Frei Nelson Medina OP - publicado em 27/05/21 - atualizado em 28/03/25
Uma das histórias mais lindas e emocionantes sobre o
poder do amor no casamento.
Uma mulher que se dava muito mal com seu marido sofreu uma
parada cardíaca. Quase a ponto de morrer, um anjo lhe apareceu para dizer-lhe
que, avaliando suas boas ações e seus erros, ela não poderia entrar no céu; e
lhe propôs continuar na terra por mais alguns dias, até conseguir cumprir as
boas ações que lhe faltavam.
A mulher aceitou o trato e voltou para casa junto ao seu
esposo. O homem nem falava mais com ela há um bom tempo, pois realmente estavam
brigados.
Ela pensou:
– É conveniente que eu faça as pazes com este homem. Ele
está dormindo no sofá. Ele está dormindo no sofá, faz tempo que parei de
cozinhar para ele. Hoje ele vai passar sua camisa para ir trabalhar, mas vou
lhe fazer uma surpresa.
Quando o homem sair de casa para trabalhar, ela começou a
lavar e passar toda a roupa dele. Preparou um delicioso almoço, colocou flores
na mesa e um cartão no sofá, que dizia: “Acho que você se sentiria mais
confortável dormindo na cama que foi nossa, essa cama na qual o amor concebeu
nossos filhos, na qual muitas vezes os abraços cobriram nossos medos e sentimos
a proteção e companhia um do outro. Este amor, ainda vivo, nos espera nessa
cama. Se você puder perdoar todos os meus erros, podemos nos encontrar lá. Sua
esposa”.
Quando terminou de escrever a última linha do cartão,
pensou:
– Será que eu fiquei louca? Vou pedir perdão, sendo que foi
ele quem começou a vir para casa bravo quando ficou desempregado? Eu que tive
de fazer malabarismos com minhas poucas economias, e ainda tinha que aguentar
sua cara fechada. Ele começou a beber, a ficar jogado no sofá, exigindo
silêncio das crianças, que só queriam brincar; começou a gritar comigo quando
lhe disse que não poderíamos continuar assim e que precisávamos de dinheiro
para nossos filhos. Ele arruinou tudo, e agora eu tenho que pedir perdão?
Enfurecida, rasgou o cartão, mas logo depois ouviu a voz do
anjo, que dizia:
– Lembre-se: com algumas boas ações, você chegará ao céu; do
contrário, não poderá entrar.
Então, a mulher refletiu:
– Será que vale a pena?
Ela resolveu reescrever o cartão, acrescentando palavras
ainda mais carinhosas:
“Eu não soube compreender nada naquela época, não soube ver
sua preocupação ao ficar desempregada, depois de tantos anos com o salário
seguro daquela fábrica. Você deve ter sentido tanto medo! Agora me lembro dos
seus sonhos para a nossa aposentadoria, de todas as coisas que você gostaria de
ter feito. Eu poderia ter motivado você a fazer tudo isso, ao invés de
obrigá-lo a aceitar ficar o dia todo sentado nesse táxi. Eu não soube ver a sua
dor, seu medo e sua angústia. Por favor, perdoe-me, meu amor. Prometo que de
hoje em diante tudo será diferente. Eu te amo. Sua esposa.”
Quando o marido voltou do trabalho, ao abrir a porta de
casa, reparou em algo diferente: o cheiro da comida, as velas na mesa, sua
música favorita tocando suavemente e o cartão no sofá. Quando a mulher saiu da
cozinha com a panela na mão, encontrou-o no sofá chorando como uma criança. Foi
correndo abraçá-lo e não precisaram dizer nada, apenas choraram juntos. Ele a
pegou no colo e a levou até a cama; fizeram amor com a mesma paixão do primeiro
dia. Depois jantaram a deliciosa comida que ela havia preparado, riram muito
recordando velhas histórias das crianças fazendo travessuras na casa.
Ele a ajudou a recolher as coisas da mesa e, enquanto ela
lavava a louça, viu pela janela da cozinha que o anjo estava no jardim. Foi
chorando ao seu encontro e lhe disse:
– Por favor, anjo, interceda por mim. Não quero deixar meu
marido sozinho. Preciso de mais tempo para poder motivá-lo e reconstruir nosso
casamento. Prometo que, em pouco tempo, ele estará feliz e seguro, e então
poderei ir para onde você quiser me levar.
O anjo respondeu:
– Eu não preciso levá-la a lugar algum. Agora você já sabe
onde e como o céu começa. Lembre-se do inferno no qual você estava vivendo e
nunca se esqueça de que o céu está muito perto.
A mulher ouviu a voz do seu marido que, da cozinha,
dizia-lhe:
– Meu amor, está frio, venha deitar, amanhã será outro dia.
– Sim, pensou ela, graças a Deus, amanhã será outro dia.
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