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quinta-feira, 20 de março de 2025

“Cuidado para não cair”

A figueira Estéril (Instituto Hesed)

“CUIDADO PARA NÃO CAIR” 

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)

“Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair”. Esta sentença de São Paulo é provocativa para fazer o exame de consciência neste momento oportuno da quaresma, para tomar consciência da realidade e do lugar onde nos encontramos pessoalmente, como Igreja e como sociedade (Êxodo, 3,1-8.13-15, Salmo 102, 1 Coríntios 10,1.6.10-12 e Lucas 13,1-9). 

O santo Evangelho relata que algumas pessoas trazem duas notícias trágicas para Jesus. Elas são semelhantes a tantas notícias do nosso cotidiano. A primeira é um massacre ordenado por Pilatos contra um grupo de galileus no templo, tendo o sangue deles misturado com as ofertas. A segundo relato é o desabamento de uma torre que mata dezoito pessoas.  Jesus comenta os dois fatos trágicos. Ajuda a fazer o discernimento para conduzir a reta interpretação e, deste modo, corrigir as falsas conclusões ou as condenações injustas.  

Os fatos motivam Jesus a guiar seus ouvintes à necessidade da conversão. Não propõe a conversão em termos moralistas, mas realistas. Perante certas desgraças as certezas humanas entram em crise. Não se pode simplesmente descarregar a culpa em alguém. Diante da precariedade da existência humana deve-se assumir uma atitude de responsabilidade. A atitude correta, segundo Jesus, é converter-se. Ninguém está isento de ser vítima de desastres. Também não se pode gastar todo tempo em procurar culpados. Faz-se necessário rever o próprio agir e assumir a própria responsabilidade no contexto.  

São Paulo escrevendo aos Coríntios deseja formar uma comunidade que esteja ciente do modo como estão vivendo. Recorda a eles o comportamento do povo de Deus na travessia do deserto conduzido por Moisés. O povo era bem conduzido e protegido, mesmo assim murmurava, isto é, sempre insatisfeito e reclamando constantemente contra Deus e Moisés. Como consequência morreram antes de chegar ao destino, por isso convida que a comunidade “não deseje coisas más” e mude o que for necessário para viver melhor. 

A advertência de Paulo: “Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” também serve a Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e Ecologia Integral”. A temática da ecologia passou a fazer parte do cotidiano. A globalização das informações permite que todos tenham acesso a notícias sobre os eventos climáticos de qualquer parte do mundo. É uma infinidade de informações que requerem um constante discernimento, assim como Jesus fez com os fatos trágicos que lhe contaram. Empenhar-se para encontrar a verdade dos fatos é uma atitude sábia e necessária. “A verdade vos libertará” afirmou Jesus. A verdade deve ser aceita. Ela se torna o ponto de partida para compreender as causas e encontrar as soluções.  

O final do evangelho apresenta a parábola da figueira infrutífera. A primeira solução simplista apresentada é cortar a figueira, mas também surge uma segunda proposta: dar um tempo, colocar adubo e melhorar os arredores para torná-la frutífera. A proposta fundamental da Campanha da Fraternidade é esta: conhecer e reconhecer a crise socioambiental que estamos vivendo, oferecer ensinamentos da Escritura que dizem toda criação é obra de Deus e tudo foi feito muito bom e, por fim, tornar a vida do cristão frutífera produzindo frutos de conversão ecológica, isto é, mudar hábitos de consumo, relacionar-se com todas as criaturas de forma fraterna, cuidar e guardar com zelo da Casa Comum. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF