Jesus não concorda que cultivemos sentimentos de violência
contra as pessoas que nos fizeram mal. Ele convida todos a uma mudança, a uma
conversão.
Padre Cesar Augusto, SJ - Vatican News
A cena de Moisés e da sarça ardente, que temos na primeira
leitura, apresenta-nos o coração do grande líder judeu. Moisés possuía grande
sensibilidade e senso de justiça. Ele se revoltou com a injustiça praticada em
relação a um homem judeu e deixou vir à tona um grande arroubo em favor do
oprimido. Ele demonstrou ser possuído por grandes paixões.
É de homens assim que Deus quer precisar para agir no mundo.
Deus deu missão a Moisés, a Sansão, a Davi, a João Batista, a todos aqueles que
se deixaram tomar por uma grande paixão em favor do ser humano. Vejamos nossos
santos: Madre Paulina, Santo Antônio Galvão, Anchieta, e tantos outros!
Mas voltemos a Moisés. Em suas orações, percebeu que Deus
precisava dele. Deixou-se tocar pelo Senhor no momento em que se revoltou
quando viu injustiças. Mais tarde, refletindo sobre esses fatos, percebeu que
deveria deixar sua vidinha acomodada de pastorar rebanho, de estar com a
família e com os amigos para se colocar a serviço de Deus, a serviço do povo.
Sabia que Deus estaria sempre com ele e jamais o
abandonaria, nem a ele e nem aos seus.
Essa vocação para ser libertador, nasceu junto a uma
imperfeição grave. Moisés agiu com violência matando o egípcio que oprimia um
seu conterrâneo. Mesmo assim, Deus viu nele qualidades de libertador.
Agora, no Evangelho, Jesus vai corrigir essa ação de Moisés,
ao não concordar com a indignação do povo em relação a Pilatos.
Jesus não concorda nem com a retribuição sanguinária à
atitude de Pilatos e nem em atribuir aos galileus mortos alguma culpa.
Jesus não concorda que cultivemos sentimentos de violência
contra as pessoas que nos fizeram mal. Ele convida todos a uma mudança, a uma
conversão.
A parábola da figueira estéril nos convoca a uma paciência e
esperança divinas, tolerantes com as fraquezas humanas. Tolerante, mas não
conivente ou negligente.
Deus nos quer pessoas apaixonadas, vibrantes, dedicadas à
missão até a raiz de nossa existência, contudo ele nos quer cidadãos
absolutamente convertidos ao bem.
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