ESTAMOS NO DECÊNIO DECISIVO PARA O PLANETA!
Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
A temática ambiental é uma questão urgente. Literalmente,
sentimos isso na pele. E a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil, afirma sem meias palavras a frase que escrevi como título
dessa coluna semanal. E acrescenta: “Ou mudamos, convertendo-nos, ou
provocaremos, com nossas atitudes individuais e coletivas, um colapso
planetário” (cf. Campanha da Fraternidade 2025, Texto-base, §
8).
Essa opção dá palanque para polêmicas e ataques de grupos
negacionistas de dentro e de fora da Igreja. Mas a CNBB cumpre seu papel,
lembrando que “não há um planeta reserva” e chamando todos a uma urgente e
profunda conversão ecológica, ou seja: a passar da lógica
extrativista (que considera a terra apenas um reservatório inesgotável de
recursos que podemos usar como e quanto quisermos) a uma lógica do
cuidado.
Mesmo causando arrepios a algumas pessoas pias, os Bispos
pedem que superemos a indiferença frente ao sofrimento dos pobres e da terra e
abandonemos a “idolatria dos desejos desordenados do consumismo e do
materialismo” (§ 14). E isso começa pela admissão de que “cada criatura
expressa na sua singularidade a ternura amorosa de Deus”, e que nossa missão é
ser guardiães e zeladores da obra do criador.
Não podemos atribuir a crise ambiental à responsabilidade
individual. E menos ainda às pessoas e países pobres. A origem dessa crise
envolve fatores históricos, sociais, econômicos e políticos. Mas a causa
preponderante é “o modelo de produção capitalista, baseado na exploração dos
patrimônios naturais, na queima de combustíveis fósseis, na expansão
desenfreada do consumo e na relação mercantilista com a natureza” (§ 26).
Uma das raízes da crise ecológica é humana e social, e só
quem quer ser cego pode ignorar a coincidência entre os fenômenos climáticos
globais e a aceleração das emissões de gases de efeito estufa. Quem atribui as
secas ou enchentes unicamente ao “El Niño” ou “La Niña” está criando bodes
expiatórios. Ou será que os oceanos podem mudar de humor e decidir, sem mais,
castigar os seres humanos e a natureza da qual fazem parte?
Mas, apesar dos “paradoxos climáticos” que se repetem amiúde
e crescem em termos de força destruição, e não obstante os dados seguros da
ciência, há grupos que negam as mudanças climáticas ou pretendem diminuir sua
gravidade. Alguns divulgam a falácia de que tudo será resolvido pelos avanços
da tecnologia ou pela própria economia de mercado. Isso gera confusão e
passividade, e retarda a urgente conversão ecológica e as ações concretas para
enfrentar a emergência climática.
Do ponto de vista da moral cristã, a agressão à natureza,
assim como a omissão e a negação da emergência climática, são “pecados
ecológicos”. Este grave pecado consiste no “desrespeito ao criador e sua obra
que é a Casa Comum” mediante “ações e omissões contra Deus, contra o próximo e
contra o meio ambiente” (§ 52). É um tipo de cegueira ou insensibilidade com o
mundo. É uma visão que nos leva a tratar as pessoas e demais seres vivos como
objetos, e a entregar às gerações futuras um planeta insustentável.
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