Pentecostes | Vatican News |
Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a
festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus
manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6).
Dom Vital Corbellini, Bispo de
Marabá – PA.
No domingo seguinte à Ascensão
do Senhor festeja a Igreja a solenidade de Pentecostes, a descida do Espírito
Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém,
como um vento impetuoso, que encheu toda a casa e onde apareceram como que
línguas de fogo que pousavam sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do
Espírito Santo e eles começaram a falar outras línguas conforme o Espírito
Santo lhes concedia de se exprimirem (At 2,1-4). Pentecostes é a festa da
unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da
morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade
e vida (Jo 14,6).
Pentecostes é uma
palavra grega: Pentecoste, cujo significado é qüinquagésimo dia; é
uma festa católica, celebrada no domingo quarenta e nove dias após a Páscoa,
para lembrar a descida do Espírito Santo no Cenáculo sobre os Apóstolos e a
Virgem Maria[1] Antes da Ascensão, disse Jesus aos discípulos para não se
afastarem de Jerusalém para aguardar a realização da promessa do Pai, pois se
João batizou com água, eles seriam batizados no Espírito Santo (At 1, 4-5).
Os Apóstolos receberam o poder
do Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos para serem testemunhas de Jesus
Cristo em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra
(At 1,8). Desta forma o Espírito Santo, veio por pedido de Jesus ao Pai para a
ação na Igreja e no mundo, em vista da unidade com Deus e pela salvação dos
povos, como dom de Deus para todos.
A doutrina sobre
o Espírito Santo
Os Padres da Igreja
desenvolveram uma doutrina sobre o Espírito Santo pelas fórmulas
pneumatólogicas no Antigo Testamento (AT), mas, sobretudo pelo Novo Testamento
(NT). O Antigo Testamento falou da descida do Espírito sobre os reis e os
chefes do povo (1 Sm 10,1;16,3), sobre os profetas (Is 11,2; Sl 50,13)
percebido também como dom prometido para o dia do Senhor (Jl 3,1). A Sagrada
Escritura também falou que o Espírito pairava sobre as águas originárias (Gn
1,2). No NT, o Espírito Santo faz-se em referência à pessoa de Jesus de Nazaré,
confessado como o Cristo, por ser o Messias, o Salvador de Israel e de toda a
humanidade, com isso a presença do Espírito Santo na vida da Igreja e no mundo.
O Espírito é dado a Jesus em
vista da missão porque ele o consagrou para evangelizar os pobres, libertar os
presos, dar a vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos e para
proclamar um ano de graça do Senhor (Lc 4, 18-19). Mas o Senhor também falou da
vinda do Espírito Santo, o Espírito da verdade que ensinará a verdade plena (Jo
16,13), levando as pessoas à vida com Deus e com as pessoas. Os Padres da
Igreja colocaram as bases para uma doutrina pneumatológica do Espírito Santo,
como Tertuliano, Hipólito de Roma, Orígenes, o Concílio de Constantinopla, São
Cirilo de Jerusalém, São Basílio de Cesareia, São Gregório de Nazianzo, Santo
Agostinho entre outros[2]. A seguir ver-se-á a forma como alguns deles deram
uma reflexão do Espírito Santo, que ilumina as pessoas em vista do amor de Deus
em Jesus Cristo às pessoas e para o mundo.
A ação do
Espírito Santo
São Cirilo de Jerusalém,
bispo, século IV disse que o Espírito Santo é onipotente, grandioso,
extraordinário, nos dons do qual ele se faz portador. Ele age eficazmente
estando no meio, no interior das pessoas de paz e de amor. Ele conhece a
natureza das pessoas, discernindo os pensamentos e a consciência tudo aquilo
que é pronunciado ou se faz na agitação da mente. A sua ação é para todas as
pessoas de bem, que amam a Deus, ao próximo como a si mesmo. É preciso
considerar a sua ação para todos os povos, os bispos, os presbíteros, os
diáconos, os monges, as virgens, todos os fiéis leigos e leigas. Ele é o grande
protetor e doador de graças, em qualquer lugar do mundo, doando a um a
modéstia, a simplicidade, a outro a castidade, a outra a misericórdia, a outro
o amor para com os pobres, a outro ainda o poder de expulsar os espíritos
adversos[3].
O Espírito é a
luz divina
São Cirilo de Jerusalém ainda
dizia que o Espírito Santo é a luz divina que esclarece tudo para a glória
humana e de Deus. Ele possibilita na integridade com um único raio, a vida das
pessoas e dos povos, trazendo-os à luz da verdade das coisas. Ele ilumina todas
as pessoas que têm olhos para vê-lo: se alguém de fato não estando em grau de
percebê-lo, não vem retido pela graça, não se atribui a culpa a ele, mas antes
a incredulidade da própria pessoa[4]. O Espírito Santo age na pessoa se o
coração humano for aberto às suas inspirações, em vista da conversão de vida e
na unidade com Cristo e com o Pai.
É a terceira
Pessoa da Santíssima Trindade
São Basílio Magno, bispo do
século IV, de Cesareia, na Turquia disse que o Espírito Santo é a terceira
pessoa da Santíssima Trindade, na qual forma a unidade onipotente em Deus. Ele
é um com o Pai, e com o Filho de modo que ele é Deus como o Pai e é Deus como o
Filho. O Espírito Santo santifica aqueles que são santificados.
Ele preenche os anjos, os
arcanjos, santifica as potestades, vivifica tudo. Ele distribui dons sobre a
inteira criação, de modo que não resulta diminuído. Ele doa a todos a sua
graça, enche as pessoas que o invocam sem diminuir-se. O Espírito concede a
todos a sua graça permanecendo intato e indiviso. Ilumina a todos ao
conhecimento de Deus, entusiasma os profetas, torna sábios os legisladores,
consagra os sacerdotes, consolida os reis, perfecciona os justos e as justas,
dá o dom da santificação, ressuscita os mortos, liberta os prisioneiros, torna
filhos e filhas os estrangeiros[5]
O dia aguardado
São Leão Magno, papa do século
V afirmou que a descida do Espírito Santo foi um dia bem aguardado por todos os
discípulos do Senhor. Ele foi consagrado ao Espírito Santo com o excelente
milagre do dom que ele fez de si mesmo. Após uns dias no qual o Senhor
ressuscitado subiu acima de todos os céus para se assentar à direita de Deus
Pai, refulgindo como o qüinquagésimo dia, teve Pentecostes, encerrando grandes
mistérios dos antigos e dos novos sacramentos, pela demonstração da graça
preanunciada pela lei e esta cumprida pela graça.
Enquanto para o povo hebreu,
libertado do Egito, no qüinquagésimo dia após a imolação do cordeiro,
celebrava-se a lei de Moises, dada no monte Sinai (Ex 19,17), no qüinquagésimo
dia, após a paixão de Cristo na qual foi imolado o verdadeiro Cordeiro pascal
de Deus, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e o povo fiel (At 2,3). É
preciso que o cristão reconheça a realização da Aliança nova travada pelo
Espírito a qual instituiu também a primeira[6].
O sopro do
Espírito e o início da pregação evangélica
São Leão Magno tendo presente
o dom do Espírito dado aos discípulos de falar em línguas, afirmou que o
Espírito Santo sopra onde quer (Jo 3,8) de modo que as línguas próprias de cada
povo, tornaram-se comuns nos lábios da Igreja. Com Pentecostes houve o início
da pregação evangélica, com a chuva da carismas, rios de bênçãos a irrigarem o
deserto e a terra árida em vista da renovação da terra, para dissipar as
antigas trevas tendo os fulgores da nova luz, quando pelo esplendor das línguas
brilhantes concebia o verbo luminoso do Senhor, superando a morte e o
pecado[7].
O Espírito Santo
é dado para superar a debilidade da carne
Santo Ireneu de Lião, bispo,
séculos II e III colocou a importância da ação do Espírito Santo na pessoa em
vista da superação da debilidade da carne. As pessoas que temem a Deus e creem
em Jesus, pondo o Espírito de Deus no seu coração, são consideradas viventes
para Deus, porque possuem o Espírito do Pai que purifica o ser humano e o eleva
à vida de Deus. O Senhor afirmou que a carne é fraca e o espírito está pronto
(Mc 14,38), capaz de realizar o que deseja. O fato é que se alguém misturar a
prontidão do Espírito à fraqueza da carne, o que é forte supera o fraco, a
fraqueza da carne será absorvida pela força do Espírito. Assim os mártires
testemunharam o amor de Cristo e desprezaram a morte não segundo a fraqueza da
carne, e sim conforme a prontidão do Espírito. O Espírito Santo ao absorver a
fraqueza, possui a carne em si e estes elementos constituem o ser humano
vivente pela participação do Espírito na vida da pessoa[8].
A Igreja festeja Pentecostes
como o acontecimento que marcou a vida da Igreja no início para testemunhar
Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos, o amor do Pai para a vida da Igreja
e do mundo.
[1] Cfr. Pentecòste. In: Il
vocabolario treccani, Il Conciso. Milano, Trento, 1998, pg. 1156.
[2] Cfr.F. Bolgiani. Spirito
Santo. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane, diretto
da Angelo Di Berardino, P-Z. Marietti, Genova, 2008, ps.
5093-5106.
[3] Cfr. Cirillo di
Gerusalemme. Catechesi Battesimali, 16,22-23. In: La
teologia dei padri, v. 2. Città Nuova Editrice, Roma, 1982, pg.
306.
[4] Cfr. Idem.
Pgs. 306-307.
[5] Cfr. Basilio Il
Grande. Omelia sulla fede, 3. In: idem, pg. 307.
[6] Cfr. LXXV Sermão.
Primeiro Sermão de Pentecostes, 1. In: Sermões. Leão Magno. São
Paulo, Paulus, 1996, pg. 178-179.
[7] Cfr. Idem. Pg.
179.
[8] Cfr. Ireneu de LIão, V,9,2. São Paulo,
Paulus, 1995, pgs. 538-539.
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