Exercícios Espirituais no Vaticano, 10ª Meditação:
"Deixar-se transformar"
O pregador da Casa Pontifícia, Pe. Roberto Pasolini, fez na manhã desta sexta-feira, 14 de março, a décima meditação no âmbito dos Exercícios Espirituais da Quaresma à Cúria Romana sobre o tema "A esperança da vida eterna: Deixar-se transformar". Publicamos a síntese da reflexão.
Vatican News
A vida, com sua beleza e suas dificuldades, nos coloca diante de uma pergunta crucial: qual é o sentido de nossa peregrinação neste mundo quando tudo está destinado a acabar? Sem a esperança na eternidade, o peso da realidade pode nos esmagar ou nos tornar cínicos, levando-nos à resignação. São Paulo propõe que fixemos nosso olhar nas coisas invisíveis, que são eternas.
A humanidade é marcada pelo declínio físico, mas há uma
renovação interior que ocorre dia após dia. Tudo o que parece desaparecer tem,
na verdade, um destino maior: Deus nos criou para a ressurreição, e isso não é
um sonho utópico, mas a lógica natural de uma existência chamada à plenitude.
No mistério da cruz e da ressurreição de Cristo, Deus
completou seu desígnio de amor. A aparente derrota do Crucificado é, na
verdade, a revelação de um Pai que não desiste de seus filhos. Isso significa
que nossa vida não é deixada ao acaso, mas faz parte de um projeto de adoção e
redenção que nos torna filhos amados e destinados à eternidade. Tudo o que
experimentamos - alegrias, tristezas, conquistas e fracassos - faz parte de uma
transformação contínua, semelhante à de uma semente que, ao morrer, gera uma
nova vida. Assim, também nós, mesmo atravessando o limite da morte, estamos
destinados a uma vida nova e gloriosa.
Essa transformação não é apenas futura, mas já começa agora.
Na Eucaristia, de fato, ocorre uma troca misteriosa: oferecemos a Deus nossa
vida e recebemos em troca o próprio Cristo, que nos transforma em seu amor. Em
cada missa que celebramos, tudo o que somos é assumido na vida de Cristo, que o
leva consigo perante o Pai. Não se trata de um rito simbólico, mas de um
processo real de transformação de nossa pessoa, que nos torna partícipes da
vida eterna já no presente.
Não sabemos exatamente o que vai acontecer no final, mas
sabemos que o que seremos já está germinando dentro de nós. Não somos
destinados ao nada, mas a um futuro cheio de esperança. Esta certeza muda tudo:
nossa vida não é um filme sem sentido, mas uma obra escrita e dirigida por um
Diretor extraordinário, que nos convida a fixar o olhar na eternidade e a
caminhar em direção a Ele com confiança. É um fato real: Deus gerou filhos, e
entre esses filhos estamos também nós. O futuro permanece diante de nós como um
desenho de amor apenas parcialmente revelado. Entretanto, o que vemos hoje já é
maravilhoso: somos filhos amados, cidadãos do céu, vivendo para Deus e para
sempre.
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