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terça-feira, 1 de abril de 2025

Irmãos que olham para o pai. Unidade entre várias gerações

Unidade entre várias gerações (Opus Dei)

Irmãos que olham para o pai. Unidade entre várias gerações

O Papa Francisco fala com frequência sobre a necessidade de gerar uma maior unidade entre as diferentes gerações. A parábola do filho pródigo, o irmão mais velho e o pai, relatada por Jesus, pode nos ajudar a aprofundar neste tema.

25/01/2021

Naqueles últimos dias, Jesus tinha passado muito tempo entre aqueles que, aos olhos da sociedade, pareciam estar mais longe de Deus. O evangelista são Lucas nos conta que “todos os publicanos e pecadores” (Lc 15,1) se aproximavam para ouvir os seus ensinamentos. Este movimento de gente fez com que os que se consideravam os guardiães da lei mosaica começassem a murmurar entre si. O Mestre, então, decide narrar três parábolas destinadas a purificar a imagem de Deus que eles tinham, muitas vezes distorcida por uma mentalidade legalista, que perde de vista o amor divino. O terceiro destes relatos é aquele famoso, sobre um pai e seus dois filhos (cfr. Lc 15, 11-32): o menor, que pede a herança para gastá-la longe de sua casa e o mais velho, que permanece no lar, mas sem sintonizar realmente com o pai.

O esquecimento dos dois filhos

Ao ler a parábola, podemos supor que os dois irmãos levavam muito tempo distraídos, afastados da gratuidade com que seu pai os amava. O mais novo sonhava com lugares onde supunha que seria mais feliz. A dispersão chegou-lhe pela cabeça – talvez um pouco desocupada – e pela imaginação – talvez mais viva – até se convencer de que poderia comprar o amor: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe” (Lc 15,12). O mais velho, por sua parte, tinha o seu coração adormecido, porque aparentemente cumpria bem as suas responsabilidades: estava satisfeito, não dava desgostos ao seu pai. No entanto, por alguma fresta, o frio havia penetrado em sua alma. Talvez tenha se enredado em planos que, ainda que parecessem muito próximos, não incluíam a quem tanto o amava. Enfim, nenhum dos dois concebia – ainda que fosse de maneira inconsciente – que seria possível alcançar uma autêntica felicidade estando em família. Enquanto o mais novo a procurava longe, o mais velho sonhava com ela em uma festa para os seus amigos. Nenhum dos dois imaginava que poderia alcançar uma vida plena junto ao seu pai.

Ainda que, como destaca São João Paulo II, todos tenhamos dentro de nós, ao mesmo tempo, alguma coisa de cada irmão[1], talvez não seja casualidade que Jesus tenha deixado explícita a idade de ambos. Pode ser que escolhesse o mais velho para ilustrar atitudes mais frequentes entre pessoas que levam muito tempo procurando e relacionando-se com Deus. Este irmão, certamente, conseguia cumprir as suas tarefas com perfeição. Seu pai não poderia repreendê-lo por quase nada. Desta forma estava tranquilo, não devia nada a ninguém. No entanto, não era totalmente feliz. Por outro lado, o filho mais jovem, idealista e apaixonado, pode representar atitudes mais comuns nas etapas iniciais da vida. Talvez fosse mais vulnerável à atração de uma liberdade que se dirige a bens que, no final, não saciam. Fugir, escapar e divertir-se pode ser apetecível, mas não se pode rejeitar indefinidamente a própria identidade. Cedo ou tarde aparecem carências que somente Deus é capaz de satisfazer plenamente. O filho mais novo também não era feliz.

Os dois irmãos viviam a sua realidade de maneira incômoda. Nessa atmosfera, era difícil que o amor crescesse, lançasse raízes na ternura, que ambos conseguissem ver como o pai estava orgulhoso pela vida dos dois e o muito que contava com eles. Seus sonhos estavam desfocados. Talvez não fosse o egoísmo que os cegasse, mas é possível que tenham cedido a uma tentação sutil: preocupar-se somente do que tinham em mãos, esquecendo-se de se deixar amar por aquele que lhes tinha dado tudo. Talvez, sem o perceberem, tinham posto uma barreira a esse amor. Enquanto o jovem imaginava o que poderia fazer longe de seu lar, o mais velho contabilizava o que já tinha entesourado. Os dois pensavam que tinham um patrimônio, mas, na realidade, o estavam guardando em bolsas furadas. O mais velho suportava a vida, à espera do prêmio que acreditava merecer, enquanto o mais novo não quis esperar e pediu a herança. No final, ambos pediam o mesmo: a sua recompensa.

A alegria paterna de tê-los perto

Os dois irmãos, prisioneiros de suas seguranças, eram incapazes sequer de desconfiar o que acontecia a tão pouca distância, no coração de seu pai. Talvez os dois, cada um à sua maneira, tivessem considerado o diálogo com o pai como uma tarefa a mais a cumprir. Talvez algo parecido possa acontecer conosco. Temos tantas atividades todos os dias, na maioria boas, que podemos gastar toda a nossa energia em executá-las. Inclusive os momentos em que queremos dialogar com Deus podem se converter simplesmente em uma tarefa a mais. Ao irmão mais jovem possivelmente lhe custasse muito essa rotina, necessitava de algo mais intenso e sensível. O mais velho, por outro lado, a havia incorporado regularmente na sua vida, mas não saboreava isso. A crise era iminente e é desencadeada pelo regresso do mais novo. Esse é o momento em que todos mostram suas cartas.

Então, enquanto o mais novo só se atreve a pedir que possa voltar como um servo, mesmo que seja o último, somos informados que o maior não se sentia bem pago. Mas o pai tem uma jogada de mestre: enquanto premia o mais novo com uma festa como nunca se havia celebrado, lembra ao mais velho que, na realidade, tudo pertence a ele. O pai procura reconciliar os seus filhos. Não lhe dói o pecado de um ou de outro por si mesmo, mas pelo que eles sofrem: “não choreis sobre mim, mas chorai (...) sobre vossos filhos” (Lc 23,28). O pai os coloca frente a frente para que aprendam a amar-se com o amor com que ele os ama.

Romper a nossa bolha e ver como o Senhor se comove é voltar à casa paterna. É reconhecer que, mais que uma tarefa, a relação com o nosso Pai Deus é um dom. Nenhum dos dois filhos tinha sido capaz de apreciar esse esbanjamento de ternura do pai até que ambos comprovam o frio que congela e a solidão que oprime. Bastou um pequeno gesto para que compreendessem como são amados: “e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou” (Lc 15,20); “filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15,31). Seu pai se sente orgulhoso deles, apesar de não terem dado motivos. Nas palavras de cada um, trazidas pela parábola, vemos somente o que eles fazem, sentem ou pensam. Nas palavras do pai, ao contrário, fica plasmada a alegria de tê-los perto.

São Josemaria era muito consciente deste tipo de situações, tão comuns, mas, às vezes, ocultas. Podemos ansiar por novas sensações como o filho mais novo ou ficar um pouco adormecidos como o filho mais velho. No entanto, o fundador do Opus Dei via o mais terno carinho neste diálogo cotidiano com o pai: “Plano de vida: monotonia? Os mimos de uma mãe..., monótonos? Não dizem sempre a mesma coisa os que se amam? Quem ama cuida dos detalhes”[2]. Por meio destes encontros nos concentramos na alegria de Deus por ter-nos perto.

Uma aliança desejada

“Não é emancipando-nos da casa do Pai que somos livres, mas abraçando a nossa condição de filhos”[3] e, portanto, de irmãos. Pode ser que o mais novo saísse para procurar o irmão. Talvez o mais velho tenha cedido, entrado e terminado por abraçar o mais novo, a quem com certeza não tinha deixado de amar. A felicidade não seria completa se a reconciliação com o pai não implicasse também o perdão pelos agravos, reais ou imaginários, entre irmãos. O Papa Francisco nos confiou um de seus grandes desejos: “ultimamente levo no coração um pensamento. Sinto que é isso o que o Senhor quer que eu diga: que se faça uma aliança entre jovens e idosos”[4]. Para o mais jovem, era difícil compreender o valor da perseverança do seu irmão: anos e anos cumprindo com sua obrigação. Ao mais velho parecia incompreensível a insensatez do mais novo. Acontecia com eles exatamente o contrário do que acontecia com seu pai, que não entendia a vida sem seus filhos. Ambos lhe faziam falta, cada um com a sua forma de ser e de amar.

Se tivessem chegado a olhar-se entre eles com os olhos paternos, teriam se sentido contemplados de outra forma, porque nesse olhar não cabem os juízos nem as reprimendas. Talvez, com o tempo, as bolotas dadas aos porcos chegariam a ser motivo de brincadeiras familiares. Talvez o pai, pouco depois, organizaria um banquete surpresa para seu filho mais velho e seus amigos, sem mais motivo que demonstrar-lhe seu carinho e, inclusive, o mais novo ajudaria a prepará-lo. Nenhum dos dois consegue ser feliz até encontrar com seu pai e compreender o irmão. Aprendem a deixar-se amar, amando-se um ao outro como são.

Enquanto o filho mais novo se concentrou em receber amor, o mais velho se concentrou em cumprir a sua parte do trabalho. Nenhuma das duas atitudes é valiosa em si mesma. Cumprir sem amor cansa e desgasta até que, no final, a corda arrebenta. Por outro lado, desejar ser amado sem corresponder é impossível, e assim a corda também acaba se arrebentando. Por isso, seu pai os ensina a viver juntos e integrar fidelidade e amor. Cada um deles pode aprender tanto do outro! Por meio do relacionamento com seu pai, intuem como se pode fazer as coisas por amor, livremente, porque querem. Ninguém como Cristo, verdadeiro irmão mais velho, conseguiu unir os dois aspectos com tanta fidelidade e felicidade. “Não houve na história da humanidade um ato tão profundamente livre como a entrega do Senhor na Cruz”[5]. Os dois irmãos se necessitam. Separados, naufragam na amargura e o pai sofre. Juntos, fazem-no feliz. O jovem tem toda a força e o ímpeto de seus desejos de receber carinho. Está estreando o amor. “Lembro-me – dizia são Josemaria de que tive uma grande alegria quando soube que os portugueses chamam aos jovens os novos. E é o que são”[6].

O mais velho, por sua parte, lutou muitas batalhas e, ainda que a princípio não se alegra, seu coração não negará o pedido de seu pai. O mais novo, no fundo, talvez agradeça que o irmão mais velho tenha lhe tenha dado cobertura e nunca tenha abandonado o lar. Concentrar-se no amor é a solução para os dois: olhar seu pai, receber o seu Espírito, e amar a quem ele ama com a sua liberdade, porque o desejam de verdade. “O amor de nossos irmãos e irmãs nos dá a segurança de que necessitamos”[7] para continuar lutando por amar mais o nosso pai Deus.

* * *

Podemos obter a força para superar a mesquinhez do nosso coração no banquete em que aprendemos de verdade a ser filhos: “Talvez nos tenhamos perguntado algumas vezes como podemos corresponder a tanto amor de Deus; talvez nesses momentos tenhamos desejado ver claramente exposto um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente da Santa Missa, aprender na Missa a ganhar intimidade com Deus, porque neste Sacrifício se encerra tudo o que o Senhor quer de nós”[8].

Em Cristo, Filho único do Pai, ambos são capazes de portar-se como filhos e, portanto, como irmãos. Participando juntos no banquete do novilho cevado, calçam as sandálias novas para percorrer o mundo inteiro, vestem a túnica com o perfume de sua casa e colocam o anel da fidelidade do seu pai. Então começa a festa, na que nunca mais deixarão de cantar louvores a um pai que cuida deles e os compreende.

Talvez nos tenha chamado a atenção alguma vez que não aparecesse a mãe dessa família. Não sabemos a razão, mas talvez possamos imaginar que a Virgem Maria, mãe de Deus e nossa mãe, sempre nos ajuda a ter o olhar colocado no amor do Pai. Para voltar para casa, para concentrar-nos no essencial, nada melhor que deixar-nos levar no colo de uma mãe que sussurra em nosso ouvido: “Olhe como Deus ama você”.

Diego Zalbidea

Tradução: Mônica Diez

Foto: Maria Lindsey Multimedia Creator (Pexel)


[1] Cfr. São João Paulo II, ex. ap. Reconciliatio et Paenitentia, nº 5-6.

[2] São Josemaria, Guia de uma palestra, 22-VIII-1938. Citado en Caminho. Edição Comentada, Quadrante, São Paulo, 2016, p.229.

[3] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 9-I-2018, nº 4.

[4] Francisco, prólogo do livro A sabedoria das Idades, Editora Santuário, São Paulo.

[5] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 9-I-2018, nº 3.

[6] São Josemaria, Amigos de Deus, nº 31.

[7] Mons. Fernando Ocáriz, Carta pastoral, 1-XI-2019, nº 17.

[8] São Josemaria, É Cristo que passa, nº 88.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/irmaos-que-olham-para-o-pai/

Nesta Quaresma, se você é mãe, siga os propósitos da beata Conchita

beata Conchita (Alianza de Amor)

Majo Frias - publicado em 13/03/25

Conchita Cabrera escreveu 47 resoluções referindo-se ao seu relacionamento com o marido e ao cuidado de seus filhos e da casa que podem ajudar as mães que desejam oferecer algo durante esta Quaresma.

Normalmente, quando chega a Quaresma, estabelecemos resoluções ou pequenos sacrifícios a serem seguidos por 40 dias. Essas pequenas ações diárias, além de se tornarem uma oferta a Deus, nos ajudam a exercer uma virtude ou corrigir um vício que prejudica nosso relacionamento com Ele. Vejamos o que Conchita Cabrera viveu e deixou escrito.

Para mães e donas de casa, cuja missão é muito especial, Conchita Cabrera pode ser uma aliada especial e fonte de inspiração durante a Quaresma. 

Esta mulher, esposa e mãe de nove filhos, dedicou amor e atenção especiais à sua casa. Ciente de seu papel como mãe, ela buscou a santificação de seus filhos e marido, ofereceu cuidados amorosos a todos eles e trabalhou ativamente para trazer o evangelho à vida e pregar pelo exemplo de vida. 

Em 1894, depois de alguns exercícios espirituais, ela escreveu uma lista de 47 resoluções que a ajudariam a ser mais santa a cada dia em sua realidade particular. Por ordem de seu diretor espiritual, ela os dividiu em três grupos: seu relacionamento com o marido, seu papel diário como mãe e suas atitudes em relação à equipe de serviço em sua casa. 

Sua missão de mãe, a coisa mais importante

Em 1899, ela escreveu em seu diário que, embora fosse solicitada em reuniões e festas, estava claro para ela que sua missão principal era educar seus filhos, pois ela tinha que formar seus corações e lutar com seus personagens, "removendo tudo o que é ruim e encorajando o que é bom". 

"Muita paciência e grande prudência e virtude eu preciso para cumprir esta missão de mãe de uma maneira santa. Em todas as minhas orações, o primeiro grito do coração é pedir graças para meu marido e filhos, é claro que espero tudo do alto, tudo desse Deus infinitamente bom e daquela Maria, Mãe de todos, a quem os confiei especialmente". 

Estas são algumas das resoluções escritas na lista criada por Conchita que poderiam inspirar todas as mulheres que, como ela, foram chamadas a serem portadoras da Boa Nova nas suas casas e guardiãs do coração dos seus filhos: 

Casamento

Conselho: "Com meu marido: terei cuidado para não perder sua confiança antes de ganhá-la cada vez mais; informando-me de seus negócios, pedirei a Deus luz para aconselhá-lo corretamente. 

Respeito: "Nunca falarei mal, nem um pouco, de sua família; Eu sempre vou desculpá-la, cuidando para que ela respeite a minha." 

Acordos: "Quanto à educação dos meus filhos, vou me certificar de que sempre caminhemos de acordo, tendo energia e retidão de ambos os lados, com cuidado especial." 

Doçura: "Farei com que sempre encontre em mim consolações sagradas, doçura e completa abnegação. Caráter igual em todas as circunstâncias, e ele vê Deus brilhar em todas as minhas obras para seu benefício espiritual. 

Espiritualidade: "Cuidarei especialmente de sua alma; sabiamente, procurarei oportunidades para incliná-lo a Deus sem que ele sinta, para falar com ele sobre Ele, deixando cair em seu coração as palavras que, como uma semente, produzem seu efeito. 

Crianças

Formação na caridade: "Encorajá-los-ei a serem caridosos para com os pobres, fazendo-os partilhar um pouco do que têm com eles pessoalmente". 

Formação na piedade: "Não te incomodarei, sobrecarregando-te com orações e fazendo pesar sobre ti a piedade; pelo contrário, tentarei torná-lo agradável aos seus olhos e que eles naturalmente o procurem, começando a voar para a alma com pequenas ejaculações. 

Formação na virtude: "Estudarei seus caracteres e pressionarei onde for conveniente, sem me deixar levar pela afeição natural. Não vou mimá-los em geral (...) Saberei como me impor a eles enquanto os atraio para confiar." 

Início

Administração e caridade: "Vigiarei as economias sem descer a extremos, cuidando para que nada falte aos outros e fazendo pessoalmente muitas coisas que envolveriam despesas. Eu sempre estarei acordado para todas as circunstâncias. Darei as esmolas que puder com a despesa. 

Sempre à frente

E reconhecendo que o caminho para a santidade não é fácil – e que, naturalmente, haverá pedras de tropeço – ela escreve para si mesma um lembrete que dará esperança naqueles dias em que, apesar de nosso esforço, falhamos em nosso propósito: 

"Não vou me preocupar se as circunstâncias impedirem minhas regras de vida, mas continuarei com calma. Serei flexível diante das dificuldades, sempre me humilhando e sempre em frente, em frente!" 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/03/13/nesta-quaresma-se-voce-e-mae-siga-os-propositos-da-beata-conchita

As flores amarelas da senhora Carmela

A senhora com as flores para o Papa Francisco (foto Ansa)  (ANSA)

Carmela Mancuso, 78 anos, ex-professora na região italiana da Calábria também neste domingo (23/03) levou flores ao Papa Francisco. No artigo assinado por Pe. Maicon Malacarne, o fascínio do Papa não pela multidão, mas "para encontrar os rostos das pessoas. Logo percebeu a presença da senhora Carmela com seu maço de flores amarelas". Até pode parecer "um gesto pequeno, mas não é. Aqui está a mais alta teologia e o maior desafio pastoral".

Pe. Maicon André Malacarne*

O Papa Francisco é o Papa dos gestos. Ao aparecer na sacada do 5º andar do hospital em que estava internado nos últimos 40 dias, é possível ver Francisco não tão fascinado pela multidão que aguardava para vê-lo. Seus olhos se esforçavam para encontrar os rostos das pessoas. Logo percebeu a presença da senhora Carmela com seu maço de flores amarelas. Antes de falar, o semblante do Papa mudou, sorriu, apontou o dedo, fez gesto positivo com a cabeça. Com o microfone, disse: "bom dia, obrigado a todos! Estou vendo aquela senhora com as flores amarelas. É uma boa pessoa". 

“Parece um gesto pequeno, mas não é. Aqui está a mais alta teologia e o maior desafio pastoral. Aqui está o coração de tudo!”

Evangelizar é encontrar com os interlocutores do evangelho. E os interlocutores de ontem são diferentes dos interlocutores de hoje. Evangelizar exige conhecer as realidades, acolher as histórias, abraçar os dramas, dar a mão para as contradições, partilhar as fragilidades de cada pessoa. 

Evangelizar não é intelectualismo nem amadorismo. Evangelizar é encontrar com as pessoas que tem nome e carregam as suas "flores amarelas". Trata-se de um intercâmbio de vozes, de dons, de semblantes que se reconhecem: "as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz" (Jo 10,4).

As flores amarelas chegaram no Papa que levou-as, antes de ir para casa, para o cardeal Rolandas Makrickas para que as depositasse aos pés do ícone de Nossa Senhora, na basílica de Santa Maria Maior, como forma de agradecimento pela sua recuperação (conforme a foto do Vatican News).

“Sugiro que esse gesto do Papa seja recordado e meditado nos encontros de catequese, de pastorais e movimentos e outras tantas reuniões de nossas comunidades. O gesto precisa questionar a retina dos nossos olhos e o profundo do coração, a fim de perceber se estamos conseguindo encontrar as senhoras e senhores, os jovens e as crianças que necessitam da atenção e da vigilância do nosso olhar.”

* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF