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sexta-feira, 21 de março de 2025

Estamos no decênio decisivo para o planeta!

O decênio decisivo (Editora Elefante)

ESTAMOS NO DECÊNIO DECISIVO PARA O PLANETA! 

Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

A temática ambiental é uma questão urgente. Literalmente, sentimos isso na pele. E a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, afirma sem meias palavras a frase que escrevi como título dessa coluna semanal. E acrescenta: “Ou mudamos, convertendo-nos, ou provocaremos, com nossas atitudes individuais e coletivas, um colapso planetário” (cf. Campanha da Fraternidade 2025, Texto-base, § 8). 

Essa opção dá palanque para polêmicas e ataques de grupos negacionistas de dentro e de fora da Igreja. Mas a CNBB cumpre seu papel, lembrando que “não há um planeta reserva” e chamando todos a uma urgente e profunda conversão ecológica, ou seja: a passar da lógica extrativista (que considera a terra apenas um reservatório inesgotável de recursos que podemos usar como e quanto quisermos) a uma lógica do cuidado. 

Mesmo causando arrepios a algumas pessoas pias, os Bispos pedem que superemos a indiferença frente ao sofrimento dos pobres e da terra e abandonemos a “idolatria dos desejos desordenados do consumismo e do materialismo” (§ 14). E isso começa pela admissão de que “cada criatura expressa na sua singularidade a ternura amorosa de Deus”, e que nossa missão é ser guardiães e zeladores da obra do criador. 

Não podemos atribuir a crise ambiental à responsabilidade individual. E menos ainda às pessoas e países pobres. A origem dessa crise envolve fatores históricos, sociais, econômicos e políticos. Mas a causa preponderante é “o modelo de produção capitalista, baseado na exploração dos patrimônios naturais, na queima de combustíveis fósseis, na expansão desenfreada do consumo e na relação mercantilista com a natureza” (§ 26). 

Uma das raízes da crise ecológica é humana e social, e só quem quer ser cego pode ignorar a coincidência entre os fenômenos climáticos globais e a aceleração das emissões de gases de efeito estufa. Quem atribui as secas ou enchentes unicamente ao “El Niño” ou “La Niña” está criando bodes expiatórios. Ou será que os oceanos podem mudar de humor e decidir, sem mais, castigar os seres humanos e a natureza da qual fazem parte?  

Mas, apesar dos “paradoxos climáticos” que se repetem amiúde e crescem em termos de força destruição, e não obstante os dados seguros da ciência, há grupos que negam as mudanças climáticas ou pretendem diminuir sua gravidade. Alguns divulgam a falácia de que tudo será resolvido pelos avanços da tecnologia ou pela própria economia de mercado. Isso gera confusão e passividade, e retarda a urgente conversão ecológica e as ações concretas para enfrentar a emergência climática. 

Do ponto de vista da moral cristã, a agressão à natureza, assim como a omissão e a negação da emergência climática, são “pecados ecológicos”. Este grave pecado consiste no “desrespeito ao criador e sua obra que é a Casa Comum” mediante “ações e omissões contra Deus, contra o próximo e contra o meio ambiente” (§ 52). É um tipo de cegueira ou insensibilidade com o mundo. É uma visão que nos leva a tratar as pessoas e demais seres vivos como objetos, e a entregar às gerações futuras um planeta insustentável. 

Fonte: https://www.cnbb.org.b

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF