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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Formar o caráter na virtude

Formar o caráter na virtude (Opus Dei)
13/07/2015

Formar o caráter na virtude

A maturidade cristã implica tomar as rédeas de nossa vida, perguntar-nos, de verdade, diante de Deus, o que ainda nos falta.

«Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: "Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?» [1]. Nós, discípulos do Senhor, presenciamos a cena com os Apóstolos, e talvez nos surpreendamos diante da resposta: «Por que me chamas bom? Só Deus é bom» [2]. Jesus não dá uma resposta direta. Com suave pedagogia divina, quer conduzir aquele jovem para o sentido último de suas aspirações: «Jesus mostra que a pergunta do jovem é, na verdade, uma pergunta religiosa, e que a bondade que atrai e simultaneamente vincula o homem, tem a sua fonte em Deus, mais, é o próprio Deus, o único que é digno de ser amado “com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente”». [3]

Para entrar na Vida

Logo, o Senhor retorna àquela consulta audaz: o que devo fazer? «Se queres entrar na vida, – responde – observa os mandamentos» [4]. Tal como o apresentam os evangelhos, o jovem é um judeu piedoso que poderia ter ido embora satisfeito com esta resposta; o Mestre confirmou suas convicções, porque o remete aos mandamentos que observou desde a sua adolescência [5]. Porém, quer ouvi-lo da boca deste novo Rabi que ensina com autoridade. Intui, e não se engana, que pode abrir-lhe horizontes inéditos. «Quais?» [6], pergunta. Jesus recorda-lhe os deveres relacionados com o próximo: «Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo» [7]. São os preceitos – a chamada segunda tábua – que protegem «bem da pessoa, imagem de Deus, mediante a proteção dos seus bens» [8]. Constituem a primeira etapa, a via para liberdade, não a liberdade perfeita, como observa Santo Agostinho [9]; dito de outro modo, são a fase inicial no caminho do amor, mas não no amor maduro, plenamente realizado.

Que me falta ainda?

O jovem conhece e vive estas prescrições, mas algo em seu interior pede-lhe mais; tem que haver – pensa – algo mais que possa fazer. Jesus lê no seu coração: «fixou nele o olhar, amou-o» [10]. E lança o maior desafio de sua vida: «Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu» [11]. Jesus Cristo pôs aquele homem perante a sua consciência, a sua liberdade, o seu desejo de ser melhor. Não sabemos até que ponto entendeu as exigências do Mestre, apesar de que pela sua pergunta – que me falta ainda? –, parece que teria esperado outras “coisas para fazer”. As suas disposições são boas, embora talvez ainda não houvesse entendido a necessidade de interiorizar o sentido dos mandamentos do Senhor.

A vida a que Deus chama não consiste somente em fazer coisas boas, mas em «ser bons», virtuosos. Como costumava precisar nosso Padre [12], não basta ser bonzinhos, mas retos, de acordo com o panorama imenso – “só Deus é bom” [13] – que Jesus abre diante de nós.

A maturidade cristã implica tomar as rédeas da nossa vida, perguntar-nos de verdade, diante de Deus, o que ainda nos falta. Estimula-nos a sair do cômodo refúgio de quem é um cumpridor da lei para descobrir que o que importa é seguir Jesus, apesar dos próprios erros. Deixamos então que seus ensinamentos transformem nosso modo de pensar e de sentir. Experimentamos que nosso coração, antes pequeno e encolhido, se dilata com a liberdade que Deus pôs nele: «correrei pelo caminho de vossos mandamentos, porque sois vós que dilatais meu coração» [14]

O desafio da formação moral

O jovem não esperava que “a coisa que faltava” era precisamente pôr a sua vida aos pés de Deus e dos outros, perdendo sua segurança de cumpridor. E se afastou triste, como acontece a todo aquele que prefere seguir exclusivamente a sua própria rota, em vez de deixar que Deus o guie e surpreenda. Deus nos chamou para viver com sua liberdade – «hac libertate nos Christus liberavit» [15] – e, no fundo, nosso coração não se conforma com menos.

Amadurecer é aprender a viver de acordo com ideais altos. Não se trata simplesmente de conhecer uns preceitos ou adquirir uma visão cada vez mais afinada das repercussões dos nossos atos. Decidir-se a ser bons – santos, em última instância – supõe identificar-se com Cristo, sabendo descobrir as razões do estilo de vida que Ele nos propõe. Implica, portanto, conhecer o sentido das normas morais, que nos ensinam a que bens devemos aspirar, como devemos viver para alcançar uma existência plena. E isto se consegue incorporando as virtudes cristãs ao nosso modo de ser.

Os pilares do caráter

O saber moral não é um discurso abstrato, nem uma técnica. A formação da consciência requer um fortalecimento do caráter que se apoia sobre as virtudes como seus pilares. Estas assentam a personalidade, estabilizam-na, transmitem-lhe equilíbrio. Capacitam-nos a sair de nós mesmos, do egocentrismo, e dirigir o foco dos nossos interesses para fora de nós, para Deus e para os outros. A pessoa virtuosa está centrada, possui medida em todo, é reta, íntegra. Em troca, quem carece de virtudes dificilmente será capaz de empreender grandes projetos ou de realizar grandes ideais. Sua vida será feita de improvisações e oscilações, de modo que não será confiável, nem sequer para si mesma.

Cultivar as virtudes expande a nossa liberdade. A virtude não tem nada a ver com o acostumar-se ou com a rotina. É claro que não basta uma única ação para que um hábito operativo bom arraigue, para que se solidifique no nosso modo de ser e leve- nos a realizar o bem com mais facilidade. A repetição sucessiva ajuda os hábitos a se estabilizarem: tornamo-nos bons sendo bons. Repetir a resolução de estudar na hora marcada, por exemplo, faz que a segunda vez nos custe menos que a primeira, e a terceira menos que a segunda, mas é preciso perseverar na determinação de começar a estudar para manter o hábito de estudo, senão este se perde.

A renovação do espírito

As virtudes, humanas e sobrenaturais, orientam-nos para o bem, para o que satisfaz as nossas aspirações. Ajudam-nos a alcançar a autêntica felicidade, que consiste em unir-se a Deus: «Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste» [16]. Conferem facilidade para atuar de acordo com os preceitos morais, que não são vistos somente como normas a cumprir, mas como um caminho que conduz à perfeição cristã, à identificação com Jesus Cristo de acordo com o estilo de vida das bem-aventuranças, que são como o retrato de seu rosto e «falam de atitudes e disposições de fundo da existência» [17] que levam à vida eterna.

Abre-se, então, um caminho de crescimento na vida cristã, segundo as palavras de São Paulo: «transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito» [18]. A graça muda o modo de julgarmos os diversos acontecimentos, e dá-nos critérios novos para atuar. Progressivamente, aprendemos a ajustar nosso modo de ver as coisas à vontade de Deus, que se expressa também na lei moral, de modo que amamos o bem, a vida santa, e saboreamos «o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito» [19]. Alcança-se uma maturidade moral e afetiva com sentido cristão, que leva a apreciar com facilidade o que é autenticamente nobre, verdadeiro, justo e belo, e a repelir o pecado, que ofende a dignidade dos filhos de Deus.

Este caminho leva a formar, como dizia São Josemaria, uma «alma de critério» [20]. Mas, quais são as características deste critério? Em outro momento, ele mesmo acrescenta: «o critério implica maturidade, firmeza de convicções, conhecimento suficiente da doutrina, delicadeza de espírito, educação da vontade» [21]. Que grande retrato da personalidade cristã! Uma maturidade que nos ajuda a tomar decisões com liberdade interior e fazê-las próprias, ou seja, com a responsabilidade de quem sabe prestar conta delas. Ter convicções fortes seguras, baseadas num conhecimento profundo da doutrina cristã que alcançamos através de aulas ou palestras de formação, leituras, reflexão e, especialmente, do exemplo dos outros, pois as «verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão» [22]. Isto é combinado com a delicadeza de espírito, que se traduz em afabilidade com as pessoas, e com a educação da vontade, que consiste em viver uma vida virtuosa. Uma «alma de critério», portanto, sabe perguntar-se nas diversas circunstâncias: o que espera Deus de mim? Pede luzes ao Espírito Santo, recorre aos princípios que assimilou, aconselha-se com quem pode ajudá-lo, e sabe atuar em consequência.

Fruto do amor

Assim entendido, o comportamento moral – que se concretiza em viver os mandamentos com a força da virtude – é fruto do amor, que nos compromete na busca e promoção do bem. Um amor assim vai além do sentimento, que por sua própria natureza é flutuante e fugaz: não depende dos humores do momento, do que me agrada, ou do que gostaria em determinada circunstância. Pelo contrário, amar e ser amado supõe uma doação de si, que se fundamenta na alegria que um coração sente ao saber-se amado por Deus e ao aspirar aos grandes ideais pelos quais vale à pena empenhar a liberdade: «Na entrega voluntária, em cada instante dessa dedicação, a liberdade renova o amor, e renovar-se é ser continuamente jovem, generoso, capaz de grandes ideais e de grandes sacrifícios» [23]

A perfeição cristã não se limita ao cumprimento de umas normas, mas também não consiste no desenvolvimento isolado de capacidades como o autocontrole ou a eficiência. Impulsiona a entrega da liberdade ao Senhor, a responder ao seu convite: «vem e segue-me» [24], com a ajuda de sua graça. Trata-se de viver segundo o Espírito [25], movidos pela caridade, de modo que se deseja servir aos outros, e se compreende que a lei de Deus é o melhor caminho para praticar esse amor escolhido livremente. Não é questão de cumprir regras, mas de aderir a Jesus, de compartilhar a sua vida e o seu destino, obedecendo amorosamente à vontade do Pai.

Sem ser perfeccionistas

Este empenho por amadurecer em virtudes é alheio a qualquer desejo narcisista de perfeição. Lutamos por amor a nosso Pai Deus, é nEle que temos nosso olhar fixo e não em nós mesmos. Convém, portanto, descartar a tendência ao perfeccionismo, que talvez poderia surgir se considerássemos a nossa luta interior erroneamente de acordo com critérios de eficácia, precisão, rendimento..., muito em voga em alguns contextos profissionais, mas que diluem a vida moral cristã. A santidade consiste principalmente em amar a Deus.

De fato, a maturidade leva a harmonizar o desejo de atuar bem, com as limitações reais que experimentamos em nós mesmos e nas outras pessoas. Em algumas ocasiões podemos sentir vontade de dizer com São Paulo: «Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço (...). Sou um homem infeliz! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?» [26]. Sem dúvida, não perdemos a paz, pois Deus nos diz o mesmo que ao Apóstolo: «Basta-te a minha graça» [27]. Enchamo-nos de agradecimento e esperança, pois o Senhor conta com as nossas limitações, contanto que nos impulsionem a converter-nos, a recorrer à sua ajuda.

De novo aqui, o cristão encontra uma explicação na primeira resposta de Jesus ao jovem: «Só Deus é bom» [28]. Da bondade de Deus vivemos nós, seus filhos. Ele nos dá a força para orientar toda nossa vida para o que realmente é valioso, compreender o que é bom e amá-lo, de nos prepararmos para a missão que Ele nos confiou.

J.M. Barrio e R. Valdés


[1]Mc 10, 17.

[2]Mc 10, 18.

[3]São João Paulo II, Enc. Veritatis splendor (6-08-1993), n. 9. Cf. Mt 22, 37.

[4]Mt 19, 17.

[5]Cf. Mc 10, 20.

[6]Mt 19, 18.

[7]Mt 19, 18-19.

[8]São João Paulo II, Enc. Veritatis splendor, n. 13.

[9]Cf. In Ioannis Evangelium Tractatus, 41, 9-10 (cit. em Veritatis splendor, n. 13).

[10]Mc 10, 21.

[11]Ibid.

[12]Cf. Caminho, n. 337.

[13]Mt 19, 17.

[14]Sl 118 (119), 32.

[15]Gal 5, 1

[16]Jo 17, 3.

[17]São João Paulo II, Enc. Veritatis splendor, n. 16.

[18]Rm 12, 2.

[19]Ibid.

[20]Caminho, ao leitor.

[21]Questões atuais do cristianismo, n. 93.

[22]Bento XVI, Enc. Spe salvi (30-XI-2007), n. 49.

[23]Amigos de Deus, n. 31.

[24]Mc 10, 21.

[25]Cf. Ga 5, 16.

[26]Rm 7, 15.24

[27]2 Cor 12, 9.

[28]Mt 19, 17.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Exercícios Espirituais com o cardeal Cantalamessa (VI)

Exercícios Espirituais - Cardeal Cantalamessa (Vatican Media)

De 19 a 24 de fevereiro, é proposto um minuto com o pregador da Casa Pontifícia para rezar com o Papa e a Cúria Romana através das redes sociais do Vatican News.

Vatican News

Nesta semana em que o Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana estão fazendo os Exercícios Espirituais da Quaresma, o Vatican News propõe em suas redes sociais X, Facebook, Instagram e WhatsApp uma reflexão por dia, de 19 a 24 de fevereiro, do pregador da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa.

"Pediram-me para compartilhar com vocês, durante seis dias, uma reflexão de cerca de um minuto. Existem, no mundo, poucas palavras capazes de dizer em um minuto o suficiente para preencher um dia e, de fato, uma vida: aquelas que saem da boca de Jesus. Oferecerei a vocês uma de cada vez, pedindo-lhes que a 'mastiguem' durante todo o dia, como se fosse uma goma de mascar da alma", disse o cardeal Cantalamessa.

A reflexão do cardeal

A palavra que lhes ofereço hoje a "saborear" é uma palavra doce como o mel. Estou feliz em encerrar com ela porque assim continuará, espero, a ressoar dentro de vocês por um longo tempo. Jesus dirigiu esta palavra aos discípulos no momento de se despedir deles, mas, como toda palavra de Cristo, esta é destinada a cada discípulo, de todos os tempos: "Vós sereis meus amigos. Já não vos chamarei servos, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer".

"Vós sereis meus amigos!" Quero lhes fazer, a este propósito, uma pequena confidência. Num encontro de oração muitos anos atrás, uma mulher abriu a Bíblia e leu o trecho do Evangelho de João onde se encontra aquela palavra. Eu a tinha ouvido não sei quantas vezes, mas naquele momento a palavra "amigos" eclodiu, não encontro termo mais apto do que este, dentro de mim. Acontece com as palavras da Escritura, e somente com elas. E é sempre a mesma pessoa a acender o estopim: o Espírito Santo.

Comecei a repetir dentro de mim: "Amigo?!", Jesus de Nazaré, o meu Senhor, o Onipotente, aquele que morreu por mim, me chamou de amigo e Ele jamais diz palavras vazias... Portanto, sou realmente para Ele um amigo, uma pessoa querida! Voltando ao meu convento do encontro, me parecia que com aquela certeza se poderia voar sobre os tetos da cidade, como se vê em certas pinturas de Chagall.

Queira o céu que aquela palavra "amigo" ecloda também dentro de você que está ouvindo e se ilumine toda a sua vida!

Boa Quaresma e, desde já, Boa Páscoa!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Dioceses do Piauí não cobrarão mais espórtulas por sacramentos

Foto ilustrativa do sacramento do batismo | Shutterstock/Sweet marshmallow)

O Regional Nordeste IV da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu “abolir as espórtulas dos sacramentos: batismo, crisma, eucaristia e matrimônio”. O decreto assinado no último dia 16 só entra em vigor em 24 de dezembro deste ano.

“Nós entendemos que esta decisão é fruto de um processo que vem sendo amadurecido no nosso nível de reflexão e de experiência de fé, que fazemos junto aos fiéis e aos padres para que, de fato, a gente busque os caminhos de sustentação da nossa igreja, não através da administração dos sacramentos”, disse à ACI Digital, o bispo de Oeiras (PI), dom Edilson Soares Nobre, secretário do Regional do Nordeste IV, que abarca todas as dioceses do Estado do Piauí.

Segundo dom Edilson esta “supressão das contribuições das espórtulas dos sacramentos” não indica que as paróquias do Piauí tenham “dinheiro sobrando”.

“Como é do conhecimento de todos, o Piauí dentro do contexto do Brasil é o Estado pobre, que tem um índice significativo de pessoas que vivem em situação de desemprego, em situação elevada de desemprego”, mas esta determinação está “desvinculando a ajuda da manutenção” para a preservação “da igreja, desvinculando isto da administração dos sacramentos”.

“Portanto, neste mesmo decreto que nós publicamos, nós deixamos claro que os fiéis tem a sua obrigação para com a manutenção das nossas comunidades”, destacou o bispo. O Código de Direito, no cânon 222 — § 1, diz que “os fiéis têm a obrigação de prover às necessidades de Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade, e para a honesta sustentação dos seus ministros”.

A resolução tomada no Piauí também frisa que, “quanto às espórtulas de missas, estas ficam eliminadas para todas as celebrações paroquiais ordinárias da paróquia”, e as “celebrações em horários extraordinários ou que impliquem deslocamento, a oferta é livre, ficando sua regulamentação ao encargo de cada diocese”.

“Nós no mesmo decreto interpelamos os nossos fiéis, os leigos, todas as pessoas, os padres, todo mundo, os clérigos para juntos trabalharmos na evangelização e na compreensão da partilha do dízimo. Para que as pessoas realmente contribuam com a sua igreja não porque receberam o sacramento, mas contribuam com a sua igreja pela consciência de ser igreja”, disse o bispo. “Isto é um processo fruto de uma ação evangelizadora se atingirmos este nível, é sinal de maturidade, e nós acreditamos nisto e por isso tomamos esta decisão”.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Por que Jesus é “Senhor”?

Jesus Cristo (Dmitry Kalinovsky)

A oração cristã é marcada pelo título “Senhor”, quer se trate do convite à oração “o Senhor esteja convosco” ou da conclusão da oração, “por Jesus Cristo nosso Senhor”.

Luís Eugênio Sanábio e Souza -  escritor,  Juiz de Fora – MG

Na Bíblia, o título Senhor designa a soberania divina.   Jesus atribui-o a si mesmo (João 13,13)  e revela a sua soberania divina através do poder sobre a natureza, sobre os demônios, sobre o pecado e sobre a morte, sobretudo com a sua Ressurreição.   Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, a Igreja afirma, desde o início, que o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus,  por ser Ele  “de condição divina”  (Filipenses 2,6) e ter o Pai manifestado esta soberania de Jesus ressuscitando-o dos mortos e exaltando-o em sua glória (Romanos 10,9).   A oração cristã é marcada pelo título “Senhor”, quer se trate do convite à oração “o Senhor esteja convosco” ou da conclusão da oração, “por Jesus Cristo nosso Senhor”.   No Credo, assim rezamos: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.  Por Ele todas as coisas foram feitas.  E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus”.  No ano 451, o Concílio de Calcedônia professou “que o único e idêntico Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, é Ele mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, consubstancial ao Pai segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade; gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade”.   O apóstolo Pedro pôde dizer que Jesus Cristo “é o Senhor de todos” (Atos dos apóstolos 10,36).  O apóstolo Paulo, dirigindo-se à comunidade de Corinto, escreve: “Porque, embora digam haver deuses no céu e na terra, (na verdade são muitos esses deuses e esses senhores)  para nós há um só Deus: o Pai, de quem tudo procede e para o qual fomos criados; e há um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual também nós existimos” (1 Coríntios 8,5-6).

O Concílio Vaticano II nos lembra que  “a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram em seu Senhor e Mestre” (GS 10,2).  O Concílio acrescenta: “Com efeito, o próprio Verbo de Deus, por quem tudo foi feito, fez-se homem, para, homem perfeito, a todos salvar e tudo recapitular. O Senhor é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações” (GS 45).

A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Deus e portanto ninguém pode dizer “Jesus é Senhor” a não ser pela ação do Espírito Santo  (1 Coríntios 12,3).   

Compreende-se, portanto, que, em obediência ao mandato do Senhor (Mateus 28,19-20) e como exigência do amor para com todos os homens, a Igreja anuncia e tem o dever de anunciar constantemente a Cristo, que é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14,6), no qual os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou todas as coisas consigo.

“A Igreja, com efeito, movida pela caridade e pelo respeito da liberdade, deve empenhar-se, antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade, definitivamente revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da conversão a Jesus Cristo e da adesão à Igreja através do Batismo e dos outros sacramentos, para participar de modo pleno na comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo.  Aliás, a certeza da vontade salvífica universal de Deus não diminui, antes aumenta, o dever e a urgência do anúncio da salvação e da conversão ao Senhor Jesus Cristo”  (Congregação para a Doutrina da Fé:  Declaração Dominus Iesus nº 22).

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Ainda não está com disposição para a Quaresma? Inspire-se nos santos

Em oração | Obturador
Por Mónica Muñoz publicada em 23/02/24
A oração, o jejum e a esmola são essenciais para viver bem a Quaresma e ter uma autêntica conversão espiritual, por isso inspire-se nestes santos!

A Quaresma está passando em breve, e se você ainda não está nela, pode se inspirar em alguns santos que nos ajudam a lembrar que a experiência da oração, do jejum e da esmola – isto é, da misericórdia para com o próximo – deve estar presente todos os dias para alcançar a verdadeira conversão e ter frutos espirituais.

Recordemos o que nos diz o Papa Francisco na sua Mensagem para a Quaresma deste ano:

«Deus não se cansa de nós. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos dirige novamente: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirei do Egipto, de um lugar de escravidão” ( Ex  20, 2). É tempo de conversão, tempo de liberdade.

Por isso, apresentamos uma compilação de algumas frases de santos que nos remetem ao sentido da Quaresma para não desanimar no caminho e pedir a ajuda de Deus para que possamos chegar ao Tríduo Pascal bem preparados para seguir os passos de Jesus, nosso Senhor.

Viva a Quaresma de mãos dadas com estes santos:


Fonte: https://es.aleteia.org/

Papa no Angelus: Abramo-nos à luz de Jesus

Angelus de 25/02/2024 com Papa Francisco (Vatican Media)

Durante o Angelus deste domingo (25/02), Francisco incentiva-nos a manter sempre os nossos olhos fixos no rosto luminoso de Jesus: “Ele é amor e vida sem fim. Ao longo das trilhas da existência, às vezes tortuosas, busquemos sua face, repleta de misericórdia, de fidelidade e de esperança”, destaca o Pontífice.

Thulio Fonseca - Vatican News

Mesmo se recuperando de uma “leve gripe”, conforme comunicado ontem (24/02) pela Sala de Imprensa do Vaticano, o Papa compareceu ao seu compromisso dominical: a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua reflexão, Francisco meditou sobre o Evangelho deste segundo domingo da Quaresma (25/02), que narra o episódio da Transfiguração de Jesus (cf. Mc 9,2-10).

O Santo Padre recordou que "depois de anunciar sua Paixão aos discípulos, Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João, sobe um alto monte e ali se manifesta fisicamente com toda a sua luz, revelando a eles o sentido do que tinham vivido juntos até aquele momento".

A pregação do Reino, o perdão dos pecados, as curas e os sinais realizados eram, de fato, centelhas de uma luz ainda maior: "a luz de Jesus, a luz que é Jesus", enfatizou o Papa.

Jamais desviar os olhos da luz de Jesus

Segundo Francisco, é isso que os cristãos são chamados a fazer no caminho da vida: "ter sempre diante dos olhos o rosto luminoso de Cristo". 

“Abramo-nos à luz de Jesus! Ele é amor e vida sem fim. Ao longo das trilhas da existência, às vezes tortuosas, busquemos sua face, repleta de misericórdia, de fidelidade e de esperança.”

Cultivar um olhar atento

O Pontífice destacou que a oração, a escuta da Palavra, os Sacramentos, especialmente a Confissão e a Eucaristia, são importantes auxílios para seguir este percurso, e completou: 

“Eis um bom propósito para a Quaresma: cultivar olhares atentos, tornar-se 'exploradores de luz', exploradores da luz de Jesus na oração e nas pessoas.”

Maria, resplandecente da luz de Deus

Por fim, o convite do Papa a uma reflexão interior: 

"Em meu caminho, mantenho os olhos fixos em Cristo que me acompanha? E para fazê-lo, dou espaço ao silêncio, à oração, à adoração? Por fim, busco cada pequeno raio da luz de Jesus, que se reflete em mim e em cada irmão e irmã que encontro? E me lembro de agradecê-lo por isso?" 

"Maria, resplandecente da luz de Deus, nos ajude a manter o olhar fixo em Jesus e a nos olharmos mutuamente com confiança e amor", conclui Francisco.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Primeira Pregação da Quaresma 2024 do cardeal Cantalamessa - Parte 3

Primeira Pregação da Quaresma do cardeal Cantalamessa

"Nós, porém, encontramo-nos aqui no contexto da Cúria, que não é uma comunidade religiosa ou matrimonial, mas de serviço e de trabalho eclesial. As ocasiões para não desperdiçar, se quisermos também nós sermos moídos para nos tornarmos trigo de Deus, são muitas, e cada um deve identificar e santificar aquela que lhe é oferecida em seu posto de serviço".

Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap
“EU SOU O PÃO DA VIDA”
Primeira Pregação da Quaresma de 2024

O objetivo final do deixar-se moer não é, porém, natureza ascética, mas mística; não serve tanto para mortificar a si mesmo, mas para criar a comunhão. É uma verdade esta, que tem acompanhado a catequese eucarística desde os primeiros dias da Igreja. Está presente já na Didaqué (IX,4), um escrito dos tempos apostólicos. Santo Agostinho desenvolve este tema de modo estupendo em um seu discurso ao povo. Ele põe em paralelo o processo que leva à formação do pão que é o corpo eucarístico de Cristo e o processo que leva à formação do seu corpo místico que é a Igreja. Dizia:

Lembrai-vos um instante o que era uma vez, quando estava ainda no campo, esta criatura que é o trigo: a terra a fez germinar, a chuva a nutriu; depois houve o trabalho do homem que a trouxe para a eira, a debulhou, a peneirou e a depositou nos celeiros; daí, levou-a para moê-la e cozinha-la e, assim, finalmente, tornou-se pão. Agora pensai novamente em vós mesmos: não existíeis e fostes criados, fostes trazidos à eira do Senhor, fostes debulhados... Quando destes vossos nomes para o batismo, começastes a ser moídos pelos jejuns e pelos exorcismos; depois, finalmente viestes à água fostes modelados e vos tornastes uma só coisa; sobrevindo o fogo do Espírito Santo, fostes cozidos e vos tornastes pão do Senhor. Eis o que recebestes. Como, portanto, vedes que é um o pão preparado, assim também sois vós uma só coisa, amando-vos, conservando a mesma fé, uma mesma esperança e indivisa caridade”[7].

Entre os dois corpos – o eucarístico e o místico da Igreja – não há somente semelhança, mas também dependências. É graças ao mistério pascal de Cristo operante na Eucaristia que nós podemos encontrar a força de nos deixar moer, dia após dia, nas pequenas (e às vezes nas grandes!) circunstâncias da vida.

*    *    *

Concluo com um episódio realmente ocorrido, narrado em um livro intitulado “O preço a pagar por me tornar cristão”, escrito em francês e traduzido em várias línguas. Ele serve, melhor do que longos discursos, para nos dar conta da potência encerrada nos solenes “Eu Sou” de Jesus no Evangelho e, particularmente, daquele que comentei nesta primeira meditação.

Há algumas décadas, em uma nação do Oriente Médio, dois soldados – um cristão e o outro não – encontraram-se juntos para fazer guarda a um depósito de armas. O cristão frequentemente tirava, às vezes também à noite, um pequeno livro e o lia, atraindo a curiosidade e a ironia do companheiro de armas. Certa noite, este último tem um sonho. Encontra-se diante de uma torrente que, porém, não consegue atravessar. Vê uma figura envolta de luz que lhe diz: “Para atravessá-la, precisas do pão da vida”. Fortemente impressionado pelo sonho, pela manhã, sem saber porque, pede, melhor, força o companheiro a lhe dar aquele seu livro misterioso (tratava-se naturalmente dos Evangelhos). Abre-o, e cai sobre o evangelho de João. O amigo cristão o aconselha a começar pelo de Mateus, que é mais fácil de entender. Mas ele, sem saber porque, insiste. Lê tudo avidamente, até chegar ao capítulo sexto. Mas, neste ponto, é bom escutar diretamente a sua narrativa:

Chegando ao capítulo sexto, detenho-me, tocado pela força de uma frase. Por um momento, penso ser vítima de uma alucinação, e volto a olhar o livro, no ponto onde me detive... Acabei de ler estas palavras: “...o pão da vida”. As mesmas palavras que ouvi há algumas horas em meu sonho. Releio lentamente a passagem na qual Jesus, voltando aos discípulos, diz: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome”. Desencadeia em mim, justamente naquele instante, algo de extraordinário, como uma explosão de calor e de bem-estar... Tenho a impressão de ser arrebatado, levado ao alto pela força de um sentimento jamais provado, uma paixão violenta, um amor desmedido por este homem Jesus, de quem falam os Evangelhos”[8].

O que, em seguida, esta pessoa teve que sofrer por sua fé, confirma a autenticidade da sua experiência. Nem sempre a palavra de Deus age em um modo assim explosivo, mas o exemplo, repito, mostra-nos que força divina está encerrada nos solenes “Eu Sou” de Cristo, que, com a graça de Deus, repropomo-nos comentar nesta Quaresma.

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Tradução de Frey Ricardo Luiz Farias 

Notas
[7] Cf. Agostinho, Sermo 229 (Denis 6) (PL 38, 1103).
[8] Cf. Joseph Fadelle, Le prix à payer. Les Editions de l’Oeuvre, Paris 2010.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais – e como evitar conflitos - Parte 2

Número de idosos no Brasil aumentou mais de 50% em pouco mais de uma década (GETTY IMAGE)

Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais – e como evitar conflitos

Por Vinícius Lemos

24 de fevereiro de 2024

Da BBC News Brasil em São Paulo

Inversão de papéis?

Nos casos em que os idosos preservam sua autonomia, é importante que as decisões e escolhas dos pais sejam respeitadas pelos filhos, dizem os especialistas.

“Incentivar a tomada de decisões (dos pais) sempre que possível e respeitar suas escolhas contribui para uma relação mais positiva”, afirma Falcão.

A dificuldade em respeitar a autonomia dos pais pode ocorrer por estereótipos relacionados à velhice e pelo etarismo (ou idadismo), o preconceito com pessoas mais velhas.

Mas, enquanto muitos idosos conseguem permanecer independentes, outros precisam de auxílio constante.

Em diversos cenários, principalmente quando se fala em cuidados intensos, muitas mulheres acabam sobrecarregadas.

Um levantamento divulgado em 2023 pela Fundação Seade, um sistema de análise de dados, mostrou que 90% dos cuidadores de pessoas com demência em São Paulo são do sexo feminino.

O número ilustra uma realidade que pesquisadores sobre o envelhecimento apontam que ocorre em todo o país.

“Comumente, as filhas que assumem o cuidado de pais idosos com doença de Alzheimer, por exemplo, com a evolução da demência, percebem uma inversão hierárquica de papéis, em que elas passam a ter mais poder e controle em relação a eles, levando-as muitas vezes a terem a sensação de que passaram a ser mãe deles”, diz Falcão.

Mas a geriatra Fernanda Andrade diz que o envelhecimento, embora implique que pais e filhos assumirão novos papeis, não significa que estes papeis serão invertidos e que os pais passam a ser os filhos da relação.

“Os pais nunca se tornam filhos. Filhos estão aprendendo, filhos estão sendo preparados para a vida adulta e são uma tela em branco para os pais colorirem da forma que julgam melhor”, diz.

"Pessoas idosas são telas rabiscadas, cheias de experiências e valores prévios já muito bem estabelecidos."

Cuidar de um pai ou mãe idosa ou de um filho pequeno são situações bem diferentes, diz Andrade.

"Um pai com sequela de AVC ou uma mãe com Alzheimer não está no script da vida de ninguém. Isso vira a vida dos filhos de cabeça para baixo, afeta o trabalho e aumenta os custos familiares, sem planejamento algum”, pontua.

"Coletivamente falando, são poucas as pessoas compreensivas com os filhos cuidadores. Ai de você caso falte no emprego porque a sua mãe teve febre!”, acrescenta Andrade.

Envelhecimento saudável

De forma geral, é difícil prever quais serão exatamente os desafios enfrentados nesta fase da vida.

"A realidade do envelhecimento no Brasil é bem heterogênea", diz a geriatra Fernanda Andrade.

"Envelhecer bem não é só uma questão genética, mas também ambiental e está relacionada ao acesso a melhores cuidados de saúde.”

Os especialistas defendem que pessoas idosas não devem ser vistas como alguém que está necessariamente doente ou que está perto de morrer.

Possíveis problemas de saúde física ou mental, fragilidade e diminuição da capacidade funcional não devem ser um impedimento para uma velhice confortável, dentro do possível que a saúde permitir.

Em qualquer cenário, que varia conforme os cuidados que os pais precisarem, é importante que os filhos sempre tentem ser uma forma de apoio.

“Antigamente a pessoa envelhecia, adoecia e morria. Ser velho era quase uma sentença de dependência física ou cognitiva”, pontua Andrade.

"Hoje, temos uma gama enorme de pessoas envelhecendo e bem. Ativas, trabalhando, saudáveis. Mas isso ainda é recente. Leva-se tempo para mudar uma cultura.”

Cada situação e condição de saúde dos pais vai exigir um tipo de apoio diferente.

Uma das principais formas com que filhos podem apoiar seus pais nesse período, segundo especialistas, é incentivar que uma pessoa idosa cuide das doenças crônicas que surgem nessa idade para que tenham boa qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, é importante que os filhos incentivem os pais a se exercitarem fisicamente e mentalmente – por meio de leituras e diferentes tipos de aprendizados, como o de um novo idioma.

“É importante reconhecer e apoiar o bem-estar emocional dos pais. Isso envolve estar atento a sinais de depressão, solidão ou ansiedade, e buscar ajuda profissional quando necessário”, diz Falcão.

Os benefícios de se planejar e de ter uma relação próxima

Uma forma de tornar esse período da vida mais suave é se planejar para o envelhecimento, apontam as especialistas ouvidas pela reportagem.

“Aqueles filhos que participam de discussões sobre planejamento antecipado, como cuidados de saúde e decisões financeiras, tendem a lidar de maneira mais eficaz com o envelhecimento dos pais”, afirma Falcão.

Mas esse planejamento, dizem as especialistas, ainda é pouco debatido nas famílias, que acabam enfrentando cada problema conforme eles vão surgindo.

“A educação para o envelhecimento é vital, pois nos capacita a enfrentar as transições com compreensão e empatia, o que favorece a qualidade de vida e a autonomia”, declara Falcão.

Ao mesmo tempo, nem tudo é dificuldade quando se fala em acompanhar o envelhecimento dos pais. Há benefícios ao tentar estar perto deles durante esse período.

“Conviver com os pais mais velhos e cuidar deles permite que a gente reveja laços e acerte pendências”, diz Andrade.

“Encarar o declínio e a finitude da vida de alguém também nos faz refletir sobre a nossa própria vida, valores e sobre como queremos ser cuidados na nossa velhice.”

O bom relacionamento com os filhos costuma ser fundamental para que os pais encarem os momentos mais difíceis do envelhecimento. Isso também pode ajudar os próprios filhos.

“A dinâmica familiar positiva, com expressões de afeto e envolvimento do idoso nas atividades familiares, contribui para melhorar o relacionamento entre pais e filhos”, afirma Falcão.

Pesquisas sugerem que os vínculos positivos com os pais idosos são também uma fonte de apoio para os filhos cuidadores, acrescenta a especialista.

“É importante destacar que, embora os desafios sejam comuns, o envelhecimento também pode trazer oportunidades de crescimento pessoal, novos aprendizados e formas de se envolver com a vida", diz Falcão.

"Adotar uma abordagem positiva e proativa para enfrentar esses desafios pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e satisfatório.”

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese

Exercícios Espirituais com o cardeal Cantalamessa (V)

Exercícios Espirituais - Cardeal Cantalamessa (Vatican News)

De 19 a 24 de fevereiro, é proposto um minuto com o pregador da Casa Pontifícia para rezar com o Papa e a Cúria Romana através das redes sociais do Vatican News.

https://youtu.be/9_fGJTuv8o0

Vatican News

Nesta semana em que o Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana estão fazendo os Exercícios Espirituais da Quaresma, o Vatican News propõe em suas redes sociais X, Facebook, Instagram e WhatsApp uma reflexão por dia, de 19 a 24 de fevereiro, do pregador da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa.

"Pediram-me para compartilhar com vocês, durante seis dias, uma reflexão de cerca de um minuto. Existem, no mundo, poucas palavras capazes de dizer em um minuto o suficiente para preencher um dia e, de fato, uma vida: aquelas que saem da boca de Jesus. Oferecerei a vocês uma de cada vez, pedindo-lhes que a 'mastiguem' durante todo o dia, como se fosse uma goma de mascar da alma", disse o cardeal Cantalamessa.

A reflexão do cardeal

A palavra que nos acompanha hoje é aquela que Jesus dirigiu a Zaqueu, que subiu numa figueira para vê-Lo. Passando por ali, Jesus levantou o olhar e em tom de convite, não de repreensão, lhe disse: "Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje!". Zaqueu sou eu que falo e Zaqueu é você que ouve. "Quero ficar em sua casa", dito a nós, significa: Quero entrar na intimidade da sua vida. Não é suficiente encontrar você em meio à multidão, nem mesmo na Igreja. Evoquemos em nossa mente o convite do Papa Francisco no início da sua Evangelii Gaudium: "Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar".

No que consiste este famoso "encontro pessoal" com Cristo? Eu digo que é como encontrar uma pessoa ao vivo, depois de tê-la conhecido por anos só em fotografia. Ajuda a entender a diferença, o que acontece no âmbito humano quando se passa do conhecer uma pessoa a se apaixonar por ela. Se você é um jovem ou uma jovem, é capaz de entender isso melhor do que ninguém. Não há senão a paixão que transforma realmente a vida. Seja aquela natural, seja aquela do espírito. E Jesus é um apaixonado que jamais desilude!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF