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terça-feira, 1 de abril de 2025

As flores amarelas da senhora Carmela

A senhora com as flores para o Papa Francisco (foto Ansa)  (ANSA)

Carmela Mancuso, 78 anos, ex-professora na região italiana da Calábria também neste domingo (23/03) levou flores ao Papa Francisco. No artigo assinado por Pe. Maicon Malacarne, o fascínio do Papa não pela multidão, mas "para encontrar os rostos das pessoas. Logo percebeu a presença da senhora Carmela com seu maço de flores amarelas". Até pode parecer "um gesto pequeno, mas não é. Aqui está a mais alta teologia e o maior desafio pastoral".

Pe. Maicon André Malacarne*

O Papa Francisco é o Papa dos gestos. Ao aparecer na sacada do 5º andar do hospital em que estava internado nos últimos 40 dias, é possível ver Francisco não tão fascinado pela multidão que aguardava para vê-lo. Seus olhos se esforçavam para encontrar os rostos das pessoas. Logo percebeu a presença da senhora Carmela com seu maço de flores amarelas. Antes de falar, o semblante do Papa mudou, sorriu, apontou o dedo, fez gesto positivo com a cabeça. Com o microfone, disse: "bom dia, obrigado a todos! Estou vendo aquela senhora com as flores amarelas. É uma boa pessoa". 

“Parece um gesto pequeno, mas não é. Aqui está a mais alta teologia e o maior desafio pastoral. Aqui está o coração de tudo!”

Evangelizar é encontrar com os interlocutores do evangelho. E os interlocutores de ontem são diferentes dos interlocutores de hoje. Evangelizar exige conhecer as realidades, acolher as histórias, abraçar os dramas, dar a mão para as contradições, partilhar as fragilidades de cada pessoa. 

Evangelizar não é intelectualismo nem amadorismo. Evangelizar é encontrar com as pessoas que tem nome e carregam as suas "flores amarelas". Trata-se de um intercâmbio de vozes, de dons, de semblantes que se reconhecem: "as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz" (Jo 10,4).

As flores amarelas chegaram no Papa que levou-as, antes de ir para casa, para o cardeal Rolandas Makrickas para que as depositasse aos pés do ícone de Nossa Senhora, na basílica de Santa Maria Maior, como forma de agradecimento pela sua recuperação (conforme a foto do Vatican News).

“Sugiro que esse gesto do Papa seja recordado e meditado nos encontros de catequese, de pastorais e movimentos e outras tantas reuniões de nossas comunidades. O gesto precisa questionar a retina dos nossos olhos e o profundo do coração, a fim de perceber se estamos conseguindo encontrar as senhoras e senhores, os jovens e as crianças que necessitam da atenção e da vigilância do nosso olhar.”

* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF