AS AÇÕES DE DEUS NA CRIAÇÃO ORIGINAL E A CAMPANHA DA
FRATERNIDADE 2025
21 de fevereiro de 2025
por Dom Vital Corbellini
Bispo da Diocese de Marabá
Deus criou todas as coisas com sabedoria e com amor. As suas
palavras foram determinantes pois elas executaram o que elas proferiam da boca
do Senhor. A Campanha da Fraternidade 2025, pelo seu lema, ressalta a
importância da criação que tão bem saiu das mãos de Deus em vista da sua glória
e do bem estar de todos os seres vivos, vegetais, animais e humanos. A seguir
veremos como Santo Agostinho colocou as ações divinas que corresponderam às
ordens dadas.
O Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gn 1,2)
Esta passagem foi uma bela menção a respeito da criação
primitiva, porque Deus com o seu Espírito pairava sobre as águas. Santo
Agostinho afirmou que Deus criou com amor e com grande benevolência ao
mencionar o Espírito que pairava sobre as águas. A passagem escriturística
dizia respeito que o Espírito não pairava sobre um determinado lugar, mas
excedendo a tudo e sobrepujando a todas as coisas pelo seu poder[1].
A criação do ser humano: “Façamos”
Santo Agostinho disse que só para o ser humano disse Deus:
`Façamos`, no plural. Enquanto nas outras criaturas Deus disse: Faça-se, mas
para o ser humano foi dito uma forma diferente: “Façamos o homem à nossa Imagem
e semelhança” (Gn 1,26), tendo presente a pluralidade das pessoas divinas, o
Pai e o Filho e o Espírito Santo[2]. Deus fez o ser humano à sua imagem,
significando a Unidade divina e também às Pessoas, a nossa imagem: Pai e Filho
e Espírito Santo, devido a esta Trindade porque a Escritura disse: à imagem de
Deus, para entender um só Deus[3].
Participante da sabedoria divina
O bispo de Hipona afirmou que o ser humano foi feito
participante da Sabedoria de Deus, eterna e incomunicável, mas revelada em
Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Ele foi criado no conhecimento do Verbo para ele
se converter nas coisas criadas. Tudo foi feito por Deus em seu Verbo divino,
Jesus[4].
O alimento proporcionado ao ser humano
Deus quis ao ser humano que fosse proporcionado os alimentos
através das árvores frutíferas e de animais. O Senhor previu também a
continuidade das gerações de modo que disse o Senhor: “Crescei e
multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 1,22). O bispo de Hipona teve presentes as
gerações humanas onde nascem os filhos, as filhas por um amor entre os pais, e
de uma forma sucessiva os filhos e as filhas, e tornando-se responsáveis pela
família, continuam as gerações, de modo que a terra vai se enchendo de seres humanos[5]. É necessário os alimentos com os quais
se restauram as forças, dados para os corpos mortais[6].
Deus viu que tudo era muito bom (Gn 1,31)
Santo Agostinho disse que estas palavras do Senhor Deus
foram ditas após a criação do ser humano, fator que não foi dito antes, mas
após Ele ter dado o poder tanto para dominar como para comer, acrescentou a
respeito de todas as obras: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31)[7]. O fato foi a criação dada nos seis dias
de modo que ao concluí-la sendo perfeitas, Deus disse que tudo era muito bom e
não em particular. Ele disse não em particular ao ser humano, mas junto com os
outros seres, porque as criaturas criadas por Deus, em conjunto, eram muito
boas[8].
O conjunto do corpo
O bispo de Hipona disse a beleza do particular forma o corpo
inteiro, Se cada membro em particular é belo, na estrutura de todo o corpo, são
todos muito mais belos. O olho que é de aspecto agradável e é apreciado se o
víssemos separado do ser humano nós diríamos que é belo quando colocado junto
aos outros membros, uma vez que seria observado no seu lugar no corpo inteiro.
Da mesma formar o ser humano e os demais seres foi dito por Deus no seu
conjunto que tudo era muito bom. Deus é o Criador e é perfeitíssimo das
naturezas criou tudo bem, para o ser humano e para todos os seres vivos. Sendo
que o ser humano pecou, no entanto o universo é belo[9], bonito, pois Deus criou tudo com amor e
de uma forma bonita e depois o recriou pelo seu Filho, Jesus Cristo, pelo
mistério de sua encarnação, paixão, morte e ressurreição.
Notas:
[1] Cfr. Comentário ao Gênesis,
Livro I, VII, 13. In: Santo Agostinho. São Paulo: Paulus,2005, pgs.
25-26.
[2] Cfr. Idem, Livro III, cap. XIX,
29, pgs. 107-108.
[3] Cfr. Ibidem, pg. 108.
[4] Cfr. Ibidem, 31, pg. 109.
[5] Cfr. Ibidem, 33, pgs.
110-111.
[6] Cfr. Ibidem, 33, pg.
111.
[7] Cfr. Ibidem, 36, pg.
114.
[8] Cfr. Ibidem, 36-37, pgs.
114-115.
[9] Cfr. Ibidem, 37, pg. 115.
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