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terça-feira, 17 de maio de 2022

A história dos calendários

Foto: Wikipedia

Parte I – O calendário Romano

Instrumento para se calcular o passar dos dias e das estações, quando e como surgiu o calendário?

Redação (15/05/2022 10:50Gaudium Press) Tão elementar e tão básico, o calendário está presente em todas as partes. Presente nas casas, nos escritórios, nos consultórios médicos, nas salas de aula, enfim, em qualquer bolso. É um pequeno e simples objeto que, entretanto, possui uma vastíssima história.

Qual a sua origem?

O primeiro modo de dividir o tempo em anos, meses, dias e horas remonta à época da fundação de Roma, nos tempos do seu mítico fundador, Rômulo (VII-VI a. C.).

 Segundo as tradições, o ano era composto de dez meses lunares, tendo uma duração, não sempre igual, de 304 dias. Entre o fim de um ano e o começo do posterior, havia um período “morto”, que não correspondia a nenhuma data estabelecida e a nenhum mês específico. Isto se deve à chegada do inverno, tempo onde não se cultivava e não se tinha absolutamente nenhuma atividade militar, apenas se fazia ritos próprios de purificação, para que se iniciasse bem o ano, que logo se principiaria no equinócio[1] da primavera (onde se situava o primeiro mês).

Já era uma crença romana que o dia se iniciava à meia noite, e os meses eram compostos de 29 ou 31 dias – pois se considerava má sorte um mês possuir um número par de dias – e a cada 10 meses um novo ano. Estes eram os 10 meses: Martius, Aprilis, Maius, junius, Quintilis, Sextilis, september, october, november, december.

As duas primeiras reformas

A primeira reforma se deu com Numa Pompílio (716 a. C. a 674 a. C), o qual acrescentou dois meses ao início do ano: Januarius e Februarius. Desta maneira, o mês que – inclusive por seu nome – seria o sétimo, o September, tornou-se o nono e, com tais mudanças, o ano passou a ter 355 dias.

A segunda e grande reforma deu-se com Júlio César, imperador e, ao mesmo tempo, pontifex maximus, decretando a mudança no calendário (no ano 46 a. C), que passaria a ser denominado, por mandato seu, de Calendário juliano. Também com este magistrado romano, o mês de Quintilis passou a se chamar Julius e o Sextilis de Augustus. O primeiro, em honra própria; o segundo, laureando Octaviano Augustus.

“Ficou para as calendas!” e “em tempos idos”

“O dia primeiro de todos os meses era chamado de Kalendae, vocábulo cuja etimologia latina é calare: chamar (era o dia em que os Sacerdotes chamavam o povo para anunciar-lhes a Lua Nova)”.[2] À raiz deste termo acha-se a expressão popular “ficou para as calendas”, ou seja, para o início do próximo mês…

 Outra curiosidade: “Nonae é o dia cinco,[3] por ser o nono dia antes do Idus, que era o dia 13. Idus, cuja raiz (Iduaresignifica dividir, dividia o mês em duas partes quase iguais”[4]. Por isso, a real acepção da sentença: “Nos tempos idos” (idus) – isto é, nos tempos passados…

Com o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a História foi dividida em duas partes: antes e depois d’Ele. Por isso dizemos, por exemplo, que estamos no ano de 2022, pois estaríamos contando, grosso modo, os anos à partir do nascimento do Salvador. Entretanto, na época dos romanos, com obviedade, era distinta a forma de se contar. Eles tinham, inicialmente, como ano I, o ano da fundação de Roma, com a sigla a. U. c. (ab Urbe condita).

No próximo artigo, partindo desse augusto fato, o nascimento de Cristo, passaremos a narrar o sucedido com os calendários.

Por João Pedro Serafim


[1] Momento em que o Sol, em seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e a noite tenham igual duração.

[2] Cf. ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramatica latina. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 434.

[3] Em alguns meses como Martius, Maius, Julius e Augustus, era o 7.

[4] Cf. ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Op. cit.

Fonte: https://gaudiumpress.org/

Não se pode fazer política com ideologia, diz Francisco

Papa recebe membros Chemin Neuf. Crédito: Vatican Media

Vaticano, 16 mai. 22 / 03:57 pm (ACI).- “Não nos esqueçamos de que a realidade é mais importante do que a ideia, não se pode fazer política com ideologia”, disse o papa Francisco a membros da Fraternidade Política Chemin Neuf (Caminho Novo, em francês), que recebeu hoje (16).

Para Francisco, “política é ação”. Como cristãos, disse em sua mensagem,, “precisamos sempre confrontar nossas ideias com a profundidade da realidade, se não quisermos construir na areia que mais cedo ou mais tarde acaba cedendo."

“Do ponto de vista cristão, a política também é reflexão, ou seja, a formulação de um projeto comum", onde se busca o bem comum e não apenas "um confronto de interesses conflitantes", disse o papa. “Tudo isso é possível com o Evangelho como bússola, que traz ao mundo uma visão profundamente positiva do homem amado por Deus”.

O papa falou da importância da “maravilha”, aquilo que “faz sentir que estou em Jesus, com Jesus. A maravilha de ver a grandeza do Senhor, a grandeza de sua Pessoa, a grandeza de seu programa, de sentir a grandeza das Bem-aventuranças como um programa de vida. E depois outra palavra, memória. Memória, esperança e maravilha. O passado, o futuro e o presente: não há futuro sem o presente, e não há esperança sem maravilha”.

Para Francisco, "a política é encontro, reflexão, ação e sobretudo arte do encontro",

O papa exortou os católicos a fazer politica “acolhendo o outro e aceitando sua diferença, num diálogo respeitoso”. Os cristãos não podem se contentar “com um diálogo superficial e formal, como aquelas negociações muitas vezes hostis entre partidos políticos”, disse o papa. “Somos chamados a viver o encontro político como um encontro fraterno, especialmente com aqueles que menos concordam conosco; e isso significa ver naquele com quem dialogamos um verdadeiro irmão, um filho amado de Deus”.

Para isso, o papa disse que é necessária “uma mudança de olhar sobre o outro, com um acolhimento e respeito de sua pessoa sem condições”.

“Se essa mudança de coração não ocorrer, a política corre o risco de se transformar num confronto muitas vezes violento, a fim de fazer triunfar as próprias ideias, numa busca de interesses particulares e não do bem comum, contra o princípio de que a unidade prevalece sobre o conflito”.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Trabalho infantil, o Papa: muitas mãos pequenas privadas de dignidade

Uma criança trabalhando numa fábrica de tijolos no Afeganistão
(AFP ou licenciadores)  (AFP or licensors)

Francisco enviou uma mensagem para a 5ª Conferência Global que se realiza em Durban, na África do Sul, que trata da eliminação da exploração do trabalho crianças e adolescentes: lutamos contra o fenômeno "de forma resoluta, conjunta e decisiva" para devolver aos pequenos a vida a que eles têm direito.

Alessandro De Carolis – Vatican News

"A pobreza é a mãe de toda a exploração. A miséria que acompanha a ausência de proteção dos direitos elementares é o abismo em que caem milhões de pessoas todos os anos, começando por aquelas que não sabem se defender, meninas e meninos, e se encontram "arando os campos, trabalhando nas minas, percorrendo grandes distâncias para tirar água e realizando trabalhos que os impedem de frequentar a escola, sem falar do crime da prostituição infantil." É que escreve o Papa Francisco na mensagem enviada à Organização Mundial do Trabalho (OIT), citando as situações dramáticas vividas por "milhões de meninas e meninos" condenados "a uma vida de empobrecimento econômico e cultural".

Desarraigar as causas

A mensagem do Papa foi enviada aos participantes da 5ª Conferência Global sobre a Eliminação do Trabalho Infantil, que começou no último domingo em Durban, na África do Sul, e está programada até a próxima sexta-feira. A mensagem aos participantes da conferência foi lida nesta terça-feira (16/05), pelo núncio apostólico no país, dom Peter Bryan Wells, que deu voz à preocupação de Francisco com uma "tragédia" agravada nos últimos anos, "pelo impacto da crise global da saúde e pela difusão da pobreza extrema em muitas partes do nosso mundo". Para aquelas "mãos muito pequenas" obrigada a fazer o que nenhuma criança deveria, o Papa pede aos "organismos internacionais e nacionais competentes" um "compromisso maior" para desarraigar "as causas estruturais da pobreza global e a desigualdade escandalosa que continua existindo entre os membros da família humana".

"De maneira resoluta"

São milhões de crianças vítimas "da exploração do trabalho que muitas vezes resulta nas piores formas de abuso de outro tipo, crianças privadas "da alegria de sua juventude e de sua dignidade dada por Deus". Por isso, a Conferência da OIT insiste fortemente na tarefa de realizar um trabalho "maior de conscientização" sobre o tema para "encontrar formas adequadas e eficazes de proteger a dignidade e os direitos das crianças, especialmente através da promoção de sistemas de proteção social e do acesso à educação para todos". A Santa Sé e toda a Igreja, lembra Francisco, também estão trabalhando para que o fenômeno seja combatido "de forma resoluta, conjunta e decisiva" já que a "medida" com a qual se respeita a "dignidade humana inata" e os direitos fundamentais dos pequenos "expressa que tipo de adultos somos e queremos ser, e que tipo de sociedade queremos construir".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Júlia Salzano

Júlia Salzano | arquisp
17 de maio

Júlia Salzano

Júlia, italiana, nasceu em Santa Maria Capua Vetere, na província de Caserta, em 13 de outubro de 1846, tendo como pai Diego Salzano, capitão dos lanceiros de Fernando I, rei de Nápolis, e como mãe Adelaide Valentino.

Órfã de pai aos quatro anos, foi confiada para a sua formação às Irmãs da Caridade no Orfanato Real de São Nicolau "La Strada", onde permaneceu até os quinze anos de idade. Diplomada professora, recebeu o encargo de ensinar na Escola Municipal de Casória, em Nápolis, para onde se transferiu com a família em 1865.

Junto ao ensino, manifestou um notável interesse pelo catecismo para educar na fé as crianças, os jovens e os adultos, cultivando, ao mesmo tempo, a devoção à Virgem Maria. Propagou, o amor e o culto ao Sagrado Coração.

Pela sua constante preocupação de fazer passar por meio do ensino e do testemunho a doutrina e a vida de Jesus Cristo, em 1905 fundou a Congregação das Irmãs Catequistas do Sagrado Coração, ocasião em que vestiu o hábito e se consagrou definitivamente a Cristo.

Eleita superiora, dedicou sua vida no carisma da catequese e, por isso, afirmava: "Ensinarei sempre o catecismo, até o meu último sopro de vida. E vos asseguro que morreria contentíssima lecionando o catecismo".

Exortava, também, as suas filhas: "Em qualquer hora, a irmã catequista deve sentir-se disposta a instruir os pequeninos e os ignorantes; não deve medir os sacrifícios requeridos por este ministério, antes deveria desejar morrer no cumprimento do próprio dever, se assim fosse do agrado de Deus".

Um outro Beato, Ludovico de Casória, predisse-lhe, quase profeticamente: "Cuida de não cair na tentação de abandonar as crianças da nossa querida Casória, porque a vontade de Deus é que vivas e morras entre elas". E assim foi.

"Dona Julieta", como era chamada pelos cidadãos de Casória, morreu, com fama de santidade, no dia 17 de maio de 1929, nessa cidade napolitana, aos oitenta e três anos de idade. A sua Congregação se expandiu não somente pelas cidades italianas, como também em outras na Europa, Canadá, Brasil, Filipinas, Peru e Índia, para difundir a evangelização e a promoção humana.

Em 2002, o papa João Paulo II a beatificou, designando a festa da beata Júlia Salzano para o dia de seu transito. Além disto, pelo seu carisma ele a designou "Mulher Profeta da Nova Evangelização".

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Como transformar trabalho em oração

Sagrada Família de Nazaré | Cléofas

Gostaríamos de fazer mais por Deus, no entanto, são tantas as ocupações, as obrigações familiares, os compromissos financeiros que não temos tempo. Como conciliá-los?

Em certos momentos de paz e reflexão, passam, às vezes, pela mente pensamentos mais generosos, que nos levam a horizontes mais amplos.

São as horas em que gostaríamos de ser tão melhores do que somos, de fazer por Deus e por Sua Santa Igreja tanto mais do que o pouco que realizamos.

Lamentamo-nos conosco: “Aqui estou, preso aos meus afazeres neste escritório, nesta fábrica, nesta escola ou nesta cozinha. São tantas as ocupações, as obrigações familiares, os compromissos financeiros… Não haveria um modo de servir melhor a Deus, sem faltar com as obrigações já assumidas?”

Talvez a história narrada a seguir, resumida de um artigo publicado na revista portuguesa Cruzada, sirva para inspirar essas almas sequiosas de uma maior dedicação.

A conversão

Guilherme Manuel Kétteler nasceu no dia de Natal de 1811, na cidade de Münster, na Alemanha. Concluídos seus estudos básicos, feitos com os jesuítas, na Suíça, formou-se em Direito e passou a exercer o cargo de notário.

Influenciado talvez pelo ambiente, deu-se à vida fácil e despreocupada dos jovens de seu tempo.

Uma noite, quando se divertia num baile, viu no ar, pairando acima de si, o rosto de uma freira que o olhava com tristeza. Impressionado com aquela visão, interrompeu a dança e saiu. Tocado por profunda graça, arrependeu-se dos seus extravios e voltou-se sinceramente para Deus.

Um dos maiores bispos do século XIX

Sem saber direito por que, desde aquele dia não mais lhe saía da cabeça a ideia de se tornar sacerdote. Moço rico e inteligente, a quem o mundo sorria com mil encantos, resolveu aceitar o convite do Senhor e se entregar todo a Deus.

Em 1844, aos 33 anos de idade, recebeu o Sacramento da Ordem. Pouco depois, foi nomeado Pároco, primeiro de Hopten, depois de Berlim. Seu apostolado mostrou-se tão frutuoso que, em 1850, o Papa Pio IX o nomeou Bispo de Mogúncia.

Como bispo, fundou seminários, casas de retiro, reafervorou o Clero, levou Ordens religiosas para sua arquidiocese, socorreu os necessitados, realizou congressos, pregando pela palavra e pelo exemplo a boa nova do Evangelho.

Por tão extraordinário zelo e qualidades, Dom Guilherme Manuel Kétteler é apontado como um dos maiores bispos do século XIX.

O segredo da conversão

Certa manhã, foi a um convento de freiras celebrar a Missa. Ao ministrar a Sagrada Comunhão a uma religiosa, ficou surpreso. Aquela idosa freira parecia-lhe a mesma que tinha visto fixar-lhe um olhar magoado, no baile no qual começara a sua conversão havia mais de 30 anos.

Para melhor se certificar, após a Missa pediu à Superiora que reunisse todas as religiosas. Em breve, tinha diante de si a comunidade inteira. Com olhar interrogador, percorreu, uma a uma, todas as irmãs. Mas, nada. Não encontrou aquela que ele supunha ser a freira que lhe aparecera. Teria sido ilusão?

Perguntando à Superiora se não faltava nenhuma, esta lhe respondeu que apenas a irmã cozinheira não estava ali, pois, por ser muito aplicada ao trabalho, pedira para ser sempre dispensada das visitas.

O Prelado fez questão de conhecê-la. A boa freira, muito velhinha, apresentou-se, meio embaraçada por sua humildade.

Mal D. Kétteler a viu, estremeceu: era, sem sombra de dúvida, a religiosa que vira no baile. Perguntou-lhe:

– O que faz a senhora?

– Há mais de 40 anos trabalho na cozinha, mas agora as forças são muito poucas, senhor Arcebispo.

– E não se interessa pelas almas?

– Ah, senhor bispo, gostaria de poder rezar muito mais do que rezo, mas os afazeres não me permitem. Em compensação, ofereço todos os meus trabalhos e sofrimentos a Deus, pela Santa Igreja, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e pelo nosso bispo. Todas as noites, numa determinada hora, rezo e me sacrifico pelos rapazes inteligentes que Nosso Senhor chama para o sacerdócio, mas que, por causa dos prazeres do mundo, não querem ouvir a sua voz.

– Aqui está o segredo de tudo! – pensou o prelado.

Comovido, disse-lhe com paternal carinho:

– Continue assim, minha irmã. Talvez muitos sacerdotes e até mesmo algum bispo lhe devam a Vocação.

Depois de as religiosas se retirarem, contou a visão que tivera à Superiora, acrescentando:

– Ao distribuir hoje a Sagrada Comunhão, reconheci na Irmã cozinheira a religiosa que me apareceu no baile. A hora em que a vi é precisamente a mesma em que ela reza e se sacrifica, todos os dias, pelos rapazes com vocação sacerdotal. A ela devo certamente ser hoje sacerdote e bispo.

Benditas sejam as almas que, no silêncio dos conventos, rezam e se sacrificam pelo aumento de vocações e pela santificação dos sacerdotes.

Somente para os religiosos?

Mas só nos conventos? E por que não também nos escritórios, nas fábricas e nas cozinhas? Por que não oferecer a Deus nossos trabalhos, amarguras e sofrimentos do dia-a-dia, como aquela boa religiosa?

Se queremos que nossas almas também sejam benditas, ofereçamos a Deus, pelas mãos virginais de Maria, nossas orações e sacrifícios, para que subam ao Céu como um incenso de agradável odor em favor da Santa Igreja e do Papa, da Sagrada Hierarquia, do Clero, dos nossos parentes e amigos, pela conversão dos pecadores, por tudo, enfim, quanto se possa e se deva pedir.

Talvez não cheguemos a conhecer, nesta vida, nenhum de nossos favorecidos. Não importa. Teremos depois toda a eternidade para conhecê-los no Céu.

Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho n.15, março 2003.

Fonte: https://gaudiumpress.org/content/como-transformar-trabalho-em-oracao/

https://cleofas.com.br/

A defesa da vida integrada a uma economia a serviço da pessoa

NurPhoto via AFP
Por Francisco Borba Ribeiro Neto

Uma visão integrada do direito à vida e da organização da vida econômica é fundamental para uma justa compreensão da mensagem cristã na vida política.

Os chamados “princípios irrenunciáveis” (cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, 2002) se propõem a ser norteadores das escolhas políticas dos cristãos. Contudo, sua aplicação de forma tendenciosa ou parcial frequentemente leva-nos a assumir posições partidarizadas que dividem a comunidade católica e escandalizam os cristãos, tanto de um lado quanto de outro do espectro ideológico. A justa aplicação desses princípios implica em que sejam vistos em sua integralidade, sem abdicar de qualquer um deles em favor de outro ou imaginar que possam ser relativizados para que nossos candidatos e partidos cheguem ao poder.

No confronto eleitoral deste ano, dois princípios irrenunciáveis aparecem como bandeiras de candidatos diferentes: a defesa da vida, pensada em termos principalmente de condenação ao aborto e à eutanásia, e a economia a serviço da pessoa. Na doutrina social católica, contudo, esses princípios não aparecem desvinculados. Fatalmente nos afastamos dos ensinamentos cristãos se imaginamos que podemos escolher um em detrimento do outro.

Seguindo os passos de São João Paulo II…

O Papa Wojtyla é amplamente reconhecido como ferrenho defensor da vida e contrário ao comunismo, cujos malefícios testemunhou pessoalmente. Sendo assim, seu ensinamento sobre as questões socioeconômicas não pode ser acusado de ideologicamente comprometido com as esquerdas ou coisa parecida. Trata-se de uma referência segura para os católicos que se alinham às doutrinas econômicas liberais pró-mercado.

Pois bem, seguindo a doutrina social da Igreja e o ensinamento de seus antecessores, São João Paulo II reconhecia a propriedade privada e o lucro como direitos humanos, mas subordinados à dignidade da pessoa e ao bem comum (cf. Laborem exercens, LE 14, Centesimus annus, CA 35, Compêndio da doutrina social da Igreja, CDSI 181-184, 340-341). Nessa perspectiva, considerava a opção preferencial pelos pobres como “primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja. Ela concerne a vida de cada cristão, enquanto deve ser imitação da vida de Cristo; mas aplica-se igualmente às nossas responsabilidades sociais e, por isso, ao nosso viver e às decisões que temos de tomar, coerentemente, acerca da propriedade e do uso dos bens. Mais ainda: hoje, dada a dimensão mundial que a questão social assumiu, este amor preferencial, com as decisões que ele nos inspira, não pode deixar de abranger as imensas multidões de famintos, de mendigos, sem-teto, sem assistência médica e, sobretudo, sem esperança de um futuro melhor” (Sollicitudo rei socialis, SRS 42). Na própria Evangelium vitae, documento maior da defesa da vida, São João Paulo II reúne a defesa da vida e a opção preferencial pelos pobres (cf. EV 32), mostrando que uma não pode ser separada da outra.

… E do Papa Francisco

Baseados no compromisso socioambiental sempre presente nas mensagens sociais do Papa Francisco, alguns tentaram relativizar a defesa da vida em seu magistério, reduzindo-a ao aspecto ecológico. De fato, a dimensão ambiental não pode ser esquecida quando falamos de defesa da vida, na perspectiva do Papa Bergoglio. Contudo, nas próprias palavras de Francisco: “a defesa da vida não se cumpre de uma só forma ou com um único gesto, mas realiza-se numa multiplicidade de ações, atenções e iniciativas; nem diz respeito apenas a algumas pessoas ou a certos âmbitos profissionais, mas concerne cada cidadão e a complexa rede das relações sociais […] a defesa da vida tem o seu fulcro no acolhimento de quem foi gerado e ainda está albergado no ventre materno, envolto no seio da mãe como num abraço amoroso que os une”. Essa passagem evidencia tanto sua firme condenação ao aborto como apresenta a defesa da vida como uma preocupação que concerne a todos nós, em todas as dimensões de nossa vida.

No aniversário de 25 anos da promulgação da Evangelium vitae, por São João Paulo II, o Papa Francisco expôs claramente tanto a importância desse compromisso com a vida quanto sua vinculação com outras mazelas sociais: “Cada ser humano é chamado por Deus a gozar da plenitude da vida; e, tendo sido confiado à solicitude materna da Igreja, qualquer ameaça à dignidade humana e à vida não pode deixar de se repercutir no seu coração, nas suas ‘entranhas’ maternas. Para a Igreja a defesa da vida não é uma ideologia, mas uma realidade, uma realidade humana que envolve todos os cristãos, precisamente porque são cristãos, porque são humanos. Infelizmente, os atentados contra a dignidade e a vida das pessoas persistem até nesta nossa época, que é o tempo dos direitos humanos universais; aliás, estamos diante de novas ameaças e escravidões, e as legislações nem sempre tutelam a vida humana mais frágil e vulnerável”.

A difícil tarefa do discernimento pessoal

Aplicar esses princípios, de forma integrada, na escolha de nosso candidato a um cargo majoritário, quando sabemos que nenhum deles se ajusta de forma inequívoca a todos os princípios, é uma tarefa realmente difícil. Não basta compreendermos os princípios, existem aspectos morais, mecanismos econômicos e relações políticas que devem ser consideradas.

No plano moral, existe sempre o risco de que as declarações dos candidatos sejam falsidades demagógicas. O fato de alguém se declarar a favor da vida ou lutando pelos pobres não quer dizer que ele realmente atue dessa forma. Podemos concordar ou não com a ideia que nossos irmãos têm da moralidade desse ou daquele candidato, podemos tentar dissuadi-lo de sua opinião sobre determinada pessoa, mas temos que reconhecer que se trata de uma avaliação subjetiva, que independe dos princípios de fundo envolvidos.

O mesmo raciocínio vale para as análises econômicas e políticas. Uns poderão julgar que a privatização de empresas públicas ajudará a melhorar as finanças do Estado e a eliminar a pobreza, outro pensará exatamente o contrário. Não se trata de uma questão de fé e a comunidade católica deve olhar para esses debates com liberdade. O importante é que cada um, independentemente da análise econômica e política que faça, se comprometa com o bem das pessoas e a defesa da vida.

Por difícil que possa parecer, uma visão integrada do direito à vida e da organização da vida econômica é fundamental para uma justa compreensão da mensagem cristã na vida política, que supere partidarismos e distorções ideológicas. É um caminho que todos podemos trilhar, se nos abrirmos ao diálogo, à correção fraterna e ao amor à verdade.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: a política é a arte do encontro, reflexão e ação

O Papa com os membros da Fraternidade Política Chemin Neuf
(Vatican Media)

Francisco encontra os membros da Fraternidade Chemin Neuf e os encoraja no compromisso com os migrantes e a ecologia. Convida os jovens "viverem o encontro político como um encontro fraterno".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (16/05), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Fraternidade Política Chemin Neuf, uma comunidade que nasceu em Lyon, em 1972, por iniciativa do seminarista jesuíta Laurent Fabre, que após uma experiência de oração num grupo da Renovação Carismática Católica decidiu trabalhar para construir uma Fraternidade que evangelizasse e trabalhasse para o bem comum.

"Quando nos conhecemos no ano passado, vocês confiaram à minha oração a sua participação no evento Changemakers em Budapeste. Lá vocês tiveram momentos de encontro, de formação, mas também de ação, com associações locais. A maneira como vocês viveram este evento me parece ser uma boa implementação do verdadeiro significado do que é a política, especialmente para os cristãos. Política é encontro, reflexão e ação", disse o Papa no início de seu discurso.

A política é acima de tudo a arte do encontro. Certamente, este encontro é vivido acolhendo o outro e aceitando sua diferença, num diálogo respeitoso. Como cristãos, no entanto, há algo mais: uma vez que o Evangelho nos pede para amar os nossos inimigos, não posso me contentar com um diálogo superficial e formal, como aquelas negociações muitas vezes hostis entre partidos políticos. Somos chamados a viver o encontro político como um encontro fraterno, especialmente com aqueles que menos concordam conosco; e isso significa ver naquele com quem dialogamos um verdadeiro irmão, um filho amado de Deus. Essa arte do encontro começa com uma mudança de olhar sobre o outro, com um acolhimento e respeito de sua pessoa sem condições. Se essa mudança de coração não ocorrer, a política corre o risco de se transformar num confronto muitas vezes violento, a fim de fazer triunfar as próprias ideias, numa busca de interesses particulares e não do bem comum, contra o princípio de que "a unidade prevalece sobre o conflito".

O Papa com os membros da Fraternidade Política Chemin Neuf
(Vatican Media)

Francisco disse ainda que "do ponto de vista cristão, a política também é reflexão, ou seja, a formulação de um projeto comum". "Como cristãos, entendemos que a política se leva adiante com uma reflexão comum, em busca desse bem geral, e não simplesmente com o confronto de interesses conflitantes e muitas vezes opostos. Em síntese, "o todo é maior que a parte" e nossa bússola para elaborar este projeto comum é o Evangelho, que traz ao mundo uma visão profundamente positiva do ser humano amado por Deus."

"Por fim, a política também é ação", disse ainda o Papa, acrescentando:

Como cristãos, precisamos sempre confrontar nossas ideias com a profundidade da realidade, se não quisermos construir na areia que mais cedo ou mais tarde acaba cedendo. Não nos esqueçamos de que "a realidade é mais importante do que a ideia". Portanto, encorajo seu compromisso com os migrantes e a ecologia. Soube que alguns de vocês escolheram viver juntos num bairro popular de Paris, para ouvir os pobres: esta é uma maneira cristã de fazer política!  Não se esqueçam que a realidade é mais importante do que a ideia: não se pode fazer política com ideologia. O todo é maior que a parte, e a unidade é maior que o conflito. Buscar sempre a unidade e não se perder no conflito.

"Encontro, reflexão e ação: aqui há um programa de política no sentido cristão", disse ainda Francisco, ressaltando que a política é «a mais alta forma de caridade», como o Papa Pio XI a definiu.

Mais uma vez, destacando-se do discurso escrito, o Papa se deteve nos conceitos de "memória, esperança e maravilha", no centro do discurso inicial de saudação de um jovem brasileiro.

O Papa com os membros da Fraternidade Política Chemin Neuf
(Vatican Media)

"Maravilha: A vida cristã não é possível sem esta maravilha, sem admiração. A maravilha é o que me faz sentir que estou em Jesus, com Jesus. A maravilha de ver a grandeza do Senhor, a grandeza de sua Pessoa, a grandeza de seu programa, de sentir a grandeza das Bem-aventuranças como um programa de vida. E depois outra palavra, memória. Memória, esperança e maravilha. O passado, o futuro e o presente: não há futuro sem o presente, e não há esperança sem maravilha. Cultivem a oração com o Evangelho para sentir a maravilha do encontro com Jesus Cristo", concluiu.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 15 de maio de 2022

Presbíteros brasileiros encerram seu 18º Encontro Nacional

Presbíteros brasileiros encerram seu 18º Encontro Nacional

Núncio Apostólico aos presbíteros: “Nosso ministério, nossa vida, será eficaz se for realizado com humildade”.

Padre Modino - CELAM

Os presbíteros brasileiros encerraram neste 14 de maio seu 18º Encontro Nacional em uma celebração eucarística no Santuário Nacional de Aparecida. O Núncio Apostólico, que presidiu a celebração, começou sua homilia dizendo aos sacerdotes que “Nós somos ministros da graça que vem do amor de nosso Senhor Jesus Cristo por nós”.

Segundo dom Giambattista Diquattro, “esta é a fonte do cuidado pastoral, os cuidados pastorais provem da fé, que é moldada pelo amor”. Falando aos presbíteros, ele insistiu em que “nossa paternidade procede da primeira paternidade, nosso amor de seu amor”, algo que levou o Núncio no Brasil a afirmar que “a intensidade do amor sacerdotal vem da medida do amor recebido, sem cálculo. O caminho de Jesus é o caminho para nossa própria santidade e do povo a nós confiado”.

Núncio apostólico dom Giambattista Diquattro

“O amor do Pai derramado sobre o único filho, é derramado através de Jesus nos sacramentos para nós na Igreja”, segundo Dom Giambattista. Daí, ele afirmou que “Jesus nos exorta a perseverar em seu amor. O Redentor explica como perseverar, mantendo nossa vida na Lei de Deus, mantendo nosso amor no Espírito Santo do nosso Senhor Jesus Cristo”. O Núncio fez ver que “no amor reside a observância dos mandamentos, e a observância dos mandamentos testemunha o amor”. Por isso, ele convidou a que “amemos o Senhor colocando nosso coração N´Ele, só em sua vontade, como sacerdotes, como batizados, existindo, habitando em Cristo, em seu Corpo que é a Igreja”.

O fundamento é que “Jesus nos ama, o amor de Jesus é a única e verdadeira fonte de nosso verdadeiro e único amor por Ele, e através de seu amor e em seu amor, guardamos seus mandamentos”, segundo o representante pontifício no Brasil. Daí, ele disse que “esta é a graça e a caridade que Jesus manifesta aos humildes, e que somente se perseguimos sua Cruz poderemos agarrar”.

Presbíteros brasileiros encerram seu 18º Encontro Nacional

O núncio vê a humilde do Filho como algo “de natureza divina e absoluta”, o que o leva a afirmar que “por tanto de natureza divina e absoluta é a capacidade de receber o amor do Pai”. Segundo o prelado, “é nos oferecida a capacidade de receber a graça do amor de Deus, não pela providência, mas pela graça, em correspondência pela graça de nossa pobreza e a súplica diária a Deus de sua caridade. Jesus Cristo, em sua natureza divina e em sua natureza humana é o mediador perfeito deste dom”.

Os presbíteros foram chamados por dom Giambattista Diquattro a descobrir que “como padres, como batizados, em nossa fragilidade, somos chamados a ser mediadores de salvação na Igreja”. Lembrando a festa do dia ele fez ver aos sacerdotes que “fomos escolhidos como Matias, nosso ministério, nossa vida, será eficaz se for realizado com humildade para levantar da poeira o indigente e do lixo retirar o pobrezinho. Por Cristo, com Cristo e em Cristo, por amor mutuo a imagem daquele amor que entra em nossas vidas, para que nossas vidas sejam fieis à vocação que recebemos e conforme ao sacrifício agradável a Deus, o sacrifício de Cristo, que celebramos in persona Christi”.

Presbíteros brasileiros encerram seu 18º Encontro Nacional

Finalmente convidou a pedir “a Maria, nossa Mãe, sob o título de Nossa Senhora Aparecida, que nos guarde no coração de Cristo, que eduque nossos corações no caminho da santidade, que inspire o discernimento que oferecemos a nossos irmãos e irmãs pelo exemplo de nossa vida, segundo o Espírito Santo e de seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo”.

O 18º ENP foi momento para eleger a nova coordenação da Comissão Nacional dos Presbíteros do Brasil, que tomará posse no próximo mês depois de ser confirmada pela Comissão Permanente da CNBB. O atual presidente, padre José Adelson da Silva Rodrigues, depois dos agradecimentos, apresentou a nova coordenação, que será presidida pelo padre André Luiz do Vale, da Diocese de Uruaçu.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Papa Francisco proclama dez novos santos da Igreja

Fachada da basílica de São Pedro durante a canonização /
Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

Vaticano, 15 mai. 22 / 11:40 am (ACI).- O Papa Francisco proclamou dez novos santos da Igreja Católica neste domingo, 15 de maio, entre os quais o francês Charles de Foucauld.

Foi uma festa na praça de São Pedro, no Vaticano, da qual participaram milhares de pessoas e autoridades civis e eclesiásticas.

Em sua homilia, o Santo Padre disse que todos são chamados a "servir o Evangelho e nossos irmãos e irmãs e oferecer nossa própria vida desinteressadamente, sem buscar nenhuma glória mundana".

O papa destacou a importância do amor, que consiste em "servir e dar a vida" e disse que "servir significa não colocar os próprios interesses em primeiro lugar, desintoxicar-se dos venenos da ganância e da competição, combater o câncer da indiferença e a podridão da autorreferencialidade, compartilhando os carismas e dons que Deus nos deu”.

“Perguntemo-nos, concretamente: o que estou fazendo pelos outros? Isso é amor, vivamos as coisas ordinárias de cada dia com espírito de serviço, com amor e em silêncio, sem reivindicar nada”, disse o Papa.

Em seguida, Francisco disse que dar a vida "não é apenas oferecer algo, como dar alguns de seus bens aos outros, mas dar a si mesmo" e encorajou "tocar e olhar a carne de Cristo que sofre em nossos irmãos e irmãs e irmãs, é muito importante”.

“A santidade não é feita de alguns atos heroicos, mas de muito amor diário. Você é consagrado ou consagrado? Há muitos aqui. Você é consagrado ou consagrado? Seja santo vivendo com alegria a sua dedicação. Está casado? Seja santo amando e cuidando de seu marido ou de sua esposa, como Cristo fez com a Igreja. Você é uma trabalhadora, uma mulher trabalhadora? Sê santo cumprindo com honra e competência o teu trabalho a serviço dos teus irmãos e lutando pela justiça dos teus colegas, para que não percam o emprego, para que tenham sempre um salário justo. Você é pai, avó ou avô? Seja santo ensinando pacientemente as crianças a seguirem a Jesus."

O papa dirigiu-se em particular às autoridades presentes e perguntou: “Diga-me, você tem autoridade? E aqui tem muita gente que tem autoridade, eu me pergunto: você tem autoridade? Seja santo lutando pelo bem comum e abrindo mão de seus interesses pessoais. Este é o caminho da santidade, simples assim, olhar sempre para Jesus nos outros”.

“Os nossos companheiros de viagem, hoje canonizados, viveram a santidade assim: esgotaram-se pelo Evangelho, abraçando com entusiasmo a sua vocação - sacerdote, consagrado, leigo -, esgotaram-se pelo Evangelho, descobriram uma alegria sem igual e tornaram-se luminosos reflexões do Senhor na história. Este é um santo ou um santo, um reflexo luminoso do Senhor na história”, disse o Santo Padre. “Provemos também, o caminho da santidade não está fechado, é universal, é um chamado para todos nós e começa com o batismo, não está fechado, porque todos somos chamados à santidade, a uma santidade única e irrepetível”.

“A santidade é sempre original, como dizia o beato Carlo Acutis, não há fotocópia de santidade, a santidade é original, é minha, tua, a de cada um de nós. É única e irrepetível. Sim, o Senhor tem um projeto de amor para cada um, tem um sonho para sua vida. Assumi-o. O que posso dizer? Levai-o adiante com alegria”, concluiu o papa.

Ao final da missa, o papa liderou a recitação do Regina Coeli. Em seguida, ele cumprimentou pessoalmente muitas das pessoas que estavam no átrio próximo ao altar e percorreu os corredores da Praça de São Pedro com o papamóvel.

Novos santos

Os dez novos santos da Igreja Católica são: Charles de Foucauld, sacerdote diocesano francês, fundador de dez congregações religiosas e oito associações de vida espiritual que surgiram de seu testemunho e carisma.

Tito Bradsma nasceu na Holanda em 1881, entrou na ordem dos frades carmelitas e foi ordenado sacerdote em 1905. Brandsma foi morto no campo de concentração de Dauchau, Alemanha, por se opor ao regime nazista.

Lázaro Devasahayam, leigo, mártir, que nasceu no século XVIII na aldeia de Nattalam, Índia, e foi morto, por ódio à fé, em Aralvaimozhy, também na Índia.

César de Bus, sacerdote, fundador da Congregação dos Padres da Doutrina Cristã (Doctrinaires), que nasceu em 3 de fevereiro de 1544 em Cavaillon, França, e morreu em 15 de abril de 1607 em Avignon, França.

Luigi Maria Palazzolo, sacerdote, fundador do Instituto das Irmãs dos Pobres (Instituto Palazzolo).

Giustino Maria Russolillo, sacerdote, fundador da Sociedade das Divinas Vocações e da Congregação das Irmãs das Divinas Vocações.

Marie Rivier religiosa francesa fundadora da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria.

Maria Francesca di Gesù, nascida Anna Maria Rubatto, fundadora das Irmãs Capuchinhas Terciárias de Loano, nascida em Carmagnola, Itália, e morta em Montevidéu, Uruguai.

Maria de Jesus Santocanale é a fundadora da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes. Nasceu em 1852 em Palermo, Itália, e morreu em 1923 em Cinisi, Itália.

Maria Domenica Mantovani, cofundadora e primeira superiora geral do Instituto das Irmãzinhas da Sagrada Família.

Fonte: https://www.acidigital.com/

A glória de Deus é o amor

A glória de Deus | O Povo

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A palavra do Senhor acompanha o nosso caminho de peregrinos com grande realidade. Aquela realidade do mistério pascal, onde alegria e dor, morte e vida, não se excluem mutuamente, mas permanecem unidas em uma forte comunhão. Este fruto da humanidade reconciliada é o testemunho mais bonito do reino que vem, e que o Filho de Deus inaugurou na sua Páscoa, depois de nos ter prometido que nada e ninguém poderia jamais tirar a nossa alegria (Jo 16,23).  

A boa notícia que nos é doada neste final de semana, através da Palavra de Deus, é a confirmação de que o cansaço e as dificuldades que encontramos no peregrinar da vida, não são um obstáculo para a realização do reino, isto é: para termos uma vida bela e plena; mas são, antes de tudo, o caminho e a porta que nos conduzem ao Pai. 

Pode ser um paradoxo, mas se nos colocarmos na escuta humilde da Palavra, seremos aos poucos conduzidos e levados a compreender, que o segredo que está no coração do Evangelho, e é a essência de Deus, é o amor. A grandeza do amor, vitorioso sobre o mal e sobre a morte, e toda a ternura com a qual se faz disponível para assumir cada aspecto da realidade, atravessando também a escuridão da dor e da prova, com a luz da fé e a força tênue e intrépida da esperança. É no amor humilde que se revela a glória de Deus. Uma glória tão diferente da nossa, tão diversa das glórias que propõem o mundo, mesmo assim podemos sentir que é verdadeira. O nosso coração pode ter uma profunda e bendita saudade de perceber o sabor autêntico e único desta glória.  

É bonito poder ver no texto dos Atos dos Apóstolos (At 14,21b-27), como a fé é um dom de Deus vivido em comunhão: quanto é importante sustentar-se crendo no amor! Paulo e Barnabé confirmam os discípulos para que permaneçam firmes na fé, mesmo em meio às tribulações que estão atravessando. Queridos irmãos e irmãs, não podemos esquecer que Deus age na nossa vida com o seu amor, que tem a força de abrir a porta da fé e da esperança, que pode estar enferrujada no nosso coração.  Ele, que deu a sua vida por amor a todos os homens, nos chama para entrarmos na verdadeira glória do seu Reino. 

A Igreja, através dos milênios, não se cansa de voltar ao Cenáculo para permanecer ao lado do seu Senhor e Mestre, meditando sobre seus gestos tão preciosos e as suas palavras proclamadas na vigília da sua paixão e morte, guardando com cuidado, como um precioso testamento que Ele nos deixou para viver na sua memória. Deus não possui outra glória que a sua paixão por nós, o seu desejo de dar a si mesmo para que possamos ter vida em abundância, participando plenamente da comunhão com ele e participando de toda a dignidade dos filhos, herdeiros da sua glória. Uma glória que deseja tomar carne em nós e na nossa experiência de vida, transformando o nosso modo de amar, assim que no amor recíproco, nutrido e vivificado pela sua misericordiosa fidelidade, resplandeça o sinal pascal da nossa pertença a Ele e do nosso verdadeiro testemunho, de que a glória de Deus é o amor. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF