aprendem ainda como compartilhar tarefas com os amigos e como liderar, além de como seguir alguém que pode ser um líder eficaz. Trata-se de ouvir, limitar-se, tomar iniciativa e respeitar as regras. Se as crianças souberem brincar cooperativamente, colaborar, esperar, respeitar seus colegas e controlar seu temperamento, saberão formar equipes de trabalho bem-sucedidas no futuro.

10 - É DIVERTIDO

A infância é a fase se divertir e aproveitar a vida. Simplificando: trata-se de treinar para a vida se divertindo muito! A brincadeira pode ajudar os pequenos a formar um forte relacionamento com os irmãos, amigos, primos e, acima de tudo, com os pais. Certifique-se de que seus filhos tenham outras crianças para brincar. Escolha brinquedos e jogos com sabedoria - e reduza o tempo de exposição às telas. Por fim, certifique-se de sair com seus filhos e praticar atividades físicas, interagindo de forma sustentável com a natureza.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Que as mulheres possam existir plenamente

selo mulher - (crédito: kleber sales)

Que as mulheres possam existir plenamente

O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos viverem.

Por Ana Dubeux

postado em 08/03/2026 06:00

No rol de coisas bonitas da vida, eu penduro no espaço mais nobre a convivência com outras mulheres. Nelas, me reconheço, me abraço, me renovo, cresço, existo em plenitude. Uma existência rica em sentidos, baseada na amizade, na entrega, no acolhimento, na parceria. Amo ser mulher por inúmeros motivos, mas o maior deles é essa sensação de pertencimento a um mundo que tem mais de mim mesma. Flerto com a coragem de uma, com a espiritualidade de outra, com o talento de várias, com a força de todas.

Somos um coletivo imenso e, se não somos maioria no mundo, aqui no Brasil somos numericamente maiores, 6 milhões a mais de seres pensantes e ativos, que sustentam e cuidam de suas famílias, em casa, em hospitais, nos presídios. Sem perder a ternura. Mas, é preciso dizer, exaustas, amedrontadas, tristes, ameaçadas. Há uma epidemia em curso: a violência contra mulheres. E talvez não haja doença mais contagiosa e com maior potencial destruidor. Afinal, o que será do planeta com menos mulheres? 85 mil mulheres assassinadas em um ano no mundo, 60% por homens de seu convívio mais íntimo. 

O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos viverem. Dia de pensar e repensar lutas, de comunicar coletivamente nossa dor e desamparo, de exigir, sim, compensações para nossas inúmeras perdas, de brigar por direitos, entre eles o de manter a esperança de existir em um mundo que nos maltrata, violenta, ameaça e mata. 

Hoje, penso na menina estuprada por cinco; na mulher órfã de seus filhos, assassinados pelo próprio pai; na jovem arrastada por um carro em velocidade, em tantas mais. Penso nisso e sofro por elas e suas famílias. Penso nisso e rezo para que a gente consiga não odiar os homens na mesma proporção que nos odeiam porque, de nada adiantaria viver com tanta raiva no peito. 

Penso também na minha mãe, nas minhas irmãs, filha, neta, nora, amigas, parceiras de trabalho, do comércio que frequento, da igreja onde rezo, da canoa por onde navego buscando paz de espírito e força para o dia a dia. Todas são tão importantes e necessárias. Só quero que possam viver e continuar fazendo parte da rede de amor que nos une em cada pequeno pedaço de dia e para as mais variadas causas e razões.

Este é meu manifesto, minha palavra mais valorosa: que as mulheres possam existir, viver seguras, usufruindo de liberdade, sujeitos de suas próprias escolhas, plenas de direitos, próximas umas das outras, como uma grande rede de amor e pertencimento. 

Que todas recebam meu abraço e meu compromisso de ser inteira para nós, por nós! Cada gesto conta. Cada voto em uma mulher conta. Cada curtida e engajamento numa rede feminina e coletiva contam. Ajude uma mulher hoje, amanhã, depois e depois, para sempre. 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Reflexão para o III Domingo da Quaresma (A)

Evangelho do domingo 

A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço.

Vatican News

Em nossa vida, quando tudo vai de acordo com os nossos desejos, ficamos alegres, contentes e cordatos. Mas basta acontecer algo que não estava planejado, ou melhor, faltar algo com que contávamos, para que nossa alegria desapareça e comecemos a duvidar de tudo, inclusive daquela pessoa que proporcionou e continua nos proporcionando esses bens. Assim aconteceu com o povo judeu após a libertação do Egito.

Enquanto caminhavam rumo à terra prometida, a água veio a faltar. A reação foi tamanha que esqueceram as maravilhas que o Senhor havia operado em favor deles e até chegaram a desconfiar da fidelidade de Deus. Apesar dessa atitude, o Senhor continuou fazendo o bem ao povo e providenciou a água.

Podemos neste momento, fazer um exame de consciência de nossa vida. O Senhor nos deu a vida, nos alimenta, nos deu família, saúde e uma infinidade de bens, sejam espirituais ou materiais. Qual o nosso comportamento quando algo nos falta? Continuamos a nos sentir o centro do amor de Deus, ou nos esquecemos tudo o que Ele nos presenteou e só estamos atentos àquilo que nos falta?

No Evangelho, a samaritana vai atrás da água para matar sua sede. Jesus, também. É meio-dia!

Lembremo-nos que alguns meses mais adiante, nessa mesma hora, Jesus dirá que tem sede. Será do alto da cruz.

A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço. Jesus continua a conversa e a samaritana, entendendo sua proposta, dá um salto qualitativo e deseja a água viva, aquela que irá aplacar não seus desejos limitados, mas a que irá saciar seus desejos de eternidade. Ele fala da nova vida que nos dará através de sua morte e ressurreição, assumida por nós nas águas batismais.

São Paulo, em sua carta aos Romanos, nos diz que a saciedade que ansiamos é um dom de Deus, já usufruído aqui nesta vida, é o dom do Espírito Santo, o Amor de Deus derramado em nossos corações. Essa é a água que nos sacia, sem a qual não poderemos viver.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sábado, 7 de março de 2026

Os Domingos de São José

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

29/01/2026

O Papa Gregório XVI inscreveu a festa de São José no calendário de toda a Igreja em 1621, e fomentou a devoção dos sete domingos de São José, concedendo-lhe muitas indulgências.

O Santo Padre Pio IX outorgou-lhes atualidade perene com o seu desejo de que se recorresse a S. José para acudir à então situação aflitiva da Igreja universal.

Um antigo costume da Igreja encoraja os fiéis a acudir ao pai adotivo de Jesus, de forma mais assídua ao longo dos sete Domingos que precedem a sua festa, com vista a considerar aspectos, muitas vezes menos conhecidos, daquele que é Padroeiro da Igreja Universal.


As sete dores e alegrias de São José

Primeira Dor: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18).

Primeira Alegria: O anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo (Mt 1, 20-21).

Nos sete domingos anteriores à festa de São José, a Igreja convida-nos a contemplar a vida do Pai de Jesus | Opus Dei.

Segunda Dor: Veio para o que era seu, e os seus não o acolheram (Jo 1,1).

Segunda Alegria: Foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura (Lc 2,16).

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Terceira Dor: Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido (Lc 2,21).

Terceira Alegria: A quem porás o nome de Jesus, será chamado Filho do Altíssimo..., e o seu reino não terá fim (Lc 1, 31 e 32).

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Quarta Dor: Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações (Lc 2, 34).

Quarta Alegria: Porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações (Lc 2, 30.32).

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Quinta Dor: O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! (Mt 2,13).

Quinta Alegria: Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 'Do Egito chamei o meu Filho' (Mt 2,15)

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Sexta Dor: José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá (Mt 2, 22).

Sexta Alegria: Depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno (Mt 2,23).

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Sétima Dor: Começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura (Lc2, 44)

Sétima Alegria: Três dias depois, O encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas (Lc 2,45 )

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Como é que São Josemaria imaginava São José?

Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na plenitude da vida e do vigor humano. Sabemos, porém, que não era uma pessoa rica: era um trabalhador, como milhões de outros homens em todo o mundo; exercia o ofício fatigante e humilde que Deus havia escolhido para Si ao tomar a nossa carne e ao querer viver trinta anos entre nós como outra pessoa qualquer.
A Sagrada Escritura diz-nos que José era artesão. Vários Padres acrescentam que foi carpinteiro. Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de José: em nenhum momento surge aos nossos olhos como um homem apoucado ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar os problemas, ultrapassar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa as tarefas que lhe são confiadas. (É Cristo que passa, n. 40).

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Por que os padres abandonam a batina? Uma resposta surpreendente das pesquisas

Shutterstock

Aleteia Polônia - publicado em 06/03/26

Uma pesquisa recente realizada na Polônia traz luz sobre os motivos que levam os sacerdotes a deixarem o ministério. Os resultados contradizem muitos estereótipos comuns

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Quando um padre decide abandonar o sacerdócio, a opinião pública muitas vezes busca explicações simples: "ele se apaixonou", "perdeu a fé" ou "não aguentou a pressão da hierarquia". No entanto, um estudo detalhado coordenado por sociólogos e especialistas em psicologia da religião revela que o processo do abandono dos padres é muito mais complexo e, frequentemente, silencioso

O mito da "mulher" como causa principal

Embora o envolvimento afetivo apareça em muitos casos, a pesquisa indica que ele raramente é o estopim inicial. Na maioria das vezes, a relação amorosa surge como uma "tábua de salvação" ou um preenchimento para um vazio emocional e uma solidão que já estavam presentes há anos.

O estudo aponta que o isolamento dentro das casas paroquiais e a falta de uma rede de apoio real entre os próprios padres são os fatores que primeiro fragilizam a identidade sacerdotal.

A crise da "burocracia espiritual"

Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa é o cansaço dos padres com o que chamam de "administração do sagrado". Muitos sacerdotes jovens entram no seminário com o desejo de evangelizar e acompanhar as pessoas, mas acabam sobrecarregados por:

  • Gestão administrativa e financeira das paróquias;
  • Sentimento de serem apenas "prestadores de serviços religiosos" em vez de pastores;
  • Distanciamento dos bispos, que muitas vezes são vistos como "chefes" ou "gerentes" em vez de pais espirituais.

A solidão dos padres

A pesquisa destaca o fenômeno da "solidão funcional". O padre está cercado de pessoas o dia todo — nas confissões, nas missas, nas reuniões — mas raramente tem espaços onde possa ser ele mesmo, expressar suas dúvidas, medos e cansaços sem ser julgado. Quando essa vulnerabilidade não encontra espaço na estrutura da Igreja, o sacerdote começa a procurar esse acolhimento fora dela.

O papel da formação inicial

O relatório também sugere que alguns seminários ainda utilizam métodos de formação que não preparam adequadamente os candidatos para a realidade do mundo moderno. A falta de maturidade emocional e a incapacidade de lidar com a solidão celibatária de forma saudável aparecem como lacunas críticas que explodem anos após a ordenação.

Há esperança de mudança?

Os pesquisadores concluem que, para frear o número de abandonos, a Igreja precisa focar menos na vigilância e mais na fraternidade sacerdotal. Criar comunidades de padres onde haja apoio mútuo, acompanhamento psicológico acessível e uma relação mais humana com a hierarquia são passos urgentes.

O estudo termina com uma reflexão importante: a saída de um padre nunca é um evento isolado, mas o capítulo final de um longo processo de desilusão que, se detectado a tempo, poderia ter um desfecho diferente.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

sexta-feira, 6 de março de 2026

"Como uma criança nos braços da mãe": a fé segundo Joseph Ratzinger

Papa Bento XVI (Vatican Media)

Os textos publicados no livro "demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé", escreve o cardeal Parolin.

Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado

O cardeal Pietro Parolin escreveu o prefácio de "A Fé do Futuro, o Futuro da Igreja", livro que reúne textos selecionados e uma obra inédita de Joseph Ratzinger-Bento XVI, publicado pela Edizioni Cantagalli, com edição de Giuseppina Cardillo Azzaro (tradução de Pietro Luca Azzaro, revisão de Lorenzo Cappelletti). Seguem algumas passagens do prefácio:

O que é a fé para Joseph Ratzinger?

É, antes de tudo, a entrega confiante a alguém, "como uma criança nos braços da mãe, certa de que nela reside toda a resposta às minhas perguntas. Fé, confiança e amor tornam-se, assim, uma única coisa, e todos os conteúdos individuais em torno dos quais a fé gira são meras encarnações do ponto de virada que sustenta tudo: o 'Eu creio em ti', a descoberta de Deus no olhar do homem Jesus de Nazaré."

Se a fé é isso, então — como nos recorda Leão XIV desde sua primeira mensagem da Sacada central da Basílica de São Pedro, em 8 de maio de 2025 — a Igreja, em sua essência, é o nosso caminhar de mãos dadas pela senda da vida na companhia de Cristo, que nos faz arder o coração como aconteceu com os discípulos no caminho  com Ele para Emaús.

No livro “A fé do futuro”, uma homilia do então cardeal apresenta Santa Mônica e sua atitude para com o filho Santo Agostinho como personificação da comunidade eclesial: espaço de ...

E então, por que hoje muitos percebem a fé como um fardo, e a Igreja parece não lhes dizer mais respeito? E como pode florescer um novo começo?

Este é, em última análise, o cerne de cada texto reunido neste volume, que, em seu conjunto, nos apresenta a figura e a mensagem de um grande mestre da fé que, por meio de sua profundidade, acessibilidade imediata e poderoso testemunho, segue os passos dos grandes Padres e Doutores da Igreja que o inspiram continuamente; em primeiro lugar, Santo Agostinho, seu autêntico mestre.

De grande atualidade e humanidade, por exemplo, são os textos propostos sobre a conversão de Agostinho e sobre o papel de sua mãe, Mônica: "Santo Agostinho, em suas memórias, descreve o que sua mãe, Mônica, significava para ele: nela, ele experimentou a Igreja como pessoa, a Igreja pessoalmente, de modo que para ele não foi apenas um aparato, do qual se pressente algo à distância, estruturas de certa forma incompreensíveis. Nessa mulher, o que a Igreja é estava pessoalmente presente. Para ele, ela era a Igreja em pessoa, e por essa razão ele foi capaz de confiar na Igreja e tornar-se um homem da Igreja".

Também os textos publicados neste volume demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé. Redescobrir essa fonte da vida da Igreja é o que realmente importa.

Precisamente para esse propósito, Joseph Ratzinger também nos recorda continuamente que "o Senhor, que se fez hóspede e viajante, nos chama a estar abertos a todos os que não têm lar neste mundo, a estar abertos aos que sofrem, aos esquecidos, aos prisioneiros, aos perseguidos: Ele está em todos".

Surge o profundo vínculo com seus sucessores, Francisco e Leão XIV, que adquire ainda mais força nas palavras com as quais Ratzinger delineia uma característica essencial do poder conferido a Pedro: "O poder que lhe foi conferido de ligar e desligar - escreve ele - de abrir e fechar, do qual se fala, é, em sua essência, a tarefa de deixar entrar, de acolher em casa, de perdoar (Mt 16,19). O mesmo se encontra novamente na Última Ceia, que inaugura a nova comunidade a partir do corpo de Cristo e no corpo de Cristo. Isso se torna possível porque o Senhor derrama seu sangue "por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26,28).

Por fim, o Ressuscitado, em sua primeira aparição aos Onze, estabelece a comunhão da sua paz no fato de lhes dar o poder de perdoar (Jo 20,19-23). ​​A Igreja não é uma comunidade daqueles que "não precisam de médico" (Mc 2,17), mas uma comunidade de pecadores convertidos, que "Viver pela graça do perdão, transmitindo-a, por sua vez, aos outros." 

* Agência Fides

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF