A CONVERSÃO PESSOAL É URGENTE!
Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
Nesta nossa peregrinação neste tempo quaresmal somos tocados
pela misericórdia do Senhor, que nos quer pessoas melhores, produzindo frutos
de bondade, compaixão, acolhida e ações humanizadas. O Senhor é paciente,
bondoso e compassivo, e o seu coração respeita o tempo de cada pessoa, para que
entremos no caminho da vida!
Na terceira etapa da caminhada da Quaresma, a liturgia
convida-nos, uma vez mais, a tomar consciência do projeto que Deus tem para
nós. Decidido a conduzir-nos em direção à vida verdadeira, Deus caminha ao
nosso lado, aponta-nos caminhos de liberdade e de vida nova, convida-nos a
derrubar tudo aquilo que nos escraviza, nos limita e nos encerra em fronteiras
fechadas de egoísmo, de sofrimento e de morte.
Na primeira leitura – Ex 3,1-8a.13-15 – Deus apresenta-se a
Moisés e aos hebreus que vivem como escravos no Egito. Ele não olha com
indiferença para o sofrimento dos seus filhos escravizados e maltratados; mas
está ao lado deles, ajuda-os a libertarem-se das cadeias de morte que os
prendem, condu-los em direção à liberdade e à vida plena. A libertação dos
escravos hebreus do Egito oferece-nos o modelo que o Deus salvador vai usar, em
todas as épocas da história, para salvar o seu povo. Temos, nesta leitura, um
texto significativo de toda a história da salvação. Deus se revela a Moisés em
uma sarça que ardia, mas que não se consumia, e chama-o. O Senhor revela sua
fidelidade ao indicar que cumpriu as promessas feitas a Abraão (Ex 3,6), e
confia a Moisés uma missão: libertar o povo da escravidão do Egito e conduzi-lo
à terra de liberdade, em que corre leite e mel (Ex 3,8a). Deus tem paciência
com nossa demora em nos converter, porém, nesse tempo quaresmal, procuremos
refletir se temos nos empenhado, apesar da nossa fragilidade e dos nossos
limites, em mudar nosso coração e mentalidade. Perdoamos o suficiente? Criamos
e geramos ambientes de paz e concórdia? Empenhamo-nos na preservação da
natureza, não desperdiçando água, por exemplo? Acolhemos nossos irmãos e irmãs,
cuidamos de nossos doentes e das pessoas idosas com solicitude e misericórdia?
Todos esses são pontos de reflexão e conversão para quem se prepara para a
Páscoa que se aproxima e para a Páscoa definitiva, nosso encontro pessoal e
universal com o Cristo Ressuscitado.
Na segunda leitura – 1Cor 10,1-6.10.12 – ensina que uma
experiência religiosa que se traduz em meros rituais externos e vazios não nos
assegura a vida e a salvação; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus,
a vontade de aceitar a sua proposta de salvação, o seguimento radical de
Jesus.
No Evangelho – Lc 13,1-9 – apresenta-nos um apelo veemente
de Jesus à conversão, à transformação radical da existência, a uma mudança de
mentalidade, a um recentrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a
ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa
vida terá sido uma perda de tempo, um projeto falhado.
A primeira parte do Evangelho quer demonstrar-nos que Deus
não nos castiga pelos acidentes e dificuldades. Contudo, estes não devem ser
ignorados, pois podem servir-nos de advertência para nos mantermos no caminho
do arrependimento. A segunda parte do Evangelho, parábola da figueira estéril,
nos remeter à demora da Parusia – algo que marcava a vida das primeiras
comunidades que esperavam o retorno iminente de Jesus. Ao trazer essa temática,
o texto ressalta a grandiosidade de Deus, que deseja a salvação de todos.
Estamos chegando na metade do tempo favorável da Quaresma.
Este tempo é de conversão, mudança de vida, penitência, caridade e compromisso
com os mais pobres. Fica a indagação: você já se confessou de maneira
auricular? Já pediu a Deus e a Igreja perdão de seus pecados? Como têm vivido a
sua Quaresma? Por isso o apelo de Jesus é para uma mudança radical de vida.
Vamos abandonar o pecado e viver a graça santificante!
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