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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Reflexão para o VII Domingo do Tempo Comum (C)

Evangelho do domingo (Vatican News)

Jesus nos recomenda que sejamos misericordiosos, como o Pai celeste é misericordioso. A identidade do cristão é o amor.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos neste domingo o sétimo do Tempo Comum. A primeira parte do Tempo Comum vai até a semana que vem, quando, na Quarta-feira de Cinzas, 5 de março, tem início o tempo da Quaresma.

Estamos próximos de finalizar o segundo mês do ano civil e podemos nos perguntar: o que temos feito até agora? O tempo da Quaresma se aproxima; é momento de rever nossa vida e buscar um recomeço. Se ainda precisamos mudar algo, que comecemos a partir deste terceiro mês do ano, que se inicia no próximo sábado, dia 1º. Aproveitemos o tempo do jubileu que vivemos.

Participemos em família da Santa Missa, pois família que reza unida permanece unida. Se ensinarmos nossos filhos e netos a participarem da missa desde pequenos, eles se acostumarão com o ambiente da Igreja e sentirão gosto pela oração. No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina a amar a todos, inclusive aqueles que são nossos inimigos. Por isso, se temos alguém que consideramos inimigo ou de quem não gostamos, não devemos desejar o mal a essa pessoa nem pagar o mal com o mal, mas sim pagar o mal com o bem, pois foi assim que Jesus nos ensinou.

Estamos no Ano Jubilar da Esperança, um ano de graça em que recordamos os dois mil e vinte e cinco anos do nascimento de Jesus. Ao longo deste ano, somos convidados a confiar na misericórdia do Senhor, e, no Evangelho de hoje, Jesus nos ensina a sermos misericordiosos do mesmo modo que o Senhor é misericordioso conosco. Não cabe a nós julgar ninguém nem apontar o dedo condenando. Somente Deus julgará os atos de cada um.

A primeira leitura da missa deste domingo é do Primeiro Livro de Samuel (1Sm 26,2.7-9.12-13.22-23). Nesse trecho, acompanhamos a decisão de Davi de não se vingar de seu “inimigo” Saul. Mesmo tendo a oportunidade de matá-lo, Davi desiste de fazê-lo. Essa leitura está em sintonia com o que encontramos no Evangelho, quando Jesus ensina que não devemos pagar o mal com o mal. Davi atravessou para o outro lado e parou num alto monte, ao longe, deixando um grande espaço entre eles. Então, ele afirmou que estava com a lança do rei e que alguém de seu exército fosse buscá-la. “O Senhor retribuirá a cada um conforme a sua justiça e fidelidade.”

Por isso, meus irmãos, não estendamos a mão contra ninguém e não paguemos o mal com o mal, mas sim com o bem. Rezemos por nossos inimigos, pois o Senhor, justo juiz, nos retribuirá de acordo com nossas atitudes.

O Salmo Responsorial é o 102(103), cujo refrão diz: “O Senhor é bondoso e compassivo.” Todos nós devemos ser bondosos e compassivos com os outros, à semelhança do Senhor, ou seja, perdoando aquilo que o próximo fez contra nós, do mesmo modo que Deus nos perdoa.

A segunda leitura da missa deste domingo é da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,45-49). Nesse trecho, Paulo faz uma comparação entre o primeiro Adão e o segundo Adão. O primeiro Adão foi tirado da terra e, por meio dele, o pecado entrou no mundo. Já o segundo Adão veio do céu, foi revelado a nós pelo Espírito Santo e, através de seu sangue derramado na cruz, perdoa nossos pecados. O homem terreno é o primeiro Adão, e Jesus é o segundo Adão, o homem espiritual.

O Evangelho desta missa de domingo é de Lucas (Lc 6,27-38). Nele, encontramos a síntese de tudo o que já dissemos até aqui e que foi expresso na primeira leitura. Jesus nos orienta a amar nossos inimigos e a rezar por eles. Se alguém fez algo contra nós, não devemos retribuir na mesma moeda, mas sim orar por essa pessoa e seguir nossa vida, pois a recompensa que receberemos será muito maior.

Precisamos colocar em prática aquilo que rezamos no Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” Ou seja, se pedimos o perdão de nossas faltas a Deus, também devemos perdoar aqueles que nos ofenderam. Por mais difícil que seja, precisamos agir conforme Jesus nos orienta. Se nos derem uma bofetada numa face, devemos oferecer a outra. Jesus nos ensina a amar a todos, pois o amor vem de Deus.

Jesus nos recomenda que sejamos misericordiosos, como o Pai celeste é misericordioso. A identidade do cristão é o amor. Se somos verdadeiramente discípulos de Jesus, devemos amar a todos, inclusive aqueles que nos querem mal. Como já dissemos, estamos no Ano Santo Jubilar da Misericórdia; portanto, devemos pedir a Deus que nos conceda sua misericórdia e, a exemplo d’Ele, sermos misericordiosos com o próximo.

Assim, conforme disse Jesus, não devemos medir nem julgar ninguém, pois, com a mesma medida com que julgarmos, seremos julgados. Aquilo que hoje apontamos no outro pode ser apontado contra nós no futuro. Vivamos bem com Deus e com o próximo, peçamos o perdão e ofereçamo-lo da mesma forma, pois assim age o verdadeiro discípulo de Jesus.

Celebremos com alegria este sétimo domingo do Tempo Comum e nos preparemos para finalizar mais um mês e iniciar o próximo com o início da Quaresma e a preparação para a Páscoa. E não nos esqueçamos de ser misericordiosos, do mesmo modo que o Senhor é misericordioso conosco.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF