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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

28 imagens sacras foram quebradas em paróquia no sul do Brasil

Diocese de União da Vitória
Entre as imagens quebradas estava uma estátua centenária de Nossa Senhora das Graças
Por Ricardo Sanches

Confira tudo o que já se sabe sobre o ato de profanação que deixou católicos de várias partes do mundo consternados.

Os católicos do Brasil – e por que não dizer do mundo – ainda estão consternados com um fato que aconteceu na Igreja Matriz de São Mateus, em São Mateus do Sul, PR, onde 28 imagens sacras foram quebradas.

De acordo com o Pe. Diego Ronaldo Nakalski, por volta do meio-dia da segunda-feira, 10 de outubro, alguém entrou na igreja e fechou a porta principal, que sempre fica aberta para as pessoas poderem entrar no templo e rezar.

“Escutamos um certo barulho e logo alguém correu nos informar do acontecido”, afirmou o padre.

28 imagens quebradas

Ao todo, a pessoa que entrou na igreja quebrou 28 imagens, “incluindo as imagens da sala dos santos, do batistério, a imagem do Sagrado Coração de Jesus e da Padroeira, Nossa Senhora da Assunção. Graças a Deus o Sacrário onde fica Jesus Eucarístico não foi violado e também não foram danificadas as imagens dos anjos”, afirmou o vigário paroquial.

Entre as estátuas quebradas, estava uma imagem centenária de Nossa Senhora das Graças que acompanha a comunidade desde a época da fundação da cidade.

Por meio das redes sociais, católicos de várias partes do mundo se mostraram indignados com a profanação das imagens sacras. A comunidade de São Mateus do Sul recebeu milhares de mensagens de solidariedade.

Suspeito preso

A polícia prendeu um homem de 35 anos suspeito de invadir a igreja e quebrar as imagens.

O homem foi detido em outro ponto da cidade, após furtar um celular. Segundo os policiais, no momento da prisão, testemunhas o reconheceram como o autor do ato ocorrido na paróquia de São Mateus. Ainda de acordo com a PM, o suspeito apresentava estar sob efeito de drogas quando foi preso.

Para a polícia, a ação foi um ato de vandalismo e não teria motivação religiosa. O homem responderá a processo por destruir objetos de devoção.

Nota da Diocese pela profanação causada à Igreja Matriz São Mateus, em São Mateus do Sul - PR

ACESSE A NOTA OFICIAL  CLICK AQUI:

“Religião despreszada”

Em uma atmosfera marcada pela tristeza e consternação, centenas de fiéis participaram da missa de reparação pela profanação das imagens religiosas. Durante a celebração, o altar estava desnudo e as estátuas quebradas ainda se encontravam no chão.

O bispo diocesano de União da Vitória, Dom Walter Jorge, demonstrou profunda tristeza com o ato de vandalismo. Disse ele:

“Confesso a vocês que é um momento bastante triste para mim. Que bom que temos a água benta, que jorra do lado aberto de Cristo para nos purificar. Aspergimos aqui o altar e as paredes desta igreja porque o Templo foi violado, foi maculado. A religião que nos liga com Deus foi desprezada.”

Dom Walter Jorge também exortou os fiéis a rezarem pelo suspeito de ter quebrado as 28 imagens sacras da igreja:

“Não queremos julgar, nem condenar as pessoas, mas queremos ver os sinais de Deus em todas as coisas. Esta casa de Deus foi violada. A dor da Igreja, que somos nós, é grande, mas muito maior é a nossa fé na reparação que o amor pode alcançar de Deus. Nós viemos aqui pedir a Deus que perdoe quem fez, que nos ajude a sermos a Igreja que Ele deseja que somos. Hoje nós nos unimos a esta pessoa porque a humanidade é uma só. Quando um membro da humanidade sobe pela bondade e pelo amor, toda humanidade sobe junto com ele, mas quando alguém da humanidade desce, a humanidade inteira desce junto, porque por detrás está o mal, o pecado, que todos nós, em algum momento consentimos”. 

As imagens passarão por um estudo para verificar a possibilidade de restauração.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Santo Agostinho e a infalibilidade dos Concílios universais

Concílio de Nicéia | Apologistas Católicos

Santo Agostinho e a infalibilidade dos Concílios universais

NELSON SARMENTO 

Falar da posição de Santo Agostinho sobre a infalibilidade dos Concílios universais não é uma tarefa fácil, pois o Santo Doutor nunca tratou do tema ex professo. O que podemos concluir com facilidade é que negou a infalibilidade de Concílios regionais, como se depreende de sua visão sobre o Concílio de Cartago sob São Cipriano (cf. Carta 93,38 e Tratado sobre o Batismo, livro 6, cap. 2, 3) e do Concílio de Bagai (cf. Réplica à carta de Parmeniano, livro 3, cap. 6,29 e Carta 23,5).

No entanto, uma busca minuciosa nas obras de Santo Agostinho traz várias considerações importantes do Doutor da Igreja ao tratar de Concílios universais, vejamos:

1) Na sua visão, os Concílios universais são a última instância de julgamento na Igreja:

“Concedamos que aqueles bispos que julgaram em Roma não eram bons juízes; ainda os ficava o concílio plenário de toda a Igreja, no qual se poderia discutir a causa frente a esses mesmos juízes; se fosse demonstrado que eles julgaram mal, anularia-se sua sentença. Demonstrem os donatistas que eles executaram ambas as coisas. Eu provo facilmente que não as executaram, com somente ver que o mundo inteiro não está em comunhão com eles. Se as executaram, foram novamente vencidos, com sua própria separação demonstra”. (Carta 43, 19)

“Se ela, salvando a paz, uns creram ainda uma coisa e outros outra sobre este ponto, enquanto um concílio universal não havia tomado uma determinação clara e autêntica, cobriria a caridade da unidade o erro da fraqueza humana, como está escrito: O amor cobre uma multidão de pecados. Vou referir-me agora ao bem-aventurado mártir Cipriano, em cujos escritos encontramos preciosos documentos; e o faço precisamente porque estes donatistas querem apoiar-se carnalmente em sua autoridade quando na realidade é sua caridade a que os fulmina espiritualmente. (...) Com efeito, naqueles tempos, antes que a unanimidade de toda a Igreja houvesse confirmar com a sentença do concílio plenário o que se devia fazer nesta questão, pareceu-lhe, reunido com cerca de oitenta bispos africanos, que era preciso batizar de novo a todo aquele que vinha à Igreja tendo recebido o batismo fora da comunhão da Igreja católica”. (Tratado sobre o batismo, livro 1, cap. XVIII, 27-28)

2) Tacha de cismáticos aqueles que não obedecem a decisão de um Concílio universal:

“Ainda seguem batizando fora da Igreja; se pudessem, rebatizariam à própria Igreja. Oferecem seu sacrifício na dissenção e o cisma e saúdam ao povo em nome da paz, enquanto lhe privam da paz da salvação. Rasgam a unidade de Cristo, blasfemam contra a herança de Cristo, expulsam o batismo de Cristo”. (Carta 43,21)

“eles que estão convictos de haver perpetrado uma ruptura cismática da Unidade Cristo não por trezentos e dez bispos, mas pela autoridade dos do mundo inteiro”. (Réplica à carta de Parmeniano, livro 3, cap. 6, 29)

3) Diz aos donatistas que, após uma controvérsia obscura sobre um ponto teológico, um Concílio universal confirma qual é o “pensamento seguro de salvação”:

“Já é tempo, creio, de não dar a impressão de servir-me de argumentos humanos. Já nos tempos precedentes da Igreja, antes do cisma de Donato, a obscuridade desta controvérsia fez que ilustres varões e mesmo bispos animados de grande caridade, ficando sempre a salvos a paz, discutissem entre si e flutuassem de tal modo que não coincidiam os variados estatutos dos concílios em suas diversas regiões, até que, dissipadas todas as dúvidas, confirmou-se em um concílio plenário de todo o orbe qual era o pensamento seguro de salvação”. (Tratado sobre o batismo, livro 1, cap. 8, 9)

4) Diz que os Padres conciliares estabeleceram o termo ‘homousios” no Concílio de Nicéia com a autoridade da verdade e com a verdade da autoridade:

“Logo o Pai e o Filho são de uma mesma substância. É isto que significa aquele ‘homousios’, que os Padres católicos estabeleceram com a autoridade da verdade e com a verdade da autoridade no Concílio de Nicéia contra os hereges arianos” (Contra Maximino e Ário, II, XIV, 3)

Tudo isso é suficiente para concluir que Santo Agostinho defendia a infalibilidade dos Concílios universais? Tendo a crer que sim, e vários teólogos católicos têm argumentado através dessas passagens, desde São Roberto Bellarmino[1] e Melchor Cano[2] até aos mais modernos[3]. No entanto, é inegável que ainda abre espaço para um protestante tergiversar, ainda mais lembrando que o protestantismo tem uma visão eclesiológica bem diferente da nossa.

Há outra forma, no entanto, de evidenciar que para Santo Agostinho os Concílios universais são infalíveis. Nessa forma de argumentar recorrerei a um silogismo, demonstrando que as premissas, maior e menor, encontravam-se, claramente, no pensamento de Santo Agostinho, e que a conclusão, portanto, é inevitável pela lógica. Provavelmente a genialidade de Santo Agostinho não se furtaria à conclusão que suas próprias premissas demandam. O silogismo é uma argumentação dedutiva. Exemplificando: Premissa maior: Todo homem é um animal racional. Premissa menor: Carlos é um homem. Conclusão: Carlos é um animal racional. A premissa maior que “1) a Igreja universal não pode errar” estava presente em Santo Agostinho. A premissa menor que “2) os Concílios universais são expressões da Igreja universal”, igualmente. Daí que Santo Agostinho devesse concluir, portanto, que os Concílios universais não podem errar. Estando esses dois pressupostos referidos abundantemente no pensamento do Santo Doutor é muito improvável que Santo Agostinho negasse a infalibilidade dos Concílios universais.

1) A IGREJA UNIVERSAL NÃO PODE ERRAR

Foram várias as passagens encontradas nesse sentido nas Obras do Doutor de Hipona. Os dizeres são muito fortes e dificilmente questionáveis.

“Por conseguinte, embora não se apresente nenhum exemplo certo a este respeito tomado das Escrituras canônicas, mantemos, contudo, neste assunto a verdade das mesmas Escrituras, ao praticar o que já pareceu bem à Igreja universal, que recomenda a autoridade das mesmas Escrituras. Assim, como a santa Escritura não pode enganar, qualquer um que teme ser enganado pela obscuridade desta questão, deve consultar a mesma Igreja, assinalada sem ambiguidade pela santa Escritura. Mas se duvidas que a santa Escritura recomenda a esta Igreja que se estende em número tão abundante por todos os povos, e se não o duvidasse não estarias ainda no partido de Donato, eu te abrumarei com testemunhos abundantes e claríssimos, tomados da mesma autoridade, a fim de que com tuas concessões, supondo que não te aferras à tua obstinação, façam-te confessar isso. Ainda antes te mostrarei que nada verdadeiro pudeste responder a minha carta, que trataste de combater”. (Réplica ao gramático Crescônio, Livro 1, cap. 33, 39)

Contra o donatista Crescônio, Santo Agostinho refutava o rebatismo de hereges. Santo Agostinho argumenta que, embora não haja nas Escrituras nenhum exemplo claro a esse respeito, deve-se praticar o que a Igreja universal admite. E em seguida acrescenta o que é mais importante: como a Santa Escritura não pode enganar, qualquer um que teme ser enganado por causa da obscuridade do tema, deveria consultar a própria Igreja, assinalada pela Santa Escritura. Nada mais claro! Quem consulta a Igreja universal não pode ser enganado, já que a Bíblia não pode enganar ao recomendar essa mesma Igreja. Ou seja, Santo Agostinho prova a infalibilidade da Igreja universal através da autoridade das Escrituras inerrantes.

“Vêm, pois, estes sedutores e perguntam a um homem que não entende as divinas Escrituras como podem estar no céu os governadores das trevas, para que, ao não saber responder, seja arrastado por eles ao engano, pois toda alma ignorante é curiosa. Mas quem conhece bem a fé católica e vive protegido pelos bons costumes e a verdadeira piedade, embora não conheça sua heresia, sabe como responder-lhes. Pois ninguém pode enganar ao que conhece o que atém a fé católica, difundida pelo mundo inteiro, já que ela vive segura, sob o governo de Deus, frente aos ímpios e pecadores e frente aos próprios católicos negligentes”. (O combate cristão, cap. IV, 4)

Santo Agostinho nesta passagem é claríssimo que quem conhece o que atém a fé católica, difundida pelo mundo inteiro, não pode ser enganado, já que ela vive segura, sob o governo de Deus. Dito em outras palavras: o fiel que conhece o que crê a Igreja universal não pode ser enganado, pois essa crença vive segura sob a assistência de Deus

“Como contraponto destes dentes, aparecem os dentes da Igreja, sob cuja autoridade os crentes se vêem cortados do erro dos gentios e das doutrinas heterogêneas, e se vêem transvasados a ela que é corpo de Cristo”. (Salmo 3)

Santo Agostinho está comentando ao verso 7 do Salmo 3. Este verso fala sobre Deus quebrando os dentes dos pecadores. O contraponto desses dentes dos ímpios são os dentes da Igreja, sob cuja autoridade os católicos se vêem cortados do erro e das doutrinas heterodoxas. Não é preciso dizer mais nada.

“É algo evidente, o aceita a fé, o aprova a Igreja, é verdade”. (Sermão 1)                           

Em latim a frase é assim: Manifestum est, admittit fides, approbat Ecclesia catholica, verum est. Repare que ele toma por verdadeiro algo pelo fato da Igreja católica o aprovar. A Igreja o aprova, verdadeiro é.

“A Igreja de Deus, cercada por tanta palha e cizânia, tolera muitas coisas, mas Ela não aprova nem faz aquilo que é contrário à fé ou à virtude, nem tampouco Ela se cala perante essas coisas.” (Ep. 55. n 35 al 119)

Mais uma vez a infalibilidade da Igreja universal é manifesta em Santo Agostinho. A Igreja não aprova nem faz aquilo que é contrário à fé ou à virtude.

“Vejamos, então, o que me ensina Manes. Examinaremos antes de tudo aquele livro ao que denominais Carta do Fundamento, no qual se contém quase tudo o que vocês creem. Quando nos lia naquele tempo de minha miséria, dizia-nos que éramos iluminados por vocês. Começa assim: “Manes, apóstolo de Jesus Cristo pela providência de Deus Pai. Estas são as palavras saudáveis que emanam da fonte perene e viva”. Se os agrada, considera com boa paciência o que pergunto. Não vejo que o seja apóstolo de Cristo. Suplico-vos que não se irritem e comeceis a maldizer-me. Sabeis que me propus não crer temerariamente em nada o que é dito por vocês. Pergunto, então, quem é esse Manes. Respondeis: O apóstolo de Cristo. Não o creio. Não terás já o que dizer ou fazer. Prometeste-me a ciência da verdade e agora me obrigar que creia o que ignoro. Talvez me leias o Evangelho e tente mostrar-me nele quem é Manes. E se te encontrasses com alguém que ainda não crê no Evangelho, que farias se te dissesse: Não o creio? Eu, na verdade, não creria no Evangelho se não me movesse a ele autoridade da Igreja católica”. Portanto, se obedeci aos que me diziam que cresse no Evangelho, por que não iria obedecer aos que me dizem: “Não creias nos maniqueus”? Escolhe o que queres. Se diz: “Creia nos católicos”, eles me admoestam que não os outorgue a mais mínima fé; portanto, crendo-lhes, não posso crer-te a ti; se dizes: “Não creia nos católicos”, não agirás retamente ao obrigar-me a crer em Manes em virtude do Evangelho, porque cri nele pela pregação da Católica. Se, pelo contrário, diz: “Fizeste bem em crer nos católicos enquanto louvam o Evangelho, mas não fizeste bem em crê-los quando vituperam a Manes”, crês-me tão néscio como para crer o que tu queres e não crer o que tu não queres, sem dar razão alguma? Meu comportamento é, então, muito mais justo e mais cauto ao não passar a ti, dado que ao menos uma vez cri nos católicos, a não ser que no lugar de mandar-me crer, faça-me saber algo com toda claridade e evidência. Por consequência, se vai dar-me alguma razão, deixa de lado o Evangelho. Se te agarras ao Evangelho, eu me agarrei naqueles por cujo mandato cri no Evangelho, e por cuja ordem em nenhum modo crerei em ti. Porque se, casualmente, pudesses falar algo claro no Evangelho sobre a condição de apóstolo de Manes, terás que encerrar peso ante mim à autoridade dos católicos que me ordenam que não te creia; mas reduzida essa autoridade já não poderei crer nem no Evangelho, posto que havia crido nele amparando-me na autoridade deles. E dessa maneira, nenhum valor terá para mim o que saques dele. Portanto, se no Evangelho não se fala nada claro sobre a condição de apóstolo de Manes, crerei nos católicos antes que a ti. Se, por outro lado, lês nele algo claro em favor de Manes, não te crerei e nem neles. A eles não crerei porque me enganaram a respeito de ti; a ti tampouco porque me apresentas uma Escritura na qual havia crido graças aqueles que me mentiram. Mas longe de mim não crer no Evangelho! Crendo nele não acho modo de poder crer também em ti. Entre os nomes dos apóstolos que ali se lêem não se acha o de Manes. Nos Atos dos Apóstolos lemos quem ocupou o lugar do que entregou a Cristo. Se creio no Evangelho, necessariamente crerei nesse livro porque a autoridade católica me recomenda igualmente um e outro escrito. No mesmo livro lemos também o relato conhecidíssimo da vocação e apostolado de Paulo. Lê-me agora, se podes, um texto do Evangelho onde se nomeie a Manes como apóstolo, ou de qualquer outro livro no que confesse haver já crido. Vai ler-me, acaso, aquele no que o Senhor prometeu aos apóstolos o Paráclito? Em relação a esse texto, considera quantas e de quão grande peso são as razões que me apartam e me impedem crer em Manes”. (Réplica à carta chamada "do Fundamento", 5)

Essa passagem tem uma frase muito utilizada pela apologética católica: “Não creria no Evangelho, se não me movesse a ele a autoridade da Igreja”. Para contextualizarmos, Santo Agostinho replica um livro que se dizia revelado de Manes, chamado “Carta do Fundamento”. Os maniqueus queriam incentivar Santo Agostinho a crer na inspiração deste livro. Santo Agostinho responde, primeiramente, no capítulo imediatamente anterior, por que se encontra na Igreja católica. Fala dos motivos que lhe sujeitam ao seu seio: o consenso dos povos, a autoridade incoada com milagres, a sucessão apostólica da cátedra do Apóstolo São Pedro, até o episcopado de seu tempo, o nome "católica" que só esta Igreja obteve entre tantas heresias. Santo Agostinho, após isso, explica porque não pode aceitar a suposta inspiração de Manes. Ele explica que somente crê no Evangelho por causa do mandato da autoridade da Igreja Católica, que contém “tantos e tão poderosos laços”. Explica que essa mesma Igreja Católica ordena que ele não creia nos Maniques. No caso em que os maniqueus comprovassem pelo Evangelho a existência clara em favor de Manes, Santo Agostinho disse que já não poderia crer nos católicos. Acrescenta que, neste caso, não poderia mais crer no Evangelho, pois foi através daquela autoridade que foi movido a crer no Evangelho. Calvino quis explicar as palavras de Santo Agostinho no sentido de que um infiel é induzido a crer no Evangelho por causa da reverência à Igreja, da qual ele aprende sobre o Evangelho. Mas essa interpretação é uma distorção gritante ao contexto. Santo Agostinho não está dizendo que crê no Evangelho simplesmente no sentido de que outros católicos lhe levaram a esse conhecimento. Diz que a autoridade da Igreja lhe recomenda crer no Evangelho e por isso crê, e se a Igreja errasse sobre Manes já não poderia crer nem mesmo no Evangelho. Acrescenta depois que crê nos Atos dos Apóstolos e no Evangelho porque a Igreja recomenda (obriga) um e outro. Se a Igreja apenas o levasse ao conhecimento da existência do Evangelho, como quer Calvino, como é que ele diz que já não creria no Evangelho se a Igreja errasse sobre os Maniqueus? Não faz o menor sentido.

Santo Agostinho faz alusão claríssima a infalibilidade da Igreja. Não faz sentido crer numa autoridade como inerrante (as Escrituras), baseado numa autoridade falível (a Igreja, como querem os protestantes). Além disso, ele é claro que a Igreja não poderia errar sobre o que diz sobre Manes, pois do contrário já não poderia crer no Evangelho.

Parece-te que disse algo muito agudo quando interpretas que o nome de Católica não significa uma comunhão universal, mas a observância de todos os divinos preceitos e de todos os sacramentos. Embora a Igreja chama-se Católica porque retém toda a verdade, enquanto que as diversas heresias retém uma só parte dessa verdade, quem te disse que nos apoiamos nesse nome de Católica para demonstrar que a Igreja está estendida por todas as nações, e não na promessa de Deus e nos manifestos oráculos da própria Verdade? Pelo visto, tudo o que pretendes persuadir-me é, em resume, que somente há ficado os rogatistas com direito e apelidar como católicos, porque observais todos os preceitos divinos e todos os sacramentos, e que unicamente em vós achará a fé o Filho do Homem quando voltar. Perdoa, não o creio. Talvez tenhas a audácia de afirmar que vós não estais na terra, mas no céu, para que entre vós possa achar-se a fé, que o Senhor anunciou que não encontraria na terra. Contudo, o Apóstolo nos impôs tanta cautela, que nos mandou anatematizar ao anjo do céu se no evangeliza uma coisa distinta da que temos recebido. Como pelas divinas letras teríamos a confiança de haver recebido a Cristo manifesto, se não recebemos pelas mesmas fontes a Igreja manifesta? Por muitos expedientes e subterfúgios que urdais contra a simplicidade da verdade, por muitas névoas de falsidade astuta que difundes, será anátema quem pregar que Cristo não padeceu nem ressuscitou ao terceiro dia, posto que isso o temos recebido pela verdade evangélica: Era necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos ao terceiro dia. Pois do mesmo modo será anátema quem pregar uma Igreja fora da comunhão de todas as nações, posto que temos recebido pela própria verdade o que se diz na continuação: E que seja pregada em seu nome a penitência e remissão dos pecados por todos os povos, começando por Jerusalém. Devemos, então, reter sem vacilar: Quem os pregar algo fora do que haveis recebido, seja anátema... Temos que dizê-los mais alto o que dizemos a todos os donatistas. Suponhamos, por um impossível, que alguns achem motivo bastante justo para separar sua comunhão da comunhão do mundo inteiro. Suponhamos o que se chama Igreja de Cristo pode haver-se separado justamente da comunhão de todos os povos. Como sabeis que na sociedade cristã, tão difundida por toda parte, não houve uma justa e distante separação antes da vossa? Talvez por ser antiga não pôde chegar até vós a fama de sua justiça. Por que a Igreja está entre vós, no lugar de que entre aqueles que talvez se separaram antes? “Veja como, por não saber isso, convertestes em um problema para vós mesmos”. (Carta 93, 23, 25)

Aqui um donatista explicava que a expressão “Católica” não se deve entender como uma comunhão universal, mas como a observância de todos os divinos preceitos e de todos os sacramentos. Santo Agostinho responde que é justamente este o conceito que os católicos dão ao termo “Católica”. Acrescenta que não existe Igreja Católica fora da comunhão de todas as nações. Diz em seguida que é impossível achar um motivo justo para separar-se da comunhão do mundo inteiro. A Igreja de Cristo nunca seria outra senão a comunhão de todos os povos. Portanto, para Santo Agostinho a Igreja que observa todos os divinos preceitos, e que, por isso, chama-se “Católica”, é justamente esta do mundo inteiro. A infalibilidade, portanto, é inegável, a partir do termo “Católica”, por onde “retém toda a verdade”.

“Pedes-me que trate com prudência e cautela a questão da Trindade, isto é, da unidade de divindade e da distinção de pessoas, para que a cordura e minha doutrina e ingênio, como tu dizes, dissipe a névoa de tua mente e assim possas ver com teus olhos, iluminados pelo fulgor de minha inteligência, o que agora não podes pensar. Mas olha, de repente, se esta súplica está conforme com tua anterior convicção. Ao princípio da mesma carta, na qual me apresentas tua súplica, afirmas haver-te convencido de que “é necessário averiguar a verdade por meio da fé, no lugar que por meio da razão. Se a fé da santa Igreja, diz, houvesse de se aceitar pela razão e disputa e não pela piedade e a crença, ninguém alcançaria a bem-aventurança senão os filósofos e oradores. Mas aprouve a Deus escolher o débil deste mundo para confundir o forte, e salvar aos que creram pela estultícia da pregação. Por isso, não tanto há que buscar a razão quanto o seguir a autoridade dos santos”. Segundo estas palavras tuas, máxime neste ponto fundamental em que se apoia toda nossa fé, deverias pensar em teu dever de seguir a autoridade dos santos sem pretender de mim uma razão para entender”. (Carta 120, 2)

Neste caso, Santo Agostinho responde um consulente chamado Consencio, que queria explicações sobre o tema da Trindade. Santo Agostinho relembra as próprias palavras de Consencio que diziam que é necessário averiguar a verdade por meio da crença da Igreja universal, portanto, é mais importante buscar a autoridade dos santos do que a razão. Santo Agostinho diz que as palavras de Consencio é um ponto fundamental em que se apoia toda nossa fé. Se devemos seguir a autoridade da Igreja antes de seguir à razão, não se vê como a falibilidade da Igreja universal pode ser compatível com esse pensamento de Santo Agostinho. Como crer que a autoridade dos santos seria um ponto fundamental em que se apoia toda nossa fé se tal autoridade é falível? Como a verdade seria averiguada por meio da crença da Igreja universal se esta é falível?

“Por causa do seguro julgamento de todo o mundo não podem ser bons aqueles cristãos que se separam do resto da terra em qualquer parte que estejam” (Réplica a carta de Parmeniano, livro 3, 24)

A evidência se encerra na expressão seguro julgamento ou juízo de todo o mundo (Securus iudicat orbis terrarum). Essa expressão de Santo Agostinho foi muito importante na conversão de Newman, como o mesmo relata. Newman disse que tais palavras de Santo Agostinho lhe impressionaram com um poder que ele nunca tinha sentido antes, comparando ao "Tolle, lege,—Tolle, lege", da criança que converteu ao próprio Santo Agostinho[4].

“Assim o afirma a autoridade da madre Igreja, assim consta no cânon bem fundado da verdade: qualquer um que lance seus aríetes contra esta robustez e contra este muro inexpugnável, ele mesmo se arrebentará” (Sermão 294, 18)

A autoridade da santa Madre Igreja é uma regra seguríssima da verdade, qualquer um que tentar derrubar esse muro imbatível, será abatido. O contexto é sobre a prática universal do batismo infantil, que Santo Agostinho usava como argumento.

“Esta passagem aplica-se àqueles a quem o Senhor não abandona quando o procuram. Ele tem sua morada em Sião, o que significa contemplação e é o portador da imagem da Igreja atual, como Jerusalém é portadora da imagem da futura Igreja, isto é, da cidade dos santos que já desfrutam da vida dos anjos. Com efeito, Jerusalém se traduz por visão da paz. Por outro lado, a contemplação precede à visão, assim como esta Igreja precede aquela cidade imortal e eterna, objeto de promessas. Mas se trata de uma precedência temporal, não por razões de dignidade, uma vez que é mais digno de estima o fim em que nos esforçamos para chegar, do que os meios que usamos para atingir esse objetivo. De fato, praticamos a contemplação para chegar à visão. Mas mesmo uma contemplação, por mais minuciosa que fosse, levaria ao erro se o Senhor não residisse formalmente na Igreja atual. E a esta Igreja foi dita: o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós. E em outra passagem: no homem interior, Cristo vive pela fé em seus corações. Nos é ordenado, então, cantar ao Senhor que reside em Sião, para louvar em unidade de coração ao Senhor que habita na Igreja. Narre suas ações entre os povos. Já foi feito e nunca vai deixar fazer-se ". (Salmo 9, 12)

Santo Agostinho explica que a palavra Sião significa contemplação e é imagem da Igreja atual. Explica que a Igreja atual pratica a contemplação para chegar a visão do bem do século vindouro. E o que é mais importante: esta contemplação, por muito minuciosa que fosse, cairia ao erro se o Senhor não residisse na Igreja atual. Ora, segundo Hebreus, “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (11,1). Com uma fé falsa é impossível fazer uma verdadeira contemplação. Segue-se que a Igreja é infalível.

2) OS CONCÍLIOS UNIVERSAIS SÃO EXPRESSÕES DA IGREJA UNIVERSAL

 

Há várias passagens de Santo Agostinho onde se refere aos “Concílios plenários do mundo inteiro” e que a Igreja universal, por vezes, se manifesta por meio dos Concílios plenários. Vejamos:

“Já é tempo, creio, de não dar a impressão de servir-me de argumentos humanos. Já nos tempos precedentes da Igreja, antes do cisma de Donato, a obscuridade desta controvérsia fez que ilustres varões e mesmo bispos animados de grande caridade, ficando sempre a salvos a paz, discutissem entre si e flutuassem de tal modo que não coincidiam os variados estatutos dos concílios em suas diversas regiões, até que, dissipadas todas as dúvidas, confirmou-se em um concílio plenário de todo o orbe qual era o pensamento seguro de salvação”. (Tratado sobre o batismo, livro 1, cap. 8, 9)

 “Com efeito, naqueles tempos, antes que a unanimidade de toda a Igreja houvesse confirmar com a sentença do concílio plenário o que se devia fazer nesta questão, pareceu-lhe, reunido com cerca de oitenta bispos africanos, que era preciso batizar de novo a todo aquele que vinha à Igreja tendo recebido o batismo fora da comunhão da Igreja católica”. (Tratado sobre o batismo, livro 1, cap. 18, 28)

“Na África somente condenaram alguns. Mas estes foram respaldados logo pelo juízo favorável do mundo inteiro”. (Réplica à carta de Parmeniano, livro 1, cap. 3, 4)

“eles que estão convictos de haver perpetrado uma ruptura cismática da Unidade Cristo não por trezentos e dez bispos, mas pela autoridade dos do mundo inteiro”. (Réplica à carta de Parmeniano, livro 3, cap. 6, 29)

A lógica de Santo Agostinho é simples. Como cada Bispo administra a pessoa de sua igreja, vez que a igreja está no bispo, como ensina São Cipriano (cf. Epistola 66,8.3), a reunião de muitos deles numa assembléia conciliar pode chegar ao ponto de ser representativa de todo o mundo católico.

Os especialistas[5] discutem se nessas passagens Santo Agostinho se referia ao Concílio de Nicéia (325), ecumênico, ou ao Concílio de Arles (314). Por isso optamos no artigo em falar de infalibilidade de Concílios universais de modo genérico e não simplesmente de Concílios ecumênicos. Se um Concílio não ecumênico pode ser veículo de manifestação da Igreja universal por causa da sua representatividade, com muita mais razão o será um Concílio ecumênico. Eusébio mesmo chama o Concílio de Nicéia com 318 bispos de reunião do mundo inteiro (de vita Constantini, lib. 3).

A conclusão, portanto, é imperiosa. Essa forma de argumentar em favor da infalibilidade dos Concílios universais sempre foi usada pela apologética católica. Parece-me absurdo pretender que Santo Agostinho se esquivasse da conclusão contida em seus princípios. 

Para terminar, é importante resolver três objeções comumente lançadas por protestantes contra a tese, a partir de três passagens de Santo Agostinho.

Objeção 1: Santo Agostinho negou a infalibilidade dos Concílios universais, pois diz que os concílios plenários mais antigos “são frequentemente corrigidos por aqueles que os seguem”. (Tratado sobre o batismo, livro 2, cap. 3, 4). Se são corrigidos é porque admite-se que contêm erros.

Resposta: Santo Agostinho falava ou de questões de fatos não dogmáticos ou de questões disciplinares. Explico melhor: A Igreja Católica nunca negou que os Concílios universais podem errar em fatos não dogmáticos ou serem corrigidos em questões disciplinares. Os fatos não dogmáticos não dizem respeito à doutrina, mas à matéria profana. Por exemplo, se os bispos de Nicéia recebessem fraudulentos escritos de “Fulano de Tal” e por esta razão resolvessem condená-lo no Concílio Ecumênico sem conhecer da falsidade dos documentos apresentados, não haveria erro doutrinal, mas erro de fato. Assim, alguns teólogos argumentam com relação à condenação de Honório por alguns Concílios, eis que, explicam, as cartas apresentadas foram falsificações de orientais, e por isso os bispos enganados o condenaram. Outro exemplo, se um Concílio ecumênico diz que a capital do Rio Grande do Sul é Bagé o erro seria de fato. Os católicos defendem que os Concílios universais são infalíveis em questões de fé e moral e não de fato não dogmático. É possível que Santo Agostinho esteja falando em questões desse tipo, pois a questão particular dos católicos com os donatistas era sobre Ceciliano, se este devia ou não entregar os livros sagrados aos inimigos de fé. Por outra parte, as questões disciplinares de costumes podem ser corrigidas, mas não dogmas. Os preceitos são alterados de acordo com a mudança de tempos, lugares e pessoas, e essas mudanças podem ser chamadas de correções, não por causa de ser ruim no momento em que foi estabelecido, mas porque passou a ser ruim com a mudança de circunstâncias. As duas respostas podem ser confirmadas pela continuação das palavras de Santo Agostinho, pois fala de Concílios que são corrigidos quando o que foi fechado é aberto por algum experimento. A experiência tem como campo os fatos positivos, as questões de fato ou de costumes, não os assuntos de direito universal ou de fé.

Outra possibilidade é que Santo Agostinho esteja usando o termo “emendari” no sentido de “melhorados”, na ótica de um desenvolvimento homogêneo de doutrina, e não de correção de erros. Robert B. Eno considera possível que a melhor definição seja esta no contexto, eis que põe entre parênteses a palavra “improved” com uma interrogação, representando uma pergunta retórica em seu artigo já citado Doctrinal authority in Saint Augustine, p. 163. Em nota de rodapé este autor também cita: “Sieben, op.cit.92. Para E.Benz, "emendari" significa "melhorar" ao invés de "corrigir”, Veja-se E.Benz, Augustins Lehre von der Kirche (Mainz,1954) 35”. Se Santo Agostinho quer falar de melhora nada disso é contrário à doutrina católica sobre os Concílios universais. De fato, só com essa melhora ou progresso poderia o Concílio de Trento definir uma verdade que o de Viena havia apresentado com a nota de provável (Denz. 483 e 800). Outro exemplo: O Concílio de Laodicéia rechaça certos livros canônicos, pois não havia certeza de sua canonicidade naquele tempo. O Concílio de Cartago III, com uma análise mais apurada do tema, pôde admitir tais livros.

Objeção 2: Santo Agostinho diz que os concílios posteriores são os preferidos “entre as gerações posteriores aos [concílios] de data anterior, e o todo é sempre, com razão, visto como superior às partes” (Tratado sobre o batismo, livro 2, cap. 9, 14). Logo, os concílios são falíveis.

Resposta: Santo Agostinho estava contrapondo o Concílio de Cartago sob Cipriano a um Concílio universal (de Arles ou Nicéia). É claro que um Concílio regional pode ser corrigido e preterido a um Concílio universal. Sto. Agostinho explica que para se conservar a unidade de todo o corpo deve-se aceitar o que diz um Concílio universal. Santo Agostinho diz que esse seria o procedimento do próprio São Cipriano se naquele tempo a unanimidade da Igreja, através de um concílio universal, tivesse resolvido a questão sobre o rebatismo.

Objeção 3: Santo Agostinho diz que não dever arguir o Concílio de Nicéia, nem seu adversário o Concílio de Rímini, mas ambos a autoridade da Sagrada Escritura (cf. Contra Maximino e Ário, II, XIV, 3). Logo, não considerou o Concílio de Nicéia infalível.

Resposta: Não se segue. Santo Agostinho apenas estava dizendo que por conta de Maximino não estar preso à autoridade do Concílio de Nicéia nessa disputa, e por Santo Agostinho não estar em relação ao Concílio de Rímini, seria uma perda de tempo que um e outro citassem um Concílio que um ou outro não considerava legítimo. Daí que devessem usar uma fonte que ambos concordassem para argumentar. Santo Tomás de Aquino tem um trecho bastante similar com relação a outras fontes: “os maometanos e pagãos, não convém conosco em admitir a autoridade de alguma parte da Sagrada Escritura, pela que pudessem ser convencidos, assim como contra os judeus podemos disputar pelo Velho Testamento, e contra os hereges pelo Novo. Mas esses não admitem nenhum dos dois. Temos que recorrer, então, a razão natural, que todos se vêem obrigados a aceitar, mesmo quando não tenha muita força nas coisas divinas”. (Suma contra os gentios, livro 1, cap. 2)

[1] On Councils, their nature and authority, St. Robert Bellarmine, SJ. Translated by Ryan Grant, Mediatrix Press. Kindle.

[2] De Locis Theologicis: http://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1509-1560,_Cano_Melchior,_De_Locis_Theologicis,_LT.pdf

[3] Dictionnaire de Théologie Catholique, verbete AUGUSTIN (Saint) . III. Doctrine: http://jesusmarie.free.fr/dictionnaire_de_theologie_catholique_lettre_A.html; Constancio Palomo, SAN AGUSTIN Y LA AUTORIDAD DE LOS CONCILIOS, Salmanticensis. 1961, volume 8, #3. Pages 581-602., este cita vários outros autores.

[4] http://www.newmanreader.org/works/apologia/part5.html

[5] Robert B. Eno, Augustinian Studies 12:133-172 (1981), Doctrinal authority in Saint Augustine, p. 162; Dictionnaire de Théologie Catholique, verbete AUGUSTIN (Saint) . III. Doctrine: http://jesusmarie.free.fr/dictionnaire_de_theologie_catholique_lettre_A.html.

PARA CITAR

SARMENTO, Nelson. Santo Agostinho e a infalibilidade dos Concílios universais. Disponível em < > Desde 31/12/2017.

Papa Francisco denuncia o "pecado" das guerras esquecidas

Papa com membros do P.I.M.E | Vatican News

Em discurso aos redatores da revista "Mundo e Missão" do PIME, que comemora 150 anos de fundação, Papa Francisco falou da importância da missão e de dar voz aos oprimidos. E denunciou o "pecado" das guerras que ensanguentam há anos várias partes do mundo.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

A missão no centro: este foi o aspecto ressaltado pelo Papa ao receber em audiência esta quinta-feira os redatores e colaboradores da revista “Mundo e Missão”, publicada pelo Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME).

A revista foi fundada há 150 anos na região italiana da Lombardia com um espírito de modernidade, pois já promovia naquele período a “Igreja em saída” de que nos fala hoje Francisco.

O primeiro diretor, Padre Giacomo Scurati, e seus colaboradores compreenderam o valor de comunicar a missão, a importância de conhecer os países missionários fora da ótica colonizadora, narrando o encontro entre o Evangelho e as comunidades locais.

Hoje como ontem, são as periferias geográficas e existenciais, que continuam relegadas a um segundo plano. Eis então o desafio apontado por Francisco: “mostrar a beleza e a riqueza das diferenças, mas também as distorções e injustiças de sociedades sempre mais interligadas e, ao mesmo tempo, marcadas por fortes desigualdades”.

O pecado das guerras esquecidas

Trata-se de um modo de fazer jornalismo colocando-se do lado de quem não tem direito de palavra ou não é ouvido, dos mais pobres, das minorias oprimidas, das vítimas das guerras esquecidas.

“Isto eu quero destacar: as guerras esquecidas. Hoje todos estamos preocupados com uma guerra na Europa, às portas da Europa e na Europa, mas há anos existem guerras: há mais de dez na Síria, pensem no Iêmen, pensem em Mianmar, pensem na África. Estes não entram porque não são da Europa culta, a Europa culta… As guerras esquecidas são um pecado, esquecê-las assim.”

Deste modo, a revista cumpre outra sua tarefa específica: colocar a missão no centro; recordar às comunidades cristãs que se olharem somente para si mesmas, perdendo a coragem de sair e de levar a todos a palavra de Jesus, acabam por apagar-se.

Com efeito, partindo em missão, os missionários descobrem que o Espírito Santo chegou antes deles. “Quem partiu para evangelizar, acabou por receber uma Boa Nova.”

Depois de 150 anos, para o Papa esta é razão para publicar uma revista como “Mundo e Missão”: dar voz à esperança que o encontro com Cristo semeia na vida das pessoas e dos povos. Para dizer a todos que um mundo melhor é possível quando, seguindo Jesus, aprendemos a segurar a mão de cada irmão e irmã.

“Avante” foi a exortação final de Francisco, fazendo votos de que redatores e colaboradores se mantenham fiéis às raízes da revista, sempre atentos aos sinais dos tempos e abertos ao futuro de Deus.

Homilia de Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora Aparecida | catequizar
Dom Paulo Cezar Costa
Cardeal Arcebispo de Brasília

Homilia de Nossa Senhora Aparecida

“Estamos celebrando Nossa Mãe, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. O estarmos aqui, nesta grande celebração, aos pés da Virgem Maria toca o profundo do coração de todos nós, pois é a presença materna da Mãe: Mãe de Deus e Nossa Mãe. Sua presença, através esta simples imagem de Aparecida, simboliza a ternura e a proximidade de Deus para conosco. O nosso coração se enche de amor e dele, sai um canto natural de louvor pela proximidade e presença da Mãe. O mistério da sua presença materna toca o mais profundo do nosso ser. O amor nos leva a nos determos diante da proximidade do mistério de Mãe, contemplá – La, desfrutar de sua presença. Diante Dela nos sentimos acolhidos no peso da vida, diante das nossas dores, sofrimentos, sonhos. Nosso coração se comove e a súplica sincera que brota confiante é a expressão de um coração que renunciou à autossuficiencia, reconhecendo que sozinho nada pode.
Maria é mãe e sua presença materna intercede a Deus por nós. A imagem da rainha Ester que suplica ao Rei pelo seu povo preanuncia Maria, que como mãe intercede por seus filhos e filhas, mas não diante do rei, mas diante daquele que é Senhor da História, diante do seu Filho Jesus Cristo, rei do Universo.

Evangelho das Bodas de Caná apresenta uma festa de casamento. Esta festa representa a Aliança de Deus com a humanidade que se deu em Jesus Cristo. Uma festa de casamento que representa a vida de cada um de nós nesta aliança com Deus; a vida pode ser lida como uma festa e nesta festa está a Mulher, Maria. Ela é aquela que aponta para o Filho a falta do vinho: “Eles não têm mais vinho”. O vinho tinha acabado, Israel não tinha mais profetas que falavam em nome de Deus, não tinham mais vinho. Também, na nossa festa, quantas vezes o vinho parece ter acabado. Quando bate o sofrimento, a doença, a falta de dinheiro, os problemas, parece que o vinho acabou. É preciso, nestes momentos ter a sua presença materna. Ela sempre dirá ao Filho: “eles não têm mais vinho”.
O Filho, Jesus Cristo, lhe objeta: Minha hora ainda não chegou. Jesus está falando do seu sacrifício, da sua morte na cruz. A cena que contemplamos no Evangelho, está intimamente ligada à morte de cruz de Jesus. Esta é a hora de Jesus. E nesta hora Ela estará aos pés da cruz e receberá a cada um de nós como filhos e filhas. Ela é nossa mãe. Na hora que o seu Filho morria, Ele nos deu a sua mãe como nossa mãe. Ela é nossa mãe. Diante dela, é preciso nos sentirmos filhos e filhas.
Mas a festa de Caná, continua e a mulher aponta para os servos, para aqueles que estavam servindo: “fazei tudo o que ele vos disser”. Os servos, nesta cena, são descritos com a palavra grega diakonos. Diakonos significa o discípulo. Maria diz aos discípulos que façam tudo o que o seu Filho mandar. Aqui tem-se um texto rico de significado. A mãe, nesta sena, nos aponta a vontade do Filho, mas onde está contida a vontade do Filho? Onde encontrar a vontade do Filho? A vontade do Filho se encontra nas Escrituras, na Palavra de Deus, principalmente nos Evangelhos. A palavra de Deus deve estar presente na festa da nossa vida, alimentando a nossa vida de seguidores e seguidoras de Jesus Cristo. Por isso, a importância de se ler um pequeno trecho da Bíblia cada dia. Sugiro que você leia e medite evangelho do dia. É a Palavra de Deus que vai formando o nosso coração de amigos e amigas de Deus, muda a nossa vida e dá sentido ao ser e agir, corrigindo posturas e aderindo ao modo de ser, de pensar e de agir de Jesus Cristo”1.
Se na cena de Caná, a mulher (Maria) aponta para os discípulos a vontade do Filho, na cruz Ela se torna mãe do discípulo. Há um crescente no papel da Virgem Maria, que não é lembrada com o próprio nome (Maria), mas vem designada por mulher. O uso do termo mulher, traz toda uma rica densidade. Mulher relembra a Primeira mulher, Eva; relembra a Sião do Antigo Testamento. O sinal de Caná da Galiléia é de natureza messiânica, isto é, se relaciona com a obra do Messias, com a obra de Jesus Cristo.
Na economia da Nova Aliança, sancionada com o Mistério Pascal, a mãe de Jesus se torna personificação da Nova Jerusalém, ou seja, da Filha de Sião à qual os profetas dirigem seus vaticínios sobre os últimos tempos. E assim como na linguagem bíblico-judaica Jerusalém, como também o povo eleito, eram geralmente representados sob a imagem de uma “Mulher”, assim se compreende por que Jesus se dirige à Mãe com o apelativo de “Mulher”. Em Maria, Jesus aponta a personificação da Nova Jerusalém – Mãe, isto é, a Igreja Mãe. Temos uma transposição da imagem da Jerusalém para a Mãe de Jesus. A Mãe de Jesus é mãe universal dos filhos de Deus dispersos, unificados na pessoa de Cristo, que ela revestiu de nossa carne no seu seio materno. Sendo Mãe de Jesus, aos pés da cruz Maria é declarada Mãe dos que são uma só coisa com Jesus, em razão da fé2• Ela é mãe dos discípulos e discípulas de Jesus que somos todos nós.

Através da palavra do Filho: “Enchei de água as talhas” e eles encheram e ainda: “Tirai e levai ao mestre sala”. Há a transformação da água em vinho. Só Jesus podia mudar a água em vinho e transformou. O vinho significa os bens messiânicos: sua palavra, seus milagres, sua salvação, sua presença no meio dos homens. É ele o vinho novo que quer continuar a dar sentido à nossa vida. Sem o vinho que ele nos trouxe a nossa vida fica mais pobre, fica sem sentido, nós vamos perdendo o brilho nos olhos. A festa da nossa vida vai ficando sem sentido. Quando o vinho vem a faltar a tristeza toma conta, a desunião, as desavenças. Sem o vinho de Jesus Cristo vamos perdendo os grandes referenciais da vida humana, pois só “Nele o ser humano encontra o verdadeiro sentido da vida humana”. Em Cristo, o homem encontra o que é ser homem. Nele, o ser humano encontra o seu caminho, pois o mistério de Cristo revela ao homem o que é ser homem, pois Cristo é o homem segundo o projeto de Deus. A um homem que corre o risco de perder o sentido do que é ser homem, pois vai perdendo a sua origem e o seu destino, a Igreja lhe apresenta Cristo, ele é o sentido do homem. Somente Nele, encontramos a nossa verdadeira vocação. É preciso, na festa do nossa vida ter os olhos fixos em Jesus Cristo. É preciso viver da beleza de Cristo, testemunhá-lo, contemplá-lo. São João Paulo li diz que “o nosso testemunho será pobre se não formos antes, contempladores do rosto de Cristo”. Sermos contempladores do rosto de Cristo, aqui está o segredo para o caminho da nossa vida e para o nosso caminho de Igreja arquidiocesana.
Talvez, neste momento de escolha do novo presidente, de polarização, que em si não é um mal, mas que está dividindo as famílias, criando ódio, peçamos à mãe que interceda por nós: “Eles não têm mais vinho”. Que nos dê o vinho da unidade, da convivência fraterna, que nos ajude a nos respeitarmos nas nossas diferenças.
O Evangelho termina dizendo que naquela festa de casamento foi manifestada “a glória de Jesus e seus discípulos creram Nele”. Deus, no AT, revela a sua glória através das suas obras. Jesus, em Caná, através do milagre revela a sua messianidade, a sua divindade. Esta revelação conduz os discípulos à experiência da fé em Jesus. A fé nos dá a certeza de que não estamos sozinhos na vida do dia a dia, que o Senhor caminha conosco, que nos assiste, que é uma presença na nossa vida.
Nós temos uma mãe gloriosa no céu, mas que olha pelos seus filhos e filhas. Aparecida nos relembra isso, quando em 1717, o conde de Assumar, passava pela Vila de Guaratinguetá e deviam lhe oferecer um banquete. Vão pescar, mas não é tempo de pesca. Lançam as redes e apanham a imagem: primeiro o corpo, depois a cabeça. Mas não era uma simples imagem e Deus deu o sinal com a pesca dos peixes em seguida. A partir daquele fato, a presença materna de Maria na vida dos brasileiros se encheu de luz. Sentimos que a sua presença materna caminha conosco. Sentimos que na festa da nossa vida há uma mãe, que sempre nos aponta para o seu Filho, para a sua vontade, que nunca deixa que falte o vinho da alegria, da esperança que o s
eu Filho nos trouxe, Amém.”

Santo Eduardo, o confessor

S. Eduardo | arquisp
13 de outubro

Santo Eduardo, o confessor

O “bom rei Eduardo”, como o chamavam seus súditos, deixou uma bela recordação de si, antes de tudo por haver abolido algumas leis injustas. A seguir, por causa do temperamento suave e generoso. Instaurou um período de paz e prosperidade na Inglaterra, depois de longas contendas entre o partido normando e o anglo-saxão.

Por amor à paz desposou a culta Edite Golwin, filha de seu mais irredutível adversário, o astuto barão Golwin. Este ficou convencido de haver realizado seu sonho de governar o país: receberia carta branca do piedoso monarca, que deixaria em suas mãos a administração de todo o Estado, a fim de cultivar sem preocupação seu hobby, a caça, e dedicar-se à oração e à ascese cristã.

O jovem rei desfrutava a fama de santidade e era já chamado de “confessor” — talvez para distingui-lo do avô, Eduardo, o Mártir, assassinado por ordem de sua madrasta.

Mas o barão havia feito um cálculo errado, pois o jovem rei Eduardo, ao perceber as intenções do sogro, exilou-o do reino e encerrou Edite em um convento. Mas por pouco tempo: apaixonado pela mulher, chamou-a para junto de si. Segundo os biógrafos do santo, ambos fizeram voto de virgindade de comum acordo. Não faltavam ilustres exemplos também na história das casas reinantes da Europa.

Filho do rei Etelredo II, o Irresoluto, Eduardo tinha vivido no exílio junto com os parentes maternos, de 1014 a 1041, na Normandia. Então fez voto de realizar uma peregrinação a Roma se obtivesse a graça de poder voltar à pátria. Quando, por fim, pôs os pés na Inglaterra e tomou posse do trono, quis cumprir seu voto, mas foi dispensado pelo papa.

Em troca, depois de haver socorrido os mais pobres do reino com o dinheiro da viagem, restaurou a abadia de Westminster, na qual foi depois sepultado.

Morreu a 5 de janeiro e seu corpo, encontrado ainda intacto depois de 50 anos, foi trasladado solenemente para a igreja abacial a 13 de outubro de 1162, o ano seguinte ao de sua canonização.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

A vida não é o faz de conta que você criou

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Por Talita Rodrigues

Não, a vida não é fácil como você gostaria. E é justamente por isso que ela é tão bela.

Atualmente, tenho percebido que boa parte das pessoas que buscam por um psicólogo o fazem pelo medo da solidão, do abandono, da dificuldade de lidar com relacionamentos ruins ou insatisfações relacionadas à carreiras. Situações que, em sua maioria, decorrem de escolhas erradas e da imaturidade.

Ter um trabalho estável, sustentar-se e ter saído da casa dos pais não garantem maturidade emocional. E sem maturidade emocional você não tem a plena capacidade de se instalar na realidade e assumir a liderança da própria vida. 

Achar que todos os problemas serão resolvidos quando você encontrar um amor e se casar é um grande erro. Você também não terá o poder de transformar o seu parceiro num príncipe encantado ou em uma princesa, para viver o “faz de conta” que você criou. Amargo? Sim. Verdadeiro? Com certeza.

Nada de birras!

Você não será capaz de conseguir o que tanto deseja em qualquer âmbito da sua vida, elevando o seu tom de voz, batendo o pé ou discutindo e se enfurecendo até explodir, como você fazia quando era uma menininha ou um menininho. Se você estiver diante de uma pessoa madura, você terá que superar esse modo infantil de lidar com todos os seus problemas.

Não, a vida não é fácil como você gostaria. As pessoas não irão atender a todos os seus desejos e não adianta nada você levar isso dentro de você. Não adianta remoer. Só deixe doer. 

Você precisará reduzir os seus desejos e expectativas entre a realidade que cabe hoje, e amadurecer.

Somente uma vida ordenada é capaz de trazer o sentido para lidarmos com tudo aquilo que, por vezes, parece não fazer sentido. Ter uma vida ordenada exige renúncia e escolha. Você precisará realizar uma escolha que certamente partirá o seu coração, mas que vai manter você caminhando. E no caminho certo. 

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Fonte: https://pt.aleteia.org/

Por que o número 13 é importante nas aparições de Nossa Senhora de Fátima?

Nossa Senhora de Fátima. Crédito: Igreja em Valladolid (CC BY-SA 2.0)

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Out. 22 / 08:00 am (ACI).- As principais aparições da Virgem Maria em Fátima (Portugal) aconteceram nos dias 13 de cada mês, um número com um grande significado que mostra a relação da Mãe de Deus com a salvação do mundo.

Em uma artigo de National Catholic Register, o escritor e autor do livro “Fruits of Fatima – Century of Signs and Wonders”, Joseph Pronechen, disse que os números têm um “grande significado e simbolismo parao povo judeu”.

“Eram dados significados particulares aos números no Antigo Testamento que continuaram no Novo e foram mencionados pelos Padres da Igreja”, afirmou.

Pronechen ressaltou que o número 13 nas aparições da Virgem de Fátima tem uma conexão com a história bíblica de Ester, que foi considerada pelos Padres da Igreja “como uma representação da Santíssima Virgem Maria” no Antigo Testamento.

Ester fazia parte dos exilados judeus na Pérsia, onde seu tio Mordecai, um servo diligente do rei, cuidava dela. O rei Assuero precisava de uma rainha e, de todas as mulheres, decidiu escolher Ester.

“Ele amava Esther mais do que todas as outras mulheres; de todas as virgens, ela conquistou seu favor e devoção, então ele colocou a coroa real em sua cabeça e a fez rainha", sem saber que ela era judia, citou Pronechen em seu artigo.

Hamã, que tinha ciúmes da posição de Mordecai, enganosamente conseguiu ser o braço direito do rei e decretou que no dia 13 do mês judaico de Adar todos os judeus no reino deveriam morrer.

Pronechen disse que, diante dessa sentença, Ester revela sua origem judaica e os planos de Hamã ao rei, o qual "ficou indignado com a transgressão, decretou morte ao vilão e deu a ordem para salvar os judeus".

O dia 13, “dia em que os inimigos dos judeus esperavam ganhar poder sobre eles, tornou-se um dia em que os judeus ganharam poder sobre seus inimigos”, afirmou o escritor. Ester salvou seu povo. Eles viveram ”.

Pronechen destacou que esta relação mostra que, na sua aparição em Fátima, a Virgem Maria “veio para salvar o seu povo, mostrando-lhes o caminho certo a seguir”.

Além disso, disse que na Enciclopédia Católica New Advent recorda-se que Ester "vem do hebraico que significa 'estrela' e 'felicidade'" e sublinhou que Irmã Lúcia dos Santos, uma das três videntes de Fátima, indicou ao Pe. Thomas McGlynn que a Virgem "sempre teve uma estrela em sua túnica".

“O céu estava novamente fazendo a conexão para nos dizer que Maria viria a Fátima também para salvar seu povo e a Igreja do mal”, afirmou.

Disse também que a Virgem nos orienta a rezar o Rosário, mensagem que se reflete especialmente durante a sua aparição em Fátima no dia 13 de outubro, mês que a Igreja dedica ao Santo Rosário, onde se identificou como Nossa Senhora do Rosário.

O escritor destacou que em uma conversa entre Irmã Lúcia e alguns frades carmelitas, ela assinalou que “o escapulário e o Rosário são inseparáveis. O escapulário é um sinal de consagração a Nossa Senhora”.

“Foi no século XIII que Nossa Senhora deu o Rosário a Santo Domingo. E foi novamente no século XIII que também deu a São Simão Stock o escapulário marrom”, disse Pronechen.

Por fim, destacou que a Virgem Maria conduz os fiéis à Sagrada Eucaristia, e suas aparições no dia 13 de cada mês têm relação com o Espírito Santo, ao ser treze pessoas no total, ela e os doze apóstolos, os que estiveram na vinda do Espírito Santo em Pentecostes.

“O número '13' ligado a Fátima, direta ou indiretamente, é outra razão pela qual a mensagem e o significado de Fátima devem ser relevantes para nós”, concluiu.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF