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domingo, 6 de abril de 2025

Missionários digitais: A fé em um clique!

Tonktiti - Shutterstock
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Paulo Teixeira - publicado em 06/04/25

Articulação entre católicos que testemunham o Evangelho no ambiente digital realiza encontro.

Durante os trabalhos preparativos para o Sínodo sobre a Igreja sinodal, em um dos instrumentos de trabalho foi abordada a questão da missão no ambiente digital. De fato, a Igreja se insere nos diversos contextos humanos e a todos procura levar a luz da fé. Em geral pensamos em missão no sentido “quilométrico”, no sentido de territorial. Admiramos os missionários que se aventuram em terras distantes e apresentam o Evangelho a diversos povos e culturas, devorando centenas de quilômetros. Mas surgem em nossos dias também os missionários digitais.

Os indivíduos, organizações e instituições existem em lugares determinados e desenvolvem seu trabalho em certos contextos. Mas, muitas vezes temos contatos com pessoas, comunidades e instituições de lugares diferentes e que nos ajudam a viver a fé. 

As fronteiras missionárias atuais não correspondem às geográficas. No atual contexto, cabe o seguinte exemplo: Uma pessoa de um país de minoria católica está à um clique de distância de comunidades que vivem de maneira fervorosa a fé. Um exemplo bem preciso são os cantos religiosos que são cantados no Brasil e na Coréia, uma união que mostra a realidade da comunhão do Espírito Santo, por meio da internet.

Igreja em saída

A Igreja Católica incentiva e acompanha a missão no ambiente digital. Ela reconhece como seus agentes os missionários digitais que usam a tecnologia para transmitir o Evangelho na atual cultura da comunicação. No Brasil, os missionários digitais se organizam com a comissão de comunicação da CNBB e promovem diversas iniciativas e encontros. Existem momentos de oração, de formação e reflexão. Os missionários se encontram remotamente, mas também promovem encontros presenciais. 

Encontros

No ano passado a CNBB promoveu um encontro com 17 sacerdotes que evangelizam por meio das redes sociais; no início de março deste ano, realizou o primeiro encontro presencial do projeto Missionários Digitais Brasil

São missionários digitais os padres cantores, jovens que atuam como influencers nas redes sociais, instituições católicas que evangelizam pelos meios de comunicação e fiéis que se empenham em testemunhar a fé no ambiente digital.

Missão

Na revista La Civiltà Cattolica, o jesuíta Padre Bruno Frengueli alertou que “para estar presente no digital, é preciso muito cuidado, pois critérios para avaliar a missão da Igreja no ambiente digital não devem ser derivados do campo empresarial, político, publicitário, mercadológico ou do entretenimento. Métricas digitais como alcance, engajamento, cliques e visualizações podem ser critérios muito importantes para qualquer outra instituição social, mas dizem muito pouco à Igreja do ponto de vista de sua missão. Os números não importam para a Igreja, porque a ‘matemática de Deus’ é diferente, já que a multiplicação só ocorre quando há fração e partilha”, reflete.

No final de julho acontecerá em Roma o Jubileu dos Missionários Digitais, um momento emocionante para celebrar a esperança que essa ação evangelizadora leva para o mundo. 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/04/06/missionarios-digitais-a-fe-em-um-clique

Reflexão para o V Domingo da Quaresma (C)

Evangelho do domingo (Vatican News)

O pecado é um mal que fere o homem. Por isso, Deus o detesta, Jesus o detestou. Mas ele não condena o pecador, ao contrário, ele veio salvar o pecador, veio dar sua vida para salvá-lo.

Padre Cesar Augusto, SJ – Vatican News

No Evangelho deste domingo temos a má vontade e a hipocrisia, de um lado, e a justiça e bondade de Deus, do outro. Evidentemente, o Amor é mais inteligente e vence a hipocrisia.

Uma mulher é apanhada em adultério. Naquela época cometer adultério não significava necessariamente estar com outra pessoa, mas bastava apenas a insinuação. Preferimos entender assim, já que não se fala do parceiro com quem a adúltera pecava.

Os fariseus, plenos de malícia, mais uma vez preparam uma cilada para que Jesus caia como blasfemo e entre em contradição com sua doutrina, a do amor.

Podemos ver aí duas atitudes:

Do lado dos fariseus temos pessoas altamente preocupadas pela legalidade e pelo cumprimento das prescrições mosaicas. Elas  não suportam o pecado, dos outros! Por isso Jesus diz : “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Existem pessoas que têm verdadeira obsessão pelos pecados, sobretudo sexuais, dos outros. Por que se deleitam em divulgar os pecados dos outros? Sempre arranjam justificativas para isso. Serão de fato puros e inocentes estes pregoeiros da moral?

Por outro lado Jesus, condoído pelo vexame e constrangimento vivido pela mulher, quer ajudá-la, quer revesti-la com a dignidade que havia perdido – por seu pecado e pela exposição feita pelos fariseus - , quer levantá-la. Afinal ele veio para salvar, para dar vida!

Mas nesse “imbroglio” está em jogo a missão de Jesus como Redentor – e é isso que os fariseus desejam verdadeiramente atingir. Podemos dizer que os fariseus queriam pegar dois coelhos com uma única cajadada: eliminar a mulher e desmoralizar Jesus, destruí-lo.

O Senhor, conhecendo os corações e pleno de sabedoria, dá tempo ao seu sentimento humano e respira fundo, rabiscando no chão. Depois, levanta a cabeça e, senhor da situação, com toda serenidade diz: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Quem dentre os presentes jamais tivera um pensamento impuro? Quem dentre os presentes foi feito de natureza diferente? Quem dentre os presentes respeitava plenamente os dez mandamentos?

O pecado é um mal que fere o homem. Por isso, Deus o detesta, Jesus o detestou. Mas ele não condena o pecador, ao contrário, ele veio salvar o pecador, veio dar sua vida para salvá-lo. O que Jesus mais deseja é a salvação de quem errou. Ele não veio para julgar, mas para salvar!

Aprendamos com o Senhor. Qualquer que seja a situação que estejamos, qualquer que seja o deslize de um irmão nosso, seja ele quem for, sejamos discípulos do Mestre e procuremos salvar, vestir de dignidade quem a perdeu. Isso não significa acobertar o pecado e deixar a vítima de lado, mas ter um coração como o de Deus, onde existe lugar para todos. Deus é vida, sejamos também vida!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 5 de abril de 2025

SÃO BENTO: "Não coloque nada acima do amor de Cristo"

A Abadia de Santa Escolástica em Subiaco, Roma | 30Giorni

Arquivo 30Dias n. 05 - 2005

"Não coloque nada acima do amor de Cristo"

«Nihil amori Christi praeponere». Esta indicação repetida da Regra liga o Papa Bento XVI ao santo padroeiro da Europa. Um artigo do abade do mosteiro de Santa Escolástica em Subiaco.

por Dom Mauro Meacci

«O que precisamos sobretudo neste momento da história são homens que, através de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo… Precisamos de homens como Bento de Núrsia que, num tempo de dissipação e decadência, se afundou na mais extrema solidão, conseguindo, depois de todas as purificações que teve de sofrer, elevar-se à luz, regressar e fundar, em Montecassino, a cidade sobre a montanha que, com tantas ruínas, reuniu as forças das quais se formou um mundo novo. Assim, Bento, como Abraão, tornou-se pai de muitos povos." Quando o Cardeal Joseph Ratzinger concluiu seu discurso “A Europa na crise das culturas” com estas palavras em Subiaco em 1º de abril de 2005, ninguém poderia imaginar o que aconteceria logo depois.

No dia seguinte, o amado Papa João Paulo II morreu e alguns dias depois, em 19 de abril, o Cardeal Ratzinger foi eleito Bispo de Roma e, portanto, pastor supremo da Igreja Católica, tomando o nome de Bento XVI.

Com este nome, o Papa se ligou ao seu predecessor Bento XV, comprometido com a defesa da paz e a evangelização do mundo inteiro e, de forma muito particular, a São Bento, legislador do monaquismo ocidental e padroeiro da Europa. A devoção pessoal e a partilha daquela profunda espiritualidade expressa pela repetida citação do capítulo 4, 21 da Regra – «Nihil amori Christi praeponere» – ligam o Santo Padre ao santo de Núrsia.

Tudo isso fez surgir em muitos o desejo de conhecer um pouco melhor a figura e a obra de São Bento, um figura tão exaltada mas pouco frequentada devido à aparente distância que o separa da vida comum e à sua distância cronológica de nós.

Sabemos sobre São Bento o que o Papa Gregório I Magno (590-604) nos conta no Segundo Livro dos Diálogos e possuímos apenas um escrito autógrafa, a Regula monachorum .

Bento nasceu por volta de 480 em Núrsia. Após um período de estudos em Roma, ele se retirou para Subiaco, onde viveu por cerca de três anos como eremita em uma caverna perto do mosteiro do monge Romano. Por volta de 500 d.C., ele começou a reunir discípulos fundando, a partir das ruínas da Vila de Nero, treze mosteiros de doze monges cada, reunidos em torno de um abade, segundo o modelo apostólico. Vários eventos e uma nova visão da vida monástica como uma única família em torno de um único abade o levaram em 529 a deixar Subiaco e seguir para Montecassino, onde fundou aquela "Cidade na montanha" da qual toda a tradição monástica se orgulha. Ali, em 21 de março de 547, enquanto rezava de pé, apoiado por dois discípulos, ele morreu.

Hoje, São Bento é conhecido como o santo padroeiro da Europa, mas, após uma análise mais detalhada, há aspectos de sua história pessoal e das intenções de seu trabalho que podem dificultar a compreensão da adequação desse patrocínio.

De fato, quando São Bento nasceu, o Império Romano do Ocidente havia desaparecido recentemente e a Europa romanizada estava dividida em numerosos potentados locais em guerra com a parte latina e muitas vezes até entre si. Tivemos que esperar até o século VIII-IX para reencontrar o projeto de algo que remetesse a uma unidade territorial “europeia”.

Além disso, São Bento viveu toda a sua vida em uma região bastante restrita ao redor de Roma e, embora tenha tido relações com pessoas importantes da época, não há evidências de que tenha viajado ou conhecido outros contextos culturais.

Por fim, o propósito da instituição que São Bento concebeu não era promover um renascimento da cultura antiga ou um renovado impulso missionário da Igreja entre as tribos bárbaras, esforços tentados pelas realidades monásticas contemporâneas, mas a busca de Deus como único propósito da vida. “Quaerere Deum”, este é o ideal que São Bento propõe ao irmão que pede para entrar no mosteiro, e para encorajar esta busca ele organiza a comunidade em torno da leitura meditativa das Sagradas Escrituras, da oração e daquele conjunto de atividades que permitem a vida prática e o desenvolvimento de relações de caridade fraterna.

Onde está a Europa em tudo isso? Onde está aquele programa bem-sucedido de integração entre a Romanidade e o mundo germânico e eslavo?

Em lugar nenhum como consciência, em todo lugar como premissa e raiz.

Para o monge cristão, a busca séria de Deus pressupõe o conhecimento daqueles documentos insubstituíveis da fé que são as Sagradas Escrituras. No armarium da sacristia conserva-se o núcleo das bibliotecas monásticas, além dos códices litúrgicos, os que contêm a Bíblia e os principais comentários dos Padres da Igreja. Logo, a necessidade de uma melhor compreensão do texto sagrado levou os monges a aprofundar também aquele conhecimento gramatical e sintático que eles só podiam tomar emprestado do estudo de autores clássicos e seus métodos de interpretação. Tudo isso levou ao maravilhoso fenômeno da conservação da cultura antiga, pelo qual o monaquismo ainda é creditado. No entanto, muitas vezes esquecemos que no calor do debate que se travava nas escolas monásticas se desenvolveu uma teologia peculiar, que o Padre Jean Leclercq chamou de "sabedoria", herdeira da grande tradição patrística e fortemente moldada pela prática da lectio divina , onde o objetivo da alimentação espiritual sempre prevaleceu sobre a academia especulativo-científica.

A verdade apreendida na meditação da página sagrada logo brilhou na mais variada e original criação artística. Os transcritores dos códices litúrgicos e bíblicos começaram a decorar os textos com esplêndidas miniaturas, verdadeiras pausas meditativas e explicativas. Assim, os arquitetos das basílicas e das igrejas monásticas encontraram meios de utilizar os mais variados expedientes para repropor a mesma verdade evangélica. O que são certos capitéis românicos senão verdadeiras meditações da Palavra feitas através da pedra? O que são os grandes ciclos de afrescos nas igrejas senão maneiras de permitir que todos se aproximem do texto sagrado e, por isso, corretamente definidos como Biblia pauperum ? O que é o canto gregoriano senão a expressão bem-sucedida de uma meditação musical sobre as Sagradas Escrituras?

Tudo isso, retomado e relançado pela corte carolíngia através da obra de Alcuíno e de São Bento de Aniane, se tornará, a partir do final do século VIII e de forma mais convicta e sistemática nas primeiras décadas do século IX, patrimônio de todos e, no esforço de dar unidade cultural ao Império renovado, o húmus da cultura europeia renascida. Os castelos, catedrais e centenas de mosteiros, agora espalhados além do Reno e do Vístula, se tornarão os postos avançados e centros centrais dessa emocionante temporada histórica que, apesar das sombras do século X, dará seus melhores frutos no grande florescimento da Idade Média.

As exigências da vida comunitária também levaram ao desenvolvimento ou refinamento de algumas categorias que seriam fundamentais para a integração dos novos povos aos tempos clássicos e para seu crescimento humano.

Primeiramente, a concepção de tempo e espaço. Aos novos povos, em sua maioria nômades, acostumados a viver sob o céu e no horizonte de uma terra a ser percorrida com flechas e a cavalo, os mosteiros ofereciam o exemplo de uma vida comunitária em que as diversas ocupações – oração, estudo, trabalho, refeições, discussão, descanso, etc. – aconteciam nos horários e lugares determinados. Nunca será possível calcular completamente o poder civilizador e educacional dessa regularidade laboriosa que se espalhará dos mosteiros por toda parte com o toque severo do sino que chama para várias ocupações: "Porque a ociosidade é inimiga da alma".

São Bento admoesta o abade a sempre lembrar que ele deve guiar não os fortes ou os perfeitos, mas os fracos e pecadores. Daí a preocupação de estar atento às necessidades de cada um e, embora tenha o dever de orientar todos segundo a Regra, não deixar que ela se torne um obstáculo para ninguém. Seria longo enumerar os numerosos casos em que a dialética entre observância literal e exceção legítima se resolve, no julgamento do abade, na escolha da solução mais atenta às necessidades concretas do indivíduo ou da comunidade. Desta forma, respeitando a paternidade do abade, expressão da paternidade divina, o monge reconhece-se como pessoa dotada de uma dignidade própria e inalienável, dotada de direitos e deveres precisos, derivados do direito divino e reconhecidos pela Regra. 

Certamente o caminho para a concepção moderna da pessoa e do relacionamento correto com a autoridade ainda é longo e terá que passar por eventos históricos dolorosos; No entanto, há uma base fundamental aqui porque somos todos filhos do mesmo Pai e somos todos irmãos em Cristo, embora desempenhemos papéis comunitários diferentes.

A última conversa entre São Bento e Santa Escolástica, mestre da Úmbria do século XV, Igreja Superior do Sacro Speco, Subiaco | 30Giorni

Por fim, como não lembrar da nova dignidade que a Regra confere ao trabalho manual? Sabemos que antigamente somente as atividades relacionadas ao governo e as atividades intelectuais eram consideradas dignas de um homem livre, e entre os novos povos, as de guerra. Diante dessa mentalidade, os mosteiros, muitas vezes compostos por monges do antigo patriciado ou da nova nobreza, ofereciam evidências do trabalho manual tomado como disciplina e como instrumento de adaptação da realidade circundante às necessidades da comunidade, segundo o princípio: "Cada um viva do seu próprio trabalho". Também neste campo, de acordo com as complexas contingências históricas que gradualmente surgirão, a família beneditina dará contribuições fundamentais à Idade Média europeia.

A partir dessas referências é possível compreender como a construção da Europa está inextricavelmente ligada à força irradiante e estruturante da intuição espiritual de São Bento. Uma concretização convincente da fé evangélica que, quase naturalmente, se torna cultura e fermento de escolhas sociais que, se nos permitirmos a expressão talvez um tanto ousada, nos permitirá vislumbrar do século XI ao século XIII – a era de Cluny e Cister – o sonho realizado de uma Europa civilizada e unificada em nome de Cristo.

Para concluir, gostaria de voltar àquela expressão que o Santo Padre gosta de repetir: «Nihil amori Christi praeponere». Como já foi mencionado, esta frase, mas eu preferiria dizer este programa de vida, encontra-se na Regra de São Bento que, por sua vez, a toma emprestada do famoso comentário à Oração do Senhor de São Cipriano, bispo de Cartago e mártir. Ela funde a espiritualidade dos mártires com a dos monges. Acredito que nossa época é sensível como poucas ao encanto desta mensagem. Quando o Papa João Paulo II desafiou todos a buscar e viver um alto nível de santidade, ele nos convidou a seguir os caminhos da verdade e da coragem, assim como os monges e os mártires.

Como os monges de todos os tempos, também nós devemos procurar a verdade com confiança e tenacidade, sem nos cansarmos nem ter medo de percorrer em toda a sua complexidade os caminhos da cultura moderna, por vezes fragmentados ou interrompidos, mas sempre cheios de humanidade, "per ducatum Evangelii".

E uma vez que nos tenha surpreendido e cativado, não devemos ter medo nem ansiedade em propô-lo e testemunhá-lo. Na verdade, não o faremos para afirmar nossa própria convicção, mas para documentar a existência de um amor que nos precede a todos, nos sustenta a todos, nos espera a todos, imitando assim as comunidades monásticas medievais que, próximas das grandes cidades ou perdidas no meio das florestas, situadas em contextos cristãos ou dispersas em terras pagãs hostis ou indiferentes, mantinham seu "ritmo" feito de oração, estudo, trabalho e amor enquanto esperavam...

Fonte: https://www.30giorni.it/

Jubileu dos Enfermos, peregrinos: o Papa Francisco está conosco

Jubileu dos Enfermos 2025 (Vatican Media)

Desde as primeiras horas do dia, longas procissões saíram da Praça Pia até a Porta Santa da Basílica Vaticana. Os protagonistas são os 20.000 peregrinos do Jubileu dos Enfermos e do Mundo da Saúde. Muitas pessoas em cadeiras de rodas, voluntários e equipes de saúde. Nos corações dos fiéis, orações pela paz no mundo e pela cura completa de Francisco.

https://youtu.be/mk6vymqLVh0

Daniele Piccini – Vatican News

Muitos estão em cadeiras de rodas. Outros estão sob os braços de seus acompanhantes: parentes, freiras, profissionais da saúde, voluntários da Unitalsi. Seu Jubileu, o dos enfermos e do mundo da saúde, iniciado este sábado, 5 de abril, na Praça Pia, pouco depois das oito e meia da manhã. Depois de algumas centenas de metros, a passagem pela Porta Santa da Basílica de São Pedro. Para alguns deles, depois de tantos dias dentro de suas casas de repouso, se trata, finalmente, de um belo dia ao ar livre. Para todos, um dia de esperança.

Um dia fora das RSAs

“Estamos aqui para ter uma experiência comum, um caminho de fé que enriquece a todos, nós voluntários da Unitalsi e os doentes que acompanhamos”, explica padre Walter Gatti, assistente da Unitalsi Vittorio Veneto. “Somos um grupo de 170 pessoas”, continua o sacerdote, ”nem todos estão doentes. Por exemplo, eu também acompanho minha mãe, que tem 95 anos de idade. Para os nossos enfermos, é uma grande emoção e uma grande experiência de vida estar aqui, porque muitas vezes eles estão fechados em suas casas ou em instalações de acolhimento, onde são bem tratados, mas nem sempre têm a oportunidade de viver essas experiências ao ar livre”.

https://youtu.be/j_ffp0eWi8g

Padre Walter Gatti no Jubileu dos Enfermos

Orações de esperança e paz

Para alguns, confinados a cadeiras de rodas, participar do Jubileu dos Enfermos é até mesmo a realização de um sonho. “Eu queria muito vivenciar esse Jubileu e passar pela Porta Santa. Parecia impossível para mim porque não posso andar”, admite a Sra. Angela, hóspede da Casa de Repouso “Servas da Santíssima Trindade” na Rua Trofarello em Roma, apenas alguns minutos depois de atravessá-la em sua cadeira de rodas. “Tivemos um carro para carregar a minha cadeira de rodas”, continua Angela, membro do Movimento dos Focolares, ”e assim recebi um enorme gesto de amor dos meus companheiros que me ajudaram. Estou feliz por ter vindo e por ter experimentado em primeira mão como, apesar de todos os desafios e guerras, a esperança no futuro pode sempre nascer no coração”.

https://youtu.be/cMj1oFuatC8

Esperança nos corações e paz no mundo: as orações dos peregrinos

Um pensamento voltado para Francisco convalescente

Junto com a esperança, os mais de vinte mil peregrinos que vieram a Roma de mais de 90 países do mundo para o Jubileu dos Enfermos trazem em seus corações um pensamento para o Papa Francisco, ele mesmo, até 23 de março, internado no Hospital Gemelli, recentemente recebeu alta e ainda está convalescendo na Casa Santa Marta. “Viemos a Roma no ano do Jubileu como etapa de um caminho de fé de toda uma vida”, diz Daniel, de Verona, mas originalmente do Sri Lanka, que acompanha duas pessoas com deficiência, ”e queremos desejar ao Papa Francisco boa saúde e boa sorte!

https://youtu.be/m6JrTIO2l_k

Orações dos peregrinos pelo Papa Francisco convalescente

Este domingo, com a Missa na Praça São Pedro, presidida pelo arcebispo Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, se conclui o programa do sétimo evento jubilar.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Um livro “louco” sobre a essência do cristianismo

Um momento da apresentação do livro "O louco de Deus no fim do mundo" (Vatican Media)

Foi apresentado em Roma o romance “O louco de Deus no fim do mundo”, de autoria de Javier Cercas, que se define como ateu e racionalista. No livro, a conversa do autor com o Papa gira em torno da questão da promessa de vida eterna. “Com a ressurreição de Cristo”, explica o Pontífice em resposta ao escritor espanhol, “a semente da ressurreição de toda a humanidade foi plantada”.

Amedeo Lomonaco – Vatican News

Um ateu, um militante secularista anticlericalista, um racionalista obstinado, um ímpio rigoroso. Essas são as definições com as quais o escritor espanhol Javier Cercas se apresenta no início de seu novo romance intitulado “O louco de Deus no fim do mundo”, publicado na Itália pela editora Guanda e traduzido para mais de trinta idiomas. O livro, no qual o autor relata sua viagem à Mongólia de 31 de agosto a 4 de setembro de 2023 junto com o Papa Francisco, foi apresentado como parte do segundo encontro das Pré-estreias de Literaturas Festival Internacional de Roma, um programa promovido pelo assessor para a cultura Massimiliano Smeriglio.

Francisco, “o louco de Deus”

Durante o evento cultural, que já está em sua 24ª edição, foi lembrado que o novo romance de Cercas, lançado nas livrarias em 1º de abril, foi publicado simultaneamente na Itália, na Espanha e em países da América Latina. Dialogando com os jornalistas Aldo Cazzullo e Sabina Minardi, o escritor Javier Cercas contou a gênese dessa obra, que surgiu por proposta do Dicastério para a Comunicação. O livro, permeado por uma crescente nostalgia de Deus, tem um ponto fulcral: a conversa íntima do autor, face a face, com o Pontífice, definido como “o louco de Deus”. Uma expressão também usada por São Francisco, o nome escolhido por Jorge Bergoglio após sua eleição para a Cátedra de Pedro.

“Francisco vai à Mongólia para encontrar um novo futuro e ver o mundo como ele é do único lugar de onde ele pode ser visto: da periferia, do fim do mundo. Francisco vai à Mongólia para continuar sendo Francisco (uma passagem do livro “O louco de Deus no fim do mundo”).”

Senso de humor

O escritor Javier Cercas apresentou sua obra diante da plateia que lotou o Teatro Studio Borgna do Auditorium: “Este livro é único e louco e eu me sinto privilegiado. É uma história de investigação porque há um enigma. Há muitos 'personagens' no romance”. Entre eles, alguns representantes do Dicastério para a Comunicação que “me propuseram escrever um romance com absoluta liberdade sobre a viagem do Papa à Mongólia. O grande desafio era trabalhar sem preconceitos”. “Para mim - disse o escritor espanhol -, tudo foi uma surpresa permanente. E tudo era diferente do que eu esperava. O romance é um livro bem-humorado. O próprio Pontífice afirma ter senso de humor”. “O Papa Francisco - disse ele - sempre foi surpreendente para o mundo inteiro. Ele é um Papa anticlerical, contra o clericalismo, contra a ideia de que o clero está acima dos fiéis. O livro contém a questão essencial do cristianismo: a da vida eterna. Ninguém havia perguntado isso ao Papa”. “Depois desse livro - explicou Javier Cercas ironicamente durante a apresentação -, não posso dizer se reencontrei a fé, caso contrário não venderei uma cópia do romance... O centro do livro é o louco de Deus, o Papa. Outro protagonista sou eu, o louco sem Deus. A realidade me presenteou um milagre para o epílogo do romance”.

Um romance sobre ressurreição

O jornalista Aldo Cazzullo, amigo de Cercas e que também foi transformado em personagem da narrativa, explicou que “o livro do escritor espanhol flui magistralmente em uma página seca depois de girar em torno de vários personagens”. Esse livro, disse ele, é uma biografia sobre o Papa, um romance sobre a ressurreição da carne. É também uma “reflexão sobre o momento da vida em que os pais morrem”. E é um retrato, acrescentou Aldo Cazzullo, de um Papa que é ao mesmo tempo “um homem extraordinário e um homem comum”. A jornalista Sabina Minardi relembrou, folheando algumas páginas do livro, o “incômodo do Papa com a idolatria”, seu amor pelo romance “Os noivos” e pela poesia. No romance, é possível ver como Francisco tem um senso aguçado do futuro, da história e da memória.

Um enigma

O escritor Javier Cercas enfatiza que o livro é “um enigma” que gira em torno de uma questão, a da promessa de vida eterna.

O escritor Javier Cercas ao centro (Vatican Media)

A eternidade já está aqui?

Folhear o romance “O louco de Deus no fim do mundo” é uma viagem, rica em humor, com uma dimensão íntima e pessoal que, em última análise, interpela o coração de todo homem. Em seu livro, Javier Cercas, que confessa ser escritor por ter perdido a fé, diz ser “um louco sem Deus que acompanha o louco de Deus até o fim do mundo”. E explica que embarcou no avião para a Mongólia a fim de fazer uma pergunta específica ao Papa Francisco: “Quero dizer a ele que minha mãe tem noventa e dois anos, que acredita em Deus e está convencida de que, quando morrer, reencontrará meu pai”. A pergunta crucial diz respeito à promessa de vida eterna e é finalmente feita ao Papa. A última pergunta feita pelo escritor espanhol durante sua conversa com Francisco está inserida em uma afirmação. “Então posso dizer à minha mãe que, quando ela morrer, verá meu pai novamente”. “A reação do Papa - lê-se no livro ‘O louco de Deus no fim do mundo’ - é fulminante: ele não hesita nem por um segundo, nem por um décimo de segundo, nem por um milésimo de milésimo de segundo...”. As respostas do Papa, também filmadas, foram ouvidas pela mãe de Javier Cercas. Sua reação é bem descrita no livro. “O rosto de minha mãe é um labirinto indecifrável de rugas; ela não parece contente: parece estupefata com o alcance ou a natureza do que acabou de ouvir, talvez incapaz de assimilá-lo com seu cérebro em declínio, cada vez mais consumido pelas traças da doença”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Bom filho, bom Padre

Dom Javier Echevarría (Opus Dei)

Bom filho, bom Padre

"Quando uma pessoa conhecida, boa e querida falece, passam pela cabeça mil lembranças diferentes". Neste texto Dom Guillaume Derville conta suas recordações de Dom Javier Echevarría, e reflete sobre a marca que ele deixou em sua vida.

12/12/2018

Quando uma pessoa conhecida, boa e querida falece, passam pela cabeça mil lembranças diferentes, como fagulhas que despertam na alma sentimentos contrastantes. Mais ainda quando se trata de um Padre que mostrou amplamente como vivia somente para nós, para levar-nos ao coração de Cristo. Em nossa alma, há uma mistura de ação de graças e de desejos de reparação pela própria falta de correspondência. A realidade da morte, do tempo que passa, se faz mais presente. E à dor de uma ausência, se une a gloriosa esperança do Céu. À oração pela alma de um cristão, soma-se o recurso a uma intercessão que se percebe mais poderosa. Assim vem sendo, em um rápido esboço, a ressonância do falecimento de Dom Javier em muitas pessoas da Obra, e em tantas outras que nos querem bem.

PERCEBE-SE, QUASE MELHOR AGORA, A SINGULARIDADE DE UMA VIDA QUE SE GASTOU DESDE A JUVENTUDE: PRIMEIRO PERTO DE SÃO JOSEMARIA, E DEPOIS DO BEM-AVENTURADO ÁLVARO.

A morte de um Padre como Dom Javier traz muitas lembranças: algumas vividas por cada um e cada uma. Outras, tantas vezes escutadas, como esses relatos de família que se contam de geração em geração. Percebe-se, quase melhor agora, a singularidade de uma vida que se gastou desde a juventude: primeiro perto de São Josemaria, e depois do Bem-aventurado Álvaro, e, finalmente, como sucessor de ambos com a memória do coração e da inteligência sempre viva, para transmitir com fidelidade o espírito recebido de Deus por meio de suas mãos. O carinho que São Josemaria mostrou desde muito cedo a Dom Javier, correspondido por uma admiração e uma obediência filiais cheias de fé na ação de Deus nos santos, fizeram de Dom Javier um filho leal e valente. Seu sentido da filiação divina passou pelo caminho da filiação ao Padre na Obra, primeiro em sua missão de atender às necessidades materiais de São Josemaria, e depois, em sua estreita colaboração com Dom Álvaro.

A entrega decidida e constante de Dom Javier como custos[1] (palavra latina para custódio), e o cumprimento fiel ad mentem Patris (com a mente do Padre) das tarefas que lhe eram confiadas, foram uma preparação intensa para seu longo ministério pastoral como Padre e Prelado do Opus Dei. Sua relação com Deus, o exemplo e a proximidade de São Josemaria e do Bem-aventurado Álvaro, abriram o coração desse filho fiel para que a graça de Deus o enchesse de caridade. Foi um bom filho e foi um bom Padre. Desvivendo-se sempre por suas filhas e filhos no Opus Dei e atento a estreitar os vínculos de nossa fraternidade sobrenatural, foi filho não só quando nosso Padre e Dom Álvaro estavam nesta terra, mas também depois. A partir da integridade de seu caráter, que saltava à vista, sentia saudades desses dois gigantes da fé e do amor, ao mesmo tempo em que se sabia sempre em sua presença. Como homem que sabia amar, e ainda hoje tão querido, palpitava no seu coração a saudade do tempo em que São Josemaria vivia entre nós.

4.1

Como Padre e Prelado queria seguir as pegadas dos seus santos predecessores, não se afastar de um caminho bem traçado, cuidar amorosamente de um espírito esculpido. Como filho, foi co-herdeiro valente de Cristo (cf. Rom 8-17): levou a Cruz, peso bendito das almas, jugo suave e carga leve (cf. Mt 11,30). Com frequência, Dom Javier dizia que era necessário apostarmos tudo na carta do Amor. Esse foi o seu grande anseio, o seu esforço constante.

REPETIRIA AQUILO QUE, ESPECIALMENTE NOS ÚLTIMOS ANOS, TINHA CHEGADO A SER UM REFRÃO NOS SEUS LÁBIOS: QUE VOS QUEIRAIS BEM, QUE VOS AMEIS CADA VEZ MAIS!

«Se aquele que chamamos Padre durante vinte e dois anos –dizia Mons. Fernando Ocáriz, atual prelado do Opus Dei, na homilia da missa por Dom Javier na basílica de Santo Eugênio–, estivesse aqui entre nós, com certeza nos pediria que aproveitássemos estes momentos para intensificar o nosso amor à Igreja e ao Papa, que permanecêssemos muito unidos entre nós e com todos os nossos irmãos em Cristo. E repetiria aquilo que, especialmente nos últimos anos, tinha chegado a ser um refrão nos seus lábios: que vos queirais bem, que vos ameis cada vez mais! E não só nos seus lábios: impressionava ver como sabia querer bem aos outros. Lembro, por exemplo, que um dia antes de falecer, expressou o seu desconforto por estar incomodando a tantas pessoas que cuidavam dele. E espontaneamente respondi: “Não, Padre. É o senhor que sustenta a todos nós”»[2].

Agora este filho bom e fiel continua nos sustentando a todos lá do Céu. Muitos notaram, desde o dia do seu falecimento, como Dom Javier os ajudava em tantos aspectos da sua vida diária, como se o Padre, que sempre teve um temperamento ativo e generoso e que tanto nos convidava a acudir à intercessão dos que nos precederam, quisesse empenhar-se para ajudar-nos a cada uma, a cada um. Talvez para agradecer aquela carta que lhe escrevemos, para responder a essa pergunta que não lhe pudemos fazer, enfim, para continuar nos mostrando a paternidade de Deus.

Por: Guillaume Derville

Tradução: Mônica Diez


[1]N.T. Um dos dois sacerdotes que sempre acompanham o Padre e o auxiliam em assuntos materiais e espirituais. Numa entrevista, Dom Javier explicava assim os custódios: Os custódios existem para que o Prelado, o Padre, não viva sozinho, não seja um homem isolado lá em cima. E, além disso, para que possam ajudá-lo a ser melhor. (https://opusdei.org/es/article/tras-la-huella-de-un-padre 18/06/2012).

[2] N.T. https://opusdei.org/pt-br/article/homilia-de-mons-fernando-ocariz-na-missa-pelo-prelado-do-opus-dei.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/bom-filho-bom-padre/

"Saber levantar-se": terceira meditação de Quaresma

A terceira meditação da Quaresma (Vatican News)

O fr. Pasolini deixou aos fiéis uma questão existencial sobre a Páscoa de Jesus: se uma pessoa não está feliz com o que a vida lhe permite viver, a que serve voltar a viver depois da morte?

https://youtu.be/GwtD3mSSjEs

Vatican News

O pregador da Casa Pontifícia, fr. Roberto Pasolini, fez nesta sexta-feira, 4 de abril, a sua terceira meditação da Quaresma, que foi acompanhada pelo Papa Francisco em conexão do seu quarta na Casa Santa Marta, onde prossegue sua convalescença.

De fato, o primeiro pensamento do sacerdote foi ao Santo Padre, dedicando a ele sua reflexão sobre o tema "Saber levantar-se", para que retome o "leme da Igreja neste tempo de Jubileu".

Para o frade capuchinho, o momento mais inspirador da vida de Cristo é a ressurreição. 

"Ao contemplar esse estágio do evento cristológico, tão decisivo e tão misterioso, podemos obter a luz de que precisamos para direcionar nossos passos no caminho certo, sem nutrir expectativas falsas ou excessivamente ideais sobre o que a vontade de Deus nos chama a viver", afirmou. 

"Olhar para a ressurreição significa não nos deixarmos dominar pelo medo do sofrimento e da morte, mas manter o olhar fixo na meta para a qual o amor de Cristo nos guia", acrescentou fr. Pasolini, que porém deixa aos fiéis uma questão existencial sobre a Páscoa de Jesus (segundo vídeo):

Se uma pessoa não está feliz com o que a vida lhe permite viver, a que serve voltar a viver depois da morte?

As narrativas das aparições mostram que a ressurreição de Jesus não pode de forma alguma ser considerada a reanimação de um cadáver, mas o despertar, ou melhor, a ressurreição de uma pessoa viva. A vida nova e eterna que o Pai concedeu ao Filho após seu sepultamento não é outra existência, mas a consequência dessa vida tão plena e transbordante de bondade que a morte não pôde aniquilar.

"Cristo não improvisou sua ressurreição, mas a preparou ao longo do tempo, aprendendo a viver aquelas disposições interiores nas quais, silenciosamente, a semente da vida eterna amadurece", concluiu o Fr. Pasolini

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A moral cristã e a importância da ética das virtudes na formação da consciência moral

A ética cristã (Teologia Brasileira)

A MORAL CRISTÃ E A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA DAS VIRTUDES NA FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA MORAL 

Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)

A moral cristã está fundamentada numa visão elevada da dignidade da pessoa humana: criada à imagem e semelhança de Deus. O ser humano é um ser espiritual, dotado de razão e liberdade, chamado à comunhão com o Criador e à realização plena de sua vocação no amor. Para trilhar esse caminho e realizar-se plenamente, não basta apenas conhecer o bem — é preciso desejá-lo e praticá-lo com perseverança. Nesse horizonte, as virtudes ocupam um lugar central: são elas que educam a liberdade, ordenam os afetos e fortalecem a vontade para o bem. Mas, afinal, o que é a virtude? 

A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (n. 1803), ela “permite à pessoa não somente praticar atos bons, mas dar o melhor de si”. Não se confunde, contudo, com automatismos ou condicionamentos externos: a virtude é fruto de uma escolha livre e reiterada de realizar o bem, que vai formando o caráter e configurando a vida moral. Trata-se, assim, do ponto de encontro entre a liberdade humana e a verdade do bem, entre a consciência e a prática concreta da vida. 

As virtudes humanas, também chamadas de morais, são adquiridas pela educação, por atos deliberados e pela repetição perseverante do bem. São disposições interiores estáveis que capacitam o agir reto. A tradição, particularmente em Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, destaca quatro virtudes principais — chamadas cardeais — em torno das quais se articulam as demais: prudência, que discerne o bem e os meios para alcançá-lo; justiça, que dá a cada um o que lhe é devido; fortaleza, que sustenta a constância nas dificuldades; e temperança, que modera os prazeres e assegura o domínio de si. 

As virtudes, ao moldarem progressivamente as inclinações da vontade para o bem, desempenham papel essencial na formação da consciência moral. É por meio da prática das virtudes que a pessoa se torna cada vez mais apta a discernir com clareza o que é verdadeiro e bom, superando as ilusões do egoísmo e do subjetivismo. Como ensina São João Paulo II na Veritatis Splendor, a obediência à verdade é o caminho que conduz à santidade e à liberdade autêntica. Por isso, a formação da consciência moral deve estar solidamente ancorada na verdade do bem objetivo, e não sujeita às flutuações das emoções ou opiniões passageiras. 

Diante do relativismo moral que marca a cultura contemporânea, muitos se perguntam se ainda faz sentido falar de virtudes e de valores morais objetivos. A resposta cristã, porém, é clara e afirmativa. A moral das virtudes, longe de ser uma proposta anacrônica, revela-se atual e necessária para a formação de consciências sólidas e responsáveis. Como ressalta Bento XVI na Caritas in Veritate, o amor desvinculado da verdade se reduz a um mero sentimentalismo e perde sua força transformadora. A verdade dá forma à caridade e a impede de ser manipulada por conveniências subjetivas. 

A ética das virtudes, ao contrário do relativismo, oferece uma resposta sólida e profundamente humanizadora: não se limita à obediência a regras externas, mas orienta para uma excelência interior que forma a pessoa, edifica sua liberdade e a conduz ao verdadeiro bem. As virtudes, por isso, não são ornamentos opcionais da vida moral, mas estruturas interiores que sustentam a dignidade e a liberdade humanas. Elas moldam a consciência e orientam a ação, em conformidade com a verdade sobre o bem. 

Nesse horizonte, revalorizar as virtudes é uma tarefa urgente para educadores, formadores e pastores: trata-se de reacender, no coração humano, o desejo do bem e a confiança de que a vida moral é, antes de tudo, um caminho de plenitude — e não uma simples série de restrições. A moral cristã das virtudes, iluminada pela fé e sustentada pela graça, aponta para o ideal da santidade, sem ignorar a condição frágil e histórica da liberdade humana. 

A ética das virtudes, assumida e elevada pela moral cristã, não se reduz a um moralismo rígido, mas propõe um caminho de realização integral. Não é um sistema de proibições, mas uma verdadeira pedagogia da felicidade. Como ensinam as bem-aventuranças, “bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). A moral cristã orienta-se, assim, para essa visão beatífica: uma existência marcada pela verdade, pelo amor e pela liberdade dos filhos de Deus. 

Num mundo ferido pela incerteza moral, pela indiferença e pelo subjetivismo ético, a redescoberta das virtudes se apresenta como um caminho promissor para uma nova humanidade, reconciliada com o bem, com a verdade e com Deus. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

EDITORIAL: Voltar a Niceia, como irmãos

Concílio Ecumênico de Niceia (Vatican News)

A atualidade do primeiro concílio ecumênico no documento da Comissão Teológica Internacional.

Andrea Tornielli

Voltar a Niceia 1700 anos depois, durante o Jubileu de 2025, significa, antes de tudo, reencontrar-se como irmãos com todos os cristãos do mundo: a confissão de fé que brotou do primeiro concílio ecumênico é, de fato, compartilhada não só pelas Igrejas Orientais, pelas Igrejas Ortodoxas e pela Igreja Católica, mas também é comum às comunidades eclesiais nascidas da Reforma. Significa reencontra-se entre irmãos em torno do que é realmente essencial, porque o que nos une é mais forte do que o que nos divide: “Todos juntos, cremos no Deus trinitário, em Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação em Jesus Cristo, de acordo com as Escrituras lidas na Igreja e sob a ação do Espírito Santo. Juntos, acreditamos na Igreja, no batismo, na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Esse é o ponto central do documento “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” publicado pela Comissão Teológica Internacional para comemorar Niceia.

Um dos objetivos do primeiro concílio ecumênico era determinar uma data comum para a celebração da Páscoa, uma questão controversa já na Igreja dos primeiros séculos: alguns a celebravam em concomitância com a Pesah judaica no dia 14 do mês de nisan, outros a celebravam no domingo seguinte à Pesah judaica. Niceia foi fundamental para encontrar uma data comum, definindo o domingo após a primeira lua cheia da primavera como a data para a celebração da Páscoa. A situação mudou no século XVI com a reforma do calendário de Gregório XIII: as Igrejas do Ocidente hoje calculam a data de acordo com esse calendário, enquanto as do Oriente continuam a usar o calendário juliano usado por toda a Igreja antes da reforma gregoriana. Mas é significativo e profético que, precisamente no aniversário de Nicéia deste ano, todas as Igrejas cristãs celebrem a Páscoa no mesmo dia, domingo, 20 de abril. É um sinal e uma esperança para se chegar o mais rápido possível a uma data aceita por todos.

Além do aspecto ecumênico, há um segundo aspecto que torna esse retorno a Niceia tão atual. Já na última década do século passado, o então cardeal Joseph Ratzinger apontou como um verdadeiro desafio para o cristianismo o de um “novo arianismo”, ou seja, a crescente dificuldade em reconhecer a divindade de Jesus como professada na fé cristológica da Igreja: ele é considerado um grande homem, um revolucionário, um mestre excepcional, mas não Deus. Há, no entanto, outro risco, que também é enfatizado no novo documento, e é exatamente de refletir e ser oposto, que torna difícil admitir a plena humanidade de Cristo. Jesus pode sentir fadiga, sentimentos de tristeza e abandono, bem como raiva. De fato, o Filho escolheu viver plenamente nossa humanidade. Nele, na humanidade expressa em cada momento, no fato de se deixar “ferir” pela realidade, no fato de se comover com o sofrimento daqueles que encontrava, no fato de dizer sim aos pedidos dos pobres que pediam ajuda, vemos refletido no poder o que significa ser humano e, ao mesmo tempo, vemos refletido o poder de uma divindade que escolheu se rebaixar e se esvaziar para nos fazer companhia e nos salvar.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 3 de abril de 2025

O dia em que um Papa muito amado nos deixou

Rogelio A. Galaviz C. | Flickr CC by NC 2.0

Paulo Teixeira - publicado em 02/04/25

Há 20 anos o Papa João Paulo II partia após longa doença testemunhando a força da fé.

Corria o ano de 2005 que, para a Igreja Católica, era o Ano da Eucaristia. No mundo fez barulho o atentado de Londres em julho; não fez barulho, mas é impactante até hoje o lançamento da plataforma de vídeos YouTube; já o mundo ficou inquieto com a morte violenta da missionária Irmã Doroty Stang, no Brasil. Contudo, 2005 ficou marcado pela partida do Papa João Paulo II

Emoção, gratidão, tristeza e dor tomaram conta dos católicos e de pessoas que admiravam o pontífice que por 26 anos esteve à frente da Igreja Católica.

No ano 2000 o Papa João Paulo II conduziu a Igreja Católica durante a celebração do Jubileu por ocasião dos dois mil anos do nascimento de Jesus. Embora enfraquecido pela idade e pela doença de Parkinson, a disposição do Papa para se fazer presente nas cerimônias e, de modo especial, na Jornada Mundial da Juventude em Roma, mostrou a força interior do cardeal polonês que foi escolhido como papa em 1978.

Além da cortina de ferro

O Papa João Paulo II, ao se apresentar aos fiéis após sua eleição afirmou: “Venho de uma terra distante”. A Polônia não é muito longe de Roma, se chega após um dia de viagem. Mas, naquela época, a Polônia estava sob a cortina de ferro, ou seja, fazia parte da União Soviética e as barreiras eram mais amplas do que os muros, como aquele de Berlim. 

Na Polônia havia dois cardeais: O Cardeal Carlos Wojtyla que se tornou papa; e o Cardeal Estevão Wyszyński, que era o primaz da Polônia. Wyszyński tinha 77 anos quando houve o conclave que elegeu seu compatriota. Conhecido como Cardeal de ferro, suportou as durezas da Segunda Guerra Mundial e da ocupação soviética. Em 1966 propôs a celebração do primeiro milênio do batismo da Polônia com uma novena de nove anos que foi um símbolo da resistência da fé diante das perseguições soviéticas. Isso rendeu a Wyszyński o nome de Cardeal do Milênio.

O Papa João Paulo II conduziu a Igreja para o novo milênio por meio de uma preparação de três anos dedicados à reflexão sobre a Santíssima Trindade. Além disso, visitou 697 cidades em 129 países em suas emocionantes viagens apostólicas. Escreveu 14 encíclicas, proclamou 482 novos santos e criou 231 cardeais em 9 consistórios.

Após o grande jubileu do ano 2000, perguntaram ao Papa se não deveria renunciar devido à idade, 80 anos, e o Mal de Parkinson que avançava. Com sabedoria, o Papa respondeu: “A força não é um problema meu, mas daquele que me chamou”. E assim seguiu confiando em Deus. 

Janela do céu

No início de fevereiro o Papa foi internado por problemas respiratórios e ficou quase um mês no hospital. Foi necessária a realização de uma traqueostomia que causou dificuldades para o Papa falar. Contudo o pontífice se esforçava para se apresentar à janela do hospital para abençoar silenciosamente os fiéis. 

Na Semana Santa de 2005 o Papa voltou ao Vaticano, mas estava debilitado e não pode conduzir todas as cerimônias na Praça de São Pedro. No domingo de Páscoa, dia 27 de março, no qual costumava saudar em dezenas de línguas os fiéis, o Papa não pronunciou a bênção. Na hora do Angelus se aproximou da janela da qual ao longo de mais de duas décadas saudava o povo e não conseguiu dizer palavra, mas sua dolorida fisionomia revelou o testemunho de força e dedicação.

A saúde do Papa se enfraqueceu muito naquela semana e durante a noite os fiéis se reuniam na Praça de São Pedro para rezar o Rosário pelo Papa. Na sexta-feira, primeiro dia de abril, a vigília de oração reuniu milhares de jovens. O Papa foi informado do que acontecia e pronunciou suas últimas palavras, direcionadas aos jovens: “Antes eu procurei vocês. Agora vocês vem até mim. Eu agradeço”. 

Na vigília da noite seguinte, após o Rosário, o Bispo Leonardo Sandri comunicou a morte do Papa, às 21h37 daquela véspera do domingo da misericórdia. Logo após, os fiéis entoaram o canto da Salve Regina e os sinos do Vaticano soaram em luto. 

Chefes de estado compareceram aos funerais no Vaticano, em 8 de abril. Fiéis de todo o mundo se emocionaram e prestaram homenagens. Sobretudo os jovens mostravam gratidão e tristeza pela partida daquele que era “o papa deles”. Na missa antes do sepultamento, o Cardeal Joseph Ratzinger recordou a imagem de João Paulo II nas janelas do hospital e do Vaticano para abençoar silenciosamente e garantiu que o saudoso papa nos “abençoa da janela do céu”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/04/02/o-papa-do-milenio

Das Cartas pascais de Santo Atanásio, bispo

O mistério pascal ( Irmãos de Jesus Misericordioso)

Das Cartas pascais de Santo Atanásio, bispo

(Ep.5,1-2:PG26,1379-1380)

(Séc.IV)

O mistério pascal reúne na unidade da fé os que se encontram fisicamente afastados

É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma oração para outra, de uma solenidade para outra solenidade. Aproxima-se o tempo que nos traz um novo início e o anúncio da santa Páscoa, na qual o Senhor foi imolado.

Do seu alimento nos sustentamos como de um manjar de vida, e a nossa alma se delicia como Sangue precioso de Cristo como numa fonte. E, contudo, temos sempre sede desse Sangue, sempre o desejamos ardentemente. Mas o nosso Salvador está perto daqueles que têm sede, e na sua bondade convida todos os corações sedentos para o grande dia da festa, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba (Jo 7,37).

Sempre que nos aproximamos dele para beber, ele nos mata a sede; e sempre que pedimos, podemos nos aproximar dele. A graça própria desta celebração festiva não se limita apenas a um determinado momento; nem seus raios fulgurantes conhecem ocaso, mas estão sempre prontos para iluminar as almas de todos que o desejam. Exerce contínua influência sobre aqueles que já foram iluminados e se debruçam dia e noite sobre a Sagrada Escritura. Estes são como aquele homem que o salmo proclama feliz, quando afirma: Feliz aquele homem que não anda conforme o conselho dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar (Sl 1,1-2).

Por outro lado, amados irmãos, o Deus que desde o princípio instituiu esta festa para nós, concede-nos a graça de celebrá-la cada ano. Ele que, para nossa salvação, entregou à morte seu próprio Filho, pelo mesmo motivo nos proporciona esta santa solenidade que não tem igual no decurso do ano. Esta festa nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo. Por ela Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros. E nos conduz a uma única assembleia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, concedendo-nos orar em comum e render comuns ações de graças, como se deve fazer em toda festividade. É este um milagre de sua bondade: congrega nesta festa os que estão longe e reúne na unidade da fé os que, porventura, se encontram fisicamente afastados.

Fonte: https://liturgiadashoras.online/

O Credo Niceno, a carteira de identidade do cristão

O Credo Niceno (Vatican News)

Publicado pela Comissão Teológica Internacional, o documento “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador - 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025) dedicado à assembleia que entrou para a história pelo Símbolo que proclama a fé na salvação em Jesus Cristo e no Deus Uno, Pai, Filho e Espírito Santo. Quatro capítulos sob o sinal da promoção da unidade dos cristãos e da Sinodalidade na Igreja.

No próximo dia 20 de maio, o mundo cristão faz memória dos 1700 anos da abertura do primeiro Concílio ecumênico, celebrado em Niceia em 325, que entrou para a história principalmente pelo Símbolo que reúne, define e proclama a fé na salvação em Jesus Cristo e no Deus Uno, Pai, Filho e Espírito Santo. Mais tarde completado pelo Concílio de Constantinopla em 381, o Credo Niceno tornou-se, na prática, a carteira de identidade da fé professada pela Igreja. Por esse motivo, a Comissão Teológica Internacional (CTI) decidiu dedicar um documento de quase setenta páginas ao Concílio convocado pelo imperador Constantino na Ásia Menor, com o duplo objetivo de recordar seu significado fundamental e destacar os extraordinários recursos do Credo, relançando-os na perspectiva da nova etapa de evangelização que a Igreja é chamada a viver na atual mudança de época. Também porque o aniversário ocorre durante o Jubileu da Esperança e coincide com a data da Páscoa para todos os cristãos, no Oriente e no Ocidente.

Por essas razões, Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador - 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025), este é o título do documento divulgado esta quinta-feira, 3 de abril, não é um simples texto de teologia acadêmica, mas se propõe como uma síntese que pode acompanhar o aprofundamento da fé e seu testemunho na vida da comunidade cristã. Afinal, em Niceia, pela primeira vez, a unidade e a missão da Igreja foram expressas em nível universal (daí, sua qualificação de “ecumênico”) na forma sinodal daquele caminhar que lhe é própria, constituindo-se assim também um ponto de referência e de inspiração no processo sinodal em que a Igreja católica é imersa hoje.

Duas teólogas também trabalharam no documento

Composto por 124 pontos, o documento é o resultado da decisão da CTI de aprofundar durante seu décimo quinquênio um estudo sobre a atualidade dogmática de Niceia. O trabalho foi conduzido por uma Subcomissão presidida pelo padre francês Philippe Vallin e composta pelos bispos Antonio Luiz Catelan Ferreira e Etienne Vetö, pelos padres Mario Angel Flores Ramos, Gaby Alfred Hachem e Karl-Heinz Menke, e pelas professoras Marianne Schlosser e Robin Darling Young. O texto foi votado e aprovado em sua forma específica por unanimidade em 2024 e, em seguida, submetido à aprovação do cardeal presidente Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, no qual a Comissão foi instituída. Depois de receber a aprovação do Papa Francisco, em 16 de dezembro passado o purpurado argentino autorizou sua publicação.

Os quatro capítulos em que se desenvolve a reflexão das teólogas e dos teólogos são precedidos por uma introdução intitulada “Doxologia, teologia e anúncio” e seguidos pela conclusão.

Uma leitura doxológica do Símbolo

O primeiro capítulo “Um Símbolo para a salvação: doxologia e teologia do dogma de Niceia” (n. 7-47) é o mais amplo. Ele oferece “uma leitura doxológica do Símbolo, para destacar seus recursos soteriológicos e, portanto, cristológicos, trinitários e antropológicos”, com a intenção de dar “novo ímpeto ao caminho rumo à unidade dos cristãos”. Ao destacar o alcance ecumênico da fé de Niceia, o texto expressa a esperança de uma data comum para a celebração da Páscoa, que o próprio Papa Bergoglio pediu repetidamente. De fato, o n. 43 evidencia como este 2025 representa para todos os cristãos “uma oportunidade inestimável para sublinhar que o que temos em comum é muito mais forte do que o que nos divide: todos juntos, acreditamos no Deus trino, em Cristo verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação em Jesus Cristo, de acordo com as Escrituras lidas na Igreja e sob a moção do Espírito Santo. Juntos, acreditamos na Igreja, no batismo, na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Consequentemente, adverte a CTI no nº 45, “a divergência dos cristãos em relação à festa mais importante de seu calendário cria desconforto pastoral nas comunidades, a ponto de dividir as famílias, e causa escândalo entre os não cristãos, prejudicando assim o testemunho dado ao Evangelho”.

“Acreditamos como batizamos; e rezamos como acreditamos”

Mas acolher a riqueza de Niceia depois de dezessete séculos leva também a perceber como aquele Concílio alimenta e orienta a existência cristã cotidiana: por isso, o segundo capítulo “O Símbolo de Niceia na vida dos crentes” (n. 48-69), de teor patrístico, explora como a liturgia e a oração foram fecundadas na Igreja desde aquele evento, que constitui um avanço na história do cristianismo. “Acreditamos como batizamos; e rezamos como acreditamos”, recorda o documento, exortando-nos a beber hoje e sempre dessa “fonte de água viva”, cujo rico conteúdo dogmático foi decisivo para estabelecer a doutrina cristã. E, nesse sentido, o documento se aprofunda na recepção do Credo na prática litúrgica e sacramental, na catequese e na pregação, na oração e nos hinos do século IV.

Evento teológico e eclesial

O terceiro capítulo, “Niceia como evento teológico e como evento eclesial” (n. 70-102), aprofunda como o Símbolo e o Concílio “testemunham o mesmo evento de Jesus Cristo, cuja irrupção na história oferece um acesso inaudito a Deus e introduz uma transformação do pensamento humano” e como eles também representam uma novidade na forma como a Igreja se estrutura e cumpre sua missão. “Convocado pelo imperador para resolver uma disputa local que se tinha estendido a todas as Igrejas do Império Romano do Oriente e a muitas Igrejas do Ocidente - explica o documento -, reuniu bispos de várias regiões do Oriente e legados do bispo de Roma. Pela primeira vez, portanto, os bispos de toda a Oikouménè foram reunidos em sínodo. Sua profissão de fé e suas decisões canônicas foram promulgadas como normativas para toda a Igreja. A comunhão e a unidade sem precedentes que o evento Jesus Cristo introduziu na Igreja tornam-se visíveis e eficazes de um modo novo, através de uma estrutura de alcance universal. O anúncio do Evangelho de Cristo, em toda a sua imensidão, recebe, também ele, um instrumento de autoridade e alcance sem precedentes” (cf. n. 101).

Uma fé acessível também aos simples

Por fim, no quarto e último capítulo, “Manter a fé acessível a todo o povo de Deus” (103-120), “as condições de credibilidade da fé professada em Niceia são destacadas em uma etapa da teologia fundamental que lança luz sobre a natureza e a identidade da Igreja, na medida em que ela é a intérprete autêntica da verdade normativa da fé por meio do Magistério e a guardiã dos crentes, especialmente dos menores e mais vulneráveis”. De acordo com a CTI, a fé pregada por Jesus aos simples não é uma fé simplista e o cristianismo nunca se considerou uma forma de esoterismo reservada a uma elite de iniciados, pelo contrário, Niceia, embora devido à iniciativa de Constantino, representa “um marco no longo caminho em direção à libertas Ecclesiae, que é em toda parte uma garantia de proteção da fé dos mais vulneráveis em face do poder político”. Em 325, o bem comum da Revelação foi realmente “disponibilizado” a todos os fiéis, conforme confirmado pela doutrina católica da infalibilidade “in credendo” do povo dos batizados. Embora os bispos tenham um papel específico na definição da fé, eles não podem assumi-lo sem estar na comunhão eclesial de todo o Santo Povo de Deus, tão caro ao Papa Francisco.

Atualidade perene do primeiro Concílio ecumênico

Eis então as conclusões do documento com “um convite premente” para “anunciar a todos Jesus nossa Salvação hoje” a partir da fé expressa em Niceia em uma multiplicidade de significados. Em primeiro lugar, a perene atualidade daquele Concílio e do Símbolo que dele brotou está em continuar a nos deixar “maravilhar pela imensidão de Cristo, para que todos fiquem maravilhados” e “reavivar o fogo do nosso amor por ele”, porque “em Jesus homooúsios (consubstancial) ao Pai... O próprio Deus se ligou à humanidade para sempre”; em segundo lugar, significa não ignorar “a realidade” ou afastar-se “dos sofrimentos e das convulsões que atormentam o mundo e parecem comprometer toda esperança”, ouvindo também a cultura e as culturas; em terceiro lugar, significa estarmos “particularmente atentos aos pequenos entre nossos irmãos e irmãs”, porque “esses crucificados da história são o Cristo entre nós”, ou seja, “aqueles que mais precisam da esperança e da graça”, mas, ao mesmo tempo, conhecendo os sofrimentos do Crucificado, eles são, por sua vez, “os apóstolos, mestres e evangelizadores dos ricos e abastados”; e, por fim, significa anunciar “como Igreja” ou melhor, “com o testemunho da fraternidade”, mostrando ao mundo as maravilhas pelas quais ela “una, santa, católica e apostólica” é o “sacramento universal da salvação” e, ao mesmo tempo, difundindo o tesouro das Escrituras que o Símbolo interpreta, a riqueza da oração, da liturgia e dos sacramentos que derivam do batismo professado em Niceia e da luz do Magistério; sempre com o olhar fixo no Ressuscitado, que triunfa sobre a morte e o pecado, e não nos adversários, pois não há perdedores no Mistério Pascal, exceto o perdedor escatológico, Satanás, o divisor. Não é por acaso que, no dia 28 de novembro passado, ao receber em audiência os membros da CTI, o Pontífice, elogiando o trabalho deles, falou da utilidade de um documento destinado a “ilustrar o significado atual da fé professada em Niceia... para alimentar a fé dos crentes e, partindo da figura de Jesus, oferecer também pistas e reflexões úteis para um novo paradigma cultural e social, inspirado precisamente na humanidade de Cristo”.

Um dia de estudo sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador - o 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025), será realizado precisamente no dia 20 de maio, na Pontifícia Universidade Urbaniana, das 9h às 19h30, com a participação dos teólogos e das teólogas que contribuíram para a elaboração do documento e de outros especialistas na área.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 1 de abril de 2025

Irmãos que olham para o pai. Unidade entre várias gerações

Unidade entre várias gerações (Opus Dei)

Irmãos que olham para o pai. Unidade entre várias gerações

O Papa Francisco fala com frequência sobre a necessidade de gerar uma maior unidade entre as diferentes gerações. A parábola do filho pródigo, o irmão mais velho e o pai, relatada por Jesus, pode nos ajudar a aprofundar neste tema.

25/01/2021

Naqueles últimos dias, Jesus tinha passado muito tempo entre aqueles que, aos olhos da sociedade, pareciam estar mais longe de Deus. O evangelista são Lucas nos conta que “todos os publicanos e pecadores” (Lc 15,1) se aproximavam para ouvir os seus ensinamentos. Este movimento de gente fez com que os que se consideravam os guardiães da lei mosaica começassem a murmurar entre si. O Mestre, então, decide narrar três parábolas destinadas a purificar a imagem de Deus que eles tinham, muitas vezes distorcida por uma mentalidade legalista, que perde de vista o amor divino. O terceiro destes relatos é aquele famoso, sobre um pai e seus dois filhos (cfr. Lc 15, 11-32): o menor, que pede a herança para gastá-la longe de sua casa e o mais velho, que permanece no lar, mas sem sintonizar realmente com o pai.

O esquecimento dos dois filhos

Ao ler a parábola, podemos supor que os dois irmãos levavam muito tempo distraídos, afastados da gratuidade com que seu pai os amava. O mais novo sonhava com lugares onde supunha que seria mais feliz. A dispersão chegou-lhe pela cabeça – talvez um pouco desocupada – e pela imaginação – talvez mais viva – até se convencer de que poderia comprar o amor: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe” (Lc 15,12). O mais velho, por sua parte, tinha o seu coração adormecido, porque aparentemente cumpria bem as suas responsabilidades: estava satisfeito, não dava desgostos ao seu pai. No entanto, por alguma fresta, o frio havia penetrado em sua alma. Talvez tenha se enredado em planos que, ainda que parecessem muito próximos, não incluíam a quem tanto o amava. Enfim, nenhum dos dois concebia – ainda que fosse de maneira inconsciente – que seria possível alcançar uma autêntica felicidade estando em família. Enquanto o mais novo a procurava longe, o mais velho sonhava com ela em uma festa para os seus amigos. Nenhum dos dois imaginava que poderia alcançar uma vida plena junto ao seu pai.

Ainda que, como destaca São João Paulo II, todos tenhamos dentro de nós, ao mesmo tempo, alguma coisa de cada irmão[1], talvez não seja casualidade que Jesus tenha deixado explícita a idade de ambos. Pode ser que escolhesse o mais velho para ilustrar atitudes mais frequentes entre pessoas que levam muito tempo procurando e relacionando-se com Deus. Este irmão, certamente, conseguia cumprir as suas tarefas com perfeição. Seu pai não poderia repreendê-lo por quase nada. Desta forma estava tranquilo, não devia nada a ninguém. No entanto, não era totalmente feliz. Por outro lado, o filho mais jovem, idealista e apaixonado, pode representar atitudes mais comuns nas etapas iniciais da vida. Talvez fosse mais vulnerável à atração de uma liberdade que se dirige a bens que, no final, não saciam. Fugir, escapar e divertir-se pode ser apetecível, mas não se pode rejeitar indefinidamente a própria identidade. Cedo ou tarde aparecem carências que somente Deus é capaz de satisfazer plenamente. O filho mais novo também não era feliz.

Os dois irmãos viviam a sua realidade de maneira incômoda. Nessa atmosfera, era difícil que o amor crescesse, lançasse raízes na ternura, que ambos conseguissem ver como o pai estava orgulhoso pela vida dos dois e o muito que contava com eles. Seus sonhos estavam desfocados. Talvez não fosse o egoísmo que os cegasse, mas é possível que tenham cedido a uma tentação sutil: preocupar-se somente do que tinham em mãos, esquecendo-se de se deixar amar por aquele que lhes tinha dado tudo. Talvez, sem o perceberem, tinham posto uma barreira a esse amor. Enquanto o jovem imaginava o que poderia fazer longe de seu lar, o mais velho contabilizava o que já tinha entesourado. Os dois pensavam que tinham um patrimônio, mas, na realidade, o estavam guardando em bolsas furadas. O mais velho suportava a vida, à espera do prêmio que acreditava merecer, enquanto o mais novo não quis esperar e pediu a herança. No final, ambos pediam o mesmo: a sua recompensa.

A alegria paterna de tê-los perto

Os dois irmãos, prisioneiros de suas seguranças, eram incapazes sequer de desconfiar o que acontecia a tão pouca distância, no coração de seu pai. Talvez os dois, cada um à sua maneira, tivessem considerado o diálogo com o pai como uma tarefa a mais a cumprir. Talvez algo parecido possa acontecer conosco. Temos tantas atividades todos os dias, na maioria boas, que podemos gastar toda a nossa energia em executá-las. Inclusive os momentos em que queremos dialogar com Deus podem se converter simplesmente em uma tarefa a mais. Ao irmão mais jovem possivelmente lhe custasse muito essa rotina, necessitava de algo mais intenso e sensível. O mais velho, por outro lado, a havia incorporado regularmente na sua vida, mas não saboreava isso. A crise era iminente e é desencadeada pelo regresso do mais novo. Esse é o momento em que todos mostram suas cartas.

Então, enquanto o mais novo só se atreve a pedir que possa voltar como um servo, mesmo que seja o último, somos informados que o maior não se sentia bem pago. Mas o pai tem uma jogada de mestre: enquanto premia o mais novo com uma festa como nunca se havia celebrado, lembra ao mais velho que, na realidade, tudo pertence a ele. O pai procura reconciliar os seus filhos. Não lhe dói o pecado de um ou de outro por si mesmo, mas pelo que eles sofrem: “não choreis sobre mim, mas chorai (...) sobre vossos filhos” (Lc 23,28). O pai os coloca frente a frente para que aprendam a amar-se com o amor com que ele os ama.

Romper a nossa bolha e ver como o Senhor se comove é voltar à casa paterna. É reconhecer que, mais que uma tarefa, a relação com o nosso Pai Deus é um dom. Nenhum dos dois filhos tinha sido capaz de apreciar esse esbanjamento de ternura do pai até que ambos comprovam o frio que congela e a solidão que oprime. Bastou um pequeno gesto para que compreendessem como são amados: “e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou” (Lc 15,20); “filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15,31). Seu pai se sente orgulhoso deles, apesar de não terem dado motivos. Nas palavras de cada um, trazidas pela parábola, vemos somente o que eles fazem, sentem ou pensam. Nas palavras do pai, ao contrário, fica plasmada a alegria de tê-los perto.

São Josemaria era muito consciente deste tipo de situações, tão comuns, mas, às vezes, ocultas. Podemos ansiar por novas sensações como o filho mais novo ou ficar um pouco adormecidos como o filho mais velho. No entanto, o fundador do Opus Dei via o mais terno carinho neste diálogo cotidiano com o pai: “Plano de vida: monotonia? Os mimos de uma mãe..., monótonos? Não dizem sempre a mesma coisa os que se amam? Quem ama cuida dos detalhes”[2]. Por meio destes encontros nos concentramos na alegria de Deus por ter-nos perto.

Uma aliança desejada

“Não é emancipando-nos da casa do Pai que somos livres, mas abraçando a nossa condição de filhos”[3] e, portanto, de irmãos. Pode ser que o mais novo saísse para procurar o irmão. Talvez o mais velho tenha cedido, entrado e terminado por abraçar o mais novo, a quem com certeza não tinha deixado de amar. A felicidade não seria completa se a reconciliação com o pai não implicasse também o perdão pelos agravos, reais ou imaginários, entre irmãos. O Papa Francisco nos confiou um de seus grandes desejos: “ultimamente levo no coração um pensamento. Sinto que é isso o que o Senhor quer que eu diga: que se faça uma aliança entre jovens e idosos”[4]. Para o mais jovem, era difícil compreender o valor da perseverança do seu irmão: anos e anos cumprindo com sua obrigação. Ao mais velho parecia incompreensível a insensatez do mais novo. Acontecia com eles exatamente o contrário do que acontecia com seu pai, que não entendia a vida sem seus filhos. Ambos lhe faziam falta, cada um com a sua forma de ser e de amar.

Se tivessem chegado a olhar-se entre eles com os olhos paternos, teriam se sentido contemplados de outra forma, porque nesse olhar não cabem os juízos nem as reprimendas. Talvez, com o tempo, as bolotas dadas aos porcos chegariam a ser motivo de brincadeiras familiares. Talvez o pai, pouco depois, organizaria um banquete surpresa para seu filho mais velho e seus amigos, sem mais motivo que demonstrar-lhe seu carinho e, inclusive, o mais novo ajudaria a prepará-lo. Nenhum dos dois consegue ser feliz até encontrar com seu pai e compreender o irmão. Aprendem a deixar-se amar, amando-se um ao outro como são.

Enquanto o filho mais novo se concentrou em receber amor, o mais velho se concentrou em cumprir a sua parte do trabalho. Nenhuma das duas atitudes é valiosa em si mesma. Cumprir sem amor cansa e desgasta até que, no final, a corda arrebenta. Por outro lado, desejar ser amado sem corresponder é impossível, e assim a corda também acaba se arrebentando. Por isso, seu pai os ensina a viver juntos e integrar fidelidade e amor. Cada um deles pode aprender tanto do outro! Por meio do relacionamento com seu pai, intuem como se pode fazer as coisas por amor, livremente, porque querem. Ninguém como Cristo, verdadeiro irmão mais velho, conseguiu unir os dois aspectos com tanta fidelidade e felicidade. “Não houve na história da humanidade um ato tão profundamente livre como a entrega do Senhor na Cruz”[5]. Os dois irmãos se necessitam. Separados, naufragam na amargura e o pai sofre. Juntos, fazem-no feliz. O jovem tem toda a força e o ímpeto de seus desejos de receber carinho. Está estreando o amor. “Lembro-me – dizia são Josemaria de que tive uma grande alegria quando soube que os portugueses chamam aos jovens os novos. E é o que são”[6].

O mais velho, por sua parte, lutou muitas batalhas e, ainda que a princípio não se alegra, seu coração não negará o pedido de seu pai. O mais novo, no fundo, talvez agradeça que o irmão mais velho tenha lhe tenha dado cobertura e nunca tenha abandonado o lar. Concentrar-se no amor é a solução para os dois: olhar seu pai, receber o seu Espírito, e amar a quem ele ama com a sua liberdade, porque o desejam de verdade. “O amor de nossos irmãos e irmãs nos dá a segurança de que necessitamos”[7] para continuar lutando por amar mais o nosso pai Deus.

* * *

Podemos obter a força para superar a mesquinhez do nosso coração no banquete em que aprendemos de verdade a ser filhos: “Talvez nos tenhamos perguntado algumas vezes como podemos corresponder a tanto amor de Deus; talvez nesses momentos tenhamos desejado ver claramente exposto um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente da Santa Missa, aprender na Missa a ganhar intimidade com Deus, porque neste Sacrifício se encerra tudo o que o Senhor quer de nós”[8].

Em Cristo, Filho único do Pai, ambos são capazes de portar-se como filhos e, portanto, como irmãos. Participando juntos no banquete do novilho cevado, calçam as sandálias novas para percorrer o mundo inteiro, vestem a túnica com o perfume de sua casa e colocam o anel da fidelidade do seu pai. Então começa a festa, na que nunca mais deixarão de cantar louvores a um pai que cuida deles e os compreende.

Talvez nos tenha chamado a atenção alguma vez que não aparecesse a mãe dessa família. Não sabemos a razão, mas talvez possamos imaginar que a Virgem Maria, mãe de Deus e nossa mãe, sempre nos ajuda a ter o olhar colocado no amor do Pai. Para voltar para casa, para concentrar-nos no essencial, nada melhor que deixar-nos levar no colo de uma mãe que sussurra em nosso ouvido: “Olhe como Deus ama você”.

Diego Zalbidea

Tradução: Mônica Diez

Foto: Maria Lindsey Multimedia Creator (Pexel)


[1] Cfr. São João Paulo II, ex. ap. Reconciliatio et Paenitentia, nº 5-6.

[2] São Josemaria, Guia de uma palestra, 22-VIII-1938. Citado en Caminho. Edição Comentada, Quadrante, São Paulo, 2016, p.229.

[3] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 9-I-2018, nº 4.

[4] Francisco, prólogo do livro A sabedoria das Idades, Editora Santuário, São Paulo.

[5] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 9-I-2018, nº 3.

[6] São Josemaria, Amigos de Deus, nº 31.

[7] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 1-XI-2019, nº 17.

[8] São Josemaria, É Cristo que passa, nº 88.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/irmaos-que-olham-para-o-pai/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF