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domingo, 6 de março de 2022

“Cristo é a nossa esperança”, diz padre de um bunker na Ucrânia

Adoração eucarística no bunker em Kiev / Ajuda à Igreja que Sofre Chile |
ACI Digital

KIEV, 04 mar. 22 / 02:40 pm (ACI).- Padre Mateusz é pároco da Igreja de Santo Antônio em Kiev, capital da Ucrânia, e nestes dias, que está junto com os fiéis em um bunker para se proteger dos ataques russos, dedica várias horas à adoração eucarística. “Cristo é a nossa esperança”, diz.

Em mensagem de áudio à sede chilena da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o padre disse que a adoração eucarística fortalece todos.

“Outro dia, durante a adoração vespertina, eu disse ao Senhor: 'Estou preparado para tudo e dou graças por toda a minha vida'. E pensei nos planos que Deus tem para nós, para esta paróquia, para os fiéis e para a Ucrânia. Se isso puder se tornar uma semente, uma semente de esperança e fé para outras pessoas, estamos felizes”, disse Mateusz.

“Cristo ressuscitou e venceu a morte, está conosco e nos acompanha, Ele é a nossa esperança”, destacou.

O pároco de Santo Antônio em Kiev disse que não pode "falar muito sobre o lugar onde nos refugiamos, por razões de segurança, mas aqui já somos mais de trinta pessoas, incluindo algumas crianças, e sentimos que Deus nos acompanha dia a dia".

Sobre a realidade das pessoas na Ucrânia hoje, o padre disse que “me contam que há muita raiva e muito desespero, muito choro e tristeza. É um estado de ânimo que algumas pessoas contagiam outras”.

“Entre nós, o ambiente é um pouco diferente. Rezamos juntos todos os dias e adoramos Jesus no Santíssimo Sacramento”, destacou.

O padre Mateusz, que também consegue transmitir as missas nas redes sociais, disse que os padres “são pastores de tudo e cada dia servimos mais pessoas. Deus está realmente conosco".

“Se conseguirmos fazer o que é necessário – fazer compras, organizar comida – nos sentimos seguros. Perseveramos em oração com nossos irmãos e irmãs, rezando pela paz”.

O padre agradeceu a ajuda e os sinais de solidariedade que recebem e expressou seu desejo de que a voz de quem sofre com a guerra seja escutada.

"Confiamos que a voz das vítimas da guerra, órfãos e viúvas chegue a todos os povos do mundo, mas não para gerar ódio nos corações ou semear amargura", disse.

“Um cristão deve rezar por seus inimigos. E, portanto, todos devemos evitar cair no ódio e na violência!”, concluiu.

Segundo a CNN as negociações de ontem entre a Rússia e a Ucrânia foram concluídas com um acordo para estabelecer corredores humanitários para civis e um possível cessar-fogo.

Antes do início da invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, a ACN enviou um pacote de emergência de um milhão de euros para a Igreja na Ucrânia.

O presidente executivo da ACN, Thomas Heine-Geldern, disse que esta ajuda beneficiará padres e religiosos que trabalham em paróquias, orfanatos e lares de idosos e que cuidam dos deslocados em todo o país.

Mais informações sobre como ajudar a Ucrânia, clique AQUI.

Fonte: https://www.acidigital.com/

"Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa", afirma padre brasileiro em Kiev

Pe. Lucas Perozzi Jorge e paroquianos refugiados na Igreja | Vatican News

"Eu estou aqui para falar: Deus está aqui. Para que não apareça outro Nietzsche, por exemplo, perguntando onde está Deus neste absurdo, onde está Deus lá na Ucrânia, onde está Deus atuando através do Putin. Eu estou aqui para falar: Deus está aqui, em meio a toda essa desgraça.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa, como se hoje tivéssemos que morrer”: palavras do sacerdote brasileiro Lucas Perozzi Jorge, que vive em Kiev desde 2004.

Do Caminho Neocatecumenal, Pe. Lucas atualmente é vigário da Igreja da Dormição da Santíssima Virgem Maria. Ele e mais 35 pessoas, entre membros da comunidade e paroquianos que pediram abrigo, estão vivendo dentro da Igreja, numa parte segura que fica no subsolo. Por enquanto, não faltam luz nem calefação.

Ele afirma que a Quaresma já começou na Ucrânia, mas para o brasileiro, se trata de um “momento de graça”:

“Eu estou vivendo num contexto que é uma graça, uma graça de Deus. Que não sou digno de viver nada disso, porque sou realmente fraco, sou covarde, sou um pecador muito grande, mas o que estou vivendo vai além, porque Deus me dá a graça de estar contente no meio de toda essa bagunça.”

“Dá para ver a mão de Deus muito forte aqui. Estou vivendo a gratuidade, a graça do amor de Deus. De poder estar aqui no meio desta situação toda e poder experimentar o amor de Deus, que Ele é bom, que Ele é amoroso.”

Comentando o Dia de oração e jejum convocado pelo Papa Francisco, Pe. Lucas fala da importância de saber que toda a Igreja está rezando por ele, enquanto retribui as orações pelo Pontífice, “capitão do barco”.

"Deus está na Ucrânia"

Natural do interior de São Paulo, o brasileiro afirma que não pensou em sair da Ucrânia, não obstante os laços familiares muito fortes que deixou em Álvares Machado, sobretudo com o pai. Quando a guerra começou, ele estava fora de Kiev para um curso, mas voltou imediatamente; e a confirmação que tinha que ficar veio quando a primeira família de paroquianos pediu abrigo.

“Eu estou aqui para falar: Deus está aqui. Para que não apareça outro Nietzsche (filósofo niilista, ndr), por exemplo, perguntando onde está Deus neste absurdo, onde está Deus lá na Ucrânia, onde está Deus atuando através do Putin. Eu estou aqui para falar: Deus está aqui, em meio a toda essa desgraça.”

Em meio ao calvário que estão vivendo, Pe. Lucas tem a certeza da ressurreição:

“Acredito não, estou convencido. Mas não a ressurreição do fim da guerra, isso não sei. Estamos obrigados a viver um dia de cada vez, mas a ressureição é o que me mantém em pé, porque se não existisse a ressurreição, não teria sentido estar aqui. Não é se eu acredito, eu estou plenamente convencido na ressurreição dos mortos, isso é o que me permite estar aqui.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Que as armas se calem

L'ossrvatore Romano

«Com o coração dilacerado pelo que está a acontecer na Ucrânia... repito: que as armas se calem». Foi este o apelo urgente lançado pelo Papa Francisco no final do Angelus de 27 de fevereiro na praça de São Pedro. Sem esquecer «as guerras noutras partes do mundo, como no Iémen, na Síria e na Etiópia», o Pontífice renovou o convite a unir-se a ele no dia 2 de março, quarta-feira de Cinzas, para um dia de jejum e oração pela paz. Precedentemente, comentando como é habitual o Evangelho de domingo, ofereceu uma reflexão «sobre o nosso olhar e falar».

Prezados irmãos e irmãs
bom dia!

No Evangelho da Liturgia de hoje Jesus convida-nos a refletir sobre o nosso olhar e o nosso falar. O olhar e o falar.

Em primeiro lugar, sobre o nosso olhar. O risco que corremos, diz o Senhor, é concentrar-nos a olhar o argueiro no olho do irmão, sem nos darmos conta da trave no nosso (cf. Lc 6, 41). Em síntese, estar muito atentos aos defeitos dos outros, até aos pequenos como um argueiro, ignorando tranquilamente os nossos, dando-lhes pouca importância. É verdade o que Jesus diz: encontramos sempre motivos para dar a culpa aos outros e para nos justificarmos a nós próprios. E muitas vezes queixamo-nos de coisas que não funcionam na sociedade, na Igreja, no mundo, sem antes nos questionarmos e sem nos comprometermos a mudar primeiro a nós mesmos. Cada mudança fecunda, positiva, deve começar por nós próprios. Caso contrário, não haverá mudança. Mas — explica Jesus — agindo assim, o nosso olhar é cego. E se formos cegos, não podemos pretender ser guias e mestres para os outros: com efeito, um cego não pode guiar outro cego (cf. v. 39).

Estimados irmãos e irmãs, o Senhor convida-nos a limpar o nosso olhar. Em primeiro lugar, pede-nos que olhemos para dentro de nós mesmos, para reconhecer as nossas misérias. Pois se não conseguirmos ver os nossos próprios defeitos, estaremos sempre prontos a aumentar os dos outros. Ao contrário, se reconhecermos os nossos erros e as nossas misérias, abrir-se-á para nós a porta da misericórdia. E depois de ter olhado para dentro de nós, Jesus convida-nos a olhar para os outros como Ele faz — eis o segredo: olhar para os outros como Ele faz — Ele que não vê primeiro o mal, mas o bem. Deus olha para nós assim: não vê em nós erros irremediáveis, mas sim filhos que cometem erros. Muda a ótica: não se concentra nos erros, mas nos filhos que cometem erros. Deus distingue sempre a pessoa dos seus erros. Salva sempre a pessoa! Acredita sempre na pessoa e está sempre pronto a perdoar os erros. Sabemos que Deus perdoa sempre. E convida-nos a fazer o mesmo: a não procurar o mal nos outros, mas o bem.

Depois do olhar, hoje Jesus convida-nos a refletir sobre o nosso falar. O Senhor explica que a boca «fala daquilo de que o coração está cheio» (v. 45). É verdade, do nosso modo de falar, vê-se imediatamente o que há no coração. As palavras que usamos falam da pessoa que somos. Mas às vezes prestamos pouca atenção às nossas palavras, usando-as de maneira superficial. Mas as palavras têm um peso: permitem-nos manifestar pensamentos e sentimentos, dar voz aos temores que temos e aos projetos que tencionamos realizar, abençoar Deus e os outros. Mas infelizmente, com a língua podemos também alimentar preconceitos, levantar barreiras, agredir e até destruir; com a língua podemos destruir os irmãos: a bisbilhotice fere e a calúnia pode ser mais afiada do que uma faca! Hoje, especialmente no mundo digital, as palavras voam; mas demasiadas delas veiculam raiva e agressividade, alimentam notícias falsas e aproveitam-se dos receios coletivos para propagar ideias distorcidas. Um diplomata, que foi Secretário-Geral das Nações Unidas e ganhou o prémio Nobel da Paz, disse que «abusar da palavra equivale a desprezar o ser humano» ( D. HAMMARSKJÖLD Tracce di cammino, Magnano BI 1992, 131).

Então, perguntemo-nos que tipo de palavras usamos: palavras que manifestam atenção, respeito, compreensão, proximidade, compaixão, ou palavras que visam principalmente fazer-nos mostrar-nos melhores diante dos outros? E depois, falamos com mansidão ou poluímos o mundo propagando veneno: criticando, queixando-nos, alimentando a agressividade generalizada?

Que Nossa Senhora, Maria, cuja humildade Deus contemplou, a Virgem do silêncio a quem agora rezamos, nos ajude a purificar o nosso olhar e o nosso falar.

Após a recitação da prece mariana, o Papa reiterou o apelo a favor do povo ucraniano, depois recordou a beatificação em Granada do sacerdote Gaetano Giménez Martín e de quinze companheiros mártires durante a perseguição religiosa na Espanha, em 1936, e saudou os grupos presentes. Por fim, recordou o Dia das doenças raras, que será celebrado a 28 de fevereiro.

Queridos irmãos e irmãs!

Nestes dias, fomos abalados por algo trágico: a guerra. Muitas vezes rezamos para que não fosse empreendido este caminho. E não deixamos de rezar, aliás, suplicamos a Deus com mais intensidade. Por isso, renovo a todos o convite a fazer de 2 de março, Quarta-Feira de Cinzas, um dia de oração e jejum pela paz na Ucrânia. Um dia para estar perto dos sofrimentos do povo ucraniano, para nos sentirmos todos irmãos e implorar a Deus o fim a guerra.

Quem faz a guerra, quem provoca a guerra, esquece a humanidade. Não parte do povo, não olha para a vida concreta das pessoas, mas coloca acima de tudo os interesses de parte e de poder. Confia na lógica diabólica e perversa das armas, que é a mais distante da vontade de Deus. E distancia-se das pessoas comuns, que desejam a paz; e que em cada conflito são as verdadeiras vítimas, que pagam com a própria pele as loucuras da guerra. Penso nos idosos, em quantos nestas horas procuram refúgio, nas mães em fuga com os seus filhos... São irmãos e irmãs para quem é urgente abrir corredores humanitários e que devem ser acolhidos.

Com o coração dilacerado por quanto acontece na Ucrânia — e não esqueçamos as guerras noutras partes do mundo, como no Iémen, na Síria, na Etiópia... — repito: que as armas se calem! Deus está com os pacificadores, não com quem usa a violência. Pois quem ama a paz, como afirma a Constituição italiana, «repudia a guerra como instrumento de ofensa contra a liberdade de outros povos e como meio de resolução das disputas internacionais» (Art. 11).

Ontem em Granada, na Espanha, foram proclamados beatos o sacerdote Gaetano Giménez Martín e quinze companheiros mártires, mortos em odium fidei, no âmbito da perseguição religiosa dos anos trinta na Espanha. Que o testemunho destes heroicos discípulos de Cristo possa despertar em todos o desejo de servir o Evangelho com fidelidade e coragem. Um aplauso aos novos Beatos!

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos!

Saúdo em particular as niñas quinceñeras do Panamá; os jovens universitários da diocese do Porto; os fiéis de Mérida-Badajoz e Madrid, na Espanha; os de Paris e da Polónia; os grupos de Reggio Calabria, da Sicília e da Unidade Pastoral de Alta Langa; os crismandos de Urgnano e os jovens de Petosino, diocese de Bergamo.

Dirijo uma saudação especial a quantos vieram por ocasião do Dia das Doenças Raras, que se celebrará amanhã: encorajo as várias Associações de doentes e familiares, assim como os investigadores que trabalham neste campo. Estou próximo de vós! Saúdo os povos aqui presentes... vejo também numerosas bandeiras da Ucrânia! (em ucraniano): Louvado seja Jesus Cristo!

Bom domingo a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!

Fonte: https://www.osservatoreromano.va/pt

Santa Coleta (Nicoleta)

Sta. Coleta | arquisp
06 de março

Santa Coleta (Nicoleta)

Nascida em 13 de janeiro de 1381, em Corbie, na região francesa de Amiens, Nicoleta Boilet, apelidada de Coleta, recebeu este nome em homenagem a são Nicolau. Seus pais estavam com a idade avançada e sem filhos quando pediram pela intercessão desta graça ao santo, do qual eram devotos.

O pai era um artista abastado, que trabalhou no mosteiro beneditino de Corbie, onde a família viveu por alguns anos. A educação e o convívio religioso alí recebidos influenciaram muito na espiritualidade de Coleta, que nunca mais se afastou da religião e contribuiu vigorosamente para a construção e afirmação da Igreja Católica.

Aos dezoito anos ficou órfã. Distribuiu os bens aos pobres para viver reclusa na Ordem terceira de São Francisco. Neste período teve uma visão de Cristo que lhe deu a incumbiu de reformar as Clarissas. No início, resistiu em cumprir a missão que tão claramente lhe foi dada. Mas, depois de ficar muda e cega por alguns dias, entendeu que era um sinal pela sua desobediência, e aconselhada pelo frei Henrique Baume, irmão menor, se apresentou ao papa Bento XIII, que estava em Nice, e lhe expôs a vontade de Deus.

Coleta foi admitida e consagrada pelo Papa e, ele mesmo a consagrou com o hábito e a professou na Ordem primeira de Santa Clara. Em seguida a nomeou superiora geral de todos os conventos que fundasse ou reformasse e confiou a ela a reforma das três ordens religiosas em todos os mosteiros de Clarissas da França, hoje conhecidas como irmãs Claras Coletinas e o dos Irmãos Menores de São Francisco.

Em 1410, inaugurou o seu primeiro mosteiro reformado em Besanzon., seguido depois de outros dezesseis. Também reformou outros sete masculinos. Sua ação reformadora logo ultrapassou a França, chegando na Espanha, Bélgica e Itália. Juntamente com são Vicente Ferrer, Coleta lutou para acabar com o cisma do Ocidente, que culminou com a eleição simultânea de três papas: um em Roma; outro em Avinhon; e o terceiro em Pisa.

Entretanto, seu principal trabalho, além da prática da caridade para com os doentes e pobres, foi trazer de volta para os conventos e mosteiros, no século XV, o espírito de pobreza implantado por São Francisco de Assis, dois séculos antes.

Coleta morreu em Gand, Bélgica, no dia 6 de março de 1447. Vários registros foram encontrados, narrando os prodígios que ela realizava, ainda em vida. Depois seu culto se intensificou com inúmeras graças alcançadas por sua intercessão. Santa Coleta foi canonizada pelo Papa Pio VII em 1807, que indicou o dia de sua morte para as homenagens. Os séculos se passaram e até o despontar do terceiro milênio, os mais de cento e quarenta mosteiros das Coletinas sempre estiveram ativos na maior parte da Europa, como também na América, Ásia e África, onde estão presentes.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

sábado, 5 de março de 2022

O Papa pode ajudar a Ucrânia?

Shutterstock | Aleteia | Shutterstock
Por I. Media

Entrevista com um jornalista especializado em assuntos ligados ao Vaticano e ao leste europeu.

Até que ponto o Papa pode intervir na ofensiva russa contra a Ucrânia? Qual é o poder da influência russa nas ações do Papa e da diplomacia do Vaticano? A agência I.MEDIA entrevistou o jornalista Bernard Lecomte, que já fez várias reportagens no leste europeu.

Ele também é autor de uma biografia de João Paulo II e do livro Le pape qui a vaincu le communisme (“O Papa que conquistou o comunismo”).

O jornalista ressalta que, do ponto de vista de Moscou, o Vaticano não pode ser considerado um órgão neutro, dado o importante lugar da Igreja Católica na Ucrânia.

Diante dessa ofensiva russa na Ucrânia, a Santa Sé se encontrou no mesmo estado de perplexidade que os serviços diplomáticos dos países ocidentais?

Lecomte: Penso que sim. Quando cheguei ao Vaticano, sempre me impressionou o fato de que havia poucas pessoas que conheciam bem a URSS ou que conhecem a Rússia hoje. Este país fascina todos os papas, mas há poucos especialistas dentro do aparato diplomático da Santa Sé. Então eles provavelmente ficaram chocados com o que está acontecendo.

Então a crise ucraniana é difícil de se interpretar a partir de Roma?

Lecomte: O problema é que o cristianismo na Ucrânia apresenta um cenário extremamente complexo, com essencialmente três entidades diferentes, entre a Igreja Ortodoxa autônoma, a Igreja Ortodoxa que permanece sob a jurisdição de Moscou e os católicos. Com a guerra, podemos ver que a Igreja dependente do Patriarcado de Moscou caminha para a secessão, que é uma evolução fundamental.

Mas se a Ucrânia resistiu até este ponto, é principalmente graças aos católicos do Ocidente que sempre se opuseram radicalmente ao comunismo, e que também se opõem ao Patriarcado de Moscou, esta “terceira Roma” da qual se separaram em 1596.

É um cenário muito complexo em que a diplomacia vaticana tem dificuldade em se mover, porque não pode assumir uma posição neutra. O Papa gostaria de estabelecer contatos com Moscou, como prova sua visita à embaixada russa, que foi um gesto espetacular, mas do ponto de vista russo não pode ser visto como imparcial.

Ao falar sobre as relações entre a Santa Sé e os países do antigo bloco soviético, a palavra “Ospolitik ” é frequentemente usada. Como você define esse termo e como essa estratégia se desenrolou?

Lecomte: É um termo alemão que primeiro se refere à política da Alemanha Ocidental em relação aos países comunistas nas décadas de 1960 e 1970, mas também se aplica a João XXIII e Paulo VI quando eles suavizaram a abordagem do Vaticano a Moscou.

Um dos símbolos dessa mudança foi a presença de observadores russos no Concílio Vaticano II. Além disso, no aniversário de 80 anos de João XXIII em 1961, ele recebeu um telegrama de congratulações de Khrushchev e foi visitado pelo genro do líder, Alexei Adjoubei, que era o editor-chefe do Izvestia (um dos principais diários de Moscou). Isso foi absolutamente inédito na época.

Então, sob o pontificado de Paulo VI, o Vaticano avançou para uma “política de pequenos passos”. Tratava-se de enviar prelados para se reunirem oficialmente com as autoridades comunistas locais, a fim de obter alguns compromissos, notadamente para a nomeação de bispos, e para a reabertura de algumas igrejas.

Quanto tempo durou essa estratégia arriscada?

Lecomte : Foi uma discussão com o inimigo, em um contexto extremamente difícil para a Igreja Católica, marcado em particular pelas perseguições sofridas pelos cardeais Mindszenty na Hungria, Slipyj na Ucrânia soviética e Wyszynski na Polônia. 

No entanto, a Ostpolitik foi adotada pela diplomacia papal, especialmente na Hungria e na Tchecoslováquia. Mas quando João Paulo II foi eleito, ele pôs fim a essa política dizendo: “Parem! Não fazemos pactos com o inimigo. Isso só pode nos machucar.”

Assim, o arcebispo Casaroli teve que concordar em mudar sua estratégia. João Paulo II explicou que o havia nomeado secretário de Estado para dar um sinal de continuidade, para não entrar em pânico no Oriente, mas na verdade ele estava assumindo uma posição forte na relação com os países comunistas.

Desde a morte de João Paulo II, o declínio da presença eslava no aparato diplomático do Vaticano causou um desinvestimento nesta região do mundo?

Lecomte: Durante o pontificado de João Paulo II, todos os corredores do Vaticano estavam cheios de prelados do Oriente. Foi espetacular. Depois, a partir de Bento XVI, houve um rodízio, o que é normal. 

Entendemos, especialmente desde 2013, que Francisco não tem essa sensibilidade europeia que marcou todos os papas anteriores. Ele não está familiarizado com as sutilezas da Ucrânia.

E mesmo que ele pessoalmente queira estar acima da briga, do ponto de vista russo, ele é necessariamente visto como o líder dos ucranianos ocidentais. Sua posição é injogável, porque se ele joga a carta de contatos com o Patriarcado de Moscou, ofende os ortodoxos da Igreja Autocéfala.

Pode-se imaginar qual teria sido a atitude de João Paulo II diante de tal crise?

Lecomte: João Paulo II, que conhecia perfeitamente a Ucrânia, provavelmente teria se dirigido primeiro aos católicos ucranianos para consolá-los e depois, numa segunda fase, teria dirigido uma mensagem de caridade aos ortodoxos.

Ele era um unificador formidável, com sua insistência no tema da “solidariedade”. Mas para entender a situação no leste europeu, é preciso realmente vir dessas terras, ou da encruzilhada desses países, como foi o caso do Cardeal Koenig (arcebispo de Viena, Áustria, de 1956 a 1985)

Quais eram as relações de João Paulo II com Moscou?

Lecomte: Antes da queda do Muro de Berlim, ele era um incansável defensor dos direitos humanos no Leste e da reunificação da Europa, e isso lhe permitiu ter convergências com Mikhail Gorbachev. Em 1º de dezembro de 1989, quando recebeu o líder soviético no Vaticano, foi um acontecimento significativo.

Os dois chefes de Estado concordaram com o conceito de uma “Casa Europeia Comum”. Na época, a ideia de que pontes poderiam ser construídas entre as duas partes da Europa era empolgante.

O líder soviético, visivelmente emocionado, disse espontaneamente a João Paulo II: “Convido-o calorosamente a Moscou”. Ele apresentou o Papa à sua esposa, dizendo: “Raissa, apresento a você um dos homens mais importantes do mundo, e ele é um eslavo, como nós!!” Ele estava tão entusiasmado quanto uma criança!

E João Paulo II sonhava em ir a Moscou, mas foi bloqueado pelo Patriarcado de Moscou, que o odiava e estava em uma linha muito anticatólica. Gorbachev não entendia as regras do jogo do ponto de vista da Igreja Ortodoxa.

Mais recentemente, Vladimir Putin encontrou-se em várias ocasiões com os papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Como os líderes russos veem o Vaticano?

Lecomte : Gorbachev e Yeltsin respeitavam a figura do Papa. Vladimir Putin também o considera uma pessoa muito importante.

Durante seus encontros com sucessivos papas, Vladimir Putin alegou ser um defensor dos valores cristãos. Ele está à frente de um país enorme, por isso, em nível político e cultural, tinha interesse em manter boas relações com todas as religiões presentes no seu país, e não apenas com a Ortodoxia e o Islã.

Por meio desses encontros com os papas, não se tratava de “colocar o ocidente para dormir”, ainda que este tenha sido um eixo fundamental de sua diplomacia desde o início de sua presidência. A questão era, antes, cultivar seus vínculos com os católicos, mesmo que sejam poucos na Rússia.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Francisco: as armas do espírito mudam a história

Ucrânia, Rússia - conflito  (AFP or licensors)

Um tuíte do Papa na conta @Pontifex pede novamente a oração, a caridade e o jejum como "remédio". De Kiev, o arcebispo greco-católico Shevchuk repete: não deixemos que o ódio nos aprisione. E para os refugiados: estamos esperando por vocês quando voltarem para casa.

Alessandro De Carolis – Vatican News

É um entrelaçamento de almas, o rumor silencioso da oração que toca e anima, enquanto o rugido da artilharia mata e aterroriza. Há algo bíblico no claro-escuro do mundo, que esqueceu o serpejar da pandemia diante do barulho de uma guerra impensável: a voz de Deus que não é audível no barulho, mas na brisa suave. A brisa da oração do Papa, das Igrejas no planeta inteiro, que idealmente une com a Ucrânia os corações de um povo que, enquanto as fronteiras estão se tornando rígidas ou aniquiladas, se reconhecem na geografia sem limites da fé.

Deus intervém no mundo com a oração

Como uma gota de sabedoria, Francisco nos lembra em seu tuíte de hoje que a "oração, caridade e jejum não são remédios só para nós, mas para todos: podem, de fato, mudar a história, porque são as vias principais que permitem a Deus intervir em nossas vidas e do mundo. São as armas do espírito". De Kiev, em um intervalo das bombas, o arcebispo mor da Igreja greco-católica ucraniana, Sviatoslav Shevchuk, respondeu com uma mensagem diante do cenário trágico de um país visto através do véu de um "mar de lágrimas": "Vamos aprender a amar neste período trágico. Não permitamos que o ódio nos aprisione, não utilizemos sua linguagem e suas palavras".

Dom Shevchuk: "Vamos aprender a amar neste período trágico. Não permitamos que o
ódio nos aprisione, não utilizemos sua linguagem e suas palavras".

“Estamos esperando por vocês quando voltarem para casa”

Duas maneiras de se opor, expandindo aquele espaço resiliente no qual as bombas não podem cair, o da alma, onde a insensatez da guerra se desvanece diante do sentido das coisas de Deus. Ao lado de suas orações, o arcebispo ucraniano confia seu pesar pelo último capítulo do conflito, o ataque à usina nuclear de Zaporizhya, que parou a poucos metros de "uma catástrofe humanitária", da "possibilidade - disse ele em sua mensagem de vídeo diária - de infligir um golpe irreparável à criação de Deus", ainda mais impressionante para um país que conheceu os efeitos de Chernobyl.

Mas dom Shevchuk também está preocupado com o outro mar que agita a sua terra, a longa teoria da fuga de compatriotas, que incha as fronteiras ocidentais. "Queridas filhas e filhos de nosso povo, eu lhes digo: estamos esperando por vocês quando voltarem para casa, estamos esperando por vocês retornarem quando sobre a Ucrânia voltar o céu sereno”. E enquanto isso ele agradece aos ucranianos no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa Ocidental "que estão acolhendo os refugiados e recolhendo ajuda humanitária". "Que a força de nossa oração", é a invocação final, "se torne um escudo de fé para nossa Pátria".

Arcebispo de Lviv: obrigado à Igreja italiana pela ajuda

De Lviv, a brisa da oração chega até Fátima. "Nós nos confiamos à misericórdia de Deus e também da Virgem" do santuário português, diz à Rádio Vaticano – Vatican News,  dom Mieczysław Mokrzycki, arcebispo de Lviv dos Latinos. Na Ucrânia as pessoas atiram e morrem, e onde não há tiroteio, diz o prelado, tentamos acolher os refugiados e lhes damos comida, "e somos muito gratos", acrescenta ele, "à Conferência Episcopal Italiana, aos sacerdotes, aos nossos queridos amigos sempre disponíveis e de coração aberto, não só com orações, mas também com ajuda humanitária às pessoas, às crianças refugiadas, prontas para abrir as portas de suas clínicas e hospitais".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Por que na missa não se diz “amém” no final do Pai-Nosso?

Pascal Deloche | Godong

Se o correto é terminar as orações com o "amém", por que no Pai-Nosso da missa isso não acontece?

A palavra “amém”, um dos vocábulos mais utilizados pelos cristãos, é dificilmente traduzível em seu sentido mais profundo (por isso é mantida em hebraico, o idioma original), e utilizada sempre em relação a Deus.

Pronunciar esta palavra é proclamar que se tem por verdadeiro o que se acaba de dizer, com o objetivo de ratificar uma proposição, unir-se a ela ou a uma oração.

Por isso, expressar em forma grupal no âmbito do serviço divino ou ofício religioso também significa “estar de acordo” com o que foi dito.

Nas orações

A palavra “amém” é utilizada para concluir as orações. No entanto, a oração por excelência, o Pai-Nosso, quando rezado dentro da missa, não é acompanhado pelo “amém” no final. Fora da missa, o “amém” é dito normalmente.

Cabe ressaltar que o Pai-Nosso é a única oração da Igreja que está integrada na liturgia da missa.

Mas qual é a explicação para a ausência do “amém” no Pai-Nosso da missa? É simples: não se diz “amém” porque a oração ainda não terminou.

Depois de todos rezarem o Pai-Nosso até o “… mas livrai-nos do mal”, ao invés de dizer “amém”, o sacerdote continua a oração sozinho. A liturgia chama isso de “embolismo”, ou seja, essa oração que o padre reza sozinho é uma oração que recolhe e desenvolve a oração precedente.

Aclamação

O sacerdote desenvolve a última petição do Pai-Nosso (“livrai-nos do mal”) dizendo:

“Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador.”

E o povo responde com uma aclamação muito antiga, cuja origem se perde nos primeiros séculos da história da Igreja:

“Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre!”

Assim, o Pai-Nosso fica totalmente integrado à liturgia eucarística, não como um acréscimo, mas como parte fundamental dela.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Igreja Católica ganhará dez novos Santos no dia 15 de maio

Guadium Press
Dentre os Beatos que terão sua santidade reconhecida oficialmente estão um sacerdote holandês e duas freiras fundadoras.

Cidade do Vaticano (04/03/2022 12:07, Gaudium Press) Na manhã desta sexta-feira, 4, o Papa Francisco presidiu, na Sala do Consistório, a Hora Terça e o Consistório Ordinário Público para a votação de algumas Causas de Canonização.

Na ocasião foi decidida também a data da canonização de três Beatos: o Sacerdote Carmelita holandês Titus Brandsma; a Irmã francesa Maria Rivier, fundadora das Irmãs da Apresentação de Maria; e a Irmã italiana Maria de Jesus, fundadora da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes.

Estes três Beatos terão sua santidade reconhecida oficialmente no próximo dia 15 de maio junto de outros sete Beatos cuja canonização havia sido decretada pelo Papa no Consistório de 3 de maio de 2021, sem fixar uma data por conta da pandemia. A cerimônia foi então marcada para maio.

Guadium Press

Beato mártir Padre Titus Bradsma

Titus Bradsma, holandês, padre professo da ordem carmelita, professor há muitos anos, viveu o auge de seu ministério durante o nazismo que também se alastrou na Holanda. Na qualidade de assistente eclesiástico da associação de jornalistas católicos, visita as redações do país e as encoraja a resistir ao regime.

Ele foi preso em janeiro de 1942 e morto no dia 26 de julho seguinte, aos 61 anos, com uma injeção de ácido carbólico no campo de concentração de Dachau, na Alemanha. O milagre reconhecido pela sua canonização diz respeito à cura de um pai carmelita de “melanoma metastático para os gânglios linfáticos”, ocorrida em 2004 em Palm Beach, Estados Unidos da América.

Guadium Press

Beata Maria Rivier, fundadora da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria

Maria Rivier, nasceu em uma pequena cidade francesa do leste do país. Com um ano e meio de idade, caiu da cama sofrendo danos que afetaram seu crescimento. Aos nove anos sentiu o desejo de se consagrar. Sua saúde precária fez com que ela fosse rejeitada por um instituto e depois, por inspiração divina, abriu uma escola para se dedicar ao cuidado dos doentes e dos pobres. Quando eclodiu a Revolução Francesa, apesar da hostilidade dos insurgentes em relação às comunidades religiosas, fundou uma em 1796 que cinco anos depois tomou o nome de Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria.

Rivier faleceu no dia 3 de fevereiro de 1838, João Paulo II a beatificou em maio de 1982. O milagre reconhecido para sua canonização e atribuído à sua intercessão diz respeito à recuperação vital de uma criança nascida em “ausência prolongada de atividade cardíaca, respiratória e neurológica”. O evento aconteceu em Meru, no Quênia, em 2013.

Guadium Press

Beata Maria de Jesus, fundadora da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes

Carolina Santocanale, nasceu na cidade italiana de Palermo no ano de 1852. Logo cedo sentiu uma forte atração pela vida consagrada, entretanto, apesar de estar com um casamento arranjado, ela muda os planos e em 1873 ingressa na Pia União das Filhas de Maria da paróquia de Sant’Antonio Abate. Algumas experiências desenvolvem nela a convicção de que Deus a chama para a vida ativa e não a contemplativa. Em 1887 torna-se terciária franciscana regular, com o nome de Maria de Jesus.

Em 1909 fundou a Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada Conceição de Lourdes. O milagre atribuído à sua intercessão diz respeito a duas gestações realizadas, entre 2016 e 2017, por uma mulher siciliana que sofria de uma grave patologia que lhe causou a infertilidade. (EPC)

Fonte: https://gaudiumpress.org/

Arcebispo católico ao patriarca russo Kirill: Peça a Putin que pare a guerra na Ucrânia

Dom Gądecki e o patriarca Kirill | Conferência Episcopal Polonesa – Presidência da Rússia

CRACÓVIA, 04 mar. 22 / 11:13 am (ACI).- O arcebispo de Poznan e presidente da Conferência Episcopal Polonesa, dom Stanislaw Gądecki, enviou uma carta ao patriarca ortodoxo russo Kirill de Moscou e de toda a Rússia exortando-o a pedir ao presidente Vladimir Putin que pare a guerra na Ucrânia.

“Peço-lhe, irmão, que convoque Vladimir Putin para que pare a guerra sem sentido contra o povo ucraniano, na qual pessoas inocentes estão morrendo e o sofrimento afeta não apenas os soldados, mas também os civis, especialmente as mulheres e as crianças”, diz a carta de dom Gądecki enviada em 2 de março.

A mensagem destaca ao patriarca de Moscou, chefe da igreja ortodoxa russa desde 2009, que Putin poderia “parar o sofrimento de milhares de pessoas com uma só palavra”.

“Peço-lhes humildemente que peçam a retirada das tropas russas do Estado soberano que é a Ucrânia”, pediu o arcebispo católico.

Ontem, 3 de março, fez uma semana que a guerra eclodiu na Ucrânia. Segundo o último relatório do escritório de direitos humanos da ONU, foram registradas 536 mortes de civis.

A agência da ONU para os refugiados informou em 2 de março que mais de 900 mil pessoas fugiram da Ucrânia. Mais da metade delas se refugiou na Polônia.

Na sua mensagem, dom Gądecki destacou que “nenhuma razão, nenhuma lógica pode justificar a decisão de lançar uma invasão militar de um país independente, bombardeando áreas residenciais, escolas ou creches”.

Neste contexto, ele também pediu ao patriarca Kirill que exorte os soldados russos a "não participarem desta guerra injusta, a se recusarem a cumprir ordens que levam a muitos crimes de guerra".

"Recusar-se a seguir ordens em tal situação é uma obrigação moral", disse ele na carta.

Ele também pediu ao patriarca Kirill que exorte todos os irmãos ortodoxos na Rússia a jejuar e rezar pelo "estabelecimento de uma paz justa na Ucrânia".

Esta é a segunda vez que o presidente do conferência episcopal polonesa se dirige a Kirill. A carta anterior, enviada em 14 de fevereiro, foi dirigida aos bispos ortodoxos e católicos da Rússia e da Ucrânia. Dom Gądecki então apelou para unir "nossas forças espirituais como fiéis em Cristo nas diferentes confissões da Rússia, Ucrânia e Polônia para evitar o espectro de outra guerra em nossa região".

A Ucrânia tem 44 milhões de habitantes, a maioria dos quais são cristãos ortodoxos.

Os cristãos ortodoxos orientais na Ucrânia estão divididos entre a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou, sob a jurisdição da Igreja Ortodoxa Russa; e a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, afiliada ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Queremos a paz!

Manifestação pela paz na Ucrânia, Berlim, 27 de fevereiro de 2022 (AFP or licensors)

A invasão russa está trazendo dor e devastação à Ucrânia e ameaça se espalhar. Outras guerras continuam fazendo vítimas na Síria, Iêmen, Etiópia e ainda em outras terras. São sempre os mais indefesos, particularmente as crianças, que pagam o preço. As pessoas simples querem paz.

Sergio Centofanti – Vatican News

Hoje, mais do que nunca, sonhamos com a profecia de Isaías: "Transformarão suas espadas em arados, suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá mais a fazer a guerra" (Is 2,4).

Por muito tempo, aqui na Europa, tomamos a paz como um dado adquirido. A guerra era assunto de outros, de povos distantes, podíamos esquecer essas guerras, envolvidos apenas pelos gritos dos fugitivos em busca de uma nova esperança, talvez insensível à dor dessas pessoas. Essas guerras ainda estão aí: Síria, Iêmen, Etiópia e muitas outras. As pessoas ainda estão fugindo, apenas tentando viver.

A vida, às vezes, muda repentinamente. Na noite anterior ao ataque russo, havia multidões nas ruas e restaurantes das cidades ucranianas. As pessoas buscavam não pensar na concentração das tropas de Moscou na fronteira. Ninguém imaginava que o drama viria em poucas horas. À noite era a paz, à madrugada já era a guerra. À noite de braço dado com a amada ou amado, no dia seguinte com o fuzil. Um jovem casal se casou imediatamente após a invasão e se alistou para defender sua pátria. Muitas crianças foram levadas para fora do país, muitas outras ainda estão sob as bombas. Um novo massacre dos inocentes.

Temos estado demasiadamente acostumados à paz. Todos os dias lamentamos de muitas coisas. Mas quando, de repente, a guerra irrompe, vemos claramente o que é essencial. A paz é essencial. Um Salmo nos lembra: "Não haja brecha ou fuga, nem grito de alarme em nossas praças. Feliz o povo em que assim acontece" (Salmo 144). Agora há lutas na Europa. E temos medo, angústia. Talvez, também esta seja uma guerra distante para outros. Para os ucranianos é em suas terras, que alguém quer roubar. Para outros europeus, está perto. Há o pesadelo de uma guerra nuclear. Um míssil pode atingir uma usina atômica. Em meio a essa ansiedade, há tanta solidariedade com aqueles que foram atacados. A leitura da Oração Matinal de hoje diz: "Socorrei o oprimido" (Is 1,17). O que podemos fazer para ajudar?

Queremos a paz! Não queremos a guerra do poderoso de turno que visa aumentar seu poder sobre o sangue dos outros: até mesmo o de seus próprios filhos, que são usados e enganados e enviados para matar e morrer. Como podemos parar esta loucura? Alguns recorrem às sanções, outros às armas, outros à diplomacia. O que as pessoas simples podem fazer? Ajudar, ser solidárias com o povo ucraniano, e rezar pela paz.

Hoje mais do que nunca, sonhamos com outra profecia, quando os inimigos finalmente viverão juntos em paz: "Então o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito; o bezerro, o leãozinho e o gordo novilho andarão juntos, e um menino pequeno os guiará" (Is 11,6). Senhor, dai-nos a paz!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF