"A esperança e a alegria cristã não se orientam
simplesmente para um estado futuro, mas é prêmio e graça de Deus, aqui e agora.
Ela é vivida na aceitação dos acontecimentos, destinos e tarefas da vida aqui.
Mas não é apenas uma construção de um paraíso terrestre, mas que aguarda, na
obra salvífica, o Reino definitivo. "
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
“Se Deus vem, mesmo quando o nosso coração parece uma pobre
manjedoura, então podemos dizer: a esperança não está morta, a esperança está
viva e envolve a nossa vida para sempre! A esperança não desilude”, disse o
Papa Francisco em sua homilia na Missa na Noite do Natal, no início o Jubileu
Ordinário de 2025. “E o Jubileu – ressaltou - abre-se para que a todos seja
dada a esperança, a esperança do Evangelho, a esperança do amor, a esperança do
perdão”. Neste sentido, “olhar para o futuro com esperança equivale a ter
também uma visão da vida carregada de entusiasmo para transmitir”.
“A Esperança faz viver uma vida nova”, é o tema da reflexão
do Pe. Gerson Schmidt*:
“São Paulo diz na Carta aos Romanos: “esperar, contra
toda esperança” (cf. Rm 4,18). Posteriormente, no capítulo 15, dessa mesma
carta, aponta assim: “Ora tudo o que se escreveu no passado é para nosso
ensinamento que foi escrito, a fim de que, pela perseverança e pela consolação
que nos proporcionam as Escrituras, tenhamos a esperança (Rm 15,4). E no
versículo 12 e 13 é ainda mais incisivo, falando da esperança: “Isaías, por sua
vez, acrescenta: Surgirá o rebento de Jessé, Aquele que se levanta para reger as
nações. Nele as nações colocarão a sua esperança. Que o Deus da esperança vos
cumule de toda alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito
Santo a vossa esperança transborde”. Nossa esperança se fundamenta nAquele que
se levanta para reger as nações: o Deus da Esperança. Nossa esperança, diz o
apóstolo dos gentios, transborde pelo Espírito Santo cumulando-nos de alegria e
paz.
O Concílio Vaticano II é considerado um Concílio da
esperança, pois apresenta uma Igreja aberta à comunidade. O Concílio Vaticano
II abordou a esperança cristã como uma virtude que define o caráter
escatológico dos fiéis da Igreja, nossa caminhada para a eternidade, sem
prescindir das responsabilidades do tempo atual. Na teologia anterior ao
concílio Vaticano II, sobretudo na Idade Média, a fé escatológica era,
simplesmente a fé no Além. Assim a unidade entre o aquém e o Além era desfeita.
O Aquém era o lugar de prova e experiência, da culpa e da purificação do “vale
de lágrimas”. O Além, o lugar de recompensa e de alegria. O concílio Vaticano
II, sobretudo na Constituição Gaudium
et Spes – a Igreja inserida no mundo – introduziu aqui um novo
tom. A esperança e a alegria cristã não se orientam simplesmente para um estado
futuro, mas é prêmio e graça de Deus, aqui e agora. Ela é vivida na aceitação
dos acontecimentos, destinos e tarefas da vida aqui. Mas não é apenas uma
construção de um paraíso terrestre, mas que aguarda, na obra salvífica, o Reino
definitivo.
O Papa Bento XVI dedicou, no seu pontificado, a reflexão das
três virtudes teologais em três pequeninos documentos: A Carta Apostólica Porta
Fidei – falando da fé; as cartas encíclicas Spe Salvi –
falando da virtude da Esperança e Deus
caritas est – apontando a virtude da caridade. Como estamos
refletindo a Esperança, nesse Ano Santo Jubilar, recuperamos pensamentos
da Encíclica Spe
Salvi, sobre a esperança cristã. O Papa Bento, afirmou que
mensagem cristã não era só «informativa», mas «performativa». Significa que o
Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas
uma comunicação que gera fatos e muda a vida. Quem tem esperança, afirmava
Bento XVI, vive diversamente porque foi lhe dada uma vida nova. A Boa notícia
da Ressurreição de Cristo nos faz enxergar a vida com outros olhos e renova
todo o nosso viver.
Nesse contexto, da comunicação da mensagem cristã, de uma
informação não só funcional, atualizamos esse pensamento de Bento XVI com o
Jubileu dos comunicadores com o Papa Francisco, no início desse ano. Ao
considerar o território da comunicação mais amplo do que o da informação, o
Papa Francisco se liga idealmente àquele que, na esteira do Concílio, foi o
promotor das Jornadas Mundiais das Comunicações Sociais: São Paulo VI.
De fato, o Papa Montini - embora bem ciente do quanto a
mídia influencia a vida das pessoas e da própria Igreja - queria que o evento
anual fosse dedicado a todos os operadores da comunicação, não apenas aos
profissionais da mídia. Assim como para seu amado predecessor, a comunicação
para Francisco não é apenas um ato funcional. É a “matéria-prima” da existência
humana, pois o homem é uma criatura amada por Deus, que se comunica com ele
desde o início. De coração a coração. Toda comunicação humana está, portanto,
inserida no círculo da comunicação divina. De fato, desde o início de seu
pontificado, Jorge Mario Bergoglio sempre enfatizou a importância da
comunicação “com o coração”. Para o Santo Padre, é esta palavra que sintetiza
todas as mensagens publicadas nos últimos anos para o Dia Mundial das
Comunicações Sociais, pois implica a coragem para ouvir com o coração, falar
com o coração, custodiar a sabedoria do coração, compartilhar a esperança do
coração. “Por isso, gostaria de acrescentar ao meu apelo pela liberação dos
jornalistas outro ‘apelo’ que diz respeito a todos nós: o da “liberação” da
força interior do coração. De cada coração!” Ser
jornalista, afirmou o Papa, é mais do que uma profissão. É uma vocação e uma
missão, com uma responsabilidade peculiar e uma tarefa preciosa. A
linguagem utilizada pode acender ou apagar a esperança, pode dar voz aos
marginalizados. A propósito, Francisco pediu que seja garantida a liberdade de
imprensa e de pensamento, pois a “informação livre, responsável e correta é um
patrimônio” a ser preservado e promovido. Foi desta forma que o Sumo Pontífice
se dirigiu aos comunicadores no Jubileu dos comunicadores em Roma, no mês de
janeiro.”
*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro
de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em
Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.
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